PERGUNTA: O que faz o Espírito Santo na minha vida?

O Espírtio Santo abre-nos a Deus, ensina-me a rezar e ajuda-me a estar disponível para os outros. [738–741] «O silencioso hóspede da nossa alma» – assim chama Santo Agostinho ao Espírito Santo. Quem o quer sentir tem de fazer silêncio. Muito frequentemente, este hóspede fala baixinho em nós e connosco, porventura pela voz da nossa consciência ou através de impulsos interiores ou exteriores. Ser “templo do Espírito Santo” significa estar de corpo e alma disponível para este hóspede, para Deus em nós. Portanto, o nosso corpo é, em certa medida, a sala de estar de Deus. Quanto mais nos abrimos, dentro de nós, ao Espírito Santo, tanto mais Ele Se torna o mestre da nossa vida, tanto mais Ele nos concede os Seus Carismas, também hoje, para edificação da Igreja. Desta forma, crescem em nós, ao invés das Obras da carne, os Frutos do Espírito.

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Mês de maio, mês de Maria, Mãe de Deus e nossa!!!!

Mês de maio é o mês de Nossa Senhora. Para festejar esta data tão querida e Mãe de Deus, O ANUNCIADOR, vai trazer para você durante cada dia do mês um título de Nossa Senhora. Afinal todas as “Nossas Senhoras” são as mesma mãe de Deus, Maria.

Para começar vamos estudar hoje o dogma de Maria, mãe de Deus. De onde surgiu essa veneração? Por que a igreja acredita que Maria é mãe de Deus? Confira:

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A contemplação do mistério do nascimento do Salvador tem levado o povo cristão não só a dirigir-se à Virgem Santa como à Mãe de Jesus, mas também a reconhecê-la como Mãe de Deus. Essa verdade foi aprofundada e compreendida como pertencente ao patrimônio da fé da Igreja, já desde os primeiros séculos da era cristã, até ser solenemente proclamada pelo Concílio de Éfeso no ano 431.

Na primeira comunidade cristã, enquanto cresce entre os discípulos a consciência de que Jesus é o filho de Deus, resulta bem mais claro que Maria é a Theotokos, a Mãe de Deus. Trata-se de um título que não aparece explicitamente nos textos evangélicos, embora eles recordem “a Mãe de Jesus” e afirmem que ele é Deus (Jô. 20,28; cf. 05,18; 10,30.33). Em todo o caso, Maria é apresentada como Mãe do Emanuel, que significa Deus conosco (cf. mt. 01,22-23).

Já no século III, como se deduz de um antigo testemunho escrito, os cristãos do Egito dirigiam-se a Maria com esta oração: “Sob a vossa proteção procuramos refúgio, santa Mãe de Deus: não desprezeis as súplicas de nós, que estamos na prova, e livrai-nos de todo perigo, ó Virgem gloriosa e bendita” (Da Liturgia das Horas). Neste antigo testemunho a expressão Theotokos, “Mãe de Deus”, aparece pela primeira vez de forma explícita.

Na mitologia pagã, acontecia com freqüência que alguma deusa fosse apresentada como Mãe de um deus. Zeus, por exemplo, deus supremo, tinha por Mãe a deusa Reia. Esse contexto facilitou talvez, entre os cristãos, o uso do título “Theotokos”, “Mãe de Deus”, para a Mãe de Jesus. Contudo, é preciso notar que este título não existia, mas foi criado pelos cristãos, para exprimir uma fé que não tinha nada a ver com a mitologia pagã, a fé na concepção virginal, no seio de Maria, d’Aquele que desde sempre era o Verbo Eterno de Deus.

No século IV, o termo Theotokos é já de uso freqüente no Oriente e no Ocidente. A piedade e a teologia fazem referência, de modo cada vez mais freqüente, a esse termo, já entrado no patrimônio de fé da Igreja.

Compreende-se, por isso, o grande movimento de protesto, que se manifestou no século V, quando Nestório pôs em dúvida a legitimidade do título “Mãe de Deus”. Ele de fato, propenso a considerar Maria somente como Mãe do homem Jesus, afirmava que só era doutrinalmente correta a expressão “Mãe de Cristo”. Nestório era induzido a este erro pela sua dificuldade de admitir a unidade da pessoa de Cristo, e pela interpretação errônea da distinção entre as duas naturezas – divina e humana – presentes n’Ele.

O Concílio de Éfeso, no ano 431, condenou as suas teses e, afirmando a subsistência da natureza divina e da natureza humana na única pessoa do Filho, proclamou Maria Mãe de Deus.

As dificuldades e as objeções apresentadas por Nestório oferecem-nos agora a ocasião para algumas reflexões úteis, a fim de compreendermos e interpretarmos de modo correto esse título.

A expressão Theotokos, que literalmente significa “aquela que gerou Deus”, à primeira vista pode resultar surpreendente; suscita, com efeito, a questão sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus. A resposta da fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só a geração humana do Filho de Deus e não, ao contrário, à sua geração divina. O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e é-Lhe consubstancial. Nesta geração eterna Maria não desempenha, evidentemente, nenhum papel. O Filho de Deus, porém, há dois mil anos, assumiu a nossa natureza humana e foi então concebido e dado à luz Maria.

Proclamando Maria “Mãe de Deus”, a Igreja quer, portanto, afirmar que Ela é a “Mãe do Verbo encarnado, que é Deus”. Por isso, a sua maternidade não se refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda Pessoa, ao Filho que, ao encarnar-se, assumiu dela a natureza humana.

A maternidade é relação entre pessoa e pessoa: uma mãe não é Mãe apenas do corpo ou da criatura física saída do seu seio, mas da pessoa que ela gera. Maria, portanto, tendo gerado segundo a natureza humana a pessoa de Jesus, que é a pessoa divina, é Mãe de Deus.

Ao proclamar Maria “Mãe de Deus”, a Igreja professa com uma única expressão a sua fé acerca do Filho e da Mãe. Esta união emerge já no Concílio de Éfeso; com a definição da maternidade divina de Maria, os Padres queriam evidenciar a sua fé a divindade de Cristo. Não obstante as objeções, antigas e recentes, acerca da oportunidade de atribuir este título a Maria, os cristãos de todos os tempos, interpretando corretamente o significado dessa maternidade, tornaram-no uma expressão privilegiada da sua fé na divindade de Cristo e do seu amor para com a Virgem.

