“Vigiar e orar” são as ações deste Advento, diz o Papa

Papa Francisco

Vatican News | Vigiar e orar: o Papa Francisco indicou estas atitudes, recomendadas por Jesus e expressas no Evangelho de Lucas, como o caminho, neste início de Advento, para “sairmos de um modo de vida resignado e habitual e alimentar esperanças e sonhos para um novo futuro, com a vinda de Deus”.

Falando de sua sacada na Praça São Pedro neste primeiro domingo de Advento (02/12), diante de milhares de pessoas, o Pontífice iniciou sua reflexão lembrando que no Advento, não vivemos apenas a espera do Natal; pois “Natal não é somente pensar no que possso comprar”.

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Natal é Jesus no meio de nós

Dom Celso A. Marchiori
Bispo de Apucarana

No dia 25 de dezembro celebramos a grande festa do nascimento de Jesus, nosso Senhor e Salvador. Para esta festa religiosa, todos nos preparamos com um tempo litúrgico, que chamamos de advento. O tempo do Advento, composto de quatro domingos, ajuda-nos a refletir, à luz da Palavra de Deus, sobre a primeira e a segunda vinda de Jesus. Podemos também pensar, contemplando a nossa história, sobre a vinda de Jesus, para a qual já estamos nos preparando, à medida em que vamos nos identificando com Cristo, por meio de nossas atitudes, ações e decisões que precisamos tomar diariamente relacionadas à nossa família, ao mundo do trabalho e às nossas comunidades eclesiais. Dessa forma, conduzidos pela fé, mediante nosso testemunho e ação missionária, as realidades humanas, marcadas por sinais de morte, vão se transformando num ambiente de vida, onde passará a reinar a paz, a alegria, a justiça, o amor e o perdão, e o reino de Deus certamente já estará acontecendo entre nós.

Um forte apelo que a Palavra de Deus nos faz na liturgia do advento, neste tempo preparatório para celebrarmos o nascimento de Jesus, é a necessidade de uma conversão profunda, que requer mudanças significativas das nossas estruturas pessoais, familiares, comunitárias e sociais.

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O documento 104 da CNBB, seguindo o espírito do documento de Aparecida, fala-nos da necessidade de uma conversão pastoral na Igreja. Uma mudança de paradigmas, no jeito de evangelizar, na maneira de levarmos avante o convite de Jesus: “Ide, fazei  discípulos entre todas as nações” (cf. Mt 28, 19). Os bispos falam que estamos vivendo um tempo marcado por grandes mudanças, uma nova época que “nos desafia a rever a nossa ação evangelizadora e pastoral-paroquial em vista da urgência de uma nova evangelização” (CNBB 104, 84). E, diante disso, não podemos ignorar de que somos membros de uma Igreja que está em estado permanente de missão.

Que o tempo litúrgico para a celebração do nascimento de Jesus nos favoreça a essa conversão pastoral, pela qual a ação evangelizadora da Igreja será sempre mais eficaz apostolicamente; e que nos tornemos mais abertos e dispostos, sustentados pela fé, esperança e caridade, a viver comprometidos, numa dinâmica vida comunitária, como ardorosos discípulos missionários de Cristo.

Então, com toda a alegria, suscitada pela contemplação do menino Jesus no presépio, poderemos proclamar esta incentivadora Palavra: “Vamos até Belém e vejamos o que se realizou e o que o Senhor nos manifestou” (Lc 2,15b). Pois é aí que vamos encontrar aquele que “o nosso coração ama” (cf. Ct 3, 4), que é nossa paz, nossa alegria, “o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14, 6), a fonte de nossa verdadeira felicidade e a razão que nos motiva a renovarmos nossas paróquias em autênticas redes de comunidades, onde haveremos “de proclamar que Jesus é o Senhor da Vida e que é o único que pode trazer a vida em abundância para todos” (cf. Jo 10,10).

Acompanhando a Sagrada Família desde Belém, possamos com firmeza, à luz da fé, brilhar para o mundo e enveredar nossos passos pelas sendas da justiça, da paz e do amor, em busca de uma sociedade fraternalmente mais rica de humanidade. Que Jesus Menino vos abençoe!

