Vaticano acata denúncia de bispo e afasta três padres em Foz do Iguaçu

D. Dirceu Vegini, bispo de Foz do Iguaçu
D. Dirceu Vegini, bispo de Foz do Iguaçu

Rádio Cultura  – A igreja católica afastou três padres de Foz do Iguaçu, após a denúncia feita pelo bispo Dom Dirceu Vigine, da Diocese Iguaçuense, acusando que os religiosos haviam invadido o e-mail pessoal do bispo e divulgado as informações. A denúncia de crime virtual foi feita em julho deste ano pelo próprio bispo, que prestou queixa contra sete padres na Delegacia da Polícia Civil. O caso teve grande repercussão.

Nesta semana, a Congregação para o Clero, do Vaticano, aceitou a denúncia do bispo de Foz do Iguaçu e afastou os padres Sérgio Bertoti, Agostinho Gatelli e Paulo de Souza, que já havia sido transferido para a cidade de Guarapuava. O prazo dado pelo Vaticano para que os religiosos deixassem as paróquias acabou no final da tarde deste sábado (2).

A invasão e distribuição de mais de 200 e-mails teria acontecido em 2012 e veio a público em 2013, após a denúncia do bispo à polícia. O conteúdo dos e-mails não foi divulgado pela polícia, mas seria de críticas de Dom Dirceu a padres da cidade e inclusive ao Papa Francisco, conforme informou na época o advogado dos padres, Alvaro Albuquerque. Em entrevista coletiva à imprensa, no mesmo período da denúncia, o bispo negou as críticas nos e-mails.

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Após suposta violação de e-mails, igreja afasta três padres no Paraná

Após investigações de denúncias de violação de e-mails envolvendo a Cúria Diocesana de Foz do Iguaçu, no oeste do Paraná, a Igreja Católica decidiu afastar três padres supostamente envolvidos no escândalo. O decreto que determina a suspensão das funções sacerdotais foi entregue aos religiosos na sexta-feira (1º) e dava prazo para que eles deixassem as paróquias até o fim da tarde deste sábado (2). Foram afastados os padres Sérgio Bertoti, Agostinho Gatelli – de Foz do Iguaçu – e Paulo de Souza, que havia sido transferido para Guarapuava.

A determinação de afastamento é assinada pela Congregação para o Clero, com sede no Vaticano, e se baseia em denúncias feitas pelo bispo Dom Dirceu Vegine e por fiéis apontando que sete padres tiveram acesso a mensagens eletrônicas confidenciais. O crime virtual envolvendo a Cúria Diocesana vem sendo investigado pela Polícia Civil e internamente pela própria igreja. A distribuição dos mais de 200 e-mails ocorreu em agosto de 2012, mas o caso só foi divulgado no dia 16 de julho de 2013 após o bispo denunciar a invasão de privacidade à polícia. O conteúdo das mensagens está sob segredo de justiça.

Procurados pelo G1, os padres confirmaram o afastamento, mas preferiram não se pronunciar. A equipe também tentou entrar em contato com o bispo de Foz do Iguaçu, mas até a publicação desta reportagem ele não havia sido encontrado para comentar o assunto.

Em nota, a Cúria Diocesana informou que a Santa Sé solicitou a investigação prévia dos três sacerdotes conforme exige o Código de Direito Canônico, a qual será feita pelo Tribunal Eclesiástico Interdiocesano de Cascavel, também no oeste. “O Decreto Administrativo do Tribunal Eclesiástico determinou que, durante a investigação processual, os sacerdotes citados fossem afastados de suas funções ministeriais e ofícios. As disposições atuais poderão ser revogadas ou findarão ao cessar o Processo Penal Canônico”, diz o comunicado assinado pelo chaceler do Bispado, padre Mariano Venzo.

