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PJ propõe reflexão sobre saúde alimentar na Semana de Cidadania 2012

De 14 a 21 de abril, realiza-se a Semana da Cidadania (SdC), uma promoção das Pastorais da Juventude, da Juventude Estudantil, do Meio Popular e Rural, do Centro Anchietanum e da Rede Brasileira de Centros e Institutos de Juventude.

Em 2012, o tema proposto é “Juventude e Saúde Alimentar” e o lema “É preciso ter certeza do que se põe na mesa”.

Para tratar deste tema tão importante para a vida da juventude, a SdC propõe três eixos de reflexão: saúde, agricultura e direitos. Eles nos ajudam a dar uma volta ampla pelo tema, tendo como pano de fundo a ideia do cultivo do Bem Viver. Pensemos nas pessoas, no cuidado com o corpo, com uma vida saudável, que passa pelo consumo de alimentos adequados. Pensemos nos modelos de produção de alimentos, nas práticas que geram saúde para as pessoas e para o planeta e nas práticas que geram doença e morte. Pensemos em garantir o direito à saúde e à segurança alimentar a todos/as, com acesso igualitário e adequado, com qualidade e segurança.

A Semana da Cidadania é uma atividade dos grupos de jovens organizados como Igreja no Brasil. É uma ação ligada à dimensão política; uma atividade do/a discípulo/a missionário de Jesus, e um modo concreto de manifestarmos como cristãos/ãs nossa fé na vida e nossa crença no protagonismo dos/as jovens.

O subsídio da Semana da Cidadania 2012 pode ser baixado em:
http://pj.org.br/documentos/Subsidio_final_SdC.pdf

Ressurreição e suborno

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá (PR)

“Depois do sábado, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver a sepultura” (Mt 28,1). No modo de contar judaico, o sábado fechava a semana e começava a nova semana. Este primeiro dia, graças à ressurreição de Cristo, para os cristãos tornou-se o “Dia do Senhor”; em latim “Dies Domine”; em português, “Domingo”.

Quem dá a notícia às mulheres no evangelho segundo São Mateus é o anjo: “Então o anjo disse às mulheres: Não tenham medo; eu sei que vocês estão procurando Jesus que foi crucificado. Ele não está aqui, Ressuscitou como havia dito” (Mt 28, 5). “As mulheres saíram depressa do túmulo; estavam com medo, mas correram com muita alegria para dar a notícia aos discípulos” (Mt 28,8).

Domingo de Páscoa é a festa mais importante do calendário litúrgico para os cristãos. Não há solenidade maior que a Ressurreição de Cristo. Neste dia, celebramos a vitória da vida sobre a morte. Com a Sua ressurreição, o Cristo crucificado vence a dor, o sofrimento, a humilhação, a angústia e a própria morte. O luto se transforma em festa; a dor em alegria; o sofrimento em esperança; a angústia em glória. O apóstolo Paulo afirma categoricamente: “Se Cristo não tivesse ressuscitado, inútil seria a nossa fé” (cf. 1Cor 15,17). A cruz é o trono; o grito é salvação; o sangue e a água são a vida plena; o Salvador é Jesus. Por isso que a fé no ressuscitado não pode ser apenas louvor e glória. Ela é cruz, grito, sangue, dor, e salvação.

Naquele dia, diante da revolucionária notícia, as autoridades que viam o fracasso de suas artimanhas para manter as máscaras da corrupção diante do povo, inventam uma mentira. A primeira atitude é o suborno.

O evangelho segundo São Mateus – aliás, o único evangelista que relata esse fato – nos diz: “Enquanto as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos chefes dos sacerdotes tudo o que havia acontecido. Os chefes dos sacerdotes se reuniram com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados dizendo-lhes: Digam que os discípulos dele foram durante a noite, e roubaram o corpo enquanto vocês dormiam. E se o governador ficar sabendo nós o convenceremos. Assim tal boato se espalhou entre os judeus, até o dia de hoje” (Mt 28,11-15).

Não é de hoje que a inconsistência humana, a duplicidade de atitudes, o sistema da mentira, a corrupção vergonhosa está instalada no coração humano. É sempre a elite, principalmente a elite política, que inventa esquemas, tramando em beneficio próprio. Tenho certeza de que tudo isso também faz parte do plano de salvação. Jesus morreu e ressuscitou por amor a todos, e foi por amor que deu a vida para instalar definitivamente o seu Reino em nós e nas estruturas de poder. Reino que está a serviço da justiça. Reino que privilegia a solidariedade, que se fundamenta na esperança autêntica. Reino cuja força é o amor e paz.

