Pastor se converte após ouvir mensagem do Papa Francisco

Ulf Ekman, pastor convertido ao catolicismo após ouvir mensagem do Papa
Ulf Ekman, pastor convertido ao catolicismo após ouvir mensagem do Papa

Esta semana, o Papa Francisco completou seu primeiro ano de pontificado. Como tem sido constante em seu mandato papal, ele “mitou” novamente.  Recentemente ele enviou um vídeo cordial aos líderes protestantes pentecostais que participavam de um encontro no estado do Texas (EUA).  Devido ao vídeo, um dos maiores líderes protestantes da Suécia se converteu ao catolicismo. O pastor, ou melhor, ex-pastor,  Ulf Ekman anunciou sua conversão diante mais de 3 mil fiéis.

“Nos demos conta de que nossos preceitos protestantes, em muitos casos, não têm nenhum fundamento”, afirma o pastor (Fonte: ACI).

Veja o vídeo

Veja o vídeo a partir do 7:06 até 20:32

A mensagem do vídeo

No vídeo, nitidamente gravado de improviso por pedido de alguém mais próximo e atenciosamente atendido pelo Papa, Francisco fala que devemos seguir a “gramática de Cristo”. “Amar a Deus sobre tudo e aos irmãos”. A mensagem não incluí, como muitos maldosos por aí estão dizendo, a aprovação do papa à doutrina protestante.

Devido essa mensagem o pastor sueco se converteu, mas o processo de conversão já havia começado antes. Há 10 anos ele vinha estudando o catecismo e a doutrina social da Igreja. O vídeo foi o empurrãozinho que faltava.

O novo católico

Ekman, que é um dos líderes cristãos mais influentes da Suécia, afirmou em entrevista que a unidade dos cristãos “tem consequências práticas”, e que não é suficiente que católicos e protestantes tenham um bom relacionamento. “É preciso que todos se reúnam em uma só Igreja!” Ao ser questionado se não era suficiente que amemos uns aos outros ele respondeu:

“Isso é o mesmo que dizem as pessoas que vivem juntas e não se casam! Mas Jesus não tem 20 mil esposas [aqui ele se refere às milhares de seitas protestantes], e sim uma relação interna e externa específica com uma Esposa”, disse, referindo-se à Igreja Católica.

“A Igreja é o Corpo de Cristo, uma entidade estruturada. É concreta, não é uma nuvem de gás. O Corpo é visível. O modelo é Jesus, que teve um Corpo visível durante 30 anos. Além do mais, como era no princípio? (…) Havia somente uma Igreja!”, enfatizou Ekman.

E concluiu:

“Nós precisamos do que Jesus colocou na Igreja Católica. Eu preciso dos sacramentos, eu preciso do Magistério, preciso do Papa, preciso da tradição que gerenciam. Eu preciso da Igreja para minha própria salvação”.

Anúncios

As fontes e bases da Doutrina Social da Igreja

CANÇÃO NOVA | Jéssica Marçal | Como é a vida em sociedade, ou melhor, como ela deveria ser? Atenta às necessidades do homem, a Igreja procura orientar essa vivência, de forma que todos possam ter vida plena com justiça, paz, boas condições de trabalho, respeito recíproco e, acima de tudo, dignidade humana. Esses são alguns dos principais temas tratados na Doutrina Social da Igreja.

Nesta semana, o noticias.cancaonova.com inicia uma série de cinco reportagens sobre essa temática, discutindo alguns pontos-chaves da doutrina, como a relação pessoa-sociedade, família, justiça social e trabalho e dignidade humana.

Na primeira reportagem, Evandro Gussi, doutor em Direito do Estado e professor na área de Doutrina Social da Igreja, explica o que é a doutrina e quais são as suas bases. “Desde que há Igreja, há um ensino sobre como nos comportarmos nas relações que nós possuímos na vida humana, as relações sociais”.

