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Ecumenismo: Usain Bolt foi convidado para falar no Vaticano sobre a liberdade religiosa

(ACI/EWTN Noticias).- O homem mais rápido do mundo que tem o recorde mundial dos 100 metros planos com 9,58 segundos, o jamaicano Usain Bolt, recebeu um convite para dar uma conferência sobre liberdade religiosa no Vaticano.

“Buscamos um ponto em comum entre as diferentes religiões. Acima de tudo queremos concentrar-nos no valor absoluto da liberdade religiosa como direito humano”, disse ao grupo ACI em 31 de agosto a organizadora do evento, Giovanna Abbiati.

A conferência TEDx Via della Conciliazione será realizada em Roma dia 19 de abril de 2013 sobre o tema “Liberdade religiosa hoje” e conta com o auspício do Pontifício Conselho para a Cultura, através do projeto “Pátio dos Gentis”, criado para o diálogo com crentes e não crentes.

Entre os que já confirmaram a sua participação no evento estão o ex-jogador da NBA, Vlade Divac, a cantora cubana-americana Glorifica Estefan. Espera-se ainda a confirmação do jogador de futebol da Costa do Marfim e ex-membro do Chelsea inglês, Didier Drogba.

Usain Bolt, de 26 anos de idade, ganhou nas últimas Olimpíadas de Londres três medalhas de ouro. Como católico, é conhecido por fazer o sinal da cruz antes de cada uma das competências nas que participa.

Em declarações ao grupo ACI no dia 31 de agosto, a historiadora da arte e participante do evento, Elizabeth Lev, disse que está “emocionada por saber que a arte e a beleza vão juntas com a excelência física”.

Disse também que “espero com ânsias poder promover uma conversação hodierna entre a arte, a fé e as conquistas atléticas, da mesma forma que a primeira comunidade cristã elogiava as mesmas qualidades em seus Santos e a espiritualidade”.

A iniciativa TED – Tecnologia, Entretenimento e Desenho – foi fundada na Califórnia (Estados Unidos) em 1948 para promover “ideias que valem a pena compartilhar”. Permite aos oradores falar durante 18 minutos sobre um tema em particular eleito por eles.

“Ao acolher o TEDx no Vaticano queremos promover a mensagem de paz e que a liberdade religiosa constitui uma importante dimensão para a cultura de paz”, comentou Giovanna Abbiati.

O Site do evento é: www.tedxviadellaconciliazione.com

Conselho Mundial de Igrejas prepara Dia de Oração pela Paz

O Conselho Mundial de Igrejas (COE) prepara para o próximo dia 21 de setembro o Dia Internacional de Oração pela Paz. A iniciativa coincide com o Dia Internacional da Paz, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU).

As orações podem ser compartilhadas nas redes sociais ou enviadas ao Conselho Mundial através de e-mail (webeditor@wcc-coe.org). As mensagens podem ter uma visão da paz sob vários aspectos: social, econômico, ecológico ou político-militar.

Recordando o tema escolhido este ano por “Paz na Terra”,  o Conselho Mundial de Igrejas convida os fiéis a rezarem especialmente pelo “cessar-fogo”. Isso pode ser entendido seja como uma trégua dos conflitos armados no mundo ou como reconciliação na família, no trabalho, na comunidade paroquial.

Em sua oitava edição, o Dia Internacional de Oração pela Paz nasceu em 2004 por iniciativa dos então secretários-gerais da ONU e COE, respectivamente, Kofi Annan e Samuel Kobia, e fazia parte das iniciativas ecumênicas previstas para a “década contra a violência”, que teve lugar entre 2001 e 2010. (SP)

Pastora Romi Bencke é a nova secretária geral do CONIC

Reunida em Brasília entre os dias 30 de julho e 1° de agosto, a diretoria do CONIC concluiu o processo de seleção para a Secretaria Geral. Por unanimidade, foi escolhida como a nova secretária geral da entidade a pastora luterana (IECLB) Romi Márcia Bencke, conhecida no meio religioso e social por seu destacado papel em organizações ecumênicas, em especial, e por sua identificação com as lutas em favor de uma sociedade mais justa.

Romi, que é a primeira mulher a assumir a Secretaria, tem uma ampla vivência ecumênica, que inclui, entre outras experiências, o trabalho junto ao CECA – Centro Ecumênico de Capacitação e Assessoria, em São Leopoldo (RS), e a atuação nas comissões de elaboração da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010, além da colaboração na Comissão Teológica do CONIC.

Natural de Horizontina (RS), formada em teologia, é casada e, ultimamente, tem concentrado suas energias em trabalhos nas áreas de gênero e pastoral. “Acolhemos a pastora Romi e desejamos um ótimo trabalho à frente da Secretaria Geral do CONIC, especialmente neste ano que o Conselho comemora seus 30 anos de fundação”, afirmou o 1° vice-presidente do CONIC, dom Francisco de Assis.

Para Romi, o desafio de ficar à frente da Secretaria Geral é bastante motivador. “Fiquei muito feliz quando soube da escolha, afinal, este é um cargo de muita responsabilidade, e que nos permite atuar de forma ainda mais plena em favor da unidade das Igrejas, do ecumenismo, seja por meio de projetos em benefício da sociedade, ou por meio de ações de mobilização, como a Semana de Oração, Conferência da Paz, entre outras. Enfim, nosso comprometimento será com o fortalecimento do CONIC”, disse.

ECUMENISMO: Budistas ensinam generosidade e compaixão, destaca Vaticano

Nesta terça-feira, 3, o Pontifício Conselho para o Diálogo Interreligioso enviou uma mensagem aos budistas em razão da festa do Vesakh/Hanamatsuri. O órgão vaticano destacou que os budistas transmitem aos jovens “a necessária sabedoria de abster-se de prejudicar os outros e de viver uma vida de generosidade e compaixão”.

“Os jovens são um recurso para cada sociedade. Com a sua autenticidade, encorajam-nos a encontrar respostas às perguntas fundamentais sobre a vida e a morte, sobre a justiça e a paz, o sentido do sofrimento e as razões da esperança”, diz a mensagem.

São os jovens que ajudam a destruir todos os muros que infelizmente ainda separam cristãos e budistas, salienta a mensagem.  No mundo todo, cada vez mais, jovens de religiões diferentes sentam-se lado a lado, aprendendo uns com os outros, e “com as suas perguntas alimentam o diálogo entre religiões e culturas”.

“Unimos os nossos corações aos vossos e rezamos para que juntos possamos guiar os jovens, com o nosso exemplo e ensinamento a tornarem-se instrumentos de justiça e paz”, concluiu a mensagem assinada pelo presidente do dicastério, Cardeal Jean-Louis Tauran, e pelo secretário, Arcebispo Pier Luigi Celata.

Acesse
.: NA ÍNTEGRA: Mensagem para a Festa do Vesakh/Hanamatsuri

Fonte Canção Nova

Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos será junto a festa de pentecostes

Promovido mundialmente pelo Conselho Pontífice para Unidade dos Cristãos (CPUC) e pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC)acontece em períodos diferentes nos dois hemisférios.