Que Jesus ressuscitado traga para todos nós um novo alento nesta caminhada para a pátria definitiva! Quero aqui fazer o convite para que você, que acredita na Ressurreição e luta contra todo tipo de suborno, ajude a construir um mundo cada vez mais justo e fraterno.  Páscoa não é só hoje, é todo dia, ela depende de você! Feliz Páscoa!

Em mensagem de Páscoa, Bento XVI pede paz no Oriente Médio

papamissapscoa

Na manhã deste domingo, na Praça São Pedro, o Santo Padre presidiu a Santa Missa de Páscoa, diante de 100 mil fiéis que, com ele, foram celebrar a alegria da ressurreição do Senhor. Em sua homilia, ressaltou que, neste Domingo de Páscoa, “também nós, depois de termos atravessado o deserto da Quaresma e os dias dolorosos da Paixão, damos largas ao brado de vitória: «Ressuscitou! Ressuscitou verdadeiramente!»”
“Todo o cristão – disse o Papa – revive a experiência de Maria de Madalena. É um encontro que muda a vida, o encontro como um Homem único, que nos faz sentir toda a bondade e a verdade de Deus, que nos liberta do mal, não de modo superficial e passageiro, mas liberta-nos radicalmente, cura-nos completamente e restitui-nos a nossa dignidade. Eis o motivo por que Madalena chama Jesus «minha esperança»: porque foi Ele que a fez renascer, que lhe deu um futuro novo, uma vida boa, liberta do mal. «Cristo minha esperança» significa que todo o meu desejo de bem encontra n’Ele uma possibilidade de realização: com Ele, posso esperar que a minha vida se torne boa e seja plena, eterna, porque é o próprio Deus que Se aproximou até ao ponto de entrar na nossa humanidade.”

Bento XVI continuou dizendo que, contudo, “Maria de Magdala, tal como os outros discípulos, teve de ver Jesus rejeitado pelos chefes do povo, preso, flagelado, condenado à morte e crucificado”. “Deve ter sido insuportável – ponderou o Papa – ver a Bondade em pessoa sujeita à maldade humana, a Verdade escarnecida pela mentira, a Misericórdia injuriada pela vingança”.

“Com a morte de Jesus, parecia falir a esperança de quantos confiavam n’Ele. Mas esta fé nunca desfalece de todo: sobretudo no coração da Virgem Maria, a mãe de Jesus, a pequena chama continuou acesa e viva mesmo na escuridão da noite. A esperança, neste mundo, não pode deixar de contar com a dureza do mal. Não é apenas o muro da morte a criar-lhe dificuldade, mas também e mais ainda as aguilhoadas da inveja e do orgulho, da mentira e da violência. Jesus passou através desta trama mortal, para nos abrir a passagem para o Reino da vida. Houve um momento em que Jesus aparecia derrotado: as trevas invadiram a terra, o silêncio de Deus era total, a esperança parecia reduzida a uma palavra vã.”

“Mas eis que, ao alvorecer do dia depois do sábado, encontram vazio o sepulcro – retomou o Pontífice. Depois Jesus manifesta-Se a Madalena, às outras mulheres, aos discípulos. A fé renasce mais viva e mais forte do que nunca, e já invencível porque fundada sobre uma experiência decisiva”

E então o Santo Padre anunciou: “Amados irmãos e irmãs! Se Jesus ressuscitou, então – e só então – aconteceu algo de verdadeiramente novo, que muda a condição do homem e do mundo. Então Ele, Jesus, é alguém a quem nos podemos absolutamente confiar, confiando não apenas na sua mensagem, mas n’Ele mesmo, porque o Ressuscitado não pertence ao passado, mas está presente e vivo hoje.”