Na Theotokos a Igreja, por um lado reconhece a garantia da realidade da Encarnação, porque – como afirma Santo Agostinho – “se a Mãe fosse fictícia seria fictícia também a carne… fictícia seriam as cicatrizes da ressurreição” (Tract. In Ev. loannis, 8,6-7). E, por outro, ela contempla com admiração e celebra com veneração a imensa grandeza conferida a Maria por Aquele que quis ser seu filho. A expressão “Mãe de Deus” remete ao Verbo de Deus que, na Encarnação, assumiu a humildade da condição humana, para elevar o homem à filiação divina. Mas esse título, à luz da dignidade sublime conferida à Virgem de Nazaré, proclama, também, a nobreza da mulher e sua altíssima vocação. Com efeito, Deus trata Maria como pessoa livre e responsável, e não realiza a Encarnação de seu Filho senão depois de ter obtido o seu consentimento.

Seguindo o exemplo dos antigos cristãos do Egito, os fiéis entregam-se Àquela que, sendo Mãe de Deus, pôde obter do divino Filho as graças da libertação dos perigos e da salvação eterna.

Extraído do livro A virgem Maria 
João Paulo II

Por que a Igreja usa as cinzas?

A Igreja Católica sempre usou as cinzas em sua liturgia. Esse uso é baseado em passagens bíblicas e tem sua origem no Antigo Testamento.

Uma das passagens da qual a Igreja se inspira esta no livro de Ester – Est 4, 1. Lá está escrito que Mardoqueu se vestiu de saco e cobriu – se de cinzas quando soube do decreto do Rei Asuer I, da Pérsia, que condenava todos os judeus a morte.

Outro livro que também fala das cinzas como uso penitencial é o Jó. Na ocasião, Jó, mostra seu arrependimento vestindo-se de saco e se cobrindo de cinzas – Jó 42,6. O livro de Jó foi escrito entre VII e V a.C. O profeta Daniel também fala das cinzas. “Volvi – me para o Senhor Deus a fim de dirigir – lhe uma oração de súplicas, jejuando e me impondo o cilício e as cinza”, Daniel 9, 3. Daniel fala isso profetizando a invasão de Jerusalém pela Babilônia.

No livro de Jonas, a população de Nínive proclamou jejum e todos se vestiram de saco, inclusive o rei, que também se sentou sobre as cinzas – Jn 3, 5-6.

Jesus Cristo em seu evangelho também falou sobre cinzas. No evangelho de Jesus segundo Mateus está escrito assim: “Ai de ti Corozaim! Ai de ti Betsaida! Por que se tivessem sido feitos em Tiro e em Sidônia os milagres que foram feitos em vosso meio, há muito tempo elas se teriam arrependido sob o cilício e as cinzas” – Mt 11, 21.

Para a igreja esse sentido penitencial das cinzas abre a quaresma, que para a fé Católica é período de jejum, oração e penitencia. As cinzas usadas neste dia são resultados da queima dos ramos do Domingo de Ramos do ano anterior.

Quando na celebração/missa as cinzas são impostas com os seguintes dizeres: “Recorda-te que és pó e em pó te converteras” ou “Arrepende-te e crede no Evangelho”.

Ao aceitar a imposição das cinzas o cristão expressa duas realidades fundamentais. A primeira premissa é que somos criaturas mortais. “Você é pó, e ao pó voltará”, diz o livro de Gênesis. A segunda premissa é a conversão ao Evangelho. Depois de reconhecer que somos pó e ao pó voltaremos reconhecermos a boa nova de Cristo como nosso manual de vida.

Mais leituras sobre as cinzas

Vários livros da Bíblia falam sobre as cinzas como sinal de transitoriedade – Nm 19; Hb 9, 13; Gn 18, 27; Jó 30, 19 – e como sinal de luto – 2Sm 13,19; Sl 102,10; Ap 19,19 – e ainda como penitência – Dn 9,3; Mt 11, 21.

Programação de Missas nesta quarta-feira

A Paróquia Sagrada Família, Ipatinga, terá celebrações e missas nesta quarta-feira de cinzas em vários horários. As comunidades da paróquia irão celebrar nos horários de domingo.

A liturgia das cinzas começam as 08h30 e só encerra as 19h30. Veja a programação:

  • 7h celebração na Comunidade São Pedro – Rua Icó, 45, Caravelas;
  • 08h30 celebração na Comunidade Menino Jesus – Rua Serra Central, 25, Jardim Panorama;
  • 10h missa na comunidade Imaculada Conceição – trevo do Caçula com Panorama;
  • 16h celebração na comunidade Santa Luzia – Rua Amazonita, atrás do Colégio Vele do Aço;
  • 18h celebração na comunidade Sagrado Coração de Jesus – Rua Vitória, Jardim Panorama; próximo à unidade de saúde;
  • 18h missa na comunidade São Pedro – rua Icó, 45, Caravelas;
  • 19h30 missa na comunidade Menino Jesus – Rua Serra Central, 25, Jardim Panorama;

por Marquione Ban

Imagem da Internet

‘Salve a Mãe de Deus e nossa, sem pecado concebida!’

Imaculada Conceição de Maria2

A Imagem de Nossa Senhora Aparecida que foi encontrada no Rio Paraíba e que atrai milhões de devotos ao maior Santuário mariano do mundo, representa uma verdade de fé.

Explicando essa verdade de fé, Irmão Gilberto Teixeira da Cunha Júnior nos ajuda a entender que Nossa Senhora foi preservada do pecado original em virtude de sua grande missão: ser a Mãe de Jesus.

Irmão Gilberto Teixeira da Cunha Júnior preparou esta Catequese Mariana por ocasião da Festa da Padroeira 2011, mas no dia em que a Igreja celebra a Solenidade da Imaculada Conceição de Maria, o Portal A12 traz novamente até o internauta o texto ‘A Imaculada Conceição de Maria’.

‘A Imaculada Conceição de Maria’

Ir. Gilberto Teixeira da Cunha Jr.
Sodalício de Vida Cristã

Nós, devotos de Nossa Senhora da Conceição Aparecida em todo o Brasil, a invocamos, temos-lhe tanto amor filial e carinho. Por sua intercessão temos obtido inúmeros milagres. A imagem da Mãe Aparecida que foi encontrada no Rio Paraíba e a qual temos tanta devoção é a da Imaculada Conceição, que representa uma verdade de fé que gostaria de aprofundar agora.

