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Papa Bento XVI acena à Teologia da Libertação

Depois de passar boa parte de seu mandato como prefeito da poderosa Congregação para a Doutrina da Fé combatendo a Teologia da Libertação, o Papa Bento XVI nomeou para o cargo alguém que foi aluno de um dos criadores do movimento. O bispo alemão Gerhard Ludwig Müller, de 64 anos, assumiu o comando da antiga Inquisição também com o histórico de ter participado ativamente em diversos comitês ecumênicos, inclusive atuando como negociador-chefe da igreja junto aos luteranos.

Müller é um velho amigo de Bento XVI — ele fundou um instituto para publicar 16 volumes de escritos do Pontífice. O Bispo escreveu com o padre peruano Gustavo Gutiérrez, de quem foi aluno, o livro “Do lado dos pobres – a Teologia da Libertação”, publicado em 2004. Em um discurso em 2008, Müller defendeu o movimento como uma interpretação correta dos ensinamentos da Igreja sobre os pobres, e não um chamado à revolução – argumento central da crítica do então cardeal Joseph Ratzinger. O próprio Bento XVI, diz o bispo, estaria de acordo com alguns aspectos da Teologia da Libertação.

Uma questão importante é se seu contato duradouro com os teologistas da libertação sul-americanos, em particular com seu pai espiritual Gustavo Gutiérrez, vai levar a uma nova interpretação da teologia – diz o grupo reformista católico alemão “Nós Somos a Igreja’.

À frente da Congregação, Müller terá de lidar com os escândalos sexuais envolvendo a Igreja Católica. Nessa questão, ele foi criticado pela Rede de Sobreviventes dos Abusados por Padres por permitir que o prelado americano Peter Kramer, condenado por crime sexual envolvendo crianças, voltasse a prestar serviços paroquiais após terapia.

O bispo herda uma outra questão não concluída envolvendo religiosos dos EUA. Seu antecessor, o cardeal americano William Levada — que deixa o cargo por limitação de idade — foi alvo de críticas por abrir uma investigação contra a Conferência de Liderança das Mulheres Religiosas, a maior organização de freiras do país reconhecida pelo serviço social, por suposto distanciamento da doutrina católica.

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Padre alemão martirizado em campo de concentração é beatificado

Padre Alois Andritzki morreu em 1943, no campo de concentração de Dachau

Aconteceu nesta segunda-feira, 13, a beatificação do padre Alois Andritzki, na cidade de Dresden, Alemanha. A cerimônia foi presidida pelo representante do Papa e prefeito da Congregação para as Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato.

O novo beato foi um sacerdote diocesano, martirizado no campo de concentração de Dachau.

Alois nasceu em 2 de julho de 1914 em Radibor (Saxônia), numa família de cinco filhos: os três irmãos escolheram o estudo da teologia e dois se tornaram sacerdotes, incluindo o novo Beato. Após o colegial, estudou Filosofia e Teologia em Paderborn, entre 1934 e 1937.

Tornou-se porta-voz dos estudantes “sorabi” – comunidade de língua eslava que residia a leste de Dresden – e redator do jornal de sua universidade. Depois de frequentar o seminário em Schmochtitz, foi ordenado sacerdote na Catedral de São Pedro em Bautzen, no dia 30 de julho de 1939, e foi nomeado responsável da Pastoral da juventude, capelão da Hofkirche de Dresden e diretor dos “Pueri Cantores”. Os jovens o admiravam por sua honestidade e por seu espírito esportivo.

Por causa de seu descaso em relação ao regime nazista chamou a atenção das estruturas do Estado. Depois de uma representação teatral, foi submetido a um interrogatório pela Gestapo. Padre Alois então disse aos seus jovens: “Isto é apenas o começo”. Em 21 de janeiro de 1941 foi preso e acusado de modo injusto de “ataques contra o Estado e o Partido”. Em outubro do mesmo ano foi deportado para o campo de concentração de Dachau.

Durante a transferência, ele conheceu o religioso beneditino Maurus Münch de Treviri. Desde a chegada ao campo, os dois prometeram solenemente de não reclamar jamais e de não esquecer em nenhum momento de sua vocação sacerdotal. Com outros sacerdotes formaram um círculo de estudo, no qual três noites por semana lia-se a Sagrada Escritura; do grupo bíblico nasceu também círculo litúrgico.

Em Dachau, Alois adoeceu de tifo. Perto da morte, pediu ao soldado de guarda para receber a Sagrada Comunhão; o guarda respondeu: “Você quer Cristo? Você receberá uma injeção”. No dia 3 de fevereiro de 1943, Alois Andritzki recebeu uma injeção letal. A urna com suas cinzas foi enterrada no Cemitério Católico em Dresden, no dia 15 de abril de 1943.

O Bispo de Dresden-Meissen, Dom Joachim Reinelt, iniciou a fase diocesana do processo de Beatificação de Alois Andritzki no dia 2 de julho de 1998; no dia 10 de dezembro de 2010, o Papa Bento XVI autorizou a Congregação para as Causas dos Santos a promulgar o decreto sobre o martírio do Servo de Deus.