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As lições espirituais da Copa das Confederações

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo Diocesano de Campos

A Copa das Confederações foi ganha pelo Bras¬¬il, esta edição da Copa teve características atípicas e inéditas que nos fazem pensar e refletir. Uma primeira consideração a fazer que foi a primeira vez que o foco da atenção do pais não esteve no campo do jogo mas nas ruas.

A paixão pelo futebol do povo brasileiro deixou espaço para o protesto, o comentário não foram as jogadas do time da seleção mas o time do povo, os jovens que tomaram as cidades do pais sendo jogadores de outra copa, sem duvida mais importante porque define a vida de todos.  Por primeira vez os governantes descobriram atônitos que não basta investir pesadas somas e quantias de dinheiro no padrão FIFA da Copa  para agradar ao povo, mas estar mais perto e cientes das demandas do dia a dia, na saúde, educação e segurança.

O povo acordou e sentiu-se arbitro, ator principal, expressando claramente aquilo que não quer, transporte público de péssima qualidade, impunidade, corrupção, venalidade e descaso na administração pública. O brado e o grito das ruas é certamente impreciso, desfocado, sem prioridades, mas sincero e autêntico, também com a presença infeliz de provocadores que incitam a atos de violência.

No entanto, ignorá-lo seria alienar-se de um verdadeiro sentimento popular de repulsa e de uma indignação visceral com a banalização da mediocridade, do mal e da prática maquiavélica do exercício do poder. Estamos contentes com a conquista da Copa, pois nossa seleção apresentou um time que prioriza o trabalho de equipe, o coletivo, o grupo como família, só assim nos tornamos merecedores de aspirar a objetivos e vitórias transcendentes.

Quem sabe o Brasil todo vira o jogo e se torna uma equipe campeã, no certame da vida pública, no desenvolvimento integral para todos/as, na luta contra a corrupção e a miséria, ganhando a Copa da educação, da cidadania, construindo um poder-serviço e uma democracia participativa realmente eficaz.

Deus seja louvado!

Papa diz que protestos no País são justos e de acordo com Evangelho

Papa Francisco deve se referir às manifestações espalhadas pelo País em seu discurso na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, no final do mês de julho

1044827_342427299218739_226133895_nO papa Francisco, que virá ao Brasil no próximo dia 22 para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, disse que as manifestações que estão ocorrendo por todo o País são justas e de acordo com o Evangelho, segundo informações do jornal El País.

De acordo com reportagem do periódico, o Pontífice tem se informado diretamente dos protestos em curso nas ruas brasileiras, com massiva participação dos jovens, e deve inclusive se referir às manifestações em seu discurso na JMJ, segundo fonte “confiável” do correspondente do El País.

ppfranciscoaudiencia03042013O papa Francisco já teria escrito seu discurso quando foi informado, pessoalmente, por prelados brasileiros sobre as manifestações e atos de violência registrados no País. O primeiro a se encontrar com o pontífice no Vaticano foi o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta.

Há 15 dias, foi a vez do arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, conversar com o Papa, seguido finalmente pelo cardeal Raymundo Damasceno de Assis, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que declarou apoio às manifestações, desde que pacíficas. O documento produzido pela CNBB estaria nas mãos do papa Francisco, segundo o periódico.

Dom Cláudio Hummes, após seu encontro com o Pontífice, disse a um grupo de católicos no Colégio São Bento que a “mensagem de Cristo está em sintonia com essas reivindicações do povo”, segundo o El País, e acrescentou que “por isso devem estar presentes. O povo, de fato, está vivendo o Evangelho”.

O cardeal afirmou que não teme que as manifestações possam manchar a visita do Papa ao Brasil, e inclusive transmitiu ao Pontífice que os protestos não estão relacionados com sua visita, e sim contra o governo.

Nota da CNBB: “Ouvir o clamor que vem das ruas”

cnbblogoOs bispos manifestam “solidariedade e apoio às manifestações, desde que pacíficas, que têm levado às ruas gente de todas as idades, sobretudo os jovens”. A presidência da CNBB apresentou a Nota em entrevista coletiva e o documento foi aprovado na reunião do Conselho Permanente concluída na manhã desta sexta-feira, 21 de junho.

