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O que você faria hoje se o mundo fosse acabar amanhã?

Jéssica Marçal – Da Redação Canção Nova

O que você faria hoje se o mundo fosse acabar amanhã? Segundo especulações mais recentes, o mundo irá acabar daqui a aproximadamente duas semanas, no dia 21 de dezembro.

O fim do mundo é um assunto que preocupa muita gente e causa diversas reações: medo, agitação, ansiedade, indiferença. Tais comportamentos podem variar de acordo com a filosofia de vida de cada pessoa, com sua crença.

Os católicos, por exemplo, acreditam no fim dos tempos, que se refere à segunda vinda de Cristo, o que não significa que o mundo vai acabar.

“Nós acreditamos que, com a segunda vinda de Cristo, acontecerá céus novos e terra nova, onde nós viveremos com Cristo. Fim do mundo é a morte, fim deste mundo. Só que nós acreditamos que nós somos apenas peregrinos neste mundo, o nosso lugar é o céu”, comentou o padre Arlon Cristian da Costa, da Comunidade Canção Nova.

Assim sendo, o sacerdote lembrou que a Igreja não acredita que o mundo vai acabar no dia 21 de dezembro. O padre Demétrio Gomes, Diretor do Instituto Filosófico e Teológico do Seminário São José, na arquidiocese de Niterói (RJ), explicou que, a partir da Revelação, sabe-se que o mundo não é definitivo, o que significa que ele terá o seu fim. Porém, não se sabe quando isso vai acontecer.

“O próprio Filho do Homem disse que nós não sabemos nem o dia e nem a hora em que isso acontecerá. Então desde o início dos séculos sempre apareceram falsos profetas que anunciaram o fim do mundo e, como era de se esperar, todas essas previsões deram por água abaixo, continua sendo válido aquilo que o Senhor disse a seus discípulos”.

Comportamento humano diante do fim do mundo

Várias são as hipóteses levantadas para o fim do mundo, mas o que costuma ser comum é o comportamento do homem frente a essa possibilidade. Normalmente, as pessoas tendem a se preocupar com o aspecto material, querendo realizar tudo aquilo que elas não puderam fazer. O lado espiritual, por sua vez, nem sempre é contemplado.

Para o padre Adilson Ribeiro dos Santos, coordenador do grupo de psicólogos católicos da arquidiocese do Rio, as pessoas são fruto do tempo presente e hoje elas estão inseridas em um mundo consumista, que colocam desejos passageiros e que deixam as pessoas em um ritmo frenético. Dessa forma, passam a querer adquirir tudo a todo custo.

Viver uma situação dessas, segundo o padre, vai causando um esvaziamento de si mesmo, uma falta de princípio de valores e deixa o homem angustiado e ansioso. “Dentro do campo do comportamento humano, é o que resulta nesse consumismo desenfreado”.

Rompimento com os valores

Diante da hipótese da proximidade do fim do mundo, é possível o surgimento de desejos que a pessoa não alimentaria em sua vida, talvez por ir contra suas crenças e comportamentos mais enraizados.

Segundo padre Adilson, as pessoas vivem a partir de normas e, tomando como exemplo o campo religioso, elas se adequam a essas regras porque desejam viver a experiência com Deus. No entanto, o mundo também provoca desejos.

“O tempo presente também vai te provocando outras coisas que você, às vezes, deixa de fazer e, vendo que o fim do mundo está prestes a acontecer, às vezes brota também o desejo de viver essas situações que estão em desacordo com a fé”.

O padre enxerga essa questão como uma certa imaturidade, um fenômeno que ele chama de “adultossência”. Isso seria o fato de que a pessoa está em uma fase em que deveria ser madura, mas não é.

“Por você, emocionalmente e psicologicamente, ainda não estar bem assentado e desenvolvido no processo humano, você acaba regredindo e tendo comportamentos às vezes impulsivos e aí vai se deixando influenciar por aqueles que estão à sua volta”, disse.

Preparação espiritual

E se por um lado o fim do mundo desperta a vontade de satisfazer desejos humanos, mesmo os mais improváveis e surpreendentes, por outro coloca em questão o aspecto espiritual.

A partir da passagem bíblica presente em Ato dos Apóstolos (1, 4-8), o teólogo e professor Felipe Aquino comentou que a Igreja entende que Deus não quer que a gente faça especulações sobre quando Jesus vai voltar, principalmente no sentido de marcar datas.

“O que a Igreja recomenda mesmo, e inclusive nesse tempo do Advento se insiste, é que a gente esteja preparado. Assim como a gente deve estar preparado para a primeira vinda dele no Natal, a gente deve estar preparado para a sua segunda vinda”.

Padre Demétrio lembrou que tudo o que gera temor em relação ao futuro não é do espírito cristão, uma vez que o Senhor é o “Príncipe da Paz” e não quer gerar essa má ansiedade no coração de seus filhos.

“Ele quer sim que nós, esperando sua vinda gloriosa, esperando o fim desse mundo passageiro e o começo de uma nova criação, nós estejamos a todo momento preparados através de uma contínua purificação e conversão para que quando Ele venha encontre em nós a imagem de seu Filho, homens e mulheres restaurados pelo Cristo e Ele, identificando o seu Filho em cada um de nós, nos acolherá para vivermos eternamente com Ele no céu. Essa deve ser a nossa atitude”.

A 19 dias do “fim do mundo” (não vai acabar): veja o que as religiões pensam sobre o fim e a profecia Maia

Cartaz do filme de ficção 2012
Cartaz do filme de ficção 2012

Terra – Quase todas as religiões falam de um apocalipse, de uma renovação dos seres, do retorno de um messias ou de transições para novas eras. Mas elas não dão uma data para esses acontecimentos. Para muitas pessoas, esse dia está bem próximo: 21 de dezembro de 2012.

