A vida humana é Vocação…

Dom Nelson Westrupp
Bispo Diocesano de Santo André (SP)

O problema vocacional continua a ser um “caso sério”. Sério porque as vocações são um sinal indicador da vitalidade e da espiritualidade de uma comunidade cristã. Uma comunidade eclesial que não suscitasse vocações para a continuidade de sua missão seria uma comunidade estéril. Não obstante, o que mais nos preocupa, não é a escassez de vocações em si, mas a mentalidade e o modo de conceber e viver a própria existência. A interpretação cristã da vida, como resposta ao chamado de Deus e o encontro pessoal com Ele, choca-se com uma cultura que enfatiza a primazia da decisão e da escolha subjetiva, individual, eliminando-se, assim, a iniciativa de Deus e o diálogo com Ele. Segundo este modo de conceber a existência, a perspectiva de um “chamado divino” torna-se completamente  estranho ao horizonte da existência.

Portanto, antes ainda de falarmos de “vocações”, é preciso encontrar caminhos para uma evangelização da vida e do seu sentido, pois um dos maiores desafios da evangelização hoje consiste em restituir à vida a sua intocável sacralidade de dom. Dom maior que deve ser acolhido, respeitado, amado, conduzido e orientado segundo o Autor da vida.

Além de evangelizar a vida, somos convocados a evangelizar a liberdade e, com ela, a própria pessoa, que projeta a vida sobre esta mesma liberdade. Aliás, a liberdade é o lugar misterioso onde Deus mais intensa e eficazmente está presente em nós e, ao mesmo tempo, onde reside nossa irrepetível  originalidade.

Acolher e seguir o próprio chamado quer dizer, então, tornar-se autenticamente livre. Assim, a pastoral vocacional é uma escola de promoção da liberdade humana. Frequentemos esta escola.

Convém, portanto, não perder de vista que é Deus quem põe no coração humano as questões mais cruciais a respeito do sentido da vida, e não o ser humano. Não é o ser humano que chama Deus, mas é Deus quem toma a iniciativa de chamar o ser humano, em primeiro lugar, à vida e, depois, a uma vocação específica. Ao chamar alguém, Deus se oferece Ele mesmo como resposta a quem busca sua realização pessoal.

Nesta perspectiva, cada vida humana é vocação, e não mero acaso ou destino cego, mas vocação, isto é, “Deus nos chamou com uma vocação santa, não por causa de nossas obras, mas por causa do seu plano salvífico e da sua graça, que nos foi dada em Cristo Jesus antes de todos os tempos” (2 Tm 1,9-10).

Assim, a vida não é solitária aventura, mas diálogo, dom que se torna tarefa, dever, missão… Criado à imagem e semelhança de Deus, o ser humano é chamado a dialogar com seu Criador, a conhecê-Lo, a encontrá-Lo, a amá-Lo, para partilhar da Sua vida na eternidade. Pois “a razão mais alta da dignidade humana consiste na sua vocação à comunhão com Deus” (GS, 19).

A Pastoral Vocacional é um bom caminho para quem deseja buscar uma resposta objetiva ao sentido de sua vida. Ajuda os membros da comunidade eclesial a crescerem na maturidade da fé, tornando-os capazes de descobrir e discernir a própria vocação e missão a serviço da comunidade. Assim sendo, é necessário que a Igreja estimule os batizados e crismados a tomarem consciência da sua própria e ativa responsabilidade na vida eclesial… A verdadeira pastoral vocacional envolve as paróquias, as escolas, as famílias, suscitando uma reflexão mais atenta sobre os valores essenciais da vida, cuja síntese decisiva está na resposta que cada um é convidado a dar ao chamamento de Deus (cf. NMI, 56).

Onde há um trabalho organizado de animação vocacional ou de Pastoral Vocacional, não faltarão vocações. Fazer animação vocacional é ajudar os vocacionados/as a perceber que Deus é Amor: “quem permanece no amor, permanece em Deus e Deus permanece nele” (1 Jo 4, 16). E a alegria será completa…

Evangelho do Dia – Mt 8,18-22

Segue-me!

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 8,18-22

Naquele tempo;
18Vendo uma multidão ao seu redor,
Jesus mandou passar para a outra margem do lago.
19Então um mestre da Lei aproximou-se e disse:
“Mestre, eu te seguirei aonde quer que tu vás.”
20Jesus lhe respondeu:
“As raposas têm suas tocas
e as aves dos céus têm seus ninhos;
mas o Filho do Homem não tem onde reclinar a cabeça.”
21Um outro dos discípulos disse a Jesus:
“Senhor, permite-me
que primeiro eu vá sepultar meu pai.”
22Mas Jesus lhe respondeu:
“Segue-me, e deixa que os mortos sepultem os seus mortos.”
Palavra da Salvação. 

Reflexão – Mt 8, 18-22

O seguimento de Jesus traz consigo uma série de implicações e exige de todos nós muito mais do que o entusiasmo ou a boa vontade. Exige disposição de deixar muita coisa para trás, inclusive o conforto, os costumes, a cultura e até mesmo os grandes valores que norteiam a nossa vida. Seguir Jesus significa ter a disposição de sempre ir em frente, sempre ir além, sempre buscar o novo para que a boa nova aconteça, é uma vida marcada sempre por novos desafios, é sempre atravessar o lago e buscar a outra margem do lago onde novas pessoas esperam para serem evangelizadas. Seguir Jesus significa colocar a obra evangelizadora acima de tudo.

Santa Sé participa de Fórum Mundial da Água

A Santa Sé participará do 6º Fórum Mundial da Água que começa nesta segunda-feira, 12, em Marselha, na França.

A delegação da Santa Sé e o Pontifício Conselho Justiça e Paz elaboraram um documento para a ocasião intitulado “Água, um elemento essencial para a vida. Definição de soluções eficazes”.

O texto recorda como, mesmo com alguns progressos, o acesso adequado à água potável não é ainda garantido à boa parte da população mundial.

“Espera-se, além disso, uma melhor gestão da água por parte das autoridades públicas, agentes privados e da sociedade civil. Convidamos estes organismos a agir com sobriedade, responsabilidade e solidariedade, à luz dos princípios da justiça e da subsidiariedade”, destaca o Vaticano em comunicado.

O Fórum Mundial da Água acontece a cada três anos e é organizado pelo Conselho Mundial da Água. O evento reúne organizações privadas e governamentais.

O documento do Vaticano se afirma sobre três aspectos. O primeiro é um breve histórico sobre a formulação e reconhecimento do direito à água potável por parte da comunidade internacional.

Depois a Santa Sé faz uma análise sobre a situação atual no que diz respeito ao acesso à água potável, ao saneamento básico e as principais dificuldades para a promoção de tal direito.

O Vaticano também propõe algumas soluções, diante de tais desafios ainda não solucionados, correlacionadas com tais recursos.

O 6º Fórum Mundial da Água segue até o próximo sábado, 17.