No hemisfério sul, em que janeiro é tempo de férias, as Igrejas geralmente celebram a Semana de Oração no período de Pentecostes (como foi sugerido pelo movimento Fé e Ordem em 1926), que também é um momento simbólico para a unidade da Igreja. No Brasil, o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs (CONIC) lidera e coordena as iniciativas que, neste ano, acontecem de 20 a 27 de maio, sob o tema de 1 Coríntios 15:51-58: “Todos seremos transformados pela vitória de nosso Senhor Jesus Cristo”.

No hemisfério norte, o período tradicional para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos (SOUC) é de 18 a 25 de janeiro. Essas datas foram propostas em 1908 por Paul Watson porque cobriam o tempo entre as festas de São Pedro e São Paulo e tinham, portanto, um significado simbólico.

Levando em conta essa flexibilidade no que diz respeito à data, estimulamos vocês a compreender o material aqui apresentado como um convite para achar oportunidades ao longo de todo o ano para expressar o grau de comunhão que as Igrejas já tenham atingido e para orar juntos por aquela unidade plena que é desejo de Cristo.

Clique no link e saiba mais:

SOUC 2012

ECUMENISMO: Muçulmanos e católicos realizam encontro internacional sobre Maria, mãe de Jesus

MARIA, EXEMPLO PARA TODOS NÓS
Encontro Internacional Cristão-Muçulmano

A Coordenação da Pastoral da Criança Internacional, em conjunto com a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, representantes da Liga da Juventude Islâmica Beneficente do Brasil, da União Nacional das Entidades Islâmicas e da Comunidade Islâmica de Foz do Iguaçu, promove o evento MARIA, EXEMPLO PARA TODOS NÓS – Encontro Internacional Cristão-Muçulmano no sábado, dia 24 de março, na área da Itaipu Binacional, em Foz do Iguaçu (PR).

Maria, mãe de Jesus, é personagem reverenciada por cristãos e muçulmanos. Maria é bem-aventurada por ter sido escolhida por Deus para levar o Salvador em seu seio. “Eis que conceberás e darás à luz um filho, e lhe porás o nome de Jesus” (Lc 1,31). O respeito e veneração que professam os católicos à Santíssima Virgem têm, portanto, bases bíblicas sólidas. Maria é modelo de amor e doação, que se põe a caminho para servir a prima Isabel. É a mãe terna que ampara e protege seus filhos.

O Alcorão, livro sagrado dos muçulmanos, menciona a Virgem Maria (Maryam) em 34 locais em 12 capítulos. Tem uma surata (capítulo) intitulado “Surata Maryam” (19), com o relato da anunciação, gravidez e nascimento de seu filho Jesus. No Líbano, a celebração cristã-muçulmana que homenageia Maria acontece desde 2010, com feriado oficial no qual se comemora a Anunciação do Anjo Gabriel a Maria (dia 25 de março).

Homenagear Maria, mãe de Jesus, é uma oportunidade para as famílias conhecerem com mais profundidade temas inspiradores dos exemplos de Maria. É, também, oportunidade para a convivência fraterna e de incentivo para a paz entre os povos e fiéis das duas maiores religiões mundiais.

Além das comunidades cristã e muçulmana do Brasil, Paraguai e Argentina esperadas para o evento em Foz do Iguaçu, estão confirmadas as presenças de autoridades do executivo e legislativo paranaense e representantes de diversas religiões de países como Índia, Líbano, Japão e países da Europa e das Américas.

Fonte: https://www.pastoraldacrianca.org.br

Coro anglicano de Westminster cantará para o Papa em junho

Pela primeira vez na história, o célebre coro da Abadia de Westminster, Inglaterra, cantará na Basílica de São Pedro. O evento reunirá os cantores do Coro da Capela Sistina e os membros do coro inglês no dia 28 de junho, durante as primeiras vésperas da Solenidade de São Pedro e São paulo que o Papa presidirá na Basílica de São Paulo fora dos muros e também na missa presidida por Bento XVI na Basílica Vaticana.

Foi o próprio Papa, informa um comunicado, a pedir que a colaboração musical entre as duas companhias musicais reflita a vocação cristã do coro e encoraje a rica troca de experiências entre as duas tradições litúrgicas e culturais. Já que  a abadia de Westminster tem como título formal aquele de “Igreja Colegiada de São Pedro’, o fato que ambos os coros celebrem juntos seus respectivos patronos dará ao evento uma importante relevância comum.

O convite de ir a Roma surgiu com a visita que Bento XVI fez a Abadia em setembro de 2010, durante a viagem apostólica na Inglaterra. O Pontífice que rezou ao lado de Rowam Willians, arcebispo anglicano de Canterbury diante da tumba de Eduardo, o confessor,  teria dito que seria para ele seria um prazer se o coro de Westminster fosse a Roma na Solenidade de São Pedro e São Paulo.

Prática ecumênica pela paz

Dom Aldo Pagotto
Arcebispo Metropolitano da Paraíba (PB)

Como construir ambientes de paz? Há 25 anos João Paulo II convidou representantes das várias religiões do mundo para um encontro em Assis, terra de São Francisco, com a finalidade de refletir, orar e trabalhar pela paz mundial. Em outubro de 2011, Bento XVI fez o mesmo, relembrando o seu antecessor. Naquela ocasião a grande ameaça para a paz no mundo provinha da divisão da terra em dois blocos contrapostos entre si. O símbolo emblemático daquela divisão era o muro de Berlim que atravessava a cidade, traçando uma fronteira entre os dois mundos. Três anos depois do encontro ecumênico de Assis, em 1989, o muro caiu sem resistência nem derramamento de sangue.

Os enormes arsenais que estavam por detrás do muro perderam a capacidade de aterrorizar. A vontade que os povos tinham de ser livres era mais forte que os arsenais da violência. Ao lado dos fatores econômicos e políticos, a causa mais profunda desse acontecimento tem sua razão de ser na espiritualidade. Por detrás do poder material havia apenas ideologia, sem qualquer convicção espiritual. Face à violência a vontade de ser livre foi mais forte do que o medo. A violência, pura ideologia, foi derrotada. A vitória da liberdade representa a vitória da paz.

A iniciativa de orar e trabalhar pela liberdade e pela paz significa uma construção permanente, pois o mundo está cheio de discórdias e estas têm origem no coração do homem (Cf. Mc 7,20 ss). A violência sempre presente caracteriza-se como desconcertante condição do nosso mundo. A liberdade é um bem quando orientada para o compromisso para o desenvolvimento de todos (não apenas para alguns). A liberdade que é utilizada para provocar violência encarna-se em fisionomias assustadoras.

Hoje presenciamos formas de terrorismo sem nenhuma preocupação pelas vidas humanas inocentes, cruelmente ceifadas ou mutiladas. Inclui-se o fanatismo religioso que anula a regra do direito e do bom senso para justificar a destruição dos outros. O “bem” pretendido pelo terrorismo não passa de ideologia violenta, cruel e monstruosa. Daí nasce a hostilidade generalizada contra as religiões quando estas justificam e legitimam a violência para destruir os outros. Esta, porém, não é a natureza da religião.

A Igreja Católica comprometeu a credibilidade do Evangelho de Jesus quando investiu na defesa da fé utilizando meios equivocados. Temos como exemplos históricos abomináveis as cruzadas que se identificaram como guerras santas de caráter político e financeiro. A inquisição deixou atrás de si a pecha da perseguição odiosa e vingativa contra alguém que pensasse de forma diversa. Ora, Cristo crucificado é sinal do amor do Pai que, através do seu Filho, quer que todos se salvem. Enviou-nos o seu Filho não para julgar e condenar senão para perdoar, reconciliar e reunir os filhos e filhas de Deus que andavam dispersos e divididos entre si (Cf. Jo 17,1ss).