O trem da CEB’s vem aí: CNBB quer fortalecer movimento para recuperar fieis

Preocupada com a renovação das paróquias, a 51ª Assembleia dos Bispos, que terminou na última sexta, incluiu as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) entre algumas das iniciativas para recuperar a presença da Igreja Católica nas áreas mais pobres, onde ocorre uma grande ação das igrejas neo-pentecostais.

“É um jeito de fazer com que os leigos lá na base comecem novamente a se articular”, disse d. Severino Clasen, presidente para comissão para o laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ao defender uma CEB menos ideológica.

As CEB’s surgiram logo após o Concílio Vaticano 2º (1962-65), e foram impulsionadas pelo Documento de Medellín (1968) e pela Teologia da Libertação que na época era muito mais forte que hoje. Muitos ligaram o movimento a esquerda,  principalmente ao PT – Partido dos Trabalhadores – e movimentos sociais. O auge das CEB’s foi nos anos 1980, em regiões pobres, com uma crítica que unia princípios cristãos a uma ótica de esquerda, na visão dos direita, mais evangelista na missão do samaritano.

Em meio à oposição velada dos papas João Paulo 2º e Bento 16, que nomearam bispos contrários à aproximação com a esquerda, as CEB’s perderam força. O advento da Renovação Carismática Católica – RCC – também contribuiu para uma diminuição de popularidade do movimento.

trenzinho_das_cebsPara o padre Benedito Ferraro, assessor da Ampliada Nacional das CEBs, a volta da discussão é um reconhecimento de parte dos bispos de que a retração abriu espaço para as evangélicas, como a Assembleia de Deus. Hoje, diz, as CEBs são minoria entre os grupos eclesiais na periferia. Ferraro diz que não há números precisos sobre as CEBs, mas que elas estão presentes em todo o país. Prova disso são os movimentos ligados a ela como a Pastoral da Juventude e Patoral Operária, por exemplo.

O início da retomada das CEBs foi em 2007, na Conferência do Episcopado Latino-Americano, onde foi aprovado um documento cujo relator foi o bispo argentino Jorge Mario Bergoglio, hoje papa Francisco, com trechos bastante favoráveis às CEBs.

Os elogios, porém, foram diluídos quando o Documento de Aparecida passou por uma revisão da Cúria Romana do papa Bento 16.

“O modo como aconteceu repercutiu negativamente”, disse o bispo italiano de Adriano Vasino. “Isso é um dos problemas que a Igreja está tentando resolver, ter maior transparência em tudo.”

Vasino diz que o tema continua a dividir a CNBB entre “bispos que acreditam claramente nesse modelo” e “outros que, por experiências negativas, resquícios, consideram as comunidades ligadas só ao social ou a ideias descritas como comunistas”.

Defensores das CEBs esperam mais apoio do papa Francisco. Tanto por ter participado do Documento de Aparecida quanto pela defesa de uma “igreja para os pobres” –embora sem viés esquerdista.

A retomada, porém, não deverá ter a mesma força de antes, avalia o ex-arcebispo do ABC, cardeal d. Cláudio Hummes. “[As CEBs] talvez representem uma época, da ditadura militar, e foi aí que o povo conseguiu ter voz”, disse. “Em 30 anos, se faz um longo caminho. Então eu não posso simplesmente repetir o discurso de 1980 nem a prática de 1980 ao pé da letra.”

Os tempos são outros

Atualmente dentro da própria igreja os movimentos de CEB’s sofrem muitas críticas devido a proximidade de assuntos que a Igreja, em sua mãe condena. Um dos assuntos é a aproximação partidária dos membros, que hoje se difunde também na RCC. Outra coisa que muitos criticam é a mistura de costumes à liturgia da igreja.

Como disse Dom Cláudio Hummes, os tempos são outros. Hoje não há ditadura no país. A CEB’s terá um grande desafio pela frente, como costuma-se dizer nas reuniões do grupos “um novo-velho jeito de ser igreja” terá de fato de se tornar novo. Evitar a aproximação partidária e de causas contrárias a fé como o aborto, o casamento gay, dentre outros deveram ser debatidos com maior sinceridade e menos partidarismo.

A Liturgia é outro ponto. Os movimentos de CEB’s são taxados por incluírem elementos de outras culturas à liturgia. Por muitos criticados, deverá ser um ponto importante no item renovação.