Essa verdade de fé (dogma) foi proclamada no dia 8 de dezembro de 1854 pelo Papa Pio IX na Bula Ineffabilis Deus e diz o seguinte: “A doutrina que sustenta que a beatíssima Virgem Maria, no primeiro instante da sua Conceição, por singular graça e privilégio de Deus onipotente, em vista dos méritos de Jesus Cristo, Salvador do gênero humano, foi preservada imune de toda mancha de pecado original, essa doutrina foi revelada por Deus, e por isto deve ser crida firme e inviolavelmente por todos os fiéis.”

Preservada do pecado original

A primeira coisa que devemos entender é que Nossa Senhora foi preservada do pecado original em virtude de sua grande missão: ser a Mãe de Jesus. Era necessário que Ela fosse toda pura para ser, como nos diz o Beato João Paulo II, “o primeiro «sacrário» da história para o Filho de Deus” (Ecclesia de Eucharistia, 55).

Todos nós nascemos com a mancha do pecado original e no nosso Batismo somos redimidos, purificados. Essa redenção se deve a Cristo, que com sua morte e ressurreição reconciliou toda a humanidade. Diante dessa verdade (a redenção universal de Cristo), alguns teólogos, dentre eles destaca-se Santo Tomás de Aquino, colocaram a seguinte dúvida quanto à Imaculada Conceição de Maria: Se a salvação de Cristo é universal, então como Maria poderia ter sido salva, se Ela nasceu sem pecado original? Ela não precisava da redenção de Cristo?

O Beato Duns Escoto ofereceu uma resposta satisfatória e permitiu seguir aprofundando no dogma: Ao ser preservada do pecado original, Maria é redimida por Cristo de modo ainda mais admirável. Introduz na teologia o conceito de redenção preservadora.

Resolvida a dúvida, podemos seguir entendendo o que significa o dogma da Imaculada Conceição. Maria é toda pura, não possui aquela inclinação ao pecado que todos nós temos, chamada concupiscência. Essa singular graça e privilégio de Deus e a ativa cooperação de Maria, a possibilitou permanecer livre em toda a sua vida de todo o pecado, inclusive venial. Portanto, a santidade de Nossa Senhora é plena. Essa verdade já estava presente implicitamente nos Padres da Igreja (Santo Agostinho, Santo Tomás de Aquino, dentre outros) e foi afirmada no Concílio de Trento.

Durante a história essa verdade de fé foi bem aceita pelos fiéis, que em sua sabedoria popular encontraram o seguinte motivo para justificar essa graça na vida de Maria: Cristo não poderia permitir que sua Mãe estivesse manchada em nenhum momento de sua vida.

Fundamentos bíblicos da doutrina da Imaculada Conceição

Na Sagrada Escritura existem duas passagens que ajudaram na reflexão da Igreja sobre a fé de que Maria tinha que ter nascido imaculada.

A primeira passagem está nos inícios da história da salvação e diz assim: “Porei hostilidade entre ti e a mulher, entre tua linhagem e a linhagem dela. Ela te esmagará a cabeça e tu lhe ferirás o calcanhar” (Gn 3,15). Essa passagem é chamada na tradição da Igreja de Proto-Evangelho (o primeiro anúncio da Boa Nova). Vale a pena destacar nessa passagem o grande amor que Deus nos tem: no mesmo instante em que é cometido o pecado original, Ele já nos dá esperança de salvação. Da linhagem da mulher nasceria aquele que combateria a linhagem da serpente: Cristo. Nesse versículo cheio de esperança, percebemos que Deus promete colocar uma inimizade entre Maria e a serpente e também entre a sua linhagem (Cristo) e a da serpente. Cristo e Maria tiveram as mesmas inimizades contra o diabo. Podemos concluir então que se a inimizade de ambos é total, é possível afirmar que Maria já nasceu sem qualquer amizade com o demônio, sem qualquer mancha de pecado e permaneceu assim durante toda a sua vida.

A outra passagem encontramos no Novo Testamento. Narra o momento da Anunciação do anjo Gabriel (nome que significa mensageiro de Deus) a Maria, onde sua saudação nos dá luzes para entender melhor a verdade de fé que estamos aprofundando: “Alegra-te, cheia de graça, o Senhor está contigo” (Lc 1,28).

Maria é denominada pelo anjo como a “cheia de graça”, aquela que possui a plenitude da graça necessária para a sua grande missão: ser a Mãe de Jesus. Essa santidade de vida foi entendida pela Igreja ao refletir sobre a passagem, deveria estar presente desde o primeiro instante de sua vida, ou seja, desde a sua concepção.

Sermos puros como Maria

Toda essa reflexão sobre a vida de Nossa Senhora deve nos levar à resolução de sermos puros e santos como Ela, reconhecendo que somos fracos e que precisamos da graça de Deus para alcançar essa meta. Devemos pedir a Deus como o salmista: “Criai em mim um coração que seja puro” (Sl 50,12). É necessário tomar a firme decisão de como Ela, cooperando com a graça de Deus, eliminar o pecado de nossas vidas. Temos a Ela como modelo e intercessora de todas as graças que precisamos para isso. Basta querermos e deixarmos que a Mãe nos guie.

Pedindo a sua intercessão e agradecendo por sua resposta generosa a esse grande dom que Deus a concedeu, gostaria de terminar saudando à nossa querida Mãe Aparecida:

Salve a Mãe de Deus e nossa,
sem pecado concebida!
Viva a Virgem Imaculada,
Ó Senhora Aparecida!

Foto: Lib-art/ Obra de Juan Antonio Frias

Fonte A12

Dogmas marianos: conheça as verdades de fé sobre Maria

A Igreja possui uma série de verdades de fé, conhecidas como dogmas, em que os católicos devem crer. No total, são 44 dogmas subdivididos em 8 categorias diferentes – sobre Deus; sobre Jesus Cristo; sobre a criação do mundo; sobre o ser humano; sobre o Papa e a Igreja; sobre os sacramentos; sobre as últimas coisas; sobre Maria.

