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Max Weber superado

Dom Aloísio Roque Oppermann scj – Arcebispo Emérito de Uberaba, MG.
Endereço eletrônico:  domroqueopp@terra.com.br

É por demais conhecido o enorme impacto provocado pela queda do geocentrismo. Todas as pessoas, acompanhando o senso comum, consideravam tranquilamente a terra como centro do universo. A terra era estática, e tudo evoluía ao seu redor (a lua, as estrelas e o sol). Isso era “evidente”. E de repente, Kepler, Galileu e outros, demonstraram que o nosso planeta não passava de um ínfimo grão de areia, obediente às leis harmoniosas da movimentação dos astros. Mas pior do que isso, foi a descoberta das mazelas do rei da criação, reduzido a um reles animal, pela teoria da evolução. A auto estima humana viveu décadas de perplexidade e até de horror, quando a verdade fundamental do universo virou de ponta cabeça. Até o século XVI Deus era a verdade central da vida: as motivações religiosas tinham nela a sua inspiração. O comércio, a lavoura, a educação, tinham um valor secundário. A atividade principal era buscar o encontro com a divindade. “Buscai primeiro o Reino de Deus e sua justiça. E o resto vos será acrescentado” (Lc 12, 31).

Completando os males dos 4 cavalos do apocalipse (cap. 6), de repente, quem foi colocado no centro das preocupações, substituindo o próprio Senhor do Universo, foi o ser humano: sua indústria, a produção econômica… Isso de rezar, e invocar a divindade, tornou-se apenas um rodapé. O paraíso está nas nossas mãos e devemos concretizá-lo durante a nossa curta existência, dizem. Com isso o mundo não admira mais os Santos que se distinguem por orações profundas ou pelo ascetismo. Agora só valem os Santos que ajudaram o seu semelhante a sair da pobreza, que protegeram a saúde do povo, que defenderam os fracos contra as injustiças. Mas Paulo VI escreveu na “Evangelii Nuntiandi” que o papel principal da Igreja é anunciar explicitamente a pessoa de Cristo. (Nº 27). Sem que o antropocentrismo contradiga o teocentrismo, em absoluto. “A honra de Deus se concretiza na glória do Homem” (S. Irineu em “Adversus Haereses”). Manter obras sociais vem em segundo lugar, no entanto. Como se essas dificuldades não bastassem, apareceu um grande sociólogo (Max Weber), que vinculou o progresso do capitalismo ao protestantismo. Os católicos estariam destinados a serem empregados e sem iniciativa. No Brasil essa teoria vingou, fazendo muitos católicos migrarem para as denominações protestantes, simplesmente “porque queriam ser ricos”. Mas o próprio Max Weber, se vivo fosse, teria enormes dificuldades – dentro dessa chave de leitura – de explicar o progresso capitalista da China, do Japão, da Coréia e de outros tigres asiáticos.

MINISTÉRIO VIDA RELUZ ECENRRA FESTA DE NOSSA SENHORA DO PERPÉTUO SOCORRO EM CACHOEIRA ESCURA

Banda fará show no dia 29 de junho em Cachoeira Escura, Belo Oriente-MG
Banda fará show no dia 29 de junho em Cachoeira Escura, Belo Oriente-MG

PASCOM | DIOCESE DE ITABIRA/FABRICIANO |A Paróquia de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, do distrito de Cachoeira Escura, Belo Oriente-MG, realizou entre os dias 18 e 26 de junho, Novena em Honra a sua padroeira, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, que tem o dia 27 de junho reservado na Liturgia Católica.

Nestes dias de oração, padre Jefferson Veronês, responsável pela paróquia, conta com o auxílio de outros padres para a celebração das Missas; diga-se, de passagem, o ponto alto de comunhão e espiritualidade, com a expressiva participação dos fiéis paroquianos e visitantes. Segundo a programação, o horário das celebrações varia entre 19h e 19h30. Também não faltam as tradicionais barracas de comidas tradicionais, e a animada Quadrilha dançada pelos jovens da paróquia.

Um momento não menos esperado é o show com o Ministério Vida Reluz, que acontecerá no sábado (29), após a Missa Campal das 19h30, na área de eventos de Cachoeira Escura.

A História da Banda Vida Reluz

Vida Reluz é uma banda brasileira de Música Católica Popular, originária de São José dos Campos. Foi fundada em 1985 por Walmir Alencar e Cidinha Moraes. A banda já lançou oito álbuns até o momento e duas coletâneas, todos pela gravadora Paulinas-COMEP.