O dom da fé cristã que cada um de nós recebe deve ser purificado. Nós temos a mania de instalar ideologias em nome da fé. O dom da fé corresponde a uma tarefa construtiva permanente. Apesar das nossas fraquezas e contradições, a proposta do Senhor é fazer de nós instrumentos da sua paz no mundo. Trata-se de nos sentirmos unidos convergindo para a verdade, para o bem comum, comprometendo-nos decisivamente pela promoção da dignidade da vida humana. Cabe-nos assumir o diálogo e a prática construtiva da paz superando a violência que só destrói o que é de direito, justo, belo.

QUARTO DIA DA SOUC 2012: Transformados pela vitória do Senhor sobre o mal

Sê vencedor do mal por meio do bem (Rom 12, 21)

Leituras
Ex 23, 1-9 Não seguirás uma maioria que quer o mal
Sl 1 Feliz o homem que se compraz na lei do Senhor
Rom 12, 17-21 Sê vencedor do mal por meio do bem
Mt 4, 1-11 Ao Senhor teu Deus adorarás e só a ele prestarás culto

Comentário

Em Jesus aprendemos o que “vitória” realmente significa para os seres humanos – isto é: felicidade de uns com os outros no amor de Deus através da superação que Ele faz de tudo o que nos mantém separados. Isso é um modo de partilhar a vitória de Cristo sobre as forças destrutivas que causam dano à humanidade e a toda a Criação de Deus. Em Jesus podemos tomar parte em uma nova vida que nos chama a lutar contra o que há de errado em nosso mundo com renovada confiança e com alegria diante do que é bom.

As palavras do Antigo Testamento dão um categórico alerta contra a participação no mal e na injustiça. A atitude da maioria não deve de maneira alguma funcionar como desculpa. Nem a riqueza ou outras situações da vida justificam que uma pessoa opte pelo mal.

O salmo 1 chama a atenção não somente para o cumprimento dos mandamentos, mas especialmente para os jubilosos frutos de tal opção. Uma pessoa que ame a lei do Senhor acima de tudo mais é considerada feliz e abençoada. A palavra de Deus é um guia seguro na
diversidade e é a culminância da sabedoria humana. Meditar sobre a palavra de Deus dia e noite possibilita que a pessoa tenha uma vida cheia de muitos frutos para o bem de outros.

Nas advertências do apóstolo encontramos estímulo para vencer o mal com o bem. Somente o bem pode interromper a infindável espiral de ódio e de desejo humano de vingança. Na luta pelo bem nem tudo depende dos seres humanos. No entanto, o apóstolo Paulo nos chama a fazer todo esforço para manter a paz com os outros. Ele compreende nossa luta contínua para superar instintos que nos levam a ferir os que nos ferem. Mas Paulo nos impele a não permitir que sejamos vencidos por esses sentimentos destrutivos. Fazer o bem é um modo efetivo de combater o mal que é feito entre nós.

A leitura do evangelho descreve a luta do Filho de Deus contra Satanás – a personificação do mal. A vitória de Jesus sobre as tentações no deserto é completada na sua obediência ao Pai, que o leva à cruz. A ressurreição do Salvador confirma que aí a bondade de Deus tem sua vitória final: o amor vence a morte. O Senhor ressuscitado está perto! Ele nos acompanha em
cada luta contra a tentação e o pecado no mundo. Sua presença chama os cristãos a trabalharem juntos pela causa do bem.

É um escândalo que, por causa de nossas divisões, não sejamos suficientemente fortes para lutar contra os males de nosso tempo. Unidos em Cristo, regozijando-nos em sua lei de amor, somos chamados a partilhar sua missão de trazer esperança aonde houver injustiça, ódio e desespero.

Oração

Senhor Jesus Cristo, nós te agradecemos por tua vitória sobre o mal e a divisão. Nós te louvamos pelo teu sacrifício e pela tua ressurreição, que derrotou a morte. Ajuda-nos em nossa luta diária contra toda adversidade. Que o Espírito Santo nos dê força e sabedoria para que, ao te seguir, possamos vencer o mal com o bem, a divisão com a reconciliação. Amém.

Questões para refletir

1. Onde vemos o mal em nossas vidas?
2. De que maneira nossa fé em Cristo pode nos ajudar a vencer o mal?
3. O que podemos aprender das situações de nossa comunidade em que a divisão deu lugar á reconciliação?

Dom Francisco Biasin aguarda inscrições para o curso sobre “Diversidade religiosa no Brasil”

biasinA Comissão Episcopal Pastoral para o Ecumenismo e o Diálogo inter-religioso promove curso sobre “Diversidade religiosa no Brasil”, desafios e possibilidades para o diálogo ecumênico e inter-religioso, de 10 a 12 de fevereiro, no Rio de Janeiro. Os objetivos são,  Compreender os aspectos determinantes do pluralismo eclesial e religioso no Brasil,  Capacitar agentes de pastoral para o diálogo ecumênico e inter-religioso,  Capacitar professores do ensino religioso em escolas públicas e particulares.

A motivação principal para a realização do curso, descrita no material de divulgação, é a seguinte: “o crescente pluralismo eclesial religioso no Brasil apresenta a necessidade de desenvolvermos posturas de respeito, acolhida, diálogo e cooperação ecumênica e inter-religiosa. Para tanto, faz-se necessária adequada formação, capaz de aprofundar o conhecimento sobre o diálogo já realizado, bem como compreender as exigências e as possibilidades para a continuidade do diálogo ecumênico e inter-religioso no Brasil”.

A metodologia compreende conferências, trabalhos em grupos, plenários e celebrações.  O curso será realizado no Centro de Acolhida Missionária Assunção (CENAM).

Confira a programação e a ficha de inscrição

III SIMPÓSIO DE FORMAÇÃO ECUMÊNICA 
XV ENCONTRO DE PROFESSORES DE ECUMENISMO E DE DIÁLOGO INTERRELIGIOSO

TEMA: A DIVERSIDADE RELIGIOSA NO BRASIL

Local: Assunção: Centro de Acolhida Missionária – CENAM
R. Almirante Alexandrino – 2023
Bairro Santa Teresa – Rio de Janeiro – RJ
Fone: 21 2224 9963 – 2252 5931

Contribuição: Diária R$ 75.00 completa; R$ 45.00 apenas refeições.