Segundo o doutorando em Mariologia pela Universidade Católica de Dayton (EUA) e membro do Instituto Secular dos Padres de Schoenstatt, Alexandre Awi de Mello, os dogmas na Igreja são verdades salvíficas. “Muitas vezes utiliza-se a palavra dogma como se fosse algo pesado, difícil, mas, na realidade, é uma grande bênção, um presente. São verdades da fé em que cremos e que a Igreja sente necessidade de esclarecer. São verdades que trazem salvação e mensagem de esperança”, salienta.

Os dogmas marianos são alguns dos que levantam as discussões mais acaloradas.  Eles são quatro:

 – Maria, Mãe de Deus

Maria é verdadeiramente Mãe do Deus encarnado, Jesus Cristo. Já nos primeiros três séculos, os Padres da Igreja utilizaram as definições Mater Dei (em latim) ou Theotókos (em grego), que significam Mãe de Deus, tais como Inácio (107), Orígenes (254), Atanásio (330) e João Crisóstomo (400). Essa doutrina foi definida dogmaticamente pelo Terceiro Concílio Ecumênico, realizado em Éfeso, em 431.

“Jesus é plenamente homem e plenamente Deus. Maria foi Mãe deste Deus feito homem, que é Jesus; assim, Maria é Mãe de Deus. É uma realidade que dá fundamento a todas as outras. É uma verdade, em primeiro lugar, sobre Cristo, pois é preciso afirmar que Jesus é verdadeiramente Deus para que possamos falar que Maria é Mãe de Deus”, explica padre Alexandre.

 – Perpétua Virgindade de Maria

Ensina que Maria é virgem antes, durante e depois do parto. É o dogma mariano mais antigo das Igrejas Católica e Oriental Ortodoxa, afirmando a “real e perpétua virgindade mesmo no ato de dar à luz o Filho de Deus feito homem” (Catecismo da Igreja Católica, 499). Essa doutrina foi definida dogmaticamente pelo Concílio de Trento, em 1555, embora já fosse um dogma no cristianismo primitivo, como indicam escritos de São Justino Mártir e Orígenes.

“É uma crença que já está na sagrada Escritura e defende que Maria concebeu Jesus virginalmente, deu à luz virginalmente e assim permaneceu até o final da vida”, ressalta padre Alexandre.

 – Imaculada Conceição de Maria

Defende que a concepção de Maria foi realizada sem qualquer mancha de pecado original, no ventre da sua mãe. Dessa forma, ela foi preservada por Deus do pecado desde o primeiro momento da sua existência, como apontam as palavras do Anjo Gabriel – “sempre cheia de graça divina” – kecaritwmenh, em grego. Essa doutrina foi definida dogmaticamente pelo Papa Pio IX na Constituição Ineffabilis Deus, em 8 de dezembro de 1854.

A festa da Imaculada Conceição de Maria é celebrada em 8 de Dezembro, definida inicialmente em 1476 pelo Papa Sixto IV. Também neste caso, muitos escritos dos Padres da Igreja já defendiam a Imaculada Conceição de Maria, pois era adequado que a Mãe do Cristo estivesse completamente livre do pecado para gerar o Filho de Deus.

 – Assunção de Maria

Indica que a Virgem Maria, ao fim de sua vida terrena, foi elevada em corpo e alma à glória dos céus. Essa doutrina foi definida dogmaticamente pelo Papa Pio XII na Constituição Munificentissimus Deus, em 1º de novembro de 1950.

“Depois de elevar a Deus muitas e reiteradas preces e de invocar a luz do Espírito da Verdade, para glória de Deus onipotente, que outorgou à Virgem Maria sua peculiar benevolência; para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e vencedor do pecado e da morte; para aumentar a glória da mesma augusta Mãe e para gozo e alegria de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que a Imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria, terminado o curso da sua vida terrena, foi assunta em corpo e alma à glória do céu”, indica o Papa.

“É uma verdade em que a Igreja acredita desde os séculos 5 e 6, quando já havia uma celebração da então chamada Dormição de Maria”, complementa padre Alexandre.

noticias.cancaonova.com – Padre, o senhor afirmou que os dogmas são uma bênção para o católico viver a sua fé. Mas há quem questione que os dogmas são apenas uma construção da Igreja ao longo da história. Frente a isso, quais são os principais fundamentos (bíblia, tradição, magistério), ao que a Igreja se reporta para proclamar um dogma?

Padre Alexandre Awi de Mello – Em primeiro lugar, o fundamento de toda a verdade é a própria Sagrada Escritura, que contém as verdades fundamentais da fé e de onde se podem deduzir os dogmas e verdades que a Igreja foi acreditando ao longo dos séculos. Quem acredita são os fiéis e o que o Magistério faz é declarar o que já está na fé do povo. São verdades que são vivas, em primeiro lugar, na fé e na crença do povo cristão. Não é uma invenção da Igreja, mas a explicitação daquilo em que o povo já crê. Os primeiros fundamentos estão na Sagrada Escritura, pois cremos que Deus prometeu o Seu Espírito para guiar a Igreja, que vai confirmando as verdades de fé à medida que aprofunda o seu conteúdo.

Logo no início da Igreja, toda a atenção estava voltada para Cristo, mas, desde muito cedo, também se pergunta sobre de onde veio esse cristo, o que faz parte do próprio pensamento semita de perguntar sobre a identidade de alguém indo a sua origem. Assim, despertou-se o interesse para se saber de onde Ele veio, onde nasceu, e quem é aquela de onde veio o Cristo. No Evangelho de Lucas há muitos elementos – inclusive ele mesmo poderia ter perguntado isso à Mãe de Deus. E isso foi sendo transmitido ao longo da tradição da Igreja, ou seja, as verdades que foram sendo descobertas a respeito de Maria.

A própria Sagrada Escritura tem muitos desses fundamentos: basta citar as Bodas de Caná (Jo 2), que indica o poder intercessor de Maria, a possibilidade que o próprio Jesus lhe dá de interceder pelo bem dos fiéis. No final do texto aparece a menção de que, logo após o milagre das Bodas de Caná, os discípulos creram nele. Esse é o único interesse da intercessão de Maria: Que os discípulos creiam n’Ele, no Seu filho, para fazer a vontade de Jesus. Então, se as pessoas, de alguma maneira, desprezam essa possibilidade que Deus está dando, quem tem a perder são elas próprias.