No início, a banda fora formada como Grupo da Bíblia, e fazia parte da Sociedade de São Vicente de Paulo da paróquia que frequentavam em São José dos Campos, SP. Após dez anos de carreira, eles conheceram o padre Joãozinho, SCJ, já consagrado compositor e cantor da Paulinas Comep. Ele os indicou para a gravadora, e, em 1995 mesmo, saiu o chamado “álbum azul”, Vida Reluz, seu primeiro CD, que ganhou disco de ouro e se tornou um divisor de águas, inaugurando uma nova era na música católica popular. Trouxe vários hits, entre eles “Acreditar no Amor” e “Perfeito É Quem Te Criou”.

Após o primeiro disco, a vocalista Elaine Cristina decide dar uma pausa em suas atividades na banda. Após dois anos, em 1997, o grupo lança o álbum Celebra a Vitória, que foi muito aclamado pela crítica e teve ótima vendagem, também ganhando disco de ouro e se tornando um clássico para a banda. Este álbum mantém a sonoridade do anterior e ousa mais ainda, com guitarras e baixo marcantes, grooves de bateria, teclados e pianos ótimamente trabalhados e os vocais que marcaram a cara da banda, trazendo hits como “Deus Quero Louvar-Te”, “Declaramos” e a faixa-título “Celebra a Vitória”, que tem participação de Eugênio Jorge.

Após o lançamento de Celebra a Vitória, Elaine Cristina retorna ao coro da banda. Neste tempo, em 28 de março de 1998, após uma reunião, o baterista e percussionista Erik Rodrigues, o baixista Marcelo Soares, o vocalista e guitarrista Luiz Palma e o tecladista Gilbert decidem sair da banda. O violonista C. Henrique permanece ainda uma semana para ajudar a banda, mas também decide sair do grupo. Também o vocalista Walmir Alencar sai do grupo musical neste ano, indo fazer carreira solo1 , embora ainda tivesse grande contato com o grupo.

Após a saída da maioria da banda, novos integrantes entram e o disco Deus Imenso é lançado em 2000. Este disco foi o primeiro e único a ganhar disco de ouro com a nova formação. São sucessos: “Diante do Rei”, “Quem É Filho de Deus” e a faixa-título “Deus Imenso”. Ainda na divulgação do disco, o baterista R. Júnior, o segundo baixista Everton Oliveira e o saxofonista Marquinho também decidem deixar a banda, tendo Marquinho se juntado ao já solo Gilbert e formado a dupla Marquinho e Gilbert.

Em 2002, Walmir Alencar corta definitivamente os laços musicais com o grupo, alegando que o Senhor tinha uma missão diferente para ele. Também a vocalista Elaine Cristina decide neste ano deixar a banda. Apesar disto, o grupo continua a gravar e em 2003 lança o disco Deus É Capaz, que apresenta o novo vocalista Felipe Souza. Apesar da faixa-título, “Deus É Capaz”, ter recebido certo airplay, o álbum não foi muito bem em vendas e acabou culminando na saída definitiva de Elaine Cristina da banda.

Num esforço de reconstrução e união, em 2004 o grupo grava Gratidão, lançado em fevereiro de 2005. Gratidão foi melhor que o predecessor e lançou sucessos como “Nome Maravilhoso” e “Gratidão”. Em 7 de setembro de 2005, comemorando os vinte anos de carreira da banda, eles decidem gravar um show, cujo registro em CD e DVD resulta no aclamado álbum ao vivo Vida Reluz – Ao Vivo, muito vendido no mercado católico.

Recentemente, em 2009, a banda se mudou para a gravadora da comunidade católica Canção Nova, o DAVI, e lança o disco Toma o Teu Lugar, Senhor.

De volta à Paulinas-COMEP, depois de um tempo sem lançar discos, o ministério lança o CD Restaurado pra Adorar, produzido pelo ex-integrante e amigo Walmir Alencar.