Na época em que o caso foi divulgado, o advogado Álvaro Albuquerque, que representa os sacerdotes, alegou que um funcionário roubou a senha do bispo e acessou mensagens eletrônicas confidenciais trocadas entre Dom Dirceu e outros religiosos. As mensagens continham críticas a alguns padres, cardeais e até ao Papa Francisco.

“Nestes e-mails, eles [o bispo e outros religiosos] falam mal das pessoas. O bispo falando mal do próprio Papa [Francisco], que acabou de ser eleito (…). E basicamente xingando, falando pejorativamente, colocando apelidos e denigrindo a imagem de, pelo menos, dez a 20 padres aqui da diocese”, afirmou o advogado dos padres denunciados. Ainda segundo Albuquerque, pelo menos 50 paróquias da cidade tiveram acesso ao conteúdo das mensagens particulares.

Bispo nega acusações

No dia 19 de julho, Dom Dirceu falou sobre o caso em uma entrevista coletiva concedida à imprensa. Na ocasião, ele negou que teria falado mal dos sacerdotes e afirmou que não fez denúncia pessoal a ninguém. “Eu não conheço estas críticas e queria dizer mais: a pessoa que teve acesso ao meu correio eletrônico, ela pôde, também, escrever o que ela quis. E, para me incriminar, enviar para as pessoas as quais ela achou conveniente”, defendeu-se ao dizer que só procurou a polícia para esclarecer o caso.

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Tem caroço neste angu. Além dos fatos que não conhecemos, pelo visto as “levadesas”, como diriam os antigos,  não param só em 2012, mas se estenderam por 2013 a fora, afinal o Papa Francisco foi eleito em março deste ano. Sinal que há algo mal contado.

Mas, não é este o problema aqui. Sim a falta de hierarquia que há nesta diocese, onde o bispo não é respeitado a ponto de seus subordinados invadirem seus e-mail. Fico triste com essas coisas. Mostra que muitos estão unidos não com a igreja, mas consigo mesmo.

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Meninas à venda por 10 euros: a denúncia de uma missionária

Recebi essa matéria por e-mail de um amigo, Júlio Arruda, e resolvi compartilhar com vocês. É importante que denunciemos esse comércio absurdo de pessoas. Em 2014 a Campanha da Fraternidade vai abordar essa realidade brasileira ignorada por muitos e por várias autoridades. Vamos dar um basta. Chega de tráfico de pessoas!

Leia a matéria:

São Gabriel (Agência Fides) – No último mês, 21 denúncias foram apresentadas às autoridades de São Gabriel da Cachoeira, pequena cidade da Amazônia brasileira na fronteira com a Colômbia, por meninas que expuseram por escrito suas declarações sobre as violências sofridas. Segundo revela o jornal “A Folha de São Paulo”, os responsáveis seriam nove homens adultos. As meninas pertencem às etnias tariana, uanana, tucano e barè, e vivem na extrema periferia de São Gabriel da Cachoeira, onde 90% da população é indígena.

A batalha contra este comércio é conduzida por uma missionária salesiana italiana, Irmã Giustina Zanato, que trabalha ao lado dos mais pobres e indefesos da Amazônia desde 1984. A missionária arrisca a vida todos os dias defendendo estas meninas da violência de adultos. Com efeito, uma menina índia de 10 a 12 anos, na Amazônia, vale poucos euros, um pacote de balas ou uma camiseta. Quem compra a inocência destas meninas são quase sempre homens adultos, brancos, ricos e poderosos, certos de ficar impunes. É frequente que a polícia arquive as denúncias de mães de meninas violentadas. Muitas vezes, depois das denúncias, as pequenas vítimas são ameaçadas e algumas delas devem fugir. “Apresentamos numerosas denúncias, mas não obtivemos resultados. É muito triste pensar que quem deve impor o respeito das leis não o faz” – disse a missionária, que desde 2008 coordena o programa Menina Feliz, que assiste as meninas violentadas ou abandonadas, e é também presidente do Conselho Municipal para a Defesa de Crianças e Adolescentes. (CE) (Agência Fides, 13/11/2012)