Medjugorje: Comissão de estudo entrega relatório final

(ACI/EWTN Noticias).- O diretor do Escritório de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi informou que na sexta-feira, 17 de janeiro, realizou-se a última reunião da Comissão Internacional de investigação sobre Medjugorje, estabelecida pela Congregação para a Doutrina da Fé em março de 2010, presidida pelo Cardeal Camillo Ruini.

Conforme informou a agência AICA, a Comissão concluiu seu trabalho e o resultado do estudo se submeterá às instâncias competentes da mesma Congregação no Vaticano. A Comissão deu início suas atividades sobre Medjugorje em março de 2010 conforme explica o Vaticano:

“A Comissão Internacional de investigação sobre Medjugorje reuniu-se pela primeira vez em 26 de março de 2010 e como já foi anunciado, o trabalho da Comissão se desenvolverá em rigorosa reserva. As conclusões serão apresentadas às instâncias da Congregação para a Doutrina da Fé”.

Imagem da Rainha da Paz e a Igreja de Medjugorje. Foto: Ante Perkovic
Imagem da Rainha da Paz e a Igreja de Medjugorje. Foto: Ante Perkovic

O Relatório Final

O relatório final é o resultado de quase quatro anos de trabalho de uma equipe formada por teólogos, médicos, psicólogos, mariólogos e líderes da Igreja Bósnia e Croata, liderada pelo Cardeal Camillo Ruini, que em março de 2010 recebeu o encargo de Bento XVI de criar uma equipe de trabalho para esclarecer os acontecimentos do pequeno povo da Bósnia e Herzegovina, no qual segundo seis de seus habitantes, a Virgem Maria se aparece desde 1981, dando uma série de mensagens com diferentes destinatários: os próprios videntes, a paróquia de Medjugorje, a Igreja e a Humanidade.

A Comissão

Entre os membros da Comissão, além do cardeal Camilo Ruini, encontram-se cinco croatas que, como locais, acompanharam os acontecimentos desde seu início, em 1981: o Cardeal Vinko Puljic, Arcebispo de Sarajevo; o Cardeal Josip Bozanic, Arcebispo de Zagreb; o Pe. Mijo Nikic, Doutor em Psicologia; o Pe. Franjo Topic, Doutor em Teologia e Historiador; e a irmã Veronika Nela, Doutora em Medicina e professora de Teologia na Universidade Católica de Rijeka (Croácia).

O trabalho da Comissão incluiu entrevistas pessoais e exames médicos com os seis supostos videntes de Medjugorje, que se apresentaram separadamente a Roma durante o estudo, assim como com outras pessoas próximas à história, como o Pe. Jozo Zovko.

Segundo diferentes fontes, o estudo da Comissão terminou faz mais de um ano. Entretanto, uma série de acontecimentos não previstos, como a renúncia do Papa Bento XVI e o conclave do qual saiu eleito o Papa Francisco, viram como este e tantos outros assuntos na Santa Sé ficaram parados até que a nova Cúria da Igreja foi retomando suas tarefas.

Medjugorje

Medjugorje é uma pequena aldeia da Bósnia-Herzegovina que se converteu em um lugar onde milhões de pessoas peregrinam atraídos pelas aparições da Virgem Maria que dizem ter seis videntes. A finais do mês de junho de 1981, um grupo de meninos e meninas (Mirjana Dragicevic Soldo, Ivanka Ivankovic-Elez, Marija Pavlovic Lunetti, Vicka Ivankovic, Ivan Dragicevic e Jakov Colo) afirmou que tinham visto uma bela jovem e que esta lhes confiava mensagens.

A partir disso, segundo os protagonistas, as aparições foram repetindo-se até o dia de hoje.

Decisão do Papa

Enquanto se conhece a decisão que o Papa Francisco possa tomar sobre este assunto, para a qual tem total autonomia e nenhum limite de tempo determinado, segue-se aplicando o pronunciamento oficial dos Bispos da antiga Iugoslávia, em 1991.

Desta maneira o recordou em novembro de 2013 o recém-eleito Cardeal Gerhard Müller, Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, aos bispos dos Estados Unidos, em um comunicado efetuado ao Núncio Apostólico nesse país, Dom Carlo María Viganó. Segundo a carta enviada às dioceses norte-americanas por Dom Viganò, “os clérigos e os fiéis não estão autorizados a participar de reuniões, conferências ou celebrações públicas durante as quais se deem por supostas as aparições de Medjugorje”.

“Como vocês sabem bem, a Congregação para a Doutrina da Fé está no processo de investigar certos aspectos doutrinais e disciplinares do fenômeno de Medjugorje. Por esta razão, a Congregação afirmou que, com respeito à credibilidade da ‘aparição’ em questão, todos devem aceitar a declaração, com data 10 de abril de 1991, dos Bispos da Ex-república da Iugoslávia, que afirma: ‘sobre a bases da investigação que foi feita, não é possível estabelecer que aconteceram aparições ou revelações sobrenaturais’”, escreveu Dom Viganò a instâncias do Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé.

Anúncios

Vaticano adverte que Medjugorje não pode ser assumida como verdadeira aparição

Foto: A carta enviada às diocese dos Estados Unidos

(ACI/EWTN Noticias).- O Prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, Dom Gerhard Müller, advertiu que as supostas aparições da Virgem Maria aos videntes de Medjugorje não podem ser assumidas como verdadeiras.

