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Papa: “atenção pelos pobres é Evangelho, e não comunismo ou pauperismo”

O Papa Francisco mitou novamente. “A atenção pelos pobres está no Evangelho, não é uma invenção do comunismo”, disse o Papa numa entrevista com Andrea Tornielli, coordenador do “Vatican Insider”, e Giacomo Galeazzi, vaticanista do jornal “La Stampa” .

Papa concede entrevista a jornalistas durante volta ao Vaticano após a JMJ em 2013, no Rio de Janeiro.
Papa concede entrevista a jornalistas durante volta ao Vaticano após a JMJ em 2013, no Rio de Janeiro.

A entrevista com o Papa conclui o livro intitulado “Papa Francisco. Esta economia mata”, dedicado ao magistério social do Pontífice. O volume recolhe e analisa os documentos do magistério sobre a pobreza, imigração, justiça social e integridade da criação. Publicado pela Editora  Piemme, o livro será lançado na terça-feira, 13 de janeiro, mas neste domingo o jornal “La Stampa” antecipou longos extractos da entrevista com o Papa. Serviço de Isabella Piro, da Rádio Vaticano.

Opção pelos pobres vem de Jesus

“A atenção pelos pobres está no Evangelho e na tradição da Igreja, não é uma invenção do comunismo e não devemos fazer dela uma ideologia”, assim explica o Papa Francisco a continuidade, na tradição da Igreja, da “opção preferencial pelos pobres”. “Uma atenção que tem a sua origem no Evangelho – reitera – documentada já nos primeiros séculos do cristianismo”: basta citar os primeiros Padres da Igreja, do segundo ou do terceiro século. As suas homilias não podem  ser consideradas “marxistas”, explica o Papa Francisco, porque quando “a Igreja convida a vencer a “globalização da indiferença” está longe de qualquer interesse político e de qualquer ideologia”. Ela é “movida apenas pelas palavras de Jesus” e “quer dar o seu contributo na construção de um mundo onde se protege e se cuida uns aos outros”.

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Eutanásia velada II: CNBB aceita a norma do Conselho Federal de Medicina

Dom_Raymundo_Damasceno_Assis_agosto_2012Penso que isso vai de encontro a vida. Não? A CNBB acredita que não. Infelizmente a entidade que representa a Igreja em nosso país pensa assim. Leia a entrevista com dom Raymundo Damasceno Assis, presidente da CNBB.

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Na entrevista coletiva, concedida pela presidência da CNBB, na tarde da quinta-feira, 30 de agosto, o cardeal dom Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida e presidente da entidade, respondeu a uma pergunta que colocava a resolução 1995/2012 do Conselho Federal de Medicina no âmbito da prática da eutanásia. Obviamente, o cardeal confirmou a posição da Igreja sobre o assunto.

Um portal de notícias chegou a divulgar que a CNBB teria feito “Nota” para tratar do assunto. Isso não ocorreu. A “Nota” apresentada, na verdade, diz respeito à “Defesa dos direitos dos povos indígenas”. Nesta sexta-feira, o presidente da CNBB, atendendo a diversos pedidos, esclareceu:

A resolução não é uma nova lei e não autoriza a eutanásia

“Primeiramente, trata-se de uma resolução. Portanto, é uma norma para disciplinar certos procedimentos médicos em relação a um paciente terminal. Ou seja, não se trata de autorização para eutanásia. Essa prática (eutanásia), no Brasil, não é permitida por lei. O código de ética médica é muito claro em relação a isso, quando diz que é vedado ao médico abreviar a vida, ainda que a pedido do paciente ou de seu representante legal. E, do ponto de vista moral e ético, também, é claro, não podemos defender a eutanásia, porque a vida é um dom precioso. É o primeiro dom  que nós recebemos. É a base e o fundamento de todos os direitos da pessoa humana. Temos que respeitá-la, desde seu começo até o seu término natural”.

A pessoa não é obrigada e nem impedida de recorrer a recursos extraordinários

“Agora, esta resolução trata apenas das normas para um médico poder agir de maneira legal e ética em relação a um tratamento de um paciente em fase terminal. Isto é, sem nenhuma perspectiva de recuperação, de melhoria, do ponto de vista do médico. Então, a pessoa não está obrigada e nem impedida de recorrer a recursos extraordinários, para se manter em vida. Não está obrigada a estes recursos extraordinários, essa complexidade tecnológica de que hoje a medicina está equipada, para manter um doente vivo, sem nenhuma perspectiva de cura, de recuperação. O médico deve atender o paciente da melhor maneira possível, utilizando todos os meios naturais, normais, para o seu tratamento. A título de exemplo: não se pode tirar do paciente o alimento, a ingestão de líquido, a que ele tem direito. Porque, aí sim, é matar a pessoa. Então, todos os recursos normais, naturais, conhecidos como cuidados paliativos, o médico deve utilizar para tratar do doente”.

A CNBB não é contrária

“Da forma que a resolução está colocada, a CNBB não é contra, enquanto se trata do uso de recursos extraordinários, complexos, que podem trazer mais sofrimento para o paciente, para a família; podem acarretar custos onerosos para a família do paciente, sem nenhuma esperança ou garantia de recuperação. Então, devem ser utilizados todos os recursos normais e naturais próprios para o tratamento de qualquer paciente”.

É preciso fiscalizar a aplicação da resolução

“A fiscalização deve ser feita para garantir os recursos básicos para os pacientes em casos terminais. Evidentemente, cabe ao hospital, ao conselho de medicina cumprir esta fiscalização. O código de ética médica é muito claro sobre isso: o médico está proibido abreviar a vida do paciente, seja por desejo do paciente ou de seu representante legal. Então, a vida nós temos que respeitar. É um dom de Deus. Temos que acolhê-la, defendê-la e promovê-la”.

