Bispos estão preocupados com possível desaparição do cristianismo

Os bispos europeus expressaram sua preocupação pela “situação de opressão” na qual vivem os cristãos do Oriente Médio e pelo “perigo de desaparecer o Cristianismo nos lugares onde nasceu e existiu por dois mil anos”.

Esta foi a tônica da sessão plenária de primavera da Comissão dos Bispos da Comunidade Europeia (COMECE), que teve como tema “A Igreja cristã no Magreb e no Mashriq”, revelou o Bispo de Rotterdam e Presidente desse organismo episcopal, Dom Adrianus van Luyn.

Ainda estamos chocados, disse o Presidente Van Luyn, com os atentados sanguinários contra a Igreja no Egito e no Iraque”, referindo-se às revoluções que nestes últimos meses se desenvolveram nos países do Norte da África, em nome da liberdade e da democracia.

“Apesar das evoluções das últimas semanas, a situação das minorias cristãs continua precária. É necessário protegê-las”, disse ainda o presidente da COMECE.

Em seu discurso sobre a catástrofe que atingiu o Japão, Dom Van Lyn pediu uma reflexão sobre a utilização da energia nuclear e sobretudo no tocante ao estilo de vida que requer uso desproporcional de energia.

Sobre o caso do Egito, o Cardeal Antonios Naguib, advertiu para o risco de que o clamor dos jovens pela democracia poderia cair no esquecimento. “O movimento juvenil não tem líderes reconhecidos e nem estrutura para enfrentar as próximas eleições. Precisam de tempo!”, exclamou.

Outro fator de risco para a transição democrática no Egito, segundo o Cardeal Naguib, é o artigo 2 da Constituição, que prevê a lei islâmica como fonte principal do direito.

“Como Igreja decidimos não levantar a questão para não prejudicar a coesão nacional, deixando-a para quando a mudança da Constituição for tratada. Somos propensos à democracia e por isso nos preocupa este artigo ser mantido na implantação da futura Constituição” afirmou o purpurado recordando que “ no País a igualdade não é aplicada a todos igualmente”, apesar de termos artigos que prevejam isso.

Por sua parte, o arcebispo maronita do Chipre, Dom Yousseif, revelou que “os cristãos, como também disse o Sínodo para o Oriente Médio, são portadores de cultura e de esperança, de paz e de reconciliação”.

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