Por fim, o Santo Padre fez um apelo para que “Cristo Ressuscitado dê esperança ao Médio Oriente, para que todas as componentes étnicas, culturais e religiosas daquela Região colaborem para o bem comum e o respeito dos direitos humanos”. Pediu ainda que, “cesse, na Síria, o derramamento de sangue e adote-se, sem demora, o caminho do respeito, do diálogo e da reconciliação, como é vivo desejo também da comunidade internacional”. Dirigiu seu pensamento também “aos numerosos refugiados, originários de lá e necessitados de assistência humanitária”, para que “possam encontrar o acolhimento e a solidariedade que mitiguem as suas penosas tribulações”.

O Papa ainda intercedeu pelo povo iraquiano, pedindo “que a vitória pascal encoraje o povo iraquiano a não poupar esforços para avançar no caminho da estabilidade e do progresso”. Lembrou-se da Terra Santa, para que “israelitas e palestinos retomem, com coragem, o processo de paz”. Pediu ainda ao Senhor que “sustente as comunidades cristãs do Continente Africano, conceda-lhes esperança para enfrentarem as dificuldades e torne-as obreiras de paz e artífices do progresso das sociedades a que pertencem”, nomeando países como os da região dos Grandes Lagos, o Sudão, o Sudão do Sul, Mali, Nigéria.

Após a Comunhão, o Papa concedeu a todos sua Benção Apostólica, ao que se seguiu o canto do Regina Coeli. E ao término da Santa Missa de Páscoa, o Papa concedeu a todos a Bênção Urbi et Orbi (à cidade e ao mundo), e saudou todos os presentes em diversas línguas, desejando uma Feliz Páscoa. Por fim, concedeu indulgência plenária a todos os presentes e aos que seguiram a Santa Missa por rádio, internet ou televisão (sempre levando em consideração que a indulgência plenária é concedida aos que se confessaram neste período e rezaram pelas intenções do Santo Padre).

Venceu a vida!

Dom Aldo Pagotto

Arcebispo Metropolitano da Paraíba – PB

Jesus ressuscita na madrugada do sábado para o domingo – o primeiro dia da semana. Domingo deriva de “dominus” tendo como referência o Senhor da vida, Jesus. Sábado refere-se ao “shabat”, dia sagrado para os hebreus, destinado ao repouso do trabalho servil, bem como ao culto de louvor e gratidão a Deus, Senhor da vida.

O evento da ressurreição de Cristo ocorre do sábado para o domingo. Eis porque no domingo os cristãos celebram a ceia memorial do Senhor, a Eucaristia, celebração da páscoa, síntese do núcleo fundamental da fé e da vida cristã. O memorial da Eucaristia celebra e atualiza o evento da morte e ressurreição do Senhor.

Em que sentido a celebração da ceia do Senhor atualiza o sacrifício de Cristo, sua crucifixão, morte e ressurreição? Entendemos a celebração da Eucaristia numa perspectiva da fé e amor do próprio Cristo. O mistério celebrado é o seu próprio amor que se torna presença. Cristo continua a se doar à humanidade sob a forma misteriosa do seu amor insondável.

O Evangelho relata a vida de Jesus revelando os desígnios do Pai que o incumbe da missão de doar a sua vida e regenerar a humanidade. A vida terrena de Jesus caminharia para sua oblação total, na entrega livre e consciente à morte de cruz. Nos misteriosos desígnios do Pai, o seu Filho deveria superar a ruptura e separação dos filhos e filhas entre si.

Doar sua própria vida ao Pai da humanidade é um gesto permanente resgatando e reunindo os filhos e filhas que se dispersaram pelo pecado de divisão. Quem não ama permanece na morte. Quem ama gera vida. A morte de Jesus na cruz gera vida nova, como o grão de trigo que morre para frutificar abundantemente.

A morte misteriosa de Cristo na cruz gera vida nova no Espírito. Ressurreição! Eis o memorial da páscoa, celebração da passagem da morte à vida. “Eu sou a ressurreição e a Vida. Aquele que crê em mim, mesmo que morra, viverá, e todo aquele que vive e crê em mim não morrerá jamais” (Jo 11, 25-26). A missão de Jesus continua a doar vida através das atividades dos discípulos que se dispõem à construção do reino.

A continuidade dinâmica da vida de Jesus se consubstancia nas práticas efetivas de transformação das pessoas. Precisamos dessa força sobrenatural que somente Jesus possui e nos doa. Abrindo-nos à vida nova que Jesus traz em abundância, superamos as contradições e os males que enfrentamos na vida e nos relacionamentos pessoais, familiares, sociais.