Dentro do plano de Deus, essa verdade é para a nossa salvação e está assegurada pela tradição e pelos 2000 anos de história da Igreja, que experimenta essa intercessão, esse exemplo e presença de Maria conduzindo a Jesus. Não acolher este dom, que o próprio Jesus deu aos pés da Cruz (Jo 19, 25-27), é justamente perder uma verdade salvífica, um dom de salvação que o próprio Deus nos oferece.

noticias.cancaonova.com  O senhor faz parte do Movimento Apostólico de Schoenstatt, que prima muito pela devoção mariana. Por que podemos afirmar que essa devoção não faz o cristão se aproximar menos de Jesus, mas, ao contrário, auxilia no caminho de encontro com Cristo?

Padre Alexandre – Em primeiro lugar, pela própria experiência. Aqueles que conhecem pessoas que são verdadeiramente marianas, que têm um forte amor a Nossa Senhora, experimentam que o amor a Ela conduz mais fortemente ao coração de Jesus. Maria é aquela que ajuda a formar Cristo em nós, intercede junto a Deus e ao Espírito Santo para que se possa gerar, em nossa vida, a imagem de Jesus, nos fazer pequenos Jesus, como diz o fundador do nosso Movimento, o padre Joseph Kentenich.

Acreditamos que, quanto mais nos assemelhamos a Maria, mais temos condição de viver em união com Cristo. Essa é nossa experiência, como salienta São Luís Maria de Montfort, que afirma que Maria é o caminho mais próximo, direto e imediato para encontrar-se com Jesus.

Na prática, quando as pessoas chegam à intimidade com Maria, não se dirigem a Ela por Ela mesma, mas para que possam chegar a Jesus. Pelo amor a Maria, pela vinculação a Ela, chegam a uma vinculação mais profunda e perfeita com Jesus. Porque imitar as atitudes e virtudes de Maria é fazer o que todo o cristão deve fazer, já que Ela foi pessoa mais próxima de Jesus, que mais aprendeu d’Ele.

Por outro lado, Jesus não quer um cristianismo cristomonista, exclusivo só para Ele. Na sua forma de atuar, Jesus sempre integra o número maior possível de pessoas, de mediadores, para chegar até Ele, que é Mediador com maiúscula por excelência. Por isso existem os sacramentos, os padres, a própria Igreja, Maria, os santos, e tantos outros mediadores com minúscula que conduzem ao Mediador com maiúscula, que é Jesus.

Essa é a forma de atuar de Deus, que quis agir na Sua Igreja e quer continuar atuando até hoje. Por isso, a vinculação a Maria leva a uma vinculação mais profunda com o próprio Cristo e com o Deus Trino.

Fonte Canção Nova

Igreja pode anular um casamento?

Diante a procura de informações sobre a nulidade de matrimônio aqui no blog O Anunciador, consultamos o Padre Aloísio Vieira, pároco da Paróquia Sagrada Família de Ipatinga – MG sobre essas dúvidas.

Confira a entrevista:

AO – A Igreja pode anular um casamento?

Padre:  Em primeiro lugar, a Igreja não anula casamento. Isto é impossível. Uma vez casados, estão casados até que a morte os separe. O que a Igreja pode fazer é declarar o casamento nulo. O que é isso? Qual a diferença? A diferença é que anular é desfazer o que foi feito, o que está valendo, desmanchar o que está pronto (e isso a Igreja não faz). E nular é reconhecer que não foi feito (o que pensávamos que estava feito, na realidade não está).

Imaginemos uma cena: você tem uma dívida de R$100,00 com um tio que mora na roça. Você, então, coloca R$100,00 nas mãos de sua prima, filha dele, e pede que entregue o dinheiro. Sua prima volta para casa na roça. Você está confiante que sua prima entregou o dinheiro ao seu tio, Alguns meses depois, você vai visitá-lo, nas férias, e ele pergunta a você: você vai ou não vai pagar o que me deve? Você diz: Mas, eu já paguei!! Enviei o dinheiro, já faz quatro meses, com a prima!! Então a prima é chamada e se explica: É que eu perdi o dinheiro no ônibus e fiquei com medo de falar pro pai, pois ele é bravo e ia me bater. Eu estava esperando juntar o dinheiro para entregar pro pai. Como podemos ver, você, acreditou que a dívida estava paga, mas não estava. Assim é no casamento. Os noivos estavam lá, os padrinhos estavam lá, os convidados estavam lá, o padre estava lá, houve a celebração. Todos acreditaram que o casamento foi celebrado, mas será que Deus abençoou? Aí está o ponto central. Se Deus abençoou, não ha nada que se possa fazer, não podemos anular; mas, se Deus não abençoou, o casamento é nulo. Nós não podemos retirar a bênção de Deus, desfazer o que Deus fez. Se Ele abençoou, está abençoado e só a morte pode separar. Mas, se Deus não abençoou, não há o que retirar, desfazer. É só declarar nulo.

AO – Quem pode declarar nulo o casamento?

Padre: Em segundo lugar, somente o tribunal eclesiástico pode declarar um casamento nulo. É necessário que um dos dois (marido ou esposa) procure um padre e conte a história. Se o padre descobrir indícios de que o casamento pode ser nulo, vai enviar a pessoa para o Juiz Eclesiástico. O Juiz vai ouvir e decidir se entra com o processo no Tribunal Eclesiástico ou não. Caso o Juiz entre com o processo no Tribunal, é necessário providenciar os documentos necessários e as testemunhas. O tempo necessário para que o processo tramita e seja julgado, geralmente, é de um ano.

Dogmas da Igreja: imagens de santos; por que batizar crianças; por que confessar os pecados

1-    Os católicos adoram imagens?

R: Cristo assumiu um verdadeiro corpo humano, por meio do qual Deus invisível se tornou visível. O que Deus no Antigo Testamento proíbe, é fazer imagens para serem adoradas como deuses, em substituição ao Deus único (cf. Ex 20,4). Mas não proíbe fazer outras imagens (cf. Ex 25, 18-20).

2-    Por que a Igreja batiza as crianças?

R: A Bíblia não se refere explicitamente ao batismo de crianças, mas narra que vários personagens pagãos professaram a fé cristã e se fizeram batizar “com toda a sua casa”: Cornélio, o centurião romano (At 10,1s.24.44.47s), o carcereiro de Filipos (At 16,31-33). A expressão “casa” designava o chefe de família com toda a sua família, inclusive as crianças, que certamente, não faltavam, naqueles tempos.

