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Tolerância zero: o abuso de um menor “é como uma missa negra”, denuncia

(ACI).- No voo de volta de Israel a Roma, o Papa Francisco condenou mais uma vez o abuso sexual de menores cometido por sacerdotes, comparou este crime com uma “missa negra”, esclareceu que não há privilégios para os bispos que cometam este crime e anunciou que no início de junho se reunirá com um grupo de vítimas no Vaticano.

Ao ser perguntado por um jornalista sobre o que fará se encontrar um bispo que não cumpre com as normas das Igrejas locais nesta delicada matéria, o Papa Francisco esclareceu que “não há privilégios” para os pastores que cometam estes crimes.

FranciscoHomilia_AutorLaurenCater_CNA“Na Argentina, chamamos os privilegiados de ‘filhos de papai’. Pois bem, sobre este tema não haverá filhos de papai. Neste momento, há três bispos sob investigação e um deles, já condenado, tem a pena em estudo. Não há privilégios neste tema dos menores”, explicou.

Explicou que “é um problema muito grave. Um sacerdote que comete um abuso, trai o corpo do Senhor. O padre deve levar o menino ou a menina à santidade. E o menor confia nele. E ao invés de levá-lo à santidade, abusa. É gravíssimo.”.

“É como fazer uma missa negra! Ao invés de levá-lo à santidade, o leva a um problema que terá por toda a vida”, enfatizou.

O Papa anunciou que nos primeiros dias de junho “haverá uma missa com algumas pessoas abusadas, na Santa Marta, e depois haverá uma reunião com eles. São pessoas da Alemanha, duas da Inglaterra ou Irlanda… Serão uns oito, com o Cardeal (Francis) O’Malley, da comissão. Sobre isto se deve prosseguir com tolerância zero!”.

Tolerância e relativismo

Dom Redovino Rizzardo
Bispo de Dourados (MS)

Ao longo do mês de setembro, um filme produzido nos Estados Unidos, ridicularizando a figura de Maomé, fundador do Islã, ocupou as manchetes dos meios de comunicação social de todo o mundo, pelas graves conseqüências que provocou. Foram inúmeros os países em que os protestos dos muçulmanos causaram dezenas de mortes, entre elas, do embaixador norte-americano na Líbia.

Poucos dias antes, o Festival de Cinema de Veneza havia premiado o filme “Paraíso: Fé”, que zomba a religião católica ao mostrar uma mulher masturbando-se com um crucifixo. Mas, diferentemente do que aconteceu com a produção norte-americana, foram raras as pessoas que tomaram a defesa da Igreja. Para uma delas, o motivo é simples: “Uma das características da “cultura” atual é atacar os católicos e, em seguida, defender-se apoiando-se na liberdade de expressão“. De igual teor foi a reação do diretor de uma revista francesa ao se defender das críticas que recebeu, por ter acirrado mais ainda os ânimos, publicando charges contra Maomé, poucos dias depois do aparecimento do filme norte-americano: “As religiões não podem ser questionadas? Ou só é possível fazê-lo contra a Igreja Católica?“.

Dois pesos e duas medidas: denegrir o Cristianismo é direito, arte e cultura, e ai de quem se atreve a divergir! Pelo contrário, ofender o Islã é preconceito e intolerância, como afirmou a própria Dilma Roussef no discurso que proferiu nas Nações Unidas, no dia 25 de setembro: «Como presidente de um país no qual vivem milhares de brasileiros de confissão islâmica, registro neste plenário nosso veemente repúdio à escalada de preconceito islamofóbico em países ocidentais».

Mas, até que ponto é lícito ferir a cultura e a religião de quem pensa diferente? Violência gera violência: à prepotência da imprensa, que se julga dona da verdade e acima de qualquer questionamento, há muçulmanos que se sentem no direito e no dever de responder com a força das armas! Em pronunciamento feito no dia 12 de setembro, o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, lembrou que o caminho a ser percorrido é diferente: “O respeito pelas crenças, pelos textos, pelos personagens e pelos símbolos das diferentes religiões é uma condição essencial para a coexistência pacífica dos povos“.

