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Vaticano: Igreja não é uma democracia, mas tem de haver mais comunicação e participação

Fátima, 12 set 2013 (Ecclesia) – O cardeal Sean O’Malley, arcebispo de Boston, defendeu hoje mais “colegialidade”, “participação” e “comunicação” na Igreja e assume como “primeira preocupação” a reforma da Cúria para que Papa “tenha os colaboradores que precisa”.

Em declarações aos jornalistas em Fátima, à margem do Encontro Nacional de Pastoral Social, o arcebispo norte-americano afirmou que a palavra “democracia” não se aplica ao governo da Igreja.

“Às vezes, a maioria tem razão, às vezes não! Democracia não é a palavra que usaria para a Igreja, mas participação, colegialidade. Isso é muito importante”, afirmou o cardeal O’Malley.

O arcebispo de Boston referiu que a Igreja “jamais vai ser uma democracia política” porque as “normas políticas são diferentes das da Igreja”, onde o objectivo é “trabalhar juntos para descobrir a vontade de Deus”, colocando-a depois em prática.

D. Sean O’Malley integra o grupo de oito cardeais que irá aconselhar o Papa no governo da Igreja, nomeadamente na reforma da Cúria Romana, tendo a primeira reunião com o Papa entre os dias 1 e 3 de outubro.

O cardeal =’Malley lembra que não trabalha na Cúria, mas afirma que “faz falta muito mais comunicação entre os diferentes dicastérios e também com as conferências episcopais com a Cúria”, para combater o isolamento em que trabalham.

Para o arcebispo de Boston, é urgente fazer reformas na Cúria Romana para que o Papa tenha colaboradores necessários ao exercício do seu ministério.

“A primeira preocupação vai ser reformar a Cúria para que o Santo Padre tenha os colaboradores que precisa para exercer o seu ministério como nosso Papa”, afirmou.

O cardeal O’Malley, arcebispo de Boston, nos EUA, inclui o tema da “transmissão na fé no mundo” e da “crise de vocações” entre os que deseja apresentar no grupo dos oito cardeais.

“Há muitas outras coisas que vamos falar entre nós os cardeais e com o Papa, mas são temas que vamos partilhar diretamente com o Santo Padre”, referiu.

O Cardeal O’Malley participou hoje em Fátima no Encontro de Pastoral Social, onde proferiu uma conferência intitulada «A caridade é a fé em acção».

Bento XVI explica de novo as razões da sua decisão, na audiência geral desta quarta-feira. Esta tarde, preside à Celebração das Cinzas, em São Pedro

Rádio Vaticano – Acolhido com um longo aplauso, Bento XVI deu início à audiência geral desta manhã, explicando de novo as razões que o levaram a renunciar ao ministério petrino.Estas as suas palavras:

Caros irmãos e irmãs,

Como sabeis, decidi renunciar ao ministério que o Senhor me confiou a 19 de abril de 2005. Fi-lo em plena liberdade, para o bem da Igreja, depois de ter rezada longamente e de ter examinado diante de Deus a minha consciência, bem consciente da gravidade dessa ato, mas também consciente de já não estar em condições de prosseguir o ministério petrino com aquela força que ele exige. Sustenta-me e ilumina-me a certeza de que a Igreja é de Cristo, o qual nunca fará faltar a sua guia e o seu cuidado. Agradeço a todos pelo amor e pela oração com que me tendes acompanhado. (aplausos). Obrigado, senti quase fisicamente nestes dias nada fáceis para mim, a força da oração que o amor da Igreja, a vossa oração, me traz. Continuai a rezar por mim, pela Igreja, pelo futuro Papa. O Senhor o guiará.

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Muito concorrida esta audiência geral, a penúltima do pontificado (dado que na próxima semana têm lugar os Exercícios Espirituais no Vaticano). Tema da catequese, o sentido do tempo da Quaresma, que hoje inicia. Eis a síntese pronunciada por Bento XVI em português, com as saudações aos peregrinos lusófonos:

Queridos irmãos e irmãs,

Hoje, Quarta-feira de Cinzas, iniciamos a Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa. Estes quarenta dias de penitência nos recordam os dias que Jesus passou no deserto, sendo então tentado pelo diabo para deixar o caminho indicado por Deus Pai e seguir outras estradas mais fáceis e mundanas. Refletindo sobre as tentações a que Jesus foi sujeito, cada um de nós é convidado a dar resposta a esta pergunta fundamental: O que é que verdadeiramente conta na minha vida? Que lugar tem Deus na minha vida? O senhor dela é Deus ou sou eu? De fato, as tentações se resumem no desejo de instrumentalizar Deus para os nossos próprios interesses, em querer colocar-se no lugar de Deus. Jesus se sujeitou às nossas tentações a fim de vencer o maligno e abrir-nos o caminho para Deus. Por isso, a luta contra as tentações, através da conversão que nos é pedida na Quaresma, significa colocar Deus em primeiro lugar como fez Jesus, de tal modo que o Evangelho seja a orientação concreta da nossa vida.