Com informações da Folha de São Paulo

Advento: a esperança nunca acabará

Como fez para outros tempos do ano litúrgico, o Vaticano II enriqueceu notavelmente de leituras bíblicas o período do Advento. Os três ciclos para os quatro domingos, as leituras cotidianas da missa durante essas quatro semanas, apresentam um tesouro considerável, digno de uma atenta catequese. O novo calendário romano, no n. 39, cuidou de exprimir o significado do Advento: “O tempo do Advento tem uma dupla característica: é tempo de preparação para a solenidade do Natal, em que se recorda a primeira vinda do Filho de Deus entre os homens e simultaneamente é o tempo no qual, através desta recordação, o espírito é conduzido à espera da segunda vinda de Cristo no final dos tempos”. Esse significado envolve o lecionário inteiro: a escolha de cada perícope evangélica não só confere a cada celebração seu colorido litúrgico particular, mas determina, pelo menos para os grandes tempos do ano, a escolha das outras leituras ductilmente harmonizadas com ela.

DOMINGOS DO ADVENTO

Os domingos exprimem uma continua progressão partindo do segundo advento, ligado ao último domingo do ano, embora sempre sublinhem o nascimento de Jesus, para chegar à encarnação do Verbo. O número das perícopes escriturísticas é impressionante e confere à celebração do Advento uma riqueza teológica incomparável. Observe-se a discreta harmonização entre as três leituras do mesmo domingo. Somos pois convidados a ler e a estudar os textos na sua recíproca ligação no âmbito da celebração de um mesmo domingo, mas também na sua ligação com os textos dos domingos seguintes. Basta olhar simplesmente a tabela das leituras na tradição romana, para o leitor tomar consciência de que as leituras do Lecionário do Vaticano II se inspiraram amplamente na escolha dos lecionários precedentes. Mas o lecionário atual propõe também duas leituras próprias para cada dia das quatro semanas do Advento: é mais uma riqueza, que infelizmente nos é impossível comentar aqui. Vamos limitar-nos a oferecer uma brevíssima síntese apenas das leituras dominicais.

A tonalidade de fundo que percorre o 1º domingo é a da espera vigilante do Senhor. Ele anuncia o seu retorno. Devemos estar alertas. As nações se reunirão. O dia está próximo (ciclo A). De fato, esperamos que o Senhor Jesus se revele. Quando vier, tudo será restaurado, o universo e cada um de nós (ciclo B). E preciso vigiar e estar pronto para comparecer de pé diante do Filho do homem. Um germe de justiça se instaurará no fim dos tempos, pelo que devemos estar firmes e irrepreensíveis (ciclo C).

Se o reino dos céus está próximo, é mister preparar os caminhos. É o tema específico do 2º domingo do Advento. O Espírito está sobre o Senhor e nele as promessas são confirmadas (ciclo A). Preparar os caminhos significa preparar um mundo novo, uma terra nova (ciclo B). Devemos saber ver a salvação de Deus, cobrir-nos como manto da justiça e revestir-nos do esplendor da glória do Senhor (ciclo C).

O 3º domingo apresenta os tempos messiânicos. Deus vem salvar-nos, a sua vinda está próxima, as curas são o sinal da sua presença (ciclo A). No meio de nós está alguém que não conhecemos. Exultamos pela presença de quem está marcado pelo Espírito (ciclo B). Um mais poderoso que João Batista deve chegar. Já está aqui. E esse o tempo da fraternidade e da justiça (ciclo C).

O 4º domingo do Advento anuncia a vinda iminente do Messias. José foi pré-advertido. Uma Virgem conceberá o Filho de Deus, Jesus Cristo, da estirpe de Davi (ciclo A). A noticia é comunicada a Maria. O trono de Davi será firme para sempre. O mistério calado por Deus durante séculos é agora revelado (ciclo B). Também Isabel agora sabe. De Judá sairá aquele que vai reger Israel. Ele vem para cumprir a vontade de Deus (ciclo C).

SÍMBOLOS DO ADVENTO 

Denominamos de Advento o tempo correspondente aos 4 domingos, às 4 semanas antes do Natal. Este tempo pode ser de 22 a 28 dias, dependendo do ano e, conseqüentemente do dia da semana em que caem o 25 de dezembro. Muitas tradições e conteúdos estão relacionados com esse tempo.