Programação

10/02/2012

15:00 – Reunião com os bispos referenciais para o diálogo ecumênico e inter-religioso nos Regionais da CNBB – No Sumaré.
19: 00 – Acolhida dos participantes do Simpósio/Encontro de Professores

20:00 – Celebração de abertura

11/02/2012

7:00 – Espiritualidade
7:30 – Café
8:00 – A diversidade religiosa no Brasil – Análise sócio-fenomenológica
10: 00 – Intervalo
10:30  – O pentecostalismo no Brasil – Análise sócio-fenomenológica
12:00 – Intervalo
14:00 – A diversidade religiosa no Brasil – Análise teológico-pastoral
16:00 – Intervalo
16:30 – A diversidade religiosa no Brasil – Análise teológico-pastoral
18:00 – Celebração Eucarística
19:00 – Jantar
20:15 – Grupos de trabalho

12/02 /2012
7:00 – Celebração eucarística
8:00 – Café
8:30 – O pentecostalismo no Brasil – Desafios e perspectivas para o diálogo
10:00 – Intervalo
10:30 – O pentecostalismo no Brasil – Desafios e perspectivas para o diálogo
12:00 – Intervalo
14:00 – A articulação do diálogo ecumênico e inter-religioso no Brasil
16:00 – Intervalo
16: 30 – A articulação do diálogo ecumênico e inter-religioso no Brasil
18:00 – Avaliação e Celebração de encerramento

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Fixa de inscrição:
Nome:
Igreja:
Instituição – Função:
Endereço:
CEP:                                                         Cidade:
Fone:                                                          e.mail:

Enviar a ficha de inscrição até 30-01-2012 para:
Dom Francisco Biasin
Rua 06 n. 98 Jardim Caroline Voldac
27286 – 320 Volta Redonda – RJ

Mensagem de Bento XVI em Assis

 

papaassis2As religiões jamais podem ser motivo de violência. Os credos e o diálogo inter-religioso são e devem ser baseados na paz. Foi a evocação feita por Bento XVI, nesta quinta-feira, em Assis, diante dos expoentes de todas as religiões do mundo, e de um grupo de agnósticos, por ocasião de uma nova Jornada mundial de oração e de reflexão pela paz, à distância de 25 anos do histórico encontro realizado por iniciativa de João Paulo II.

O Papa e os cerca de 300 participantes do encontro “Peregrinos da verdade, peregrinos da paz” chegaram pela manhã à cidade de São Francisco a bordo de um trem, que no final do dia os trará de volta a Roma. De fato, tendo partido às 8h locais da estação vaticana, o trem Etr 600 das Ferrovias italianas, formado por 7 vagões e a locomotiva, levava a bordo o Santo Padre e cerca de 300 pessoas.

O Pontífice viajou no vagão 2, localizado na parte traseira do trem, com o Cardeal Secretário de Estado Tarcisio Bertone, acompanhado do Patriarca Ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, e de outros renomados expoentes das religiões mundiais. O trem chegou a Assis às 9h45 locais.

No final desta manhã, o Santo Padre dirigiu-se aos participantes na Jornada de Reflexão em Assis. O Pontífice iniciou seu discurso lembrando que “passaram-se vinte e cinco anos desde quando, pela primeira vez, o beato Papa João Paulo II convidou representantes das religiões do mundo para uma oração pela paz em Assis”. E então pôs as questões: “o que aconteceu desde então? Como se encontra hoje a causa da paz?”.

“Naquele momento – disse o Papa -, a grande ameaça para a paz no mundo provinha da divisão da terra em dois blocos contrapostos entre si. O símbolo saliente daquela divisão era o muro de Berlim que, atravessando a cidade, traçava a fronteira entre dois mundos. Em 1989, três anos depois do encontro em Assis, o muro caiu, sem derramamento de sangue. Inesperadamente, os enormes arsenais, que estavam por detrás do muro, deixaram de ter qualquer significado. (…) Enfim, a vontade de ser livre foi mais forte do que o medo face a uma violência que não tinha mais nenhuma cobertura espiritual”.

Bento XVI continuou afirmando que, desde então, “infelizmente, não podemos dizer que desde então a situação se caracterize por liberdade e paz. Embora a ameaça da grande guerra não se aviste no horizonte, todavia o mundo está, infelizmente, cheio de discórdias”. Então o Papa falou sobre o terrorismo, e deste ressaltou a motivação religiosa que, muitas vezes, serve como justificativa para o que o classificou de “crueldade monstruosa, que crê poder anular as regras do direito por causa do «bem» pretendido”. “Aqui a religião não está ao serviço da paz, mas da justificação da violência”. E acrescentou: “o que os representantes das religiões congregados no ano 1986, em Assis, pretenderam dizer – e nós o repetimos com vigor e grande firmeza – era que esta não é a verdadeira natureza da religião. Ao contrário, é a sua deturpação e contribui para a sua destruição”.

O Santo Padre falou sobre uma segunda tipologia de violência, ou seja, “a consequência da ausência de Deus, da sua negação e da perda de humanidade que resulta disso”. “Aqui, porém, não pretendo deter-me no ateísmo prescrito pelo Estado – fez a ressalva -, queria, antes, falar da «decadência» do homem, em consequência da qual se realiza, de modo silencioso, e por conseguinte mais perigoso, uma alteração do clima espiritual. A adoração do dinheiro, do ter e do poder, revela-se uma contra-religião, na qual já não importa o homem, mas só o lucro pessoal”.

Então o Papa falou sobre o mundo do agnosticismo, que destacou estar em expansão. “Tais pessoas não se limitam a afirmar «Não existe nenhum Deus»”, disse o Santo Padre, mostrando que elas estão em busca da verdade e do bem, andando em direção à Deus portanto. “Colocam questões tanto a uma parte como à outra – afirmou o Pontífice. Aos ateus combativos, tiram-lhes aquela falsa certeza com que pretendem saber que não existe um Deus, e convidam-nos a tornar-se, em lugar de polêmicos, pessoas à procura, que não perdem a esperança de que a verdade exista e que nós podemos e devemos viver em função dela”.

Bento XVI ainda chamou a atenção para o fato de que os agnósticos “chamam em causa também os membros das religiões, para que não considerem Deus como uma propriedade que de tal modo lhes pertence que se sintam autorizados à violência contra os demais”.

Concluindo, o Papa assegura de que “a Igreja Católica não desistirá da luta contra a violência e do seu compromisso pela paz no mundo”

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A íntegra do discurso

Discurso do Santo Padre Bento XVI 
para a Jornada de Reflexão, Diálogo e Oração pela Paz e Justiça no Mundo
“Peregrinos da verdade, peregrinos da paz”
Assis, Itália
Quinta-feira, 27 de outubro de 2011


Queridos irmãos e irmãs,
distintos Chefes e representantes das Igrejas e Comunidades eclesiais e das religiões do mundo,
queridos amigos,

Passaram-se 25 anos desde quando pela primeira vez o beato Papa João Paulo II convidou representantes das religiões do mundo para uma oração pela paz em Assis. O que aconteceu desde então? Como se encontra hoje a causa da paz? Naquele momento, a grande ameaça para a paz no mundo provinha da divisão da terra em dois blocos contrapostos entre si. O símbolo saliente daquela divisão era o muro de Berlim que, atravessando a cidade, traçava a fronteira entre dois mundos. Em 1989, três anos depois do encontro em Assis, o muro caiu, sem derramamento de sangue. Inesperadamente, os enormes arsenais, que estavam por detrás do muro, deixaram de ter qualquer significado. Perderam a sua capacidade de aterrorizar. A vontade que tinham os povos de ser livres era mais forte que os arsenais da violência. A questão sobre as causas de tal derrocada é complexa e não pode encontrar uma resposta em simples fórmulas. Mas, ao lado dos factores econômicos e políticos, a causa mais profunda de tal acontecimento é de carácter espiritual: por detrás do poder material, já não havia qualquer convicção espiritual. Enfim, a vontade de ser livre foi mais forte do que o medo face a uma violência que não tinha mais nenhuma cobertura espiritual. Sentimo-nos agradecidos por esta vitória da liberdade, que foi também e sobretudo uma vitória da paz. E é necessário acrescentar que, embora neste contexto não se tratasse somente, nem talvez primariamente, da liberdade de crer, também se tratava dela. Por isso, podemos de certo modo unir tudo isto também com a oração pela paz.