Evandro informa que, em fins do século XIX, surge uma novidade que é a Encíclica Rerum Novarum, do Papa Leão XIII. Ela trouxe uma especificidade magisterial, ou seja, o ensino social da Igreja que estava diluído em todo o pensamento católico começou a ganhar um lugar específico nesse ensino que a Igreja traz para o homem.

Princípios básicos

A fonte da Doutrina Social da Igreja tem duas vertentes: a lei natural, que é a capacidade do homem compreender a racionalidade do mundo, e a revelação, ou seja, Deus que se revela ao homem.

Quanto aos princípios nos quais a doutrina se baseia, esses são vários, mas alguns podem ser tidos como principais. O bem comum é um dos destacados por Evandro, que fala também da destinação universal dos bens: o que existe no mundo, em primeiro momento, é destinado a todos, tendo sua conquista submetida ao esforço humano.

Somando esses dois princípios, o professor cita a subsidiariedade (não dar a instâncias maiores o que as menores podem fazer. Exemplo: a educação dos filhos é dever da família, e não do Estado), o da participação (direito e dever de participar nas decisões econômicas, sociais e políticas) e o da solidariedade (ver no outro um outro “eu”).

Doutrina Social da Igreja x ideologia

Não raramente entende-se a Doutrina Social da Igreja como uma ideologia da Igreja. Gussi explicou que há vários significados para a palavra “ideologia”. Considerando aquele comumente utilizado, que faz alusão, por exemplo, à ideologia marxista, Evandro afirma que a doutrina não é ideologia.

“A Doutrina Social da Igreja está no âmbito da Teologia Moral. Na verdade, ela é ensino da Igreja Católica, da mesma forma como a Igreja tem a doutrina sobre os sacramentos, sobre tantos assuntos, temos uma sobre como a pessoa deve se comportar na sociedade”.

Um ponto ressaltado pelo professor é que a doutrina vem da contemplação da realidade, ou seja, a Igreja olha para o que é concreto e não somente para o que ela acha que deveria ser. “Quando a Igreja defende a família, ela percebe que no decorrer da história da pessoa humana o ser humano nunca foi feliz fora da família adequadamente constituída”.

Evandro lembra ainda que todos os Papas desde Leão XIII, que começou esse ensino mais específico, deixam claro que a  Doutrina da Igreja, sobretudo a Doutrina Social da Igreja, não pode ser reduzida a uma ideologia. “A Doutrina Social da Igreja reconhece que há campos onde se possa discutir ideários políticos, sócio-econômicos e assim por diante. Isso está no âmbito da liberdade acadêmica e científica, mas tentar reduzir a doutrina a uma ideologia, qualquer que seja, é destruí-la”.

A doutrina além da religião

Tendo em vista os princípios amplos, que contemplam a defesa do bem comum, da dignidade do homem, reflexões sobre o trabalho e família, por exemplo, a Doutrina Social da Igreja não se restringe aos católicos, embora formulada especificamente pela Igreja Católica.

Para Evandro, esses valores devem influenciar a vida social. Ele acredita que a Igreja foi uma grande contribuinte para o progresso da humanidade.

“A Igreja é perita em humanidade. Ninguém se dedicou a compreender a pessoa humana e essas relações tanto e durante tanto tempo quanto a Igreja Católica. Quando a Igreja fala desses temas, ela não está levando dogmas para a vida civil, mas lançando luzes. (…) É um erro grave dos nossos tempos ter pessoas que, em nome de uma falsa concepção de Estado laico ou de sociedade laica, desprezam este ensino da Igreja”.

Todos esses princípios da Igreja que ajudam a compreender a vida em sociedade estão reunidos no Compêndio da Doutrina Social da Igreja, lançado pelo Pontifício Conselho da Justiça e Paz em 2004. O documento está disponível gratuitamente no site oficial do Vaticano.