Início do Ano Litúrgico: para a Igreja Cristã no Advento inicia-se o novo ano. O primeiro Domingo de Advento é o início do calendário litúrgico da Igreja que organiza e determina as comemorações, as celebrações e os principais conteúdos da vida comunitária dos cristãos; por exemplo: Advento, Natal, Epifânia, Paixão, Páscoa, Ascensão, Pentecostes, Trindade, Ação de Graças, Reforma, Eternidade.

Espera e Vigília: Advento significa “vinda”, “chegada”. Está relacionado à chegada de Deus ao mundo. Tempo determinado para a preparação da festa do nascimento de Jesus. Ao mesmo tempo, esta “espera” recebe os traços litúrgicos e de comportamento próprios de uma “vigília”, a partir do impacto da expectativa das comunidades cristãs (venha o teu reino) relacionada à nova vinda de Cristo, à chegada do “novo Céu e a nova terra”. Temos nesta época conteúdos de fé e tradições cristãs que promovem a alegria, causada pelas dádivas de Deus relacionadas ao nascimento de Jesus e pela expectativa de uma ação salvadora plena que ainda vai chegar, neste caso uma antecipação da grande alegria vindoura.

Esperança: advento é um tempo apropriado para fomentar a construção da esperança, uma esperança que transcende os limites das necessidades materiais e imediatas, uma esperança que inclui uma visão de mundo, de tempo e espaço onde é possível a dignidade, a justiça, a paz e o amor, o equilíbrio da vida e da Criação de Deus. Para a construção desta esperança necessário se faz re-elaborar e resistir aos apelos do consumo, próprios desta época em que o comercio e outras ações típicas da sociedade de consumo propõe, subvertendo os conteúdos e as tradições criadas em torno do Natal de Deus no mundo.

COROA DO ADVENTO

A coroa de advento é feita com ramos verdes, geralmente envolvida por uma fita vermelha e nela 4 velas são afixadas. Ela simboliza e comunica que naquela Igreja, casa, escritório ou qualquer espaço em que ela esteja vivem pessoas que se preparam com alegria para celebrar a vinda de Deus ao mundo, o Natal.

O círculo da coroa: simboliza a nova aliança de Deus com a humanidade. Esta nova aliança é celebrada no sacramento da Santa Ceia. Ao círculo da coroa pode ser relacionado também a coroa de espinhos colocada na cabeça de Jesus naquela semana em que foi crucificado – a nova aliança foi feita pelo Jesus negado e rejeitado, com humildade e doação. Os ramos verdes, os ramos mesmo cortados permanecem verdes por semanas: comunicam a esperança, uma esperança que leva a perseverança, uma entrega total da vida a Deus.

A fita vermelha: a cor vermelha na tradição litúrgica está ligada à cor do fogo e do sangue. Simboliza a cor da vida, do amor e ao mesmo tempo do derramamento do sangue, sacrifício. A nova aliança de Deus com a humanidade foi feita com amor, doação, sacrifício e trouxe a vida plena e eterna.

As 4 velas: uma vela para cada domingo que antecede ao dia 25 de dezembro. Alguns registros históricos contam que a coroa de advento surgiu em uma instituição que abrigava crianças pobres. Inicialmente ela continha entre 22 a 28 velas, uma para cada dia do tempo de advento. Devido aos custos diminuiu-se o número de velas. As velas da coroa são acesas (a cada domingo mais uma), para iluminar a Vigília do Advento, a preparação para vinda da luz ao mundo. Simboliza que Jesus Cristo é a luz do mundo. Comunica a alegria da vida que procede de Deus, aquela que vai além dos limites que a vida no mundo impõe.

Advento é tempo de voltar-nos para o Deus que nos ama e que está bem perto de nós. É tempo da fé nas coisas novas, no novo céu e nova terra onde habita a justiça e a paz. É tempo de limpeza e arrependimento, de opção por uma vida saudável em que sobra espaço para a solidariedade, a verdade, a paz e a comunhão. É tempo da construção da esperança e da vida comunitária que rompem os nossos limites e entendimento. É tempo de alegria, de festejar o amor de Deus por nós.

imagens da internet

#NoNatal eu comemoro o nascimento de Jesus. E Você?