Mas, que aconteceu depois? Infelizmente, não podemos dizer que desde então a situação se caracterize por liberdade e paz. Embora a ameaça da grande guerra não se aviste no horizonte, todavia o mundo está, infelizmente, cheio de discórdias. E não é somente o fato de haver, em vários lugares, guerras que se reacendem repetidamente; a violência como tal está potencialmente sempre presente e caracteriza a condição do nosso mundo. A liberdade é um grande bem. Mas o mundo da liberdade revelou-se, em grande medida, sem orientação, e não poucos entendem, erradamente, a liberdade também como liberdade para a violência. A discórdia assume novas e assustadoras fisionomias e a luta pela paz deve-nos estimular a todos de um modo novo.

Procuremos identificar, mais de perto, as novas fisionomias da violência e da discórdia. Em grandes linhas, parece-me que é possível individuar duas tipologias diferentes de novas formas de violência, que são diametralmente opostas na sua motivação e, nos particulares, manifestam muitas variantes. Primeiramente temos o terrorismo, no qual, em vez de uma grande guerra, realizam-se ataques bem definidos que devem atingir pontos importantes do adversário, de modo destrutivo e sem nenhuma preocupação pelas vidas humanas inocentes, que acabam cruelmente ceifadas ou mutiladas. Aos olhos dos responsáveis, a grande causa da danificação do inimigo justifica qualquer forma de crueldade. É posto de lado tudo aquilo que era comummente reconhecido e sancionado como limite à violência no direito internacional. Sabemos que, frequentemente, o terrorismo tem uma motivação religiosa e que precisamente o carácter religioso dos ataques serve como justificação para esta crueldade monstruosa, que crê poder anular as regras do direito por causa do «bem» pretendido. Aqui a religião não está ao serviço da paz, mas da justificação da violência.

A crítica da religião, a partir do Iluminismo, alegou repetidamente que a religião seria causa de violência e assim fomentou a hostilidade contra as religiões. Que, no caso em questão, a religião motive de fato a violência é algo que, enquanto pessoas religiosas, nos deve preocupar profundamente. De modo mais subtil mas sempre cruel, vemos a religião como causa de violência também nas situações onde esta é exercida por defensores de uma religião contra os outros. O que os representantes das religiões congregados no ano 1986, em Assis, pretenderam dizer – e nós o repetimos com vigor e grande firmeza – era que esta não é a verdadeira natureza da religião. Ao contrário, é a sua deturpação e contribui para a sua destruição. Contra isso, objecta-se: Mas donde deduzis qual seja a verdadeira natureza da religião? A vossa pretensão por acaso não deriva do fato que se apagou entre vós a força da religião? E outros objectarão: Mas existe verdadeiramente uma natureza comum da religião, que se exprima em todas as religiões e, por conseguinte, seja válida para todas? Devemos enfrentar estas questões, se quisermos contrastar de modo realista e credível o recurso à violência por motivos religiosos. Aqui situa-se uma tarefa fundamental do diálogo inter-religioso, uma tarefa que deve ser novamente sublinhada por este encontro. Como cristão, quero dizer, neste momento: É verdade, na história, também se recorreu à violência em nome da fé cristã. Reconhecemo-lo, cheios de vergonha. Mas, sem sombra de dúvida, tratou-se de um uso abusivo da fé cristã, em contraste evidente com a sua verdadeira natureza. O Deus em quem nós, cristãos, acreditamos é o Criador e Pai de todos os homens, a partir do qual todas as pessoas são irmãos e irmãs entre si e constituem uma única família. A Cruz de Cristo é, para nós, o sinal daquele Deus que, no lugar da violência, coloca o sofrer com o outro e o amar com o outro. O seu nome é «Deus do amor e da paz» (2 Cor 13,11). É tarefa de todos aqueles que possuem alguma responsabilidade pela fé cristã, purificar continuamente a religião dos cristãos a partir do seu centro interior, para que – apesar da fraqueza do homem – seja verdadeiramente instrumento da paz de Deus no mundo.

Se hoje uma tipologia fundamental da violência tem motivação religiosa, colocando assim as religiões perante a questão da sua natureza e obrigando-nos a todos a uma purificação, há uma segunda tipologia de violência, de aspecto multiforme, que possui uma motivação exatamente oposta: é a consequência da ausência de Deus, da sua negação e da perda de humanidade que resulta disso. Como dissemos, os inimigos da religião veem nela uma fonte primária de violência na história da humanidade e, consequentemente, pretendem o desaparecimento da religião. Mas o «não» a Deus produziu crueldade e uma violência sem medida, que foi possível só porque o homem deixara de reconhecer qualquer norma e juiz superior, mas tomava por norma somente a si mesmo. Os horrores dos campos de concentração mostram, com toda a clareza, as consequências da ausência de Deus.

Aqui, porém, não pretendo deter-me no ateísmo prescrito pelo Estado; queria, antes, falar da «decadência» do homem, em consequência da qual se realiza, de modo silencioso, e por conseguinte mais perigoso, uma alteração do clima espiritual. A adoração do dinheiro, do ter e do poder, revela-se uma contra-religião, na qual já não importa o homem, mas só o lucro pessoal. O desejo de felicidade degenera num anseio desenfreado e desumano como se manifesta, por exemplo, no domínio da droga com as suas formas diversas. Aí estão os grandes que com ela fazem os seus negócios, e depois tantos que acabam seduzidos e arruinados por ela tanto no corpo como na alma. A violência torna-se uma coisa normal e, em algumas partes do mundo, ameaça destruir a nossa juventude. Uma vez que a violência se torna uma coisa normal, a paz fica destruída e, nesta falta de paz, o homem destrói-se a si mesmo.

A ausência de Deus leva à decadência do homem e do humanismo. Mas, onde está Deus? Temos nós possibilidades de O conhecer e mostrar novamente à humanidade, para fundar uma verdadeira paz? Antes de mais nada, sintetizemos brevemente as nossas reflexões feitas até agora. Disse que existe uma concepção e um uso da religião através dos quais esta se torna fonte de violência, enquanto que a orientação do homem para Deus, vivida retamente, é uma força de paz. Neste contexto, recordei a necessidade de diálogo e falei da purificação, sempre necessária, da vivência da religião. Por outro lado, afirmei que a negação de Deus corrompe o homem, priva-o de medidas e leva-o à violência.