Na modernidade ainda se reza?

oracao-51Dom Aloísio Roque Oppermann, scj
Arcebispo Emérito de Uberaba/MG

Conta-se que Kant, o filósofo mais influente dos últimos 200 anos, reconhecia a inteligência superior, presidindo a harmonia de todo o universo. Mas declarou que, se fosse “apanhado” por alguém, dedicando-se à oração, sentir-se-ia envergonhado. Eis aqui alguém que não descobriu o Deus pessoa, o amigo que pode ser encontrado no mais profundo do nosso eu. Trata-se de um órfão, que se sente apenas ligado à família humana, mas não sabe que o Criador o convidou a fazer parte da família divina. Isso levou a humanidade a se pôr na resistência contra o diálogo com a divindade. Uma pessoa emancipada é tentada  a não rezar. Um líder não se ajoelha, dizem. Imagina que tem nas mãos a solução dos problemas. Não precisa apelar a ninguém para abrir caminhos. Mas o bom Pai não os abandona. “Cristo morreu também pelos pecadores” ( Rom 5, 6).

É mais do que certo que o ser humano não deve esperar as coisas caírem do céu, como dádiva. Pura outorga. A orientação que recebeu é outra. “Mão trabalhadora mandará; mão preguiçosa servirá” (Prov 12, 24). É preciso acreditar em si e pôr mãos à obra, com gosto e inteligência. Mas daí a abandonar a oração, como desnecessária, vai uma distância absurda. O ser humano, dentro do universo visível, é o único que tem capacidade de entrar em comunicação com o Ser Superior. Essa atitude benevolente com o “Pai Justo”, é capaz de encher a alma. Dá uma sensação de plenitude. Mas não tem vínculo necessário com a consolação interior, ter o coração inebriado de alegria. As pessoas que aprenderam a orar, não buscam doçuras. Mas são inclinadas a serem pessoas que amam a justiça e a verdade, e não se subordinam a que outras pessoas sejam injustiçadas.Também o verdadeiro orante tem fortaleza de ânimo, sabe onde quer chegar, e não se deixa abalar por entraves e maquinações. E finalmente – é sempre a Mestra Santa Teresa que o ensina – quem descobriu o valor da oração torna-se uma pessoa humilde, abandona qualquer arrogância, e sabe avaliar os pontos de vista dos mais humildes. Nós todos devemos chegar ao ponto de apreciar a oração como uma respiração da alma. “Mestre, ensina-nos a orar” ( Lc 11, 1).

À distância se enxerga melhor?

Dom Aloísio Roque Oppermann, scj
Arcebispo Emérito de Uberaba / MG

As avaliações sobre a importância do Concílio Vaticano II vão desde a glorificação exaltada, até a hostilização mais mal humorada. Isso acontece por sintonizarmos a retomada de suas grandes idéias no cinqüentenário de seu início (11 de outubro de 1962). Os Padres Conciliares, em número aproximado de 2.500 na média, viram esse maravilhoso acontecimento eclesial, em centenas de visões diversificadas.

A grande maioria viu seu espírito numa linha de continuidade com a história da Igreja.  Mas alguns quiseram ver nele uma ruptura com a fé milenar dos discípulos de Cristo, e até uma compactuação com a mentalidade secularizada do mundo moderno. Vamos tentar dar um pequeno apanhado de suas linhas fundamentais, cujos conceitos apelam para um aprofundamento neste ano da Fé, que inicia neste mês (10/12).

A definição (ou descrição) de Igreja jamais foi tão ampla e  completa. Nem Santo Tomás de Aquino, nem Santo Agostinho alcançaram tais alturas, atingidas pelo Concílio, (sem os Padres esquecer as Escrituras). Agora existe a convicção de que todos somos Igreja, e não só o clero.

A Reforma Litúrgica conseguiu ultrapassar séculos de passividade, para levar o povo a uma participação ativa e frutuosa, sobretudo na Eucaristia. As celebrações se tornaram mais vivas e compreensíveis.

Em que pese nossa boa e velha Tradição, o Concílio nos levou a um renovado amor ás Escrituras Sagradas. Elas voltaram a ser a “alma de toda a teologia”. Hoje até na Catequese elas voltaram a ser prioritárias.

Os Padres Conciliares nos levaram a uma grande redescoberta da Patrística. Os escritos dos primeiros quatro séculos foram traduzidos para as línguas modernas, e todos podem buscar o elo que liga os ensinamentos dos apóstolos aos tempos modernos.

O enfoque das relações Igreja x Mundo foi deslocado. Agora não se trabalha mais, considerando o mundo como um grande inimigo, mas se procura dialogar. Isso é um benefício recíproco.

Houve um esforço, nem sempre bem sucedido, de aproximação com os cristãos de outras denominações. Mas as relações melhoraram, apesar de haver um longo caminho a percorrer. Um dia a oração de Cristo será eficaz, e “seremos todos um”  ( Jo 17, 11).