Milagres acontecem

“Para nós que somos discípulos missionários de Jesus, há sempre a firme esperança de uma intervenção extraordinária de Deus, contrariando toda lógica das enfermidades ou dos procedimentos terapêuticos. Precisamos estar sempre abertos à possibilidade da cura, mesmo quando tudo parece não ter mesmo jeito. Essa é uma atitude de fé que não pode, de nenhum modo, ser negada ou sufocada”.

Eutanásia velada: CFM decide que paciente poderá escolher se tratar ou não em caso de doenças terminais

Ao levantar hoje e ver os jornais me deparei com a informação de que o Conselho Federal de Medicina – CFM –  aprovou a medida em que o doente em faze terminal escolha se tratar ou não. Os jornais e jornalistas de plantão, afirmam em suas matérias que essa decisão foi ótima. “Acertou o CFM”, disse Alexandre Garcia – respeitado jornalista – em sua coluna no Jornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo. Alexandre Garcia foi além. Disse que essa decisão é humanitária e “vai diminuir gastos com as UTI’s”.

Em minha opinião o que o Conselho fez foi simplesmente legalizar a eutanásia. Foi ir contra a vida, dom de Deus. Cabe agora a nós cristãos discernirmos entre o que Cristo ensina e o que os homens de pouca fé, ou nenhuma, querem que façamos. No milagre da ação de Deus em nossa vida, parece que já desacreditamos.

Ah! Havia me esquecido. O médico que recusar atender o desejo do paciente pode perder seu registro e autorização no Conselho.

Leia a matéria do Estadão, onde evidentemente, eles defendem a decisão do CFM.

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DÉBORA BERGAMASCO / BRASÍLIA – O Estado de S.Paulo

A partir de hoje, qualquer pessoa plenamente lúcida, saudável ou não, e maior de 18 anos poderá declarar ao seu médico se, em caso de doença terminal e irreversível, optará pela morte natural ou vai querer que sejam adotadas até medidas extremas, dolorosas e extenuantes para mantê-la viva por mais tempo.

Até agora, a decisão cabia à família e não ao paciente, especialmente em casos de impossibilidade de comunicação ou de demência senil. O doente também poderá designar ao médico um representante para comunicar a decisão.

Esse procedimento é chamado de “testamento vital” ou “diretiva antecipada de vontade” e passa a valer com a publicação hoje, no Diário Oficial, de uma resolução do Conselho Federal de Medicina (CFM). O texto diz que, para ser válida, basta que a vontade do paciente conste em seu prontuário médico, sem necessitar de assinatura, registro em cartório ou testemunhas.

A decisão é facultativa e pode ser revogada a qualquer momento, mas só a pedido do próprio paciente. Ciente de que dúvidas e polêmicas virão por aí, o presidente do CFM, Roberto D’Avila, fez questão de explicar que “em hipótese alguma a vida do paciente será abreviada e a eutanásia continua proibida”.

Ele afirma que o médico continuará obrigado a fazer tudo o que for possível para curar o doente. A fim de se explicar, ele deu o exemplo de seu próprio pai, que morreu em 1990.

“Ele tinha um câncer já impossível de ser curado, estava muito fraco e pediu para que não fosse entubado nem internado na UTI. Ele escolheu esperar pela morte em casa, cercado pelos filhos e netos, sem tomar mais a quimioterapia que só lhe causava desconforto e não poderia curá-lo. Pediu para que, se seu coração parasse, ninguém tentasse reanimá-lo e o deixássemos partir em paz. Respeitamos a decisão dele.”

Outros países já adotam esse tipo de diretiva antecipada, como EUA, Espanha, Holanda, Argentina e Portugal.

Especialistas em cuidados paliativos consideram a nova norma uma evolução. Para Pedro Caruso, diretor de UTI do Hospital A.C. Camargo, o País está em um limbo jurídico no que se refere ao tema. “Não há um arcabouço legal para a decisão. Embora não exista lei, a situação se apresenta todos os dias nos hospitais.”

Para ele, o fato de o paciente não precisar deixar por escrito sua posição é positivo. “É uma decisão muito difícil e um momento delicado. Não precisa burocratizar e impor mais sofrimento.”

A médica Ana Paula de Oliveira Ramos, responsável pelo Setor de Medicina Paliativa da Unifesp, enfatiza a importância de o assunto ser abordado o quanto antes, o que nem sempre ocorre. “Enquanto o paciente está bem, é mais fácil falar sobre o assunto. Se está mal e o tema vem à tona, já surge a associação de que ele está morrendo.”

Dúvidas. O testamento vital só poderá ser aplicado quando houver uma doença do tipo crônica degenerativa, como câncer, Alzheimer, Parkinson ou algo que coloque o paciente em estado vegetativo.

Com a figura do médico de família cada vez mais rara, para que não se corra o risco de a informação não chegar ao profissional que comanda o tratamento, a sugestão de D’Avila é que se “comunique a decisão a todos os médicos pelos quais passar”.

E se a família desconhecer a decisão e duvidar da anotação no prontuário, pensando que se trata de uma medida para reduzir custos? “Deve prevalecer a relação de confiança entre médico e paciente. Os procedimentos adotados pelos médicos não são submetidos a nenhum interesse de operadoras ou hospitais”, afirma o presidente do CFM. / COLABOROU MARIANA LENHARO