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O trem da CEB’s vem aí: CNBB quer fortalecer movimento para recuperar fieis

Preocupada com a renovação das paróquias, a 51ª Assembleia dos Bispos, que terminou na última sexta, incluiu as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) entre algumas das iniciativas para recuperar a presença da Igreja Católica nas áreas mais pobres, onde ocorre uma grande ação das igrejas neo-pentecostais.

“É um jeito de fazer com que os leigos lá na base comecem novamente a se articular”, disse d. Severino Clasen, presidente para comissão para o laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), ao defender uma CEB menos ideológica.

As CEB’s surgiram logo após o Concílio Vaticano 2º (1962-65), e foram impulsionadas pelo Documento de Medellín (1968) e pela Teologia da Libertação que na época era muito mais forte que hoje. Muitos ligaram o movimento a esquerda,  principalmente ao PT – Partido dos Trabalhadores – e movimentos sociais. O auge das CEB’s foi nos anos 1980, em regiões pobres, com uma crítica que unia princípios cristãos a uma ótica de esquerda, na visão dos direita, mais evangelista na missão do samaritano.

Em meio à oposição velada dos papas João Paulo 2º e Bento 16, que nomearam bispos contrários à aproximação com a esquerda, as CEB’s perderam força. O advento da Renovação Carismática Católica – RCC – também contribuiu para uma diminuição de popularidade do movimento.

trenzinho_das_cebsPara o padre Benedito Ferraro, assessor da Ampliada Nacional das CEBs, a volta da discussão é um reconhecimento de parte dos bispos de que a retração abriu espaço para as evangélicas, como a Assembleia de Deus. Hoje, diz, as CEBs são minoria entre os grupos eclesiais na periferia. Ferraro diz que não há números precisos sobre as CEBs, mas que elas estão presentes em todo o país. Prova disso são os movimentos ligados a ela como a Pastoral da Juventude e Patoral Operária, por exemplo.

O início da retomada das CEBs foi em 2007, na Conferência do Episcopado Latino-Americano, onde foi aprovado um documento cujo relator foi o bispo argentino Jorge Mario Bergoglio, hoje papa Francisco, com trechos bastante favoráveis às CEBs.

Os elogios, porém, foram diluídos quando o Documento de Aparecida passou por uma revisão da Cúria Romana do papa Bento 16.

“O modo como aconteceu repercutiu negativamente”, disse o bispo italiano de Adriano Vasino. “Isso é um dos problemas que a Igreja está tentando resolver, ter maior transparência em tudo.”

Vasino diz que o tema continua a dividir a CNBB entre “bispos que acreditam claramente nesse modelo” e “outros que, por experiências negativas, resquícios, consideram as comunidades ligadas só ao social ou a ideias descritas como comunistas”.

Defensores das CEBs esperam mais apoio do papa Francisco. Tanto por ter participado do Documento de Aparecida quanto pela defesa de uma “igreja para os pobres” –embora sem viés esquerdista.

A retomada, porém, não deverá ter a mesma força de antes, avalia o ex-arcebispo do ABC, cardeal d. Cláudio Hummes. “[As CEBs] talvez representem uma época, da ditadura militar, e foi aí que o povo conseguiu ter voz”, disse. “Em 30 anos, se faz um longo caminho. Então eu não posso simplesmente repetir o discurso de 1980 nem a prática de 1980 ao pé da letra.”

Os tempos são outros

Atualmente dentro da própria igreja os movimentos de CEB’s sofrem muitas críticas devido a proximidade de assuntos que a Igreja, em sua mãe condena. Um dos assuntos é a aproximação partidária dos membros, que hoje se difunde também na RCC. Outra coisa que muitos criticam é a mistura de costumes à liturgia da igreja.

Como disse Dom Cláudio Hummes, os tempos são outros. Hoje não há ditadura no país. A CEB’s terá um grande desafio pela frente, como costuma-se dizer nas reuniões do grupos “um novo-velho jeito de ser igreja” terá de fato de se tornar novo. Evitar a aproximação partidária e de causas contrárias a fé como o aborto, o casamento gay, dentre outros deveram ser debatidos com maior sinceridade e menos partidarismo.

A Liturgia é outro ponto. Os movimentos de CEB’s são taxados por incluírem elementos de outras culturas à liturgia. Por muitos criticados, deverá ser um ponto importante no item renovação.

Com informações da Folha de São Paulo

Seminário Nacional marca preparação para próximo intereclesial

CEBsA Diocese de Crato, no Ceará, acolheu os participantes do Seminário Nacional das Comunidades Eclesiais de Base, que teve início na segunda-feira (23), no Centro de Expansão Diocesano Dom Vicente Matos, na cidade do Crato. O evento terminou na  na quinta-feira (26), reunindo animadores das CEBs dos 17 regionais da CNBB, além de assessores, representantes da Ampliada Nacional das CEBs e os bispos referenciais.