No último dia 25/11 celebramos o dia de Cristo Rei do Universo e com a proclamação de Jesus como nosso rei encerramos mais um ano. Para a Igreja o ano termina com está festa. Isto significa que já estamos em um novo ano e que estamos nos preparando para a chegada de?… Errado quem respondeu Papai Noel. Estamos preparando para a vinda de Jesus.

No natal não comemoramos os “presentes do Papai Noel”, mas sim o maior presente que Deus nos deu, enquanto humanidade, seu filho Jesus. No natal celebramos o nascimento de nosso salvador. Aquele que nos deu a vida de volta e definitiva.

Pensando nisso, neste tempo de preparação para o nascimento de Cristo, advento (que ainda vamos falar sobre ele aqui no blog), O Anunciador sugere uma campanha nas redes sociais, blogs e sites católicos, nas igrejas e onde quer que um cristão esteja. Ensine aos seus que no Natal celebramos Jesus. Comemoro seu nascimento. Sua vinda

Use no twitter a hashtag #NoNatalEuComemoroJesus ou #NoNatal e coloque a frente a ideia da campanha. No face produza memes, como os que estão abaixo (irei fazer mais ao decorrer do mês) e também compartilhe. Vamos começar uma catequese sobre o Natal.

Papai Noel não existe. Trocar presentes é até bem vindo, mas sempre lembrando que o grande homenageado neste natal é Jesus.

Advento nas comunidades

Dom Genival Saraiva

Bispo de Palmares – PE

A liturgia católica introduz e acompanha os fiéis na celebração do mistério de Cristo que é vivenciado, ao longo do Ano Litúrgico. Na sua sábia pedagogia, a liturgia faz o percurso da vida natural e divina de Jesus. Daí iniciar-se o Ano Litúrgico, precisamente, com o Ciclo do Natal, que compreende o período do Advento e o tempo de Natal que inclui a Epifania (Festa dos Reis Magos) e a celebração do Batismo de Jesus. Dessa maneira, constituem traços da vida humana de Jesus a sua viagem de Nazaré a Belém, no ventre de Maria, seu nascimento, sua apresentação ao Senhor no templo de Jerusalém, a visita dos Reis do Oriente, a perseguição de Herodes, o infanticídio de inocentes (Santos Inocentes) e a fuga para o Egito; na verdade, a liturgia celebra a face humano-divina de Cristo, no mistério do Natal.

Na teologia cristã, o ponto de referência do mistério celebrado é a Páscoa, a Ressurreição de Jesus. São Paulo tinha plena certeza da centralidade do mistério pascal: “E se Cristo não ressuscitou, a nossa pregação é sem fundamento, e sem fundamento também é a vossa fé. E se Cristo não ressuscitou, a vossa fé não tem nenhum valor e ainda estais nos vossos pecados.” (1Cor 15,14.17) A Páscoa também é vivenciada, liturgicamente, com seu momento de preparação, a Quaresma, e na sua expressão maior, a celebração do Tríduo Pascal e do tempo da Páscoa. A vida natural do Cristo adulto e a condição divina do Cristo missionário do Pai são celebradas no mistério da Páscoa. Com a celebração de Pentecostes, a liturgia celebra o mistério de Cristo, com a significação que tem para a Igreja, na sua trajetória peregrina. Cada tempo litúrgico tem um perfil próprio, por seu significado, seu fundamento bíblico, sua espiritualidade e sua linguagem pastoral.

