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Ressurreição e suborno

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá (PR)

“Depois do sábado, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver a sepultura” (Mt 28,1). No modo de contar judaico, o sábado fechava a semana e começava a nova semana. Este primeiro dia, graças à ressurreição de Cristo, para os cristãos tornou-se o “Dia do Senhor”; em latim “Dies Domine”; em português, “Domingo”.

Quem dá a notícia às mulheres no evangelho segundo São Mateus é o anjo: “Então o anjo disse às mulheres: Não tenham medo; eu sei que vocês estão procurando Jesus que foi crucificado. Ele não está aqui, Ressuscitou como havia dito” (Mt 28, 5). “As mulheres saíram depressa do túmulo; estavam com medo, mas correram com muita alegria para dar a notícia aos discípulos” (Mt 28,8).

Domingo de Páscoa é a festa mais importante do calendário litúrgico para os cristãos. Não há solenidade maior que a Ressurreição de Cristo. Neste dia, celebramos a vitória da vida sobre a morte. Com a Sua ressurreição, o Cristo crucificado vence a dor, o sofrimento, a humilhação, a angústia e a própria morte. O luto se transforma em festa; a dor em alegria; o sofrimento em esperança; a angústia em glória. O apóstolo Paulo afirma categoricamente: “Se Cristo não tivesse ressuscitado, inútil seria a nossa fé” (cf. 1Cor 15,17). A cruz é o trono; o grito é salvação; o sangue e a água são a vida plena; o Salvador é Jesus. Por isso que a fé no ressuscitado não pode ser apenas louvor e glória. Ela é cruz, grito, sangue, dor, e salvação.

Naquele dia, diante da revolucionária notícia, as autoridades que viam o fracasso de suas artimanhas para manter as máscaras da corrupção diante do povo, inventam uma mentira. A primeira atitude é o suborno.

O evangelho segundo São Mateus – aliás, o único evangelista que relata esse fato – nos diz: “Enquanto as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos chefes dos sacerdotes tudo o que havia acontecido. Os chefes dos sacerdotes se reuniram com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados dizendo-lhes: Digam que os discípulos dele foram durante a noite, e roubaram o corpo enquanto vocês dormiam. E se o governador ficar sabendo nós o convenceremos. Assim tal boato se espalhou entre os judeus, até o dia de hoje” (Mt 28,11-15).

Não é de hoje que a inconsistência humana, a duplicidade de atitudes, o sistema da mentira, a corrupção vergonhosa está instalada no coração humano. É sempre a elite, principalmente a elite política, que inventa esquemas, tramando em beneficio próprio. Tenho certeza de que tudo isso também faz parte do plano de salvação. Jesus morreu e ressuscitou por amor a todos, e foi por amor que deu a vida para instalar definitivamente o seu Reino em nós e nas estruturas de poder. Reino que está a serviço da justiça. Reino que privilegia a solidariedade, que se fundamenta na esperança autêntica. Reino cuja força é o amor e paz.

Que Jesus ressuscitado traga para todos nós um novo alento nesta caminhada para a pátria definitiva! Quero aqui fazer o convite para que você, que acredita na Ressurreição e luta contra todo tipo de suborno, ajude a construir um mundo cada vez mais justo e fraterno.  Páscoa não é só hoje, é todo dia, ela depende de você! Feliz Páscoa!

Israel parou por dois minutos em memória das vítimas do Holocausto

Em todo território de Israel celebrou-se nesta segunda-feira, 2, a memória dos seis milhões de judeus exterminados durante o regime nazista. Às dez horas da manhã (horário de Tel Aviv), em todo país as sirenes começaram a soar.

Numa das principais rodovias de Tel Aviv, uma imagem impressionante. Nem mesmo o grande fluxo de veículos impediu que todos os motoristas parassem seus carros, muitos até chegaram a sair, e ali, sobre o asfalto, prestaram suas homenagens.

Não foi diferente em outras partes do país. Ao ouvir as sirenes, todos deixavam de fazer suas atividades e paravam. Entre eles os próprios sobreviventes do Holocausto. Em um discurso a nação, o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu disse que a “ameaça a nossa existência ainda é real. O Irã, por exemplo, investe em armamento nuclear exatamente com essa finalidade”. Pensamento reiterado pelo presidente de Israel, Shimon Peres. Segundo ele “o povo israelense, vítima de racismo, perseguição, discriminação, não esqueceu o dever de respeitar cada pessoa. Cada um dos nossos cidadãos sabe que Israel é e será sempre o país mais anti-racista do mundo”.

Apesar da rigidez dos discursos, o centro de estudos anti-semitas da Universidade de Tel Aviv relevou que, em 2010, as agressões de caráter anti-semita caíram pela metade. Contudo, a mesma publicação alertou para o crescente número de textos anti-semitas divulgados na internet.

O dia da Memória do Holocausto ainda foi marcado pela marcha dos vivos ao campo de concentração e de extermínio de Auschwitz, na Polônia.

Foi lá que, em 2009, o Papa Bento XVI, fez o seguinte pronunciamento.

“O lugar no qual nós nos encontramos é um lugar da memória e o lugar da Shoah (Holocausto). O passado não é mais somente passado. Isso interessa a nós e nos indica os caminhos a trilhar e aqueles a não trilhar”.

Judeus e católicos abordam desafios da fé na sociedade secularizada

A Comissão Bilateral das delegações do Grão-Rabinato de Israel e do Comitê para as Relações Religiosas da Santa Sé com o Judaísmo realizaram seu 10º encontro entre terça-feira, 29, e quinta-feira, 31, em Jerusalém.