3-    Se a Bíblia diz: “Quem pode perdoar os pecados senão só Deus?” (Mc 2,7), por que confessar-se com o padre?

R: Jesus confiou o ministério da remissão dos pecados aos seus discípulos. Antes da paixão, prometeu a Pedro (cf. Mt 16,19) e aos outros apóstolos (cf. Mt 18,18) o poder de ligar e desligar na terra e no céu. Depois da ressurreição, confiou aos onze a faculdade de perdoar ou reter os pecados (cf. Jo 20, 21-23). Com o poder das chaves, entregou aos seus ministros a incumbência de ouvir a confissão sacramental dos pecadores, habilitando-os, ao mesmo tempo, a absolver ou repreender em seu nome.

Esclarecimentos sobre alguns dogmas da Igreja

 O que é canonização dos santos?

R: Canonização é o reconhecimento definitivo pelo qual a Igreja declara que alguém participa da glória celeste, prescrevendo que lhe seja prestada veneração pública. Uma pessoa não é santa porque a Igreja a canoniza, mas a Igreja canoniza porque é santa. Todos nós somos chamados a corresponder plenamente ao chamado de Deus e de sermos santos, como ele é Santo (cf. Mt 5,48).

 O que é o culto (veneração) dos santos?

R: Os santos são membros do Corpo Místico de Cristo, nos quais a Redenção alcançou a plenitude dos seus frutos. Os santos gozam da visão de Deus face a face. A intercessão dos justos, sobretudo dos que alcançaram a plenitude, sendo agradável a Deus (cf. Gn 18,22-32). Trata-se de uma comunhão em que, os santos, em virtude de sua caridade, não podem deixar de orar por quem não “está ainda na Pátria, mas a caminho”.

Os Santos intercedem por nós junto de Deus?

R: Todos nós que vivemos na graça de Deus em comunhão com Deus. Somos ramos vivos da videira (cf. Jo 15,5), membros vivos do Corpo de Cristo. Por isso, estamos unidos também entre nós. Um santo canonizados gozando da intimidade com Deus, certamente ele intercederá por nossas intenções (cf. Mt 6,33).

 Como entender a doutrina das indulgências?

R: A doutrina e a prática das indulgências na Igreja estão estreitamente ligadas aos efeitos do Sacramento da Penitência (CIC 1471). “Indulgência é a remissão, diante de Deus, da pena temporal devida aos pecados já perdoados quanto à culpa. Obras de misericórdia, caridade, orações e práticas de penitência podem produzir a graça da indulgência parcial ou total.

 Os católicos adoram imagens?

R: Cristo assumiu um verdadeiro corpo humano, por meio do qual Deus invisível se tornou visível. O que Deus no Antigo Testamento proíbe, é fazer imagens para serem adoradas como deuses, em substituição ao Deus único (cf. Ex 20,4). Mas não proíbe fazer outras imagens (cf. Ex 25, 18-20).

 Por que a Igreja batiza as crianças?

R: A Bíblia não se refere explicitamente ao batismo de crianças, mas narra que vários personagens pagãos professaram a fé cristã e se fizeram batizar “com toda a sua casa”: Cornélio, o centurião romano (At 10,1s.24.44.47s), o carcereiro de Filipos (At 16,31-33). A expressão “casa” designava o chefe de família com toda a sua família, inclusive as crianças, que certamente, não faltavam, naqueles tempos.

 Se a Bíblia diz: “Quem pode perdoar os pecados senão só Deus?” (Mc 2,7), por que confessar-se com o padre?

R: Jesus confiou o ministério da remissão dos pecados aos seus discípulos. Antes da paixão, prometeu a Pedro (cf. Mt 16,19) e aos outros apóstolos (cf. Mt 18,18) o poder de ligar e desligar na terra e no céu. Depois da ressurreição, confiou aos onze a faculdade de perdoar ou reter os pecados (cf. Jo 20, 21-23). Com o poder das chaves, entregou aos seus ministros a incumbência de ouvir a confissão sacramental dos pecadores, habilitando-os, ao mesmo tempo, a absolver ou repreender em seu nome.

Para o católico, o casamento é Sacramento indissolúvel. Como entender isso?

R: Em alguns trechos o Novo Testamento trata da indissolubilidade do matrimônio (cf. Mc 10,11s; Lc 16,18; 1Cor 7,10s; Mt 5,31s; Mt 19,6). Disse Jesus: “O que Deus uniu, o homem não deve separar” (Mt 19,6); então, por sua índole mesma, o matrimônio é indissolúvel. A doutrina da indissolubilidade foi e é sempre reafirmada pelos Concílio e pelas declarações pontifícias.

Jesus Cristo teve irmãos? Sua mãe teve outros filhos?

Em sete textos do Novo Testamento são mencionados os “irmãos” de Jesus (cf. Mc 6,3; Mc 3,31-35; Jo 22,12; Jo 7,2-10; At 1,14; Gl 1,19; 1Cor 9,5). O termo irmão supõe um contexto lingüístico pobre de palavras: a palavra aramaica “irmão” podia indicar não somente os filhos dos mesmos pais, mas também os primos ou parentes mais distantes. Tiago e José, tratam-se de parentes próximos de Jesus (cf. Gn 13,8; 14,16; 29,15).

Por que dizemos que Maria é a Mãe da Igreja?

R: Maria foi escolhida de modo especialíssimo por Deus para cooperar em seu plano de salvação do gênero humano. Foi chamada a ser a Mãe do Redentor e respondeu a este apelo com o seu “sim” (Cf. Lc 1,38). Mas foi na cruz que Maria recebeu a missão de ser mãe dos discípulos de Jesus, mãe da Igreja (cf. Jo 19,26). Por isso ela ficou junto aos discípulos, rezando com eles na espera de Pentecostes (cf. At. 1,14).

Por que chamamos Maria de Nossa Senhora e o que significa ser santo?

Por que chamamos a Mãe de Jesus de Nossa Senhora?

R: Trata-se de um título de devoção popular. A mãe de Jesus, com certeza, merece esse respeito e, por isso, a designamos comumente como Senhora, sem qualquer conotação com o sentido especificamente bíblico do termo Senhor.

O que significa ser Santo?