Numa sociedade que se pensa cada vez mais tolerante, o que mais parece faltar é tolerância, sobretudo em matéria de ética, moral e religião. Foi o que disse o papa Bento XVI na entrevista que concedeu ao jornalista alemão Peter Seewald, em 2010: «O que se está difundindo hoje é um novo tipo de intolerância. Existem maneiras de pensar bastante difusas que devem ser impostas a todos. É o que acontece, por exemplo, quando se afirma que, em nome da tolerância, não devem existir crucifixos nos edifícios públicos. No fundo, estamos eliminando a tolerância, porque, na realidade, isto significa que a religião e a fé cristã já não podem se expressar de modo visível.

A mesma coisa acontece quando, em nome da não discriminação, se quer obrigar a Igreja Católica a mudar a própria posição em relação à homossexualidade ou à ordenação sacerdotal das mulheres. Na prática, isso significa que não lhe é permitido viver a própria identidade, substituindo-a por uma religião abstrata como critério tirânico último, ao qual todos se devem dobrar. E isso seria liberdade, pelo simples fato de que nos livraria de tudo o que era praticado anteriormente.

A verdadeira ameaça diante de qual nos encontramos hoje é a de que a tolerância seja abolida em nome da própria tolerância. Há o perigo de que a razão ocidental afirme ter finalmente descoberto o que é justo e apresente uma pretensão de totalidade que é inimiga da liberdade. Creio ser necessário denunciar fortemente esta ameaça. Ninguém é obrigado a ser cristão. Mas também ninguém deve ser constrangido a viver segundo a ‘nova religião’, como se fosse a única e verdadeira, vinculante para toda a humanidade“.

Para o papa, a “nova religião” que está penetrando em todos os segmentos da sociedade é «a ditadura do relativismo, para quem nada é definitivo, e tem como único critério o próprio eu e suas vontades». Contudo, num mundo que assume como religião o relativismo, o que determina o pensamento e as atitudes das pessoas só poderá ser um novo paganismo…

Assembleia de 2013 do CMI já tem tema definido

Após período de discussão iniciado no primeiro dia do encontro, o Comitê Central do Conselho Mundial de Igrejas (CMI) escolheu hoje, último dia de sua reunião ordinária, o tema para a 10ª Assembleia Geral do organismo ecumênico, que terá lugar em Busan, Coréia do Sul, em outubro de 2013. O tema será “Deus da vida, guia-nos à justiça e à paz”.

Um “tema” não é apenas um mero slogan para uma assembleia, pois oferece um foco para reflexão teológica, devocionais e meditações ao longo do evento, assim como para o planejamento das atividades programáticas antes, durante e depois do evento.

O tema da 9ª Assembleia, que aconteceu em Porto Alegre, Brasil, em 2006, foi “Deus, em tua graça, transforma o mundo”. O tema para a 10ª Assembleia também é formulado em forma de oração. A proposta para o tema de 2013, adotado por consenso,  veio acompanhada pela referência ao texto bíblico de Isaías 42.1-4, que fala do servo do Senhor que não quebra uma cana rachada nem apaga um pavio que queima (v. 3) e que não será esmagado “até que a justiça seja estabelecida na terra” (v. 4).

Fonte Conic

Imagem Internet

 

(IN) Tolerância religiosa

Cristo, a igreja e a tolerância

 

Na linguagem oral o verbo tolerar significa suportar algo ou alguém. Neste caso, a palavra tolerar expressa a dificuldade das religiões aceitarem umas as outras ou até mesmo o direito de discordar.