As discussões giraram em torno do tema dos desafios da fé e da liderança religiosa em uma sociedade secularizada. Os debates salientaram que, ao lado de muitos benefícios, o mundo contemporâneo trouxe um forte aumento do consumismo e de uma ideologia niilista que dá um foco exagerado para o bem-estar individual em detrimento do coletivo, o que desemboca em uma crise moral. “Nosso mundo moderno é substancialmente desprovido de um sentimento de pertença, significado e propósito”, salienta um comunicado divulgado nesta sexta-feira, 1º.

Nessa perspectiva, a fé e a liderança religiosa tem um papel crucial, providenciando esperança e guia moral que provém da consciência da Presença Divina e da Imagem Divina em todos os seres humanos. Ambas as tradições – católica e judaica – declaram a importância da oração para essa tomada de consciência, bem como que o estudo da Sagrada Escritura oferece inspiração essencial e direção para a vida.

O encontro ressalta que os fiéis são responsáveis por testemunhar a presença de Deus no mundo, concretamente através da educação, focada na juventude, bem como através de um engajamento efetivo nos media. Da mesma forma, instituições de caridade que se dediquem especialmente aos mais vulneráveis, doentes e marginalizados e o engajamento no desenrolar da vida na sociedade civil são meios por excelência desse engajamento.

Aspectos positivos

A sociedade secular, entendida em termos de um maior engajamento na sociedade em geral, também indica uma sociedade em que a religião pode florescer. Ao mesmo tempo, o foco sobre o indivíduo trouxe muitas bênçãos e levou a dar mais atenção ao tema dos direitos civis. “No entanto, para que esse foco seja sustentável, precisa ser fundamentada em um quadro antropológico e espiritual mais amplo, que leva em conta o ‘bem comum’, que encontra sua expressão no fundamento religioso dos deveres morais. A afirmação da sociedade sobre esses deveres humanos serve para fortalecer e consagrar os direitos humanos de seus constituintes”, indica o texto conclusivo do encontro.

A Comissão Bilateral manifestou a esperança de que as questões pendentes nas negociações entre a Santa Sé e o Estado de Israel sejam resolvidas breve e que os acordos bilaterais sejam rapidamente ratificados para o benefício de ambas as comunidades.

“A delegação católica aproveitou a oportunidade para reiterar o ensinamento histórico da Declaração Nostra Aetate(No.4), do Concílio Vaticano II, a respeito do Pacto Divino com os judeus, que ‘continuam ainda, por causa dos Patriarcas, a ser muito amados de Deus, cujos dons e vocação não conhecem arrependimento’ (cf. Rm 11,28-29)”; e recordou a oração pela paz do Papa Bento XVI ao receber a Delegação Bilateral em Roma em 12 de março de 2009, citando o Salmo 125 ‘Como Jerusalém está toda cercada de montanhas, assim o Senhor envolve seu povo, agora e sempre'”.

Fonte Canção Nova

O mundo recorda hoje as vítimas do holocausto

O mundo celebra hoje (27) o Dia Internacional em Memória das Vítimas do Holocausto, com o tema ‘As mulheres e o Holocausto: coragem e compaixão’, instituído em 2005.

A comemoração lembra as histórias de mulheres que durante a Segunda Guerra Mundial lutaram para manter as tradições familiares e religiosas e enfrentaram a ameaça de morte corajosamente.

A Assembléia Geral das Nações Unidas aprovou no dia 1º de novembro de 2005, a resolução 60/7 que designa 27 de Janeiro, como o Dia Internacional de Comemoração em Memória das Vítimas do Holocausto. A data é uma homenagem aos seis milhões de judeus e às outras vítimas do extermínio nazista.

Vários países, incluindo Grã-Bretanha, Itália e Alemanha, já consideravam 27 de janeiro o dia da memória das vítimas do Holocausto porque foi nessa data, em 1945, que os soviéticos liberaram o campo de concentração de Auschwitz-Birkenau, na Polônia.

A resolução, proposta por Israel, foi co-patrocinada por outros 104 países e aprovada por consenso, sem necessidade de votação.

O texto da resolução rejeita qualquer questionamento de que o Holocausto foi um evento histórico, enfatiza o dever dos Estados-membros de educar futuras gerações sobre os horrores do genocídio e condena todas as manifestações de intolerância ou violência baseadas em origem étnica ou crença.

Para essa ocasião o Secretário-Geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon publica uma mensagem na qual afirma que a cada ano, a comunidade internacional se une em memória do Holocausto e reflete sobre as lições que não devemos esquecer. É uma celebração anual de vital importância.

“No aniversário da libertação de Auschwitz-Birkenau, o maior e mais famoso dos campos de extermínio nazista lembramo-nos dos milhões de judeus, assim como dos prisioneiros de guerra, dissidentes políticos e membros de grupos minoritários, tais como os ciganos e Sinti, homossexuais e deficientes físicos, que foram sistematicamente assassinados pelos nazistas e seus simpatizantes”, destacou o Secretário-Geral das Nações Unidas. Este ano, a homenagem é dedicada às mulheres que sofreram no Holocausto.

“Mães e filhas, avós, irmãs e tias, que tiveram suas vidas irrevogavelmente mudadas, separadas de suas famílias e com suas tradições destruídas. Contudo, apesar de terríveis atos de privação, discriminação e crueldade, elas sempre encontraram maneiras de lutar contra seus perseguidores”, continuou o Secretário-Geral das Nações Unidas.

O Secretário-Geral concluiu afirmando que famílias nunca mais devem ter de suportar o tipo de horror visto durante o Holocausto. “Só trabalhando em conjunto poderemos evitar o genocídio e pôr fim à impunidade. Ao educar as novas gerações sobre esse terrível episódio de nossa história”, disse Ban Ki-moon.

Fonte MCCE

por Marquione Ban

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