Papa Leão XIV recebe alta após cirurgia no pulmão

O Papa Leão XIV recebeu alta do Hospital Universitário Agostino Gemelli, em Roma, no sábado, 17 de outubro, cerca de uma semana depois de ser submetido a uma cirurgia para remoção de um nódulo pulmonar. No domingo seguinte, 18 de outubro, ele já estava de volta ao Palácio Apostólico para rezar o Angelus, retomando gradualmente sua agenda pública. O episódio, confirmado em comunicados oficiais da Sala de Imprensa da Santa Sé, levou à suspensão temporária de audiências e à reorganização de compromissos no Vaticano.

Internação e cirurgia

Segundo o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Matteo Bruni, o nódulo foi identificado em exames médicos de rotina. O Papa anunciou a necessidade da cirurgia durante o Angelus de 11 de outubro e deu entrada no Gemelli na manhã de terça-feira, 13 de outubro, para a intervenção, conduzida pela equipe de cirurgia torácica do hospital, chefiada pelo professor Stefano Margaritora. A Santa Sé não divulgou publicamente a natureza do nódulo (benigna ou maligna), e os comunicados oficiais trataram apenas da remoção cirúrgica e da recuperação pós-operatória.

Em razão da internação, a Prefeitura da Casa Pontifícia cancelou as audiências do Papa até 20 de outubro. A missa de 14 de outubro na Praça de São Pedro foi presidida pelo cardeal Luis Antonio Tagle, e o Papa não participou da sessão sobre os dez anos da exortação apostólica Amoris Laetitia; a divulgação do relatório de síntese do encontro também foi adiada, porque Leão XIV manifestou o desejo de ouvir pessoalmente as conclusões antes de se pronunciar.

O que informou o Vaticano

Em nota assinada pelos médicos Luigi Carbone e Stefano Margaritora, divulgada dois dias após a cirurgia, a Santa Sé informou que exames de sangue e uma radiografia de tórax confirmavam que “a recuperação pós-operatória está evoluindo dentro do esperado”. A cirurgia foi descrita como bem-sucedida, sem complicações, e a primeira noite de internação transcorreu tranquila. Durante a recuperação, o Papa fez fisioterapia respiratória, retomou a alimentação normal e voltou a caminhar pelo quarto. Na quarta-feira, concelebrou uma missa em uma sala preparada no décimo andar do hospital — andar que mantém, desde o atentado contra João Paulo II em 1981, um apartamento reservado ao uso papal.

No sábado, antes de deixar o hospital, Leão XIV celebrou outra missa na mesma sala e agradeceu pessoalmente ao professor Margaritora e à equipe médica e de enfermagem, além de saudar a reitora da Universidade Católica do Sagrado Coração, Elena Beccalli, e a direção do Gemelli, segundo a Sala de Imprensa da Santa Sé.

Contexto: um hospital com história papal

O Gemelli já foi palco de momentos marcantes de pontificados recentes: João Paulo II foi internado ali dez vezes, e Francisco passou por tratamentos no mesmo hospital, sobretudo nos últimos anos de vida. Bento XVI, por sua vez, nunca chegou a ser hospitalizado. A prática vaticana prevê que, durante internações, o Papa continue a despachar decisões e assinar documentos — diferente de uma eventual “sé vacante”, situação em que a Igreja só entraria caso houvesse morte ou renúncia.

De volta ao Angelus

No domingo de retorno, 18 de outubro, Leão XIV comentou o Evangelho de Mateus sobre o tributo a César, lembrando a frase “Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus” (Mt 22,21). A data coincidiu com a celebração dos cem anos da Jornada Mundial das Missões, e o Papa recordou o mandato de “ide pelo mundo inteiro e proclamai o Evangelho a toda a criatura” (Mc 16,15). Ele agradeceu as orações recebidas durante a internação, reconheceu o trabalho de médicos, enfermeiros e funcionários do Policlínico Gemelli e afirmou que retomará gradualmente suas atividades, “com a ajuda de Deus e das orações dos fiéis”.

A passagem pelo hospital, breve e sem intercorrências segundo os próprios comunicados vaticanos, mostra como a saúde de um pontífice segue sendo acompanhada de perto — não apenas como questão pessoal, mas como algo que toca diretamente o funcionamento da Igreja e a vida de milhões de fiéis que, como fez o próprio Papa, uniram-se em oração por sua recuperação.

Fontes e referências

Deixe um comentário