Há muitos rumores sobre 21/12/2012. Tem quem diga que a vida na Terra se extingue nessa data, como teria previsto uma profecia da civilização maia. Entre as catástrofes para o dia derradeiro, estariam chuva de meteoros, planetas em rota de colisão com a Terra, erupções solares e inversão dos polos. Pessoas estão se escondendo em bunkers, alertando familiares, estocando comida e até se refugiando em casas preparadas para os piores desastres. Até a Nasa lançou nota oficial sobre o assunto, com receio de suicídios coletivos prévios ao suposto apocalipse.

Por sorte, não há fatos nem lógica que corrobore os boatos. O psicanalista e espiritualista Lázaro Freire explica que tudo não passa de interpretações errôneas do calendário maia. Segundo Freire, não há profecias detalhadas de autoria da cultura maia sobre o que poderia acontecer com o mundo em 2012. O que existe é uma data final para o calendário maia, o qual se encerra neste ano. Mas, como a civilização foi exterminada por volta de 1500, no México, é compreensível que suas previsões não tenham ido mais longe.

Não se sabe explicar ainda por que o mito foi tão alimentado. Boa parte do que está escrito nos calendários “maias” que vêm sendo distribuídos recentemente contém elementos de outras culturas, como hexagramas (origem chinesa), chacras (origem hindu), entre outros que pouco ou não tem a ver com algo que teria vindo do México. Outro elemento que pode ter tumultuado o imaginário popular é o filme 2012, lançado em 2009. A obra, estrelada por John Cusack, mostra um grupo de pessoas tentando se salvar em um mundo repleto de ameaças, como erupções de vulcões, terremotos e tsunamis.

Outra correlação feita é a do conhecimento dos maias em relação à astronomia e às citações de uma nova era, mas muitos povos têm suas interpretações e previsões a respeito de diferentes eras. Para o membro da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, o teólogo Isidoro Mazzarolo, boatos sobre o fim do mundo foram muito comuns na história do Ocidente. Ele acredita, porém, que ninguém tenha conhecimento suficiente para identificar uma “causa eficiente” que possa provocar, de fato, a destruição do planeta Terra.

As religiões têm diferentes visões sobre o tema. Confira

Pluralismo (1)

Catolicismo

O teólogo e professor da PUC-RJ Isidoro Mazzarolo explica que a religião católica, em particular, e o Cristianismo, em geral, veem o fim do mundo como o Apocalipse. No Apocalipse Cristão, o fim do mundo está ligado à Segunda Vinda de Cristo e à instauração de uma nova terra e um novo céu. “(Para os católicos) a data desse acontecimento ninguém conhece, somente Deus sabe. É no livro de Isaías (o terceiro livro bíblico), como a restauração de Israel, depois do exílio da Babilônia e entendido como nova etapa da história do povo, governado por Deus”, afirma Mazzarolo.

Protestantes (Evangélica)

As religiões evangélicas pentecostais e não pentecostais têm uma visão similar à Católica: ninguém exatamente sabe quando acontecerá o fim do mundo. Entretanto diversos seguidores do Evangelho nos Estados Unidos estão estocando alimentos e outros utensílios como forma de preparação para um possível fim do mundo em 2012. De acordo com uma pesquisa encomendada pela CNN e pela revista Time, aproximadamente um terço dos 50 milhões de evangélicos americanos acreditam que o fim do mundo está próximo ,e que Israel terá um papel central no “desencadeamento dos eventos apocalípticos”.

Muçulmana

De acordo com Gamal Foaud El Oumari, vice-presidente da Comunidade Muçulmana do Paraná e membro do Instituto Brasileiro de Estudos Islâmicos, os muçulmanos professam que apenas Allá sabe ao certo quando o mundo ruirá. Porém, segundo El Oumari, algumas profecias se concretizarão, mas os muçulmanos “devem saber diferenciar a profecia Divina da mundana, que é proferida pelos seres humanos. A profecia maia é vista dessa forma e não mereceria crédito”.

No fim do mundo, na crença muçulmana, Deus virá para acabar com a injustiça e a opressão. Imam Mahdi, último sucessor do profeta Mohammad, viria junto com Jesus Cristo, para apoiá-lo a combater as injustiças na Terra.

Espiritismo

Segundo o vice-presidente da Federação Espírita Brasileira, Geraldo Campetti Sobrinho, os Espíritas acreditam que a Terra vive um momento de transição, saindo de “uma fase onde impera mal para um mundo um pouco mais feliz”. Para Sobrinho, na visão espírita, o bem venceria em outro mundo, mas que não é possível precisar uma data como na profecia maia. “Allan Kardec (que viveu até 1869, na França), em sua época, dizia que o processo de renovação da Terra já havia iniciado. Estamos todos sendo testados individualmente nesse momento de transição”, explicou Sobrinho.

Judaísmo

Diferentemente das religiões Cristãs e do Islamismo, os judeus não acreditam que um Messias já tenha passado pela Terra. Portanto, na visão Judaica, o Messias ainda está por vir para preparar os humanos para uma nova fase, na qual o mundo seria mais elevado, e a natureza, transformada. “Antes disso, ainda acontecerá a Ressurreição dos Mortos, onde os justos são resgatados para viver essa época”, afirmou o rabino Hugo Gitz. Segundo ele, não há uma data prevista para esse acontecimento.

Budismo

No Budismo, não existe uma menção específica ao fim do mundo. Entretanto há uma teoria similar ao que seria o Apocalipse das religiões Cristãs. A era Mappou significa término ou final – um momento de transformação, em cenário “atemporal” no qual os ensinamentos, práticas e efeitos do Dharma (lei natural) se ocultariam em função da ignorância dos seres.