Essas notas distintivas são muito visíveis no Ciclo do Natal, a começar pelo significado do Advento: “Advento é tempo de espera d’Aquele que há de vir. Pelo Advento nos preparamos para celebrar o Senhor que veio, que vem e que virá; sua liturgia conduz a celebrar as duas vindas de Cristo: Natal e Parusia. Na primeira, celebra-se a manifestação de Deus experimentada há mais de dois mil anos com o nascimento de Jesus, e na segunda, a sua desejada manifestação no final dos tempos, quando Cristo vier em sua glória.” O Advento tem um rosto especial também em razão do que revela a Sagrada Escritura: o Messias prometido, concebido no seio de uma virgem (cf. Is 7,14), segundo a profecia (cf. Mq 5, 1), nasce em Belém (cf. Lc 2, 1-20). A espiritualidade do Advento na Igreja Católica fala “sobre a vinda hoje do Senhor em nossas vidas. Por isso, seria muito importante termos algumas atitudes neste tempo: Atitude de ESPERA: Alegre chegada e amorosa acolhida. (…). Atitude de RENOVAÇÃO: O Advento é tempo de conversão e penitência. (…). Atitude de ORAÇÃO: A oração é elemento primordial da espiritualidade cristã. (…). Atitude de CARIDADE FRATERNA: A caridade é a essência do nosso ser e agir cristão.” A linguagem pastoral do Advento está muito presente nas comunidades e se expressa de muitas maneiras; sem dúvida, no Brasil, destaca-se uma que é praticada pelos católicos, há muitos anos: a Novena do Natal. As famílias se encontram para a oração em comum, para a reflexão, a partilha da Palavra de Deus, o olhar sobre fatos vividos por pessoas e comunidades e para o testemunho da fraternidade, através de gestos de solidariedade.

Quando bem celebrado nas comunidades, o Advento é certeza de um Natal bem vivido nas famílias!

Presidente da CNBB prega sobre Advento e lembra Campanha da Evangelização

dom_damasceno.aparecida2O Cardeal Arcebispo de Aparecida e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Raymundo Damasceno Assis, presidiu a Celebração Eucarística das 8h, no Altar Central, do Santuário Nacional neste 1º domingo do Advento (27). Em sua homilia, Dom Damasceno afirmou que o advento marca para nós cristãos, o início de um novo ano litúrgico e durante este novo ano, o evangelho em destaque será o de São Marcos.

“O tempo do advento, convida-nos a preparar-nos para celebrar o Natal numa dupla prospectiva: na primeira parte do tempo do advento a liturgia convida-nos a nos prepararmos para acolher o Cristo que virá no fim dos tempos e levará à plenitude o seu reino, como Ele nos prometeu. Ele virá julgar os vivos e os mortos, como rezamos no Credo”, afirmou o Cardeal. Dom Raymundo acrescentou que na última semana, antes do Natal, a liturgia nos convida a contemplar e a meditar sobre o mistério da encarnação, o nascimento de Jesus, a primeira vinda do Filho de Deus, ocorrida há mais de dois mil anos. “Neste tempo do advento, a liturgia apresenta-nos alguns personagens que devem nos ajudar a iluminar a nossa realidade e a vivê-la segundo o projeto de Deus: Isaias, João Batista, José e a Virgem Maria. O texto de hoje é uma das mais belas e comoventes orações do Antigo Testamento”, completou.

O Cardeal disse que no evangelho, São Marcos narra a parábola do homem que partiu para o exterior e confiou a sua casa à responsabilidade de seus empregados, deu a cada um uma tarefa e mandou o porteiro ficar vigiando até a sua volta. “A parábola alerta-nos para a responsabilidade que temos de, a qualquer momento, sermos chamados a prestar contas a Deus, de nossa vida. ‘Ficai atentos, cuidado! disse Jesus, porque não sabeis quando chegará o momento'”, afirmou. No Brasil, a Igreja realiza a Campanha para Evangelização, com o lema: ‘Ele veio curar nossos males’.

Segundo Dom Damasceno, a campanha deste ano convida cada cristão a abrir o coração para acolher Aquele que veio habitar entre nós para nos salvar e dar sentido a nossa vida. “É por isso que a festa do Natal é um momento de singular importância no trabalho evangelizador. É o momento de aprendizado sobre o significado da nossa existência, de descobrirmos em Jesus, quem verdadeiramente somos.”, acrescentou. A Campanha para a Evangelização tem também a finalidade de angariar recursos que garantam a continuidade do trabalho evangelizador da Igreja no Brasil. A coleta para a Evangelização será feita no 3º domingo do Advento. “O Cristo que se fez pobre ao nascer em Belém, assumindo nossa condição frágil e mortal nos ensine a ser generosos e a saber partilhar entre nós não só os bens espirituais, mas também os bens materiais”, finalizou o Cardeal.