Ao lado destas duas realidades, religião e anti-religião, existe, no mundo do agnosticismo em expansão, outra orientação de fundo: pessoas às quais não foi concedido o dom de poder crer e todavia procuram a verdade, estão à procura de Deus. Tais pessoas não se limitam a afirmar «Não existe nenhum Deus», mas elas sofrem devido à sua ausência e, procurando a verdade e o bem, estão, intimamente estão a caminho Dele. São «peregrinos da verdade, peregrinos da paz». Colocam questões tanto a uma parte como à outra. Aos ateus combativos, tiram-lhes aquela falsa certeza com que pretendem saber que não existe um Deus, e convidam-nos a tornar-se, em lugar de polêmicos, pessoas à procura, que não perdem a esperança de que a verdade exista e que nós podemos e devemos viver em função dela. Mas, tais pessoas chamam em causa também os membros das religiões, para que não considerem Deus como uma propriedade que de tal modo lhes pertence que se sintam autorizados à violência contra os demais. Estas pessoas procuram a verdade, procuram o verdadeiro Deus, cuja imagem não raramente fica escondida nas religiões, devido ao modo como eventualmente são praticadas. Que os agnósticos não consigam encontrar a Deus depende também dos que creem, com a sua imagem diminuída ou mesmo deturpada de Deus. Assim, a sua luta interior e o seu interrogar-se constituem para os que creem também um apelo a purificarem a sua fé, para que Deus – o verdadeiro Deus – se torne acessível. Por isto mesmo, convidei representantes deste terceiro grupo para o nosso Encontro em Assis, que não reúne somente representantes de instituições religiosas. Trata-se de nos sentirmos juntos neste caminhar para a verdade, de nos comprometermos decisivamente pela dignidade do homem e de assumirmos juntos a causa da paz contra toda a espécie de violência que destrói o direito. Concluindo, queria assegura-vos de que a Igreja Católica não desistirá da luta contra a violência, do seu compromisso pela paz no mundo. Vivemos animados pelo desejo comum de ser «peregrinos da verdade, peregrinos da paz».

 

Religiões se unem por uma cultura de paz em São Paulo

No dia 27 de outubro de 1986, o então papa João Paulo II se reunia, na cidade de Assis, Itália, com líderes de diferentes tradições religiosas para uma jornada de oração pela paz. Esse gesto será novamente realizado, agora pelo papa Bento XVI, em Assis e, no mesmo dia, em todo o mundo serão feitas celebrações pela paz. Em São Paulo, o tradicional Convento São Francisco, no Largo São Francisco, será o local que vai receber as lideranças religiosas para um ato Interreligioso, às 14 horas. Durante todo o dia 27, haverá uma tenda em frente ao Convento para explicar às pessoas o significado deste encontro.

O evento ficou conhecido, especialmente dentro da Ordem Franciscana, como o Espírito de Assis. “Num gesto simbólico de comunhão universal em prol da paz, desejamos reunir representantes de diferentes tradições religiosas da cidade de São Paulo para realizarmos juntos uma vigília silenciosa e um pronunciamento em favor da paz. Também queremos ser ‘Peregrinos da Verdade e Peregrinos da Paz’, lema que acompanhará o encontro dos representantes das várias tradições religiosas naquele mesmo dia na cidade de Assis, na Itália”, explicou o frei Fidêncio Vanboemmel, ministro provincial da Província Franciscana da Imaculada Conceição, com sede em São Paulo.

Neste encontro, no Largo São Francisco, já confirmaram presença representantes do Cristianismo (igreja Católica, Luterana, Presbiteriana e Anglicana), do Candonblé, da Umbanda, do Judaísmo, do Budismo, do Islamismo e do Espiritismo. Cada religião/confissão terá um pronunciamento  em favor da paz.

“Ao longo do dia desejamos fazer da igreja São Francisco um espaço de vigília silenciosa pela paz, onde homens e mulheres de boa vontade possam se sentir acolhidos. Na praça, entre a Igreja e a Faculdade de Direito, vamos armar uma tenda branca onde desejamos distribuir folhetos com reflexões para uma cultura da Paz”, acrescentou o ministro provincial Frei Fidêncio.

Mais de 180 mil pessoas pedem caminham contra a intolerância religiosa

De acordo com a equipe de infraestrutura da Comissão de Combate à Intolerância Religiosa (CCIR), cerca de 180 mil pessoas lotaram a Praia de Copacabana na terça-feira (20/09), durante a Quarta Caminhada em Defesa da Liberdade Religiosa. Judeus, muçulmanos, candomblecistas, kardecistas, umbandistas, católicos, evangélicos, wiccanos, ciganos, budistas hare Krishnas, baháís, seguidores do Santo Daime, maçons, ateus e agnósticos uniram-se para pedir pela democracia brasileira.

De acordo com o interlocutor da CCIR, babalawo Ivanir dos Santos, o fato de o número ter crescido em relação ao ano passado (120 mil) é fruto de muito esforço para que a Comissão tenha sucesso no evento, que ocorre sempre no terceiro domingo de setembro. “Tínhamos a intenção de colocar cerca de 200 mil pessoas. Ano passado, foram 120 mil, e a equipe de infraestrutura acabou de se reunir para me dizer que chegamos a 180 mil. A felicidade da Comissão está justamente em constatar que as pessoas estão realmente aderindo. Não tenho dúvidas que, em breve, a cidade toda vai querer participar, se dará conta da importância do respeito às diversidades religiosas”, disse.

Por volta das 15h45, o cantor Arlindo Cruz deu início à sua apresentação, na Praça do Lido. Na dispersão, a infraestrutura contou número de 25 mil espectadores para o show.

No discurso final, alguns religiosos ainda falaram sobre suas crenças e defenderam a liberdade religiosa. Fundadora da CCIR, Fátima Damas agradeceu e declarou que trabalhará pela diminuição do preconceito. “Devemos fazer o possível para que conheçam todas as religiões e parem de chamar as pessoas de macumbeiros, bruxos e coisas desse tipo. Quem conhece a Umbanda, o Candomblé e qualquer religião sabe que elas são caminhos, e sempre para o bem. Muito obrigado por tudo e até o ano que vem”, finalizou.

O CEBI-RJ teve participaçãpo ativa no evento.

O novo retrato da fé no Brasil: surge uma nova categoria, a dos “evangélicos não praticantes”

Acaba de nascer no País uma nova categoria religiosa, a dos evangélicos não praticantes. São os fiéis que creem, mas não pertencem a nenhuma denominação. O surgimento dela já era aguardado, uma vez que os católicos, ainda maioria, perdem espaço a cada ano para o conglomerado formado por protestantes históricos, pentecostais e neopentecostais. Sendo assim, é cada vez maior o número de brasileiros que nascem em berço evangélico – e, como muitos católicos, não praticam sua fé. Dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelaram, na semana passada, que evangélicos de origem que não mantêm vínculos com a crença saltaram, em seis anos, de insignificantes 0,7% para 2,9%. Em números absolutos, são quatro milhões de brasileiros a mais nessa condição. Essa é uma das constatações que estatísticos e pesquisadores estão produzindo recentemente, às quais ISTOÉ teve acesso, formando um novo panorama religioso no País.

Isso só é possível porque o universo espiritual está tomado por gente que constrói a sua fé sem seguir a cartilha de uma denominação. Se outrora o padre ou o pastor produziam sentido à vida das pessoas de muitas comunidades, atualmente celebridades, empresários e esportistas, só para citar três exemplos, dividem esse espaço com essas lideranças. Assim, muitas vezes, os fiéis interpretam a sua trajetória e o mundo que os cerca de uma maneira pessoal, sem se valer da orientação religiosa. Esse fenômeno, conhecido como secularização, revelou o enfraquecimento da transmissão das tradições, implicou a proliferação de igrejas e fez nascer a migração religiosa, uma prática presente até mesmo entre os que se dizem sem religião (ateus, agnósticos e os que creem em algo, mas não participam de nenhum grupo religioso). É muito provável, portanto, que os evangélicos pesquisados pelo IBGE que se disseram desvinculados da sua instituição estejam, como muitos brasileiros, experimentando outras crenças.