Segundo Padre Vileci Vidal, Coordenador do Intereclesial, 2012 é o ano do aprofundamento e o Seminário obedece à dinâmica do plano de ação que está sendo desenvolvido rumo ao 13º Intereclesial, objetivando refletir sobre a caminhada romeira das CEBs. Foram destacados temas como a justiça na Bíblia, e como as CEBs podem influenciar na proposta de um novo tipo de convivência entre as pessoas e com a natureza, como compreender a luta pela justiça na cidade e no campo, dimensão bíblica, teológica e pastoral das romarias no universo do catolicismo popular.

O seminário prepara os participantes para contribuírem nos encontros regionais, na assessoria do 13º Intereclesial e visa despertar a todos a continuarem alertas para a necessidade de fortalecer e criar espaços de comunhão e articulação entre as CEBs a nível paroquial, diocesano, regional e nacional. Além da vivência da comunhão de amor em comunidade e entre as CEBs numa íntima união com Deus e da unidade do gênero humano, ajudando na afirmação da identidade missionária das CEBs e discernindo os novos desafios a partir da experiência e da espiritualidade libertadora que elas já vivem, considerando a temática do intereclesial e a ecologia.
Participaram do evento 19 padres, 6 bispos, 4 religiosas e mais de 60 animadores dos regionais. Durante todo o seminário, os assessores participaram de entrevistas na Rádio FM Padre Cícero de Juazeiro do Norte. O seminário encerrou com uma romaria ao Caldeirão do Beato José Lourenço, declarado “Santuário das Comunidades”, onde aconteceu uma manhã de espiritualidade, que também marcou a abertura da 3ª reunião da Ampliada Nacional.

Rumo ao 13º Intereclesial das CEB’s

Começou hoje, 27, e segue até o dia 29, no Centro de Expansão Dom Vicente Matos, em Crato (CE), a segunda reunião de coordenadores estaduais das Comunidades Eclesiais de Base (CEB’s). Este evento é a preparação para o 13º Intereclesial, que acontecerá em 2013, na Diocese de Crato, Regional Nordeste 1 da CNBB (Ceará), entre os dias 23 a 27 de julho. O tema e o lema do Intereclesial será, respectivamente: “Justiça e profecia a serviço da vida” e “CEBs, romeiras do Reino no campo e na cidade”.

Serão debatidos, neste encontro, estudos sobre a análise de conjuntura com o padre Manfredo Oliveira de Fortaleza e padre Benedito Ferraro de Campinas (SP). Ambos abordarão os sinais de contradição da globalização causadores da miséria humana, e o resultado das eleições no Brasil. A discussão prossegue com a partilha dos 17 Regionais da CNBB sobre a caminhada das CEBs em suas respectivas realidades a partir do estudo sobre “Cristianismo de libertação: profetismo a serviço do Reino de Deus”.

Consta na pauta de estudos um repasse sobre o projeto de encaminhamento da diocese de Crato sobre o plano de trabalho a ser desenvolvido pelo secretariado do 13º Intereclesial, sendo que 2011 será o ano de sensibilização em toda a diocese para este trabalho com visitas, encontros, assembleias e retiros missionários das CEBs. O ano de 2012 será o ano do aprofundamento, quando acontecerão os grandes encontros: seminários sobre a temática, encontro ecumênico e diálogo interreligioso, encontrão de preparação do Regional Nordeste 1. O ano 2013 é o ano da socialização de todos os saberes adquiridos nos anos anteriores para a realização do evento.

Nesta ampliada será escolhido o cartaz do 13º Intereclesial e feitos os encaminhamentos do texto base, será feita uma discussão sobre as possíveis oficinas de arte e liturgia nas CEB’s durante o período de preparação. No último dia serão partilhados os comunicados dos acontecimentos a nível Nacional e América Latina. Na parte da tarde haverá uma turnê cultural ao memorial do Patativa do Assaré e ao memorial do homem cariri em Nova Olinda.

A Ampliada das CEB’s terminará com uma vigília ao Santuário Eucarístico na cidade de Crato com a participação das comunidades paroquiais, quando será feito o lançamento da oração pelo 13º Intereclesial das CEBs que foi escrita por dom Pedro Casaldáliga.

Saiba mais:

As CEB’s já foram realizadas aqui, na cidade de Ipatinga, no ano de 2005. A cidade pertence a Diocese de Itabira/Cel. Fabriciano. Na ocasião a cidade recebeu o 11º Intereclesial das CEB’s.

O movimento da CEB’s – Comunidades Eclesiais de Bases – é um movimento ecumênico e sempre conta com a participação de várias religiões que após discutirem o tema proposto se comprometem a faze-lo.

por Marquione Ban

imagem da Internet