Amamos o que conhecemos: Desconhecimento da Doutrina Social da Igreja afeta o desempenho dos leigos, adverte perito

Pe. Fernando Fuentes. Foto: Conferência Episcopal Espanhola

 (ACI/EWTN Noticias).- O Pe. Fernando Fuentes, diretor do Secretariado da Comissão Episcopal da Pastoral Social da Conferência Episcopal Espanhola (CEE), assinalou que a Doutrina Social da Igreja é um “âmbito nuclear para a vida da Igreja”, entretanto, advertiu que seu desconhecimento está afetando o desempenho dos leigos na vida pública de seus países.

Em declarações à agência SIC, o sacerdote se referiu ao Mestrado em Doutrina Social da Igreja organizado pela Comissão Episcopal da Pastoral Social em colaboração com a Fundação Paulo VI e a Universidade Pontifícia de Salamanca; uma iniciativa online que, segundo Fuentes, pretende aprofundar no conhecimento deste aspecto social da Igreja que às vezes é pouco conhecido por falta de formação dos católicos.

Este mestrado já vem sendo realizado há 20 anos em alguns países da América Latina, como o México, Argentina e Panamá, mas é a primeira edição que acontece na Espanha. Mediante um campus virtual da Universidade Pontifícia de Salamanca, Campus de Madri, 14 professores de diferentes universidades se responsabilizam pelas disciplinas curso.

E é que conforme assegurou o diretor do Secretariado da Comissão Episcopal da Pastoral Social, “a Doutrina Social da Igreja é uma das grandes desconhecidas pelos católicos”. Explicou que se trata de “falta de formação no âmbito doutrinal no clero e também entre os leigos, o qual está incidindo na debilidade da presença do laicato na vida pública e em uma presença na ação social que nem sempre tem uma fundamentação nesta referência doutrinal”.

Segundo o Pe. Fuentes, a Doutrina Social da Igreja se trata de um “âmbito nuclear para a vida da Igreja” e assegurou que “quando se apresenta àqueles que fazem o curso, eles se surpreendem pela novidade do pensamento social da Igreja”.

O sacerdote explicou que para discernir as questões sociais desde a experiência cristã e com colocações morais são necessários recursos que normalmente são pouco conhecidos e que se explicam neste mestrado, e que os 200 alunos que o cursaram em seus 20 anos de história aprendem e depois aplicam como professores de doutrina social da Igreja, técnicos do Caritas e de Mãos Unidas, responsáveis por pastoral operária e de associações e movimentos eclesiais, políticos, sindicalistas.

A situação atual de crise social e econômica expõe desafios muito específicos para os cristãos, por isso o Pe. Fuentes recordou que Bento XVI já o advertia em sua encíclica Deus Caritas Est, onde destacou “que a Igreja tem o dever de oferecer, mediante a purificação da razão e a formação ética, sua contribuição específica, para que as exigências da justiça sejam compreensíveis e politicamente realizáveis”. Explicou que se trata de “uma tarefa que requer bons itinerários educativos e testemunho de solidariedade, como já está sendo feito em muitas comunidades cristãs”.

Nesse aspecto o compromisso dos cristãos com a vida pública já se falou na encíclica de João XXIII Pacem in terris, que completa 50 anos de sua publicação e que o Pe. Fuentes assegura que é “como ‘a constituição’ para os governantes e para o compromisso na vida pública. Influenciou decisivamente nos anos 70 e 80; foi a carta magna dos direitos humanos e supôs toda uma interpelação à Igreja e à sociedade na consecução de uma convivência pacífica”.

A encíclica Pacem in terris é um dos pontos mais importantes para a Comissão Episcopal da Pastoral Social e para a Fundação Paulo VI. Em 2003 celebraram um Simpósio sobre o documento e seus desafios; e agora a questão política tem grandes desafios na atualidade, especialmente o possível conflito na Síria ante o qual o Papa Francisco realizou um dia de oração pela paz no mundo.