Amados peregrinos lusófonos, uma cordial saudação para todos, nomeadamente para os grupos portugueses de Lamego e Lisboa, e os brasileiros de Curitiba e Porto Alegre. Possa cada um de vós viver estes quarenta dias como um generoso caminho de conversão à santidade que o Deus Santo vos pede e quer dar! As suas bênçãos desçam abundantes sobre vós e vossas famílias! Obrigado!

Esta tarde, na basílica de São Pedro, às 17, Bento XVI preside à Eucaristia de início da Quaresma, com a imposição das Cinzas. Como explicou Padre Lombardi, a decisão de transferir para São Pedro esta celebração, em vez da tradicional basilica de Santa Sabina, se justifica pelo acrescido número de participantes que se prevê desejem participar nesta que constitui a última celebração eucarística pública presidida por Bento XVI.

“Fizestes da casa de Deus um antro de ladrões” (Evangelho do Dia – Lc 19,45-48)

 

 

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Lucas 19,45-48

Naquele tempo:
45Jesus entrou no Templo
e começou a expulsar os vendedores.
46E disse: “Está escrito:
“Minha casa será casa de oração”.
No entanto, vós fizestes dela um antro de ladrões.”
47Jesus ensinava todos os dias no Templo.
Os sumos sacerdotes, os mestres da Lei e os notáveis do povo
procuravam modo de matá-lo.
48Mas não sabiam o que fazer,
porque o povo todo ficava fascinado
quando ouvia Jesus falar.
Palavra da Salvação. 

Reflexão – Lc 19, 45-48

Existem muitas pessoas que se vangloriam do fato de participar ativamente da Igreja, possuir ministérios ou ter um cargo importante na comunidade eclesial. Mas infelizmente, existem pessoas que usam do fato da pertença na comunidade para substituir as relações de serviço por relações de poder, para dominar, oprimir, buscar promoção pessoal e desvalorizar as outras pessoas que fazem parte da comunidade. A religião para essas pessoas é uma forma não de adorar ao Deus vivo e verdadeiro, mas sim de promover o culto a si próprio e buscar a satisfação dos seus próprios interesses. A esses diz Jesus: “sofrerão a mais rigorosa condenação”.

Pastora Romi Bencke é a nova secretária geral do CONIC

Reunida em Brasília entre os dias 30 de julho e 1° de agosto, a diretoria do CONIC concluiu o processo de seleção para a Secretaria Geral. Por unanimidade, foi escolhida como a nova secretária geral da entidade a pastora luterana (IECLB) Romi Márcia Bencke, conhecida no meio religioso e social por seu destacado papel em organizações ecumênicas, em especial, e por sua identificação com as lutas em favor de uma sociedade mais justa.

Romi, que é a primeira mulher a assumir a Secretaria, tem uma ampla vivência ecumênica, que inclui, entre outras experiências, o trabalho junto ao CECA – Centro Ecumênico de Capacitação e Assessoria, em São Leopoldo (RS), e a atuação nas comissões de elaboração da Campanha da Fraternidade Ecumênica de 2010, além da colaboração na Comissão Teológica do CONIC.

Natural de Horizontina (RS), formada em teologia, é casada e, ultimamente, tem concentrado suas energias em trabalhos nas áreas de gênero e pastoral. “Acolhemos a pastora Romi e desejamos um ótimo trabalho à frente da Secretaria Geral do CONIC, especialmente neste ano que o Conselho comemora seus 30 anos de fundação”, afirmou o 1° vice-presidente do CONIC, dom Francisco de Assis.

Para Romi, o desafio de ficar à frente da Secretaria Geral é bastante motivador. “Fiquei muito feliz quando soube da escolha, afinal, este é um cargo de muita responsabilidade, e que nos permite atuar de forma ainda mais plena em favor da unidade das Igrejas, do ecumenismo, seja por meio de projetos em benefício da sociedade, ou por meio de ações de mobilização, como a Semana de Oração, Conferência da Paz, entre outras. Enfim, nosso comprometimento será com o fortalecimento do CONIC”, disse.

Evangelho do Dia – Lc 2,41-51

Sua mãe conservava no coração todas estas coisas.