R: Deus é o único santo (cf. Lv 19,2). Pelo batismo, recebemos a graça de Deus e a Santíssima Trindade vem habitarem nós. Deusé amor. Ser santo é, portanto, viver o amor puro a Deus e aos irmãos. Santos são todos aqueles que viveram o Evangelho e se encontram na casa do Pai.

Jesus teve mais irmãos? E por que Maria é mãe da Igreja?

Jesus Cristo teve irmãos? Sua mãe teve outros filhos?

R: Em sete textos do Novo Testamento são mencionados os “irmãos” de Jesus (cf. Mc 6,3; Mc 3,31-35; Jo 22,12; Jo 7,2-10; At 1,14; Gl 1,19; 1Cor 9,5). O termo irmão supõe um contexto lingüístico pobre de palavras: a palavra aramaica “irmão” podia indicar não somente os filhos dos mesmos pais, mas também os primos ou parentes mais distantes. Tiago e José, tratam-se de parentes próximos de Jesus (cf. Gn 13,8; 14,16; 29,15).

 Por que dizemos que Maria é a Mãe da Igreja?

R: Maria foi escolhida de modo especialíssimo por Deus para cooperar em seu plano de salvação do gênero humano. Foi chamada a ser a Mãe do Redentor e respondeu a este apelo com o seu “sim” (Cf. Lc 1,38). Mas foi na cruz que Maria recebeu a missão de ser mãe dos discípulos de Jesus, mãe da Igreja (cf. Jo 19,26). Por isso ela ficou junto aos discípulos, rezando com eles na espera de Pentecostes (cf. At. 1,14).

Por que os católicos veneram a Virgem Maria?

1-    Por que os católicos veneram a Virgem Maria?

R: Porque Deus a escolheu para ser a Mãe de seu Filho, Jesus. “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48). Adoramos somente a Deus. A Maria dedicamos especial amor, a imitação, o respeito e a confiança que seu próprio Filho, Jesus, lhe dedicou. O próprio Jesus nos confiou a ela: “Mulher, eis o teu filho” (Jo 19,26). “Filho, eis aí tua mãe” (Jo 19,27).

2-    Por que dizemos que Maria é a Mãe de Deus?

R: Os Evangelhos a denominam como “a Mãe de Jesus” (Jo 2,1: 19,25). Desde antes do nascimento de seu Filho, ela é chamada “Mãe do meu Senhor” (Lc 1,44). E o anjo anunciou a Maria que o filho que nasceria dela seria chamado “santo, Filho de Deus” (Lc 1,31-35). Maria não gerou Deus. Mas gerou e deu à luz Jesus, que é realmente o filho de Deus. Por isso ela pode ser chamada “Mãe de Deus”.

Três perguntas sobre a Eucaristia

Está Cristo presente na Eucaristia?

São vários os caminhos pelos quais podemos nos aproximar do Senhor Jesus e assim viver uma existência realmente cristã, quer dizer, segundo a medida do próprio Cristo, de tal maneira que seja Ele mesmo quem vive em nós (ver Gl 2,20). Uma vez ascendido aos céus o Senhor nos deixou seu Espírito.

Por sua promessa é segura sua presença até o fim do mundo (ver Mt 28, 20). Jesus Cristo se faz realmente presente em sua Igreja não somente através da Sagrada Escritura, mas também, e de maneira mais excelsa, na Eucaristia.

O que quer dizer Jesus com “vinde a mim”?

Ele mesmo nos revela o mistério mais adiante: “Eu sou o pão da vida. O que vem a mim, não sentirá fome, o que crê em mim nunca terá sede” (Jo 6,35). Jesus nos convida a alimentar-nos d’Ele. É na Eucaristia onde nos alimentamos do Pão da Vida que é o próprio Senhor Jesus.

Não está Cristo falando de forma simbólica?

Cristo, argumenta-se, poderia estar falando simbolicamente. Ele disse: “Eu sou a videira” e Ele não é uma videira; “Eu sou a porta” e Cristo não é uma porta.

Mas o contexto no qual o Senhor Jesus afirma que Ele é o pão da vida não é simbólico ou alegórico, mas doutrinal. É um diálogo com perguntas e respostas como Jesus costuma fazer ao expor uma doutrina.

Às perguntas e objeções que lhe são feitas pelos judeus no Capítulo 6 de São João, Jesus Cristo responde reafirmando o sentido imediato de suas palavras. Quanto mais rejeição e oposição encontra, mais Cristo insiste no sentido único das palavras: “Minha carne é verdadeiramente uma comida e meu sangue é verdadeiramente uma bebida” (v.55).

Isto faz com que os discípulos o abandonem (v.66). E Jesus Cristo não tenta retê-los tratando de explicar-lhes que o que acaba de dizer-lhes é tão somente uma parábola. Pelo contrário, interroga a seus próprios apóstolos: “Não quereis também vós partir?”. E Pedro responde: “Senhor, a quem iremos? Só tu tens palavras de vida eterna.” (v.67-68).

Os Apóstolos entenderam o sentido imediato das palavras de Jesus na última ceia. “Tomou o pão…e disse: “Tomai e comei, este é o meu corpo”. (Lc 22,19). E eles ao invés de dizer-lhe: “explica-nos esta parábola, “tomaram e comeram, quer dizer, aceitaram o sentido imediato das palavras. Jesus não disse “Tomai e comei, isto é como se fosse meu corpo… é um símbolo de meu sangue”.

Alguém poderia objetar que as palavras de Jesus “fazei isto em memória de mim” não indicam mais que esse gesto deveria ser feito no futuro como uma simples recordação, um fazer memória com qualquer um de nós pode recordar algum fato de seu passado e, deste modo, “trazer ao presente”. Entretanto não é assim, porque memória, anamnese ou memorial, no sentido empregado na Sagrada Escritura, não é somente a lembrança dos acontecimentos do passado, mas a proclamação das maravilhas que Deus realizou em favor dos homens. Na celebração litúrgica, estes acontecimentos se fazem, de certa maneira, presentes e atuais.

Assim, pois, quando a Igreja celebra a Eucaristia, faz memória da Páscoa de Cristo e esta se faz presente: o sacrifício que Cristo ofereceu de uma vez para sempre na cruz permanece sempre atual (ver Hb 7,25-27). Por isso a Eucaristia é um sacrifício (ver Catecismo da Igreja Católica n. 1363-1365).