Leia a Nota:

Ouvir o clamor que vem das ruas

Nós, bispos do Conselho Permanente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil-CNBB, reunidos em Brasília de 19 a 21 de junho, declaramos nossa solidariedade e apoio às manifestações, desde que pacíficas, que têm levado às ruas gente de todas as idades, sobretudo os jovens. Trata-se de um fenômeno que envolve o povo brasileiro e o desperta para uma nova consciência. Requerem atenção e discernimento a fim de que se identifiquem seus valores e limites, sempre em vista à construção da sociedade justa e fraterna que almejamos.

Nascidas de maneira livre e espontânea a partir das redes sociais, as mobilizações questionam a todos nós e atestam que não é possível mais viver num país com tanta desigualdade. Sustentam-se na justa e necessária reivindicação de políticas públicas para todos. Gritam contra a corrupção, a impunidade e a falta de transparência na gestão pública. Denunciam a violência contra a juventude. São, ao mesmo tempo, testemunho de que a solução dos problemas por que passa o povo brasileiro só será possível com participação de todos. Fazem, assim, renascer a esperança quando gritam: “O Gigante acordou!”

Numa sociedade em que as pessoas têm o seu direito negado sobre a condução da própria vida, a presença do povo nas ruas testemunha que é na prática de valores como a solidariedade e o serviço gratuito ao outro que encontramos o sentido do existir. A indiferença e o conformismo levam as pessoas, especialmente os jovens, a desistirem da vida e se constituem em obstáculo à transformação das estruturas que ferem de morte a dignidade humana. As manifestações destes dias mostram que os brasileiros não estão dormindo em “berço esplêndido”.

O direito democrático a manifestações como estas deve ser sempre garantido pelo Estado. De todos espera-se o respeito à paz e à ordem. Nada justifica a violência, a destruição do patrimônio público e privado, o desrespeito e a agressão a pessoas e instituições, o cerceamento à liberdade de ir e vir, de pensar e agir diferente, que devem ser repudiados com veemência. Quando isso ocorre, negam-se os valores inerentes às manifestações, instalando-se uma incoerência corrosiva que leva ao descrédito.

Sejam estas manifestações fortalecimento da participação popular nos destinos de nosso país e prenúncio de novos tempos para todos. Que o clamor do povo seja ouvido!

Sobre todos invocamos a proteção de Nossa Senhora Aparecida e a bênção de Deus, que é justo e santo.

Brasília, 21 de junho de 2013

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom José Belisário da Silva
Arcebispo de São Luís
Vice-presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Antonio Primaldo e 800 mártires assassinados por muçulmanos serão canonizados neste domingo

Neste domingo o Papa Francisco presidirá na Praça de São Pedro a Missa de canonização do Beato Antonio Primaldo e seus 800 companheiros, martirizados pelos muçulmanos do Império Turco durante sua incursão na pequena cidade italiana de Otranto, na Apulia, em 29 de julho de 1480.

Antonio Primaldo é o único nome que se transmitiu dos oitocentos desconhecidos pescadores, artesãos, pastores e agricultores de Otranto, cujo sangue foi derramado pelo exército muçulmano só porque eram cristãos.

Nesse dia, às primeiras horas da manhã, desde as muralhas de Otranto se fez visível no horizonte uma frota de 90 galeras, 15 mahonas e 48 galeotas, com 18 mil soldados a bordo. A armada era guiada pelo paxá Agometh, que estava às ordens de Maomé II, chamado Fatih, o Conquistador, quem em 1453 tinha conquistado Bizâncio e agora queria Roma.

Em junho de 1480 Maomé II tirou o cerco a Rodi, defendida com coragem pelos seus cavalheiros, e dirigiu sua frota na direção do mar Adriático. Otranto era –e é– a cidade mais oriental da Itália. A importância do seu porto fez com que assumisse o papel de ponte entre o oriente e o ocidente.

Cercado, o castelo se converteu no refúgio dos habitantes e era defendido somente por 400 soldados que não demoraram em abandonar a cidade deixando os refugiados sozinhos.

Depois de quinze dias de cerco, ao amanhecer de 12 de agosto, os turcos concentraram o fogo contra um dos pontos mais fracos das muralhas, abriram uma brecha, irromperam nas ruas, massacraram todos os que viram pela frente e chegaram à catedral onde se refugiou boa parte dos habitantes.