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Lucas 2,41-51

41Os pais de Jesus iam todos os anos a Jerusalém,
para a festa da Páscoa.
42Quando ele completou doze anos,
subiram para a festa, como de costume.
43Passados os dias da Páscoa, começaram a viagem
de volta, mas o menino Jesus ficou em Jerusalém,
sem que seus pais o notassem.
44Pensando que ele estivesse na caravana,
caminharam um dia inteiro.
Depois começaram a procurá-lo
entre os parentes e conhecidos.
45Não o tendo encontrado,
voltaram para Jerusalém à sua procura.
46Três dias depois, o encontraram no Templo.
Estava sentado no meio dos mestres,
escutando e fazendo perguntas.
47Todos os que ouviam o menino estavam maravilhados
com sua inteligência e suas respostas.
48Ao vê-lo, seus pais ficaram muito admirados
e sua mãe lhe disse:
“Meu filho, por que agiste assim conosco?
Olha que teu pai e eu estávamos, angustiados,
à tua procura”.
49Jesus respondeu:
“Por que me procuráveis?
Não sabeis que devo estar na casa de meu Pai?”
50Eles, porém, não compreenderam
as palavras que lhes dissera.
51Jesus desceu então com seus pais para Nazaré,
e era-lhes obediente.
Sua mãe, porém,
conservava no coração todas estas coisas.
Palavra da Salvação.

Diocese de Itabira promove XIII Curso de Inverno

Entre os dias 07 e 10 de junho, em São Gonçalo do Rio Abaixo, a Diocese de Itabira estará reunida no tradicional Curso de Inverno. O tema deste ano é “Palavra de Deus: Vida e Missão”.

Informações pelo telefone 8526 2726, falar com Marleny. As vagas são limitadas.

O sentido do jejum e da oração

Antes de ser um fenômeno cristão, a oração é um fenômeno antropológico, isto é, todos os homens, de uma forma ou de outra, rezam, sentem a necessidade de se relacionar com Deus, de buscar o transcendente. O diálogo com Deus ocupa, certamente, o primeiro lugar para quem se decide dar-se a uma vida interior intensa. Deus se doa a quem, totalmente e sem reserva, a Ele se doa.

A vida interior é uma vida de oração. Cada um deve encontrar tempo para estar com o Senhor em íntima comunhão e diálogo de amizade. Sem a vivência dos valores espirituais e evangélicos, não é possível ter conhecimento experiencial de Deus.

Qualquer pessoa que queira desenvolver a sua vida espiritual deve todos os dias encontrar o tempo suficiente para dedicar-se a determinados atos de oração.

Os estudiosos afirmam que nunca foi encontrado um povo sem religião, sem celebrações e sem divindade. Isso nos mostra como, em cada um, está presente a necessidade de, em determinados momentos, recorrer ao Senhor.

Na Bíblia, não encontramos nenhuma definição de oração, mas situações descritivas de homens e de mulheres que rezam. No entanto, ao longo dos séculos, muitos santos, teólogos, místicos procuraram dar uma definição deste misterioso e vivo diálogo com Deus. Santa Teresinha nos oferece uma explicação: “Para mim, a oração é um impulso do coração, é um simples olhar lançado para o céu, um grito de reconhecimento e amor, no meio da provação ou no meio da alegria”.

Nunca devemos nos esquecer de que a oração, mais do que esforço pessoal ou iniciativa humana, é um dom gratuito de Deus. E, sendo Deus amor, inicia o diálogo, procura-nos. Como bem disse São João da Cruz, “Se é verdade que o homem procura a Deus, ainda mais é verdade que Deus procura o homem.”

A Quaresma é um tempo especial em que a Igreja nos convida à prática do jejum e da oração, a fim de que nós possamos nos preparar integralmente para reviver a vitória sobre a morte que Cristo veio trazer para toda a humanidade.

Pela oração, tornamo-nos mais próximos de Deus, conversamos com Ele, pedimos, agradecemos, mas também aprendemos a escutar. Escutamos Deus através do nosso exame de consciência, através de nossas orações e através da análise dos acontecimentos.

A prática do jejum nos torna donos de nós mesmos, pelo domínio da força de vontade. Quando jejuamos, vencemos a vontade de comer, muitas vezes por gula, e nosso organismo agradece e se desintoxica.

Pensadores, estudiosos, médicos sugerem que o jejum “lava” o organismo. Jesus jejuou porque o jejum o tornou mais forte e mais próximo do Pai.

Oração e jejum são, pois, ferramentas indispensáveis, de uma maneira intensa, na Quaresma, mas necessárias também durante toda a nossa vida.

Por: DOM EURICO DOS SANTOS VELOSO
ARCEBISPO EMÉRITO DE JUIZ DE FORA, MG.