É cada vez maior a circulação de um fiel por diferentes denominações – ao mesmo tempo que decresce a lealdade a uma única instituição religiosa. Em 2006, um levantamento feito pelo Centro de Estatística Religiosa e Investigações Sociais (Ceris) e organizado pela especialista em sociologia da religião Sílvia Fernandes, da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ), verificou que cerca de um quarto dos 2.870 entrevistados já havia trocado de crença. Outro estudo, do ano passado, produzido pela professora Sandra Duarte de Souza, de ciências sociais e religião da Universidade Metodista de São Paulo (Umesp), para seu trabalho de pós-doutorado na Universidade de Campinas (Unicamp), revelou que 53% das pessoas (o universo pesquisado foi de 433 evangélicos) já haviam participado de outros grupos religiosos.

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Portal Ecumênico 

Catedral em debate: Painel Intolerância Religiosa

A Catedral Anglicana da Ressurreição em Brasília (DF) recebeu, no dia 27 de julho, o Painel sobre Intolerância Religiosa. O encontro teve como anfitrião o bispo primaz da Igreja Anglicana (IEAB), Dom Maurício Andrade e outros religiosos empenhados na promoção de uma cultura de paz. Na oportunidade, foi realizado um debate sobre intolerância religiosa. O encontro teve a promoção da Rede Ecumênica da Juventude – REJU e Catedral Anglicana da Ressurreição.

O evento foi um verdadeiro marco na integração de religiosos de diferentes denominações e culturas, reunindo lideranças anglicanas, bahá’ís, católicas, evangélicas, islâmicas, matrizes africanas, ameríndias e wiccans. O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), o Centro de Referência de Promoção e Defesa dos Direitos Humanos para a Diversidade Religiosa (CRDHDR) e a Iniciativa das Religiões Unidas (URI Brasília) estiveram representados pelo reverendo Luiz Alberto Barbosa e Elianildo Nascimento, respectivamente.

Também marcaram presença Tatiana Ribeiro, coordenadora da Juventude Anglicana; Marga Stroher, da Secretaria de Direitos Humanos; Pe. Elias Wolf, representando a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB); pai Alexandre de Oxalá, pelo Centro de Tradições Afro Brasileiras; Mãe J´lia, do candomblé; Pr. Osvaldo Reis, da igreja presbiteriana; Dom Maurício Andrade, bispo primaz da IEAB; Mavesper Cy Ceridwen, representando a Associação Brasileira de Wicca (Abrawicca) e Youssuh Salah El Din, como representante da religião islâmica.

Um novo encontro entre líderes religiosos será no dia 4 de agosto, no CONIC.

Fonte e foto: CONIC

Líderes religiosos divulgam mensagem para solenidade de Pentecostes

O Conselho Mundial de Igrejas – COE divulgou uma mensagem assinada por vários líderes religiosos sobre a solenidade de Pentecostes.

“A celebração de Pentecostes oferece a cada comunidade eclesial e a cada um, uma nova oportunidade de viver de maneira eucarística a vinda e o dom do Espírito Santo”, diz a mensagem.

A mensagem frisou que os cristãos devem renovar a sua confiança no poder do Espírito e rezar a ele com mais ânimo para que renove a Igreja, dando-lhe um novo fôlego e força para se tornar no mundo sofredor de hoje, testemunha de justiça, de paz e de esperança.

O COE destacou que o Espírito Santo revela aos homens o Cristo como Senhor e Salvador, levando-o, com a graça, no coração humano.

“Ainda que o Espírito Santo leva a cabo a obra salvífica de Cristo no tempo e no espaço, fazendo resplandecer a energia divina, de forma muitas vezes incompreensível para o espírito humano”, disse.

Os líderes religiosos recordaram que o poder que os discípulos receberam no dia de Pentecostes com a vinda do Espírito Santo, foi dado para a transmissão do Evangelho da salvação para toda a terra como uma continuação da missão de Jesus Cristo.

A mensagem foi publicada no site do COE www.oikoumene.org.

Informações Rádio Vaticano

Foto: Divugalção

CONIC lança a revista União

O Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC) apresenta, nesta segunda, dia 30 de maio, a primeira edição da Revista União. A publicação, que será trimestral, abordará, principalmente, assuntos de caráter ecumênico e ações do Conselho em benefício de toda a sociedade brasileira. Notícias das Igrejas-membro e de iniciativas institucionais do CONIC também entrarão na pauta.

“É uma alegria muito grande levar cada vez mais informações a um público tão diversificado. Isso mostra que o ecumenismo cresce em importância tanto para nós, cristãos, quanto para todos os religiosos, independentemente do credo, nacionalidade ou condição social. Esperamos melhorar a cada nova edição. Para tanto, contamos com as sugestões dos leitores”, disse o secretário geral do CONIC, reverendo Luiz Alberto Barbosa.

Baixe a revista aqui.

Igrejas cristãs refletem diálogo ecumênico em São Paulo

Dirigentes das Igrejas-membro do Movimento de Fraternidade de Igrejas Cristãs (Mofic) se reuniram na manhã desta quarta-feira, 25, para refletirem sobre a caminhada do movimento na promoção do diálogo ecumênico. O encontro aconteceu na Casa da Reconciliação, na zona sul da capital paulista. O arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Scherer, participou da reunião.

As Igrejas-membro do Mofic são: Apostólica Armênia, Episcopal Anglicana, Católica Apostólica Romana, Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Presbiteriana Unida e Ortodoxa Antioquina. A Igreja Presbiteriana Independente também marcou presença no encontro, além da participação de representantes das diferentes Igrejas-membro e colaboradores do Mofic.

No início do encontro houve um momento de oração em comum. Em seguida, a partir de perguntas propostas, os participantes partilharam como cada Igreja está envolvida no movimento ecumênico, como lidam com os possíveis “preconceitos” religiosos existentes nas comunidades cristãs e quais projetos poderiam ser realizados em conjunto em prol da unidade dos cristãos para os próximos anos.

Praticamente todos os líderes religiosos destacaram que um dos principais desafios existentes é como conscientizar os fiéis sobre a importância ecumenismo, uma vez que na maioria dos casos esse diálogo fica restrito apenas aos líderes das comunidades e os representantes das comissões destinadas ao diálogo ecumênico.

“A impressão que muitas pessoas têm é que na sua Igreja só basta um grupo que se dedique ao diálogo ecumênico. É difícil as pessoas entenderem que ecumenismo é um valor evangélico a ser traduzido na vida da comunidade e de cada cristão em particular”, ressaltou o padre Gregório Teodoro, da Igreja Ortodoxa Antioquina.

De acordo com o padre Yezlig Guzelian, da Igreja Apostólica Armênia, é preciso motivar os paroquianos explicando a eles o valor do diálogo ecumênico, a fim de acabar com os preconceitos que possam existir nessas comunidades.

Dom Odilo reforçou que o ecumenismo é uma necessidade e deve continuar firme em seus propósitos. Ele destacou, ainda, que nos últimos anos a Igreja Católica tem avançado no diálogo ecumênico, lembrando as recentes iniciativas de aproximação com as Igrejas Ortodoxas Russa e Grega. Ele recordou que papa Bento 16 ressalta que o ecumenismo é uma urgência em vista da missão comum de anunciar o Evangelho. “É um caminho longo e difícil. Mas esperamos que os muitos frutos apareçam”, disse.