Derrubaram a porta e cercaram o Arcebispo Stefano, que estava com os trajes pontificais e com o crucifixo na mão. Ao ser intimado a não falar mais o nome de Cristo, já que desde aquele momento quem mandava era Maomé, o Prelado respondeu exortando os assaltantes à conversão, e por isso foi decapitado.

Entre aqueles heróis houve um de nome Antonio Primaldo, alfaiate de profissão, de idade avançada, quem, em nome de todos, afirmou: “Todos acreditam em Jesus Cristo, Filho de Deus, e estamos dispostos a morrer mil vezes por Ele”. Agometh decreta a condenação à morte de todos os 800 prisioneiros.

Na manhã seguinte estes foram conduzidos com cordas no pescoço e com as mãos amarradas para trás até colina da Minerva, poucas centenas de metros fora da cidade. Repetiram todos a profissão de fé e a generosa resposta dada antes; por isso o tirano ordenou que começasse a decapitação e, que primeiro cortassem a cabeça do velho Primaldo.

Ele era motivo de ódio para os muçulmanos porque não deixava de se fazer de apóstolo entre os seus, mais ainda, antes de inclinar a cabeça sobre a rocha, afirmava a seus companheiros que via o céu aberto e os anjos animando; que se mantivessem fortes na fé e que olhassem o céu já aberto para recebê-los.

Ele se inclinou, sua cabeça foi cortada, mas o corpo ficou de pé: e apesar dos esforços dos assassinos, permaneceu erguido imóvel, até que todos fossem decapitados.

Este fato teria sido uma lição para a salvação dos muçulmanos. Um só verdugo de nome Berlabei, valorosamente acreditou no milagre e, declarando-se em alta voz cristão, foi também martirizado.

Bento XVI assinou em 20 de dezembro de 2012 o decreto com o qual se reconhece um milagre graças à intercessão deste grupo de mártires.

Evangelho do Dia – Mt 6,1-6.16-18

E o teu Pai, que vê o que está
escondido, te dará a recompensa.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 6,1-6.16-18

Naquele tempo, disse Jesus aos seus discípulos:
1″Ficai atentos
para não praticar a vossa justiça na frente dos homens,
só para serdes vistos por eles.
Caso contrário, não recebereis a recompensa
do vosso Pai que está nos céus.
2Por isso, quando deres esmola,
não toques a trombeta diante de ti,
como fazem os hipócritas nas sinagogas e nas ruas,
para serem elogiados pelos homens.
Em verdade vos digo:
eles já receberam a sua recompensa.
3Ao contrário, quando deres esmola,
que a tua mão esquerda nóo saiba
o que faz a tua mão direita,
4de modo que, a tua esmola fique oculta.
E o teu Pai, que vê o que está oculto,
te dará a recompensa.
5Quando orardes,
não sejais como os hipócritas,
que gostam de rezar em pé,
nas sinagogas e nas esquinas das praças,
para serem vistos pelos homens.
Em verdade vos digo:
eles já receberam a sua recompensa.
6Ao contrário, quando tu orares,
entra no teu quarto, fecha a porta,
e reza ao teu Pai que está oculto.
E o teu Pai, que vê o que está escondido,
te dará a recompensa.
16Quando jejuardes,
não fiqueis com o rosto triste como os hipócritas.
Eles desfiguram o rosto,
para que os homens vejam que estão jejuando.
Em verdade vos digo:
Eles já receberam a sua recompensa.
17Tu, porém, quando jejuares,
perfuma a cabeça e lava o rosto,
18para que os homens não vejam
que tu estás jejuando,
mas somente teu Pai, que está oculto.
E o teu Pai, que vê o que está escondido,
te dará a recompensa.
Palavra da Salvação.

Reflexão – Mt 6, 1-6.16-18

O verdadeiro espírito de conversão quaresmal é aquele de quem não busca simplesmente dar uma satisfação de sua vida a outras pessoas para conseguir a sua aprovação e passar assim por um bom religioso, mas sim aquele que encontra a sua motivação no relacionamento com Deus e busca superar as suas imaturidades, suas fraquezas, sua maldade e seu pecado para ter uma vida mais digna da vocação à santidade que é conferida a todas as pessoas com a graça batismal, e busca fazer o bem porque é capaz de ver nas outras pessoas um templo vivo do Altíssimo e servem ao próprio Deus na pessoa do irmão ou da irmã que se encontram feridos na sua dignidade.