Conforme afirmou o Pe. Fuentes, Cáritas, Mãos Unidas e as obras das congregações religiosas são algumas das respostas das necessidades sociais, coordenadas da Comissão Episcopal da Pastoral Social já que “para a Igreja, a caridade pertence a sua natureza e a sua essência, não é uma espécie de assistência social. Por isso o testemunho da caridade se transforma também em ‘caridade política’, chega a todos os rincões da vida e atende às pessoas de modo integral”.

Família e vida social

Dom Walmor Oliveira de Azevedo
Arcebispo de Belo Horizonte (MG)

Já não se ouve com a mesma intensidade aquele refrão que repetiu, por décadas, um veredito a respeito do fim da família. De sociólogos a outros tantos especialistas de diferentes áreas, há uma convicção incontestável de que a família tem centralidade e uma importância determinante na vida de cada pessoa. É um grande ganho fortalecer esse entendimento. A família é o lugar primário da humanização de cada um e da sociedade, um berço de vida e amor.

Nenhum lugar é tão favorável para o conhecimento e a experiência de Deus. Na família, a fé é transmitida pelo amor. Os limites conhecidos e experimentados não obscurecem ou invalidam esta força própria, até mágica e não palpável, que a família, como escola de amor, exerce na tarefa educativa. A Igreja Católica, em parceria com muitos segmentos da sociedade civil, considera a família como a primeira sociedade natural, titular de direitos próprios e originários. É fácil constatar o lugar central que é dado à família na vida social. Excluir ou deslocá-la desse lugar é correr o sério risco de causar um grave dano ao crescimento do corpo social inteiro.

Para compreender melhor a centralidade da família, é preciso compreender, à luz da Doutrina Social da Igreja, que essa instituição “nasce da íntima comunhão de vida e de amor, fundada no matrimônio entre um homem e uma mulher, com dimensão social própria e originária, lugar primário de relações interpessoais, instituição divina colocada como fundamento da vida das pessoas e como molde de todo ordenamento social”. Não se pode desprezar a força que cada família agrega nos avanços sociais e na consciência política, bem como na experiência indispensável da fé em Deus. Não se pode ignorar, deixar de aprofundar e de refletir sobre a indiscutível importância da família para a pessoa.

Há um ambiente de vida criado pelo dom recíproco de um homem e uma mulher, chamados a viver como compromisso de amor. Este é o ambiente indispensável para que a criança desenvolva suas potencialidades e torne-se consciente de sua dignidade – o dom mais precioso para cada pessoa. Além disso, esta consciência sustenta a cidadania, que articula relações sociais e políticas dando à sociedade as condições necessárias para ser solidária e fraterna. Perdida esta consciência, ou mal formada, desvios de todo tipo podem sacrificar o caminho e os destinos da humanidade.

A sociabilidade humana, aprendida e experimentada na família, é determinante na sustentação da sociedade, do tecido de sua cultura. Esta sociabilidade é indispensável porque contribui de modo único para o bem comum. Por isso, a família deve ser prioridade. No horizonte dessa rica compreensão é que se discute a inoportuna equiparação legislativa entre família e uniões de fato. Esta equivalência está na contramão do modelo de família que não pode reduzir-se a uma precária relação entre pessoas. O debate público contemporâneo se defronta com o ideal de família que compreende a união permanente, originada pelo pacto entre um homem e uma mulher, fundado sobre uma escolha recíproca e livre. Uma escolha que implica a plena comunhão conjugal orientada para a procriação.

Pensando a tarefa educativa própria da família, é oportuno relacioná-la sempre com a vida econômica e com o trabalho. A família, quando protagonista da vida econômica, ensina a importância da partilha e da solidariedade entre as pessoas. De modo particular, é decisiva na formação profissional. A sociedade ganha quando a família faz do cidadão um trabalhador incansável, engajado na promoção do bem. Em se considerando a necessidade de avanços culturais e econômicos, a família precisa contribuir, sobretudo, com a educação para o sentido do trabalho, ajudar na oferta de orientações. A família tem, pois, um papel determinante no desenvolvimento integral humano, garantindo a qualificação da vida social.