 

No principal livro cristão, a Bíblia, os evangelhos contam que Jesus Cristo teve esta dificuldade com seus discípulos. Jesus a caminho de Jerusalém quis passar pela Galiléia. Os habitantes daquela região não o quiseram receber pelo fato de ser judeu. Ao saber disso, dois discípulos quiseram que Jesus os castigasse fazendo descer sobre eles o fogo Divino. Jesus os repreendeu dizendo: “Vocês não sabem de que espírito sois” (Lc 9, 55). Jesus também disse a um discípulo que queria proibir alguém de expulsar demônios, porque não pertencia ao grupo deles: “Não o proíbam. Quem não está contra nós, está do nosso lado” (Lc 9, 49- 50). Ele quis ensinar seus discípulos a descobrir Deus no diferente, como é o caso do oficial romano Paulo – que é um dos apóstolos – na mulher estrangeira e nos samaritanos.
 

Certamente, vale para toda pessoa, em qualquer tradição ou corrente religiosa, a palavra que, há alguns anos, os bispos católicos da Ásia escreveram: “Deus é amor e se dá de mil maneiras à humanidade. Não nos pede permissão para se revelar às diversas comunidades e grupos humanos. Reconhecer estas múltiplas formas de como seu amor se revela é um modo importante de honrá-lo e corresponder ao seu amor”.
 

Jesus deixou dois mandamentos. O primeiro é: “amar o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito;” (MT 23,37), e o segundo é: “amarás o teu próximo, como a ti mesmo” (MT 23,39). Para a irmã Márcia Maria presidente do CONIC-MG (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs) “ser ecumênico não significa que todos devem ser católicos ou pertencerem a Assembléia de Deus, mas sim aceitar as diferenças e colocar em pratica as igualdades ensinados por Cristo”, afirma.  Ela disse ainda que a “igreja nasceu católica, universal” e que só depois se constituiu Católica Apostólica Romana. “No inicio a igreja era de todos, judeus, gregos e outros”, completa a Irmã.

Legislação sobre tolerância religiosa

A Constituição brasileira preve no artigo 5º que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias ,e a aceitação dos diferentes tipos de religião existente no mundo e na sociedade.” Também é considerado crime atraves do codigo penal, em seu artigo 208 “escarnecer1 de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar2 publicamente ato ou objeto de culto religioso.”

O Dia Nacional de combate à intolerância religiosa foi criado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente da República no dia 27 de dezembro de 2007, por meio da lei n. 11.635. O decreto é muito conciso: “Fica instituído o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, a ser comemorado anualmente em todo o território nacional no dia 21 de janeiro.” O artigo 2 diz que “a data fica incluída no Calendário Cívico da União para efeitos de comemoração oficial.” Traz as assinaturas do presidente da República e do ministro da Cultura.


 

A fé, a religião e a tolerancia organizada em entidades e eventos.

 

Hoje no Conselho Mundial da Igrejas – CMI – existem 349 igrejas cadastradas. Esse numero é muito maior no mundo. Em defesa da tolerancia as igrejas procuram se encontar no CMI, não para debater as diferenças, mas para desenvolverem o lado comunm existente entre elas.

 

No Brasil existe um conselho similar a CMI, o  CONIC – Conselho Nacional da Igrejas Cristãs do Brasil. Ele é composto pela Igreja Católica Apostolica Romana, Igreja Cristã Reformada, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil,  Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia e Igreja Presbiteriana Unida. Juntas elas desenvolvem a  cada 5 anos a Campanha da Fraternidade Ecumenica. O Conselho já realizou três campanhas ecumenicas, em 2000 foi a primeira e era Fraternidade e os Excluidos; em 2005 a segunda e o tema foi Fraternidade e Paz e a em 2010 a terceira campanha ecumenica com o tema: Economia e vida. Diferente do CMI o CONIC não aceita ainda igrejas e religiões de confissões diversas a Cristã.

 

No Brasil existe também as Comunidades Eclesiais de Base, que  promovem seu evento, a nivel de Brasil, a cada 5 anos. O encontro de CEB’s é marcado pelo pluralismo religioso. O evento conta com a pesença em massa de catolicos embora haja grande participação de indigenas e sua tradições, menbros do Candomble e outras tradiçoes africanas. Semelhante a CEB’s o Movimento Nacional de Fé e Política também é ecumênico.

Saiba mais:

Agencia Baptist Press

O que ecumenismo?

Conselho Mundial das Igrejas