Ante a proximidade de uma série de eventos nos Estados Unidos com a participação Ivan Dragicevic, suposto vidente do Medjugorje, Dom Müller recalcou aos Bispos deste país que a posição da Igreja é que “não é possível estabelecer que houve aparições ou revelações sobrenaturais”.

Através de uma carta enviada ao Secretário Geral da Conferência de Bispos Católicos dos Estados Unidos, Dom Ronny Jenkins, o Núncio Apostólico nesse país, o Arcebispo Carlo Maria Viganò, a pedido de Dom Müller, indicou que “um dos assim chamados videntes do Medjugorje, o Sr. Ivan Dragicevic, estará presente em eventos em paróquias ao redor do país” nas que, conforme avisado, “o Sr. Dragicevic estará recebendo ‘aparições’”.

Com o objetivo de “evitar escândalo e confusão”, Dom Viganò recordou aos Bispos que “os clérigos e os fiéis não estão permitidos a participar de reuniões, conferências ou celebrações públicas durante as quais a credibilidade de tais ‘aparições’ seja finalmente afirmada”.

“O Arcebispo Müller pede que os Bispos sejam informados sobre este tema o antes  possível”, escreveu o Núncio. ACI Digital confirmou hoje que a carta do Núncio Apostólico foi recebida nas dioceses dos Estados Unidos.

Na Carta, Dom Viganò assinalou aos Bispos americanos: “como vocês sabem bem, a Congregação para a Doutrina da Fé está no processo de investigar certos aspectos doutrinais e disciplinares do fenômeno de Medjugorje. Por esta razão, a Congregação afirmou que, a respeito da credibilidade da ‘aparição’ em questão, todos devem aceitar a declaração, com data 10 de abril de 1991, dos Bispos da Ex-república da Iugoslávia, que afirma: ‘sobre a bases da investigação realizada, não é possível estabelecer que houve aparições ou revelações sobrenaturais’”.

A história destas aparições, não reconhecidas oficialmente pela Igreja Católica, começou em 1981 no povoado de Medjugorje, na atual Bosnia Herzegovina (parte da antiga Iugoslávia), onde seis meninos disseram ter visto a Virgem Maria. O então sacerdote Tomislav Vlasic, hoje retirado do estado clerical, apresentou-se como o diretor espiritual dos “videntes” e assinalou que a Virgem os visitou 40 mil vezes nos últimos 28 anos.

Embora as aparições não contam com o reconhecimento oficial da Igreja Católica, milhares de fiéis peregrinam anualmente ao lugar, onde inclusive foi construído um templo.

Em março de 2010 a Igreja criou uma comissão internacional de investigação sobre  Medjugorje, sujeita à Congregação para a Doutrina da Fé, composta por cardeais, bispos, peritos e experts, que trabalha de maneira reservada no caso.

Expulso do estado clerical sacerdote que apoia ordenação de mulheres nos EUA

Roy Bourgeois na “Missa” de 2008 de “ordenação” de uma mulher

(ACI/EWTN Noticias).- O Vaticano decidiu expulsar Roy Bourgeois da ordem dos Padres Maryknoll assim como do estado clerical, devido à sua persistente desobediência e constante apoio à ordenação sacerdotal de mulheres nos Estados Unidos.

A decisão de 4 de outubro da Congregação para a Doutrina da Fé o libera de suas promessas sacerdotais e de seus votos como religioso na congregação à qual pertencia.

No dia 8 de agosto de 2008, o ex-sacerdote Bourgeois pronunciou uma homilia em uma “ordenação sacerdotal” feminina. Sua participação neste evento rendeu-lhe a excomunhão imediata.

“Com paciência, a Santa Sé e a Sociedade Maryknoll alentaram a sua reconciliação com a Igreja Católica”, assinala um comunicado dos Maryknoll com data de 19 de novembro.

“Em vez disso o Sr. Bourgeois optou por continuar sua campanha contra os ensinamentos da Igreja Católica em ambientes seculares e não católicos. Ele o fez fez sem permissão dos bispos dos Estados Unidos e ignorando a sensibilidade dos fiéis em todo o país”.

O texto assinala ademais que “a desobediência e a predicação contra a doutrina da Igreja Católica sobre a ordenação de mulheres levou à sua excomunhão, afastamento e expulsão do estado clerical”.

Em julho de 2011 o exsacerdote foi advertido que seria expulso dos Maryknoll a não ser que depusera sua “atitude desafiante” contra a Igreja Católica em relação à ordenação de mulheres.

Em 8 de agosto, Bourgeois respondeu em uma carta assinalando que o ensinamento católico sobre a ordenação só de homens “desafia a fé e a razão” e “está enraizada no sexismo”. “Não me retratarei”, assinalava.

Logo depois desse intercâmbio de cartas, seu caso passou à Congregação para a Doutrina da Fé, que agora decidiu expulsar Bourgeois do estado clerical.

“O Sr. Bourgeois livremente optou por suas perspectivas e ações e todos os membros da Sociedade Maryknoll estamos entristecidos por não ter chegado à reconciliação”, indica o comunicado da congregação religiosa dos Padres Maryknoll.

Por que não se ordena mulheres na igreja? Veja a resposta aqui.