Outro desafio apresentado pelos líderes é o surgimento de “novas denominações” que muitas vezes se apropriam da identidade das igrejas históricas, confundindo o povo e, em muitos casos, sem comprometimento com o diálogo ecumênico.

Os líderes chamaram a atenção para uma “compreensão equivocada” do princípio liberdade religiosa garantida pela constituição, que acaba favorecendo a fundação de religiões sem nenhum critério ético.

“Infelizmente existem pessoas que usam os símbolos, liturgias e até o próprio nome de outras igrejas com a intenção de confundir e de levar pessoas desinformadas para suas comunidades se maneira proselitista, sem comprometimento com a unidade”, apontou o reverendo Cezar Fernandes Alves, da Igreja Episcopal Anglicana, cujo líder, bispo Roger Bird, também participou da reunião.

Os representantes das Igrejas-membro do Mofic foram convidados a estimular a participação dos fiéis e o envolvimento das comunidades nessas iniciativas, uma vez que o ecumenismo se dá nas ações sociais em comum, além das dimensões da oração e do estudo.

“Foi um encontro de convivência de reflexão e também de perspectiva de projeção. A convivência fraterna entre os membros produz efeitos positivos para que possamos enfrentar os desafios, dificuldades e diferenças que o dia-a-dia nos apresenta”, afirmou o coordenador da Casa da Reconciliação padre José Bizon. Ele também chamou a atenção para a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, que acontece entre os dias 6 e 10 de junho.

Convocatória Ecumênica Internacional pela Paz

A capital da Jamaica, Kingston, foi palco, entre os dias 17 e 25 de maio, da Convocatória Ecumênica Internacional pala Paz (CEIP). Este grande evento ecumênico, organizado pelo Conselho Mundial de Igrejas (CMI), contou com a presença de leigos e religiosos de todo o mundo. O 1° vice-presidente do CONIC, Dom Francisco de Assis da Silva, esteve presente.

A CEIP encerra a “Década para Superação da Violência” (DOV), programa idealizado pelo CMI, em 1998, durante sua Assembleia de Harare, e que começou em 2001. O evento reuniu cerca de 1.000 participantes de todo o mundo, vindos das igrejas-membro e parceiros do CMI, redes da sociedade civil e do movimento ecumênico que trabalham na área de paz e justiça.

Os quatro focos temáticos da CEIP foram “paz na comunidade”, “paz com a Terra”, “paz no mercado” e “paz entre os povos”. Estes temas foram trabalhados por meio de vários componentes da Convocatória – a vida espiritual, estudos bíblicos, plenárias, oficinas e seminários. Vale lembrar que o principal objetivo da Convocatória é contribuir com os esforços para criação uma cultura de paz justa e facilitar novas redes que incidirão sobre a paz nas comunidades e no mundo.

A lista de palestrantes da CEIP incluiu a Rev. Kässmann, o secretário-geral do CMI, Rev. Dr. Olav Fykse Tveit, Rev. Dr. Paul Gardner da Jamaica, Ernestina Lopez Bac da Guatemala, o Metropolita Dr. Hilarion de Volokolamsk da Igreja Ortodoxa Russa, o Cânon Paulo Oestreicher, da Nova Zelândia e uma dúzia de outros nomes das igrejas e comunidades religiosas de todo o mundo.

Na avaliação de Dom Francisco de Assis da Silva, o evento proporcionou reflexões profundas acerca do papel das religiões na promoção do ecumenismo e da paz mundial. “O CONIC, enquanto parceiro do CMI, está amplamente engajado na promoção de uma cultura de paz. Neste sentido, o empenho das igrejas-membro do Conselho é de vital importância para que continuemos nesse rumo”, disse.

Bento XVI diz que liberdade religiosa é ameaçada no mundo

O Papa Bento XVI disse que a autêntica liberdade religiosa permite que o ser humano possa se realizar plenamente e de tal modo contribuir para o bem comum da sociedade.

Em mensagem enviada à Presidente da Pontifícia Academia das Ciências Sociais, Mary Ann Glendon, divulgada nesta quarta-feira, 4, pelo Boletim da Santa Sé, Bento XVI destaca que “as raízes da cultura cristã no ocidente continuam profundas”, o que possibilitou a geração de uma “cultura que deu vida e espaço à liberdade religiosa e continua a nutrir a liberdade religiosa e de culto, constitucionalmente garantidas”.

Mas infelizmente – lembrou o Santo Padre – os direitos humanos fundamentais estão sendo ameaçados por ideologias que impedem a liberdade de expressar uma religião. Consequentemente, o desafio de defender e promover o direito à liberdade de religião e à liberdade de culto deve ser colocada uma vez mais como uma luta na atualidade.

“Naturalmente, cada Estado tem o direito soberano de promulgar sua legislação e de exprimir diversas atitudes relacionadas à religião dentro da Lei. Assim, existem alguns Estados que permitem ampla liberdade religiosa, em nossa compreensão do termo, enquanto outros a limitam por uma série de razões, incluindo a defesa da própria religião”, destacou o Pontífice.

A Santa Sé, recordou Bento XVI, continua a requisitar o reconhecimento do direito fundamental à liberdade religiosa por parte de todos os Estados, chamando-os a respeitar e se necessário proteger as minorias religiosas, aspirando viver com todos seus cidadãos pacificamente, para que eles possam participar plenamente da vida civil e política, beneficiando a todos.

Liberdade religiosa: direito fundamental

O Concílio Vaticano II, ciente dos acontecimentos culturais e sociais, promoveu uma interpretação antropológica da liberdade religiosa, declarando que todos os povos “por sua própria natureza e por obrigação moral tendem a buscar a verdade, especialmente religiosa”. Assim, o Papa enfatiza que a liberdade é um direito de cada pessoa e que essa deve ser protegida e promovida pelo direito civil.

O Santo Padre disse ainda ter muita esperança que os especialistas dos diversos campos – legislativo, político, sociológico e econômico – convocados pela Academia das Ciências Sociais, possam chegar a conclusões desses importante questionamentos.

A Pontifícia Academia das Ciências Sociais esteve reunida nos últimos 50 dias no Vaticano para debater tais questões que envolvem os direitos universais e a liberdade religiosa dentro do contexto geopolítico atual considerando os conflitos ideológicos e culturais e os crescentes riscos da violação da liberdade religiosa no mundo.

Em uma coletiva de imprensa nesta quarta-feira, 4, a presidente desta pontifícia academia, fundada em 1994 por João Paulo II, Mary Ann Glendon, destacou que a assembleia chegou a conclusão de que existem quatro tipos de violação da liberdade religiosa: a coação e  a  perseguição de fiéis; as restrições à liberdade religiosa das minorias; a pressão social sobre as minorias religiosas; e ainda a redução da liberdade pelo crescente fundamentalismo secular nos países ocidentais, que vêem os cristãos como uma ameaça ao secularismo e políticas liberal-democrático.

“70% da população mundial vive em países que impõem fortes restrições no plano da liberdade religiosa e de culto. E o risco maior hoje é o desejo de restringir a liberdade na esfera privada”, enfatiza Mary Ann Glendon.