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Fim da 51ª Assembleia da CNBB

André Alves | Canção Nova – Encerrou-se nesta sexta-feira, 19, a 51ª Assembleia Geral dos Bispos do Brasil reunidos em Aparecida (SP) desde o último dia 10. Na cerimônia de encerramento, o presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Raymundo Damasceno agradeceu aos bispos pela participação, assim como a imprensa pela cobertura. Destacou que agora é o momento que os pastores da Igreja retornam às suas comunidades com novo ardor missionário para a evangelização.

Dom Eduardo Pinheiro, presidente da Comissão para a Juventude da CNBB, leu o trecho Evangelho escrito por São Mateus que diz do tema da JMJ Rio2013: “Ide e fazei discípulos entre todas as nações” (Mt 28, 19). Após a proclamação da leitura, os bispos rezaram a oração do Pai Nosso e invocaram as bençãos de Deus.

Na última coletiva de imprensa desta Assembleia, estiveram presentes o presidente da CNBB, Dom Raymundo Damasceno; o vice-presidente, Dom José Belisário e secretário-geral, Dom Leonardo Steiner.

Dom Damasceno disse que a principal palavra que define essa assembleia é gratidão. Agradeceu novamente a todos que estiveram envolvidos no encontro, aos bispos e à imprensa.

“Nossa assembleia foi uma profunda experiência eclesial. Ocasião para promover o aprofundamento da comunhão e fortacelecer a missão da Igreja. Fizemos trabalhos em grupos e discutimos temas importantes. Encerramos o encontro com o o saldo excelente, apesar da pauta densa”.

O tema central do encontro “Comunidade de comunidades – uma nova Paróquia” tratou de uma realidade próxima a todos. Segundo Dom Damasceno, era previsto que o tema fosse aprofundado para então ser levado às dioceses e aos regionais da CNBB. Somente na Assembleia de 2014, o documento sobre o assunto voltará à plenária a fim de ser aprovado.

“O tema foi aceito positivamente por toda a Assembleia. Foi inspirado no documento de Aparecida, acentuando a renovação das paróquias”, enfatizou o arcebispo. Ele disse ainda que com sua milenar existência, a paróquia “corre o risco de se esclerosar”, no entanto, continua atual. Por isso, o arcebispo, insistiu no ato de renovar as comunidades paroquiais.

“É preciso que outros grupos se reúnam, não só na matriz, mas em todo o território da paróquia, principalmente na periferia. A paróquia deve ser missonária e não apenas uma agência prestadora de serviço. É preciso que ela vá ao encontro do povo”, afirmou.

Dom Damasceno também destacou a avaliação sobre o tema central afirmando ser a paróquia uma grande escola de Fé, cujo o Domingo, Dia do Senhor, é o dia mais importante para a reunião da comunidade. “Não se pode viver a Fé isoladamente, porque o Cristianismo é comunitário. Viver em comunidade implica no conviver, na solidariedade, na ajuda mútua, na afetividade. Implica em valorizar o outro. A sociedade que vivemos é individualista. O outro tem algo a contribuir, mas nós o ignoramos.”

Dois assuntos também mencionados na Assembleia foram a questão agrária e o Diretório para Comunicação. De acordo com o arcebispo de Aparecida, o Conselho Permanente é quem vai aprovar o Diretório, que será levado pela comissão responsável por enriquecer o documento.

Dom Raymundo também recordou a aprovação de alguns textos litúrgicos, espeficiamente dos ritos introdutórios e prefácios, feita durante esta Assembleia.

Outro resultado do encontro dos bispos, foi a elaboração do subsídio sobre as eleições que será oferecido às comunidades. O documento é para ajudar os leigos no assunto e destacando a melhor maneira para que estes participem ativamente da política partidária. “A ação política faz parte da ação evangelizadora da Igreja e o cristão não pode omitir-se na sua participação, especialmente no política partidária”.

Por fim, os bispos também divulgaram uma nota sobre os direitos dos povos indígenas e quilombolas. No texto, a CNBB declara-se contra a PEC 215 que tramita no congresso.

Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam para a Galiléia. Lá eles me verão – Evangelho do Dia

Evangelho – Mt 28,8-15

Ide anunciar aos meus irmãos que se dirijam
para a Galiléia. Lá eles me verão.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 28,8-15

Naquele tempo:
8As mulheres partiram depressa do sepulcro.
Estavam com medo, mas correram com grande alegria,
para dar a notícia aos discípulos.
9De repente, Jesus foi ao encontro delas, e disse:
“Alegrai-vos!”
As mulheres aproximaram-se,
e prostraram-se diante de Jesus, abraçando seus pés.
10Então Jesus disse a elas: “Não tenhais medo.
Ide anunciar aos meus irmãos
que se dirijam para a Galiléia.
Lá eles me verão.”
11Quando as mulheres partiram,
alguns guardas do túmulo foram à cidade,
e comunicaram aos sumos sacerdotes
tudo o que havia acontecido.
12Os sumos sacerdotes reuniram-se com os anciãos,
e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados,
13dizendo-lhes:
“Dizei que os discípulos dele foram durante a noite
e roubaram o corpo, enquanto vós dormíeis.
14Se o governador ficar sabendo disso, nós o convenceremos.
Não vos preocupeis.”
15Os soldados pegaram o dinheiro,
e agiram de acordo com as instruções recebidas.
E assim, o boato espalhou-se entre os judeus,
até ao dia de hoje.
Palavra da Salvação.

Reflexão – Mt 28, 8-15

A ressurreição de Jesus, assim como a sua vida e a sua morte, tornou-se causa de divisão. Os que não crêem fazem tudo e usam de todos os meios para negarem o fato. Apesar de saberem a verdade e as conseqüências que acarretariam suas mentiras, os sumos sacerdotes e os anciãos, que ouviram das únicas testemunhas do fato da ressurreição a narrativa do fato, pagam para que tudo fique oculto e a ressurreição seja negada. Mas para quem nele crê, a ressurreição é motivo de grande alegria, é motivação para que a notícia seja espalhada rapidamente, mas principalmente é ocasião para o encontro pessoal com o ressuscitado.

Ressurreição e suborno

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá (PR)

“Depois do sábado, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver a sepultura” (Mt 28,1). No modo de contar judaico, o sábado fechava a semana e começava a nova semana. Este primeiro dia, graças à ressurreição de Cristo, para os cristãos tornou-se o “Dia do Senhor”; em latim “Dies Domine”; em português, “Domingo”.

Quem dá a notícia às mulheres no evangelho segundo São Mateus é o anjo: “Então o anjo disse às mulheres: Não tenham medo; eu sei que vocês estão procurando Jesus que foi crucificado. Ele não está aqui, Ressuscitou como havia dito” (Mt 28, 5). “As mulheres saíram depressa do túmulo; estavam com medo, mas correram com muita alegria para dar a notícia aos discípulos” (Mt 28,8).

Domingo de Páscoa é a festa mais importante do calendário litúrgico para os cristãos. Não há solenidade maior que a Ressurreição de Cristo. Neste dia, celebramos a vitória da vida sobre a morte. Com a Sua ressurreição, o Cristo crucificado vence a dor, o sofrimento, a humilhação, a angústia e a própria morte. O luto se transforma em festa; a dor em alegria; o sofrimento em esperança; a angústia em glória. O apóstolo Paulo afirma categoricamente: “Se Cristo não tivesse ressuscitado, inútil seria a nossa fé” (cf. 1Cor 15,17). A cruz é o trono; o grito é salvação; o sangue e a água são a vida plena; o Salvador é Jesus. Por isso que a fé no ressuscitado não pode ser apenas louvor e glória. Ela é cruz, grito, sangue, dor, e salvação.

Naquele dia, diante da revolucionária notícia, as autoridades que viam o fracasso de suas artimanhas para manter as máscaras da corrupção diante do povo, inventam uma mentira. A primeira atitude é o suborno.

O evangelho segundo São Mateus – aliás, o único evangelista que relata esse fato – nos diz: “Enquanto as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos chefes dos sacerdotes tudo o que havia acontecido. Os chefes dos sacerdotes se reuniram com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados dizendo-lhes: Digam que os discípulos dele foram durante a noite, e roubaram o corpo enquanto vocês dormiam. E se o governador ficar sabendo nós o convenceremos. Assim tal boato se espalhou entre os judeus, até o dia de hoje” (Mt 28,11-15).

Não é de hoje que a inconsistência humana, a duplicidade de atitudes, o sistema da mentira, a corrupção vergonhosa está instalada no coração humano. É sempre a elite, principalmente a elite política, que inventa esquemas, tramando em beneficio próprio. Tenho certeza de que tudo isso também faz parte do plano de salvação. Jesus morreu e ressuscitou por amor a todos, e foi por amor que deu a vida para instalar definitivamente o seu Reino em nós e nas estruturas de poder. Reino que está a serviço da justiça. Reino que privilegia a solidariedade, que se fundamenta na esperança autêntica. Reino cuja força é o amor e paz.

Que Jesus ressuscitado traga para todos nós um novo alento nesta caminhada para a pátria definitiva! Quero aqui fazer o convite para que você, que acredita na Ressurreição e luta contra todo tipo de suborno, ajude a construir um mundo cada vez mais justo e fraterno.  Páscoa não é só hoje, é todo dia, ela depende de você! Feliz Páscoa!