São Paulo expõe a fé da Igreja no mesmo sentido: “O cálice de benção que abençoamos não é comunhão com o sangue de Cristo? O pão que partimos não é comunhão com o corpo de Cristo?” (1Cor 10,16). A comunidade cristã primitiva, os próprios testemunhas da última ceia , quer dizer, os Apóstolos, não teriam permitido que Paulo transmitisse uma interpretação falsa desse acontecimento.

Os primeiros cristãos acusam os docetas (aqueles que afirmavam que o corpo de Cristo não era mais que uma aparência) de não crer na presença de Cristo na Eucaristia: “Se abstêm da Eucaristia, porque não confessam que é a carne de nosso salvador”. Santo Inácio de Antioquia (Esmir VII).

Finalmente, se fosse simbólico quando Jesus afirma: “O que come minha carne e bebe o meu sangue…” então também seria simbólico quando acrescenta: “…tem vida eterna e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,54).

Por acaso a ressurreição é simbólica? Por acaso a vida eterna é simbólica?
Tudo, portanto, favorece a interpretação literal ou imediata e não simbólica do discurso. Não é correto, pois, afirmar que a Escritura deve ser interpretada literalmente e, por sua vez, fazer uma arbitrária e brusca exceção nesta passagem.

Se a missa rememora o sacrifício de Jesus, Cristo volta a padecer o Calvário em cada Missa?
A carta aos Hebreus diz: “Mas Ele possui um sacerdócio perpétuo, porque permanece para sempre…Assim é o sacerdote que nos convinha: santo inocente…que não tem necessidade de oferecer sacrifícios cada dia…Nós somos santificados, mediante uma só oblação pelos pecados.” (Hb 7, 26-28 e 10, 14-18).

A Igreja ensina que a Missa é um sacrifício, mas não como acontecimento histórico e visível, mas como sacramento e, portanto, é incruento, quer dizer, sem dor nem derramamento de sangue (ver Catecismo da Igreja Católica n. 1367).

Portanto, na Missa Jesus Cristo não sofre uma “nova agonia”, mas que é a oblação amorosa do Filho ao Pai, “pelo qual Deus é perfeitamente glorificado e os homens são santificados” (CVII. Sacrosanctum Concilium n. 7).

O sacrifício da Missa não acrescenta nada ao Sacrifício da Cruz nem o repete, mas o “representa”, no sentido de que “o faz presente” sacramentalmente em nossos altares, o mesmo e único sacrifício do Calvário (ver Catecismo da Igreja Católica n. 1366; Paulo VI, Credo do Povo de Deus n. 24).

O texto de Hebreus 7,27 não diz que o sacrifício de Cristo o realizou “de uma só vez e já se acabou”, mas “de uma vez para sempre”. Isto quer dizer que o único sacrifício de Cristo permanece para sempre (ver Catecismo da Igreja Católica n. 1364). Por isso diz o Concílio: “Nosso Salvador, na última ceia, …instituiu o sacrifício eucarístico de seu corpo e sangue, com o qual ia perpetuar pelos séculos, até a sua volta, o sacrifício da cruz” (ver Concílio Vaticano II, Sacrosanctum Concilium n.47). Portanto, o sacrifício da Missa não é uma repetição mas uma re-apresentação e renovação do único e perfeito sacrifício da cruz pelo qual fomos reconciliados.

Fonte Catequisar

História da Solenidade de Corpus Christi

No final do século XIII surgiu em Lieja, Bélgica, um Movimento Eucarístico cujo centro foi a Abadia de Cornillon fundada em 1124 pelo Bispo Albero de Lieja. Este movimento deu origem a vários costumes eucarísticos, como por exemplo a Exposição e Bênção do Santíssimo Sacramento, o uso dos sinos durante a elevação na Missa e a festa do Corpus Christi.

Santa Juliana de Mont Cornillon, naquela época priora da Abadia, foi a enviada de Deus apra propiciar esta Festa. A santa nasceu em Retines perto de Liège, Bélgica em 1193. Ficou órfã muito pequena e foi educada pelas freiras Agostinas em Mont Cornillon. Quando cresceu, fez sua profissão religiosa e mais tarde foi superiora de sua comunidade. Morreu em 5 de abril de 1258, na casa das monjas Cistercienses em Fosses e foi enterrada em Villiers.

Desde jovem, Santa Juliana teve uma grande veneração ao Santíssimo Sacramento. E sempre esperava que se tivesse uma festa especial em sua honra. Este desejo se diz ter intensificado por uma visão que teve da Igreja sob a aparêncai de lua cheia com uma mancha negra, que significada a ausência dessa solenidade.

Juliana comunicou estas aparições a Dom Roberto de Thorete, o então bispo de Lieja, também ao douto Dominico Hugh, mais tarde cardeal legado dos Países Baixos e Jacques Pantaleón, nessa época arquidiácolo de Lieja, mais tarde o Papa Urbano IV.

O bispo Roberto focou impressionado e, como nesse tempo os bispos tinham o direito de ordenar festas para suas dioceses, invocou um sínodo em 1246 e ordenou que a celebração fosse feita no ano seguinte, ao mesmo tempo o Papa ordenou, que um monge de nome João escrevesse o ofócio para essa ocasão. O decreto está preservado em Binterim (Denkwürdigkeiten, V.I. 276), junto com algumas partes do ofício.

Dom Roberto não viveu para ser a realização de sua ordem, já que morreu em 16 de outubro de 1246, mas a festa foi celebrada pela primeira vez no ano seguinte a quinta-feira posterior à festa da Santíssima Trindade. Mais tarde um bispo alemão conheceu os costume e a o estendeu por toda a atual Alemanha.

O Papa Urbano IV, naquela época, tinha a corte em Orvieto, um pouco ao norte de Roma. Muito perto desta localidade está Bolsena, onde em 1263 ou 1264 aconteceu o Milagre de Bolsena: um sacerdote que celebrava a Santa Missa teve dúvidas de que a Consagração fosse algo real., no momento de partir a Sagrada Forma, viu sair dela sangue do qual foi se empapando em seguida o corporal. A venerada relíquia foi levada em procissão a Orvieto em 19 junho de 1264. Hoje se conservam os corporais -onde se apóia o cálice e a patena durante a Missa- em Orvieto, e também se pode ver a pedra do altar em Bolsena, manchada de sangue.

O Santo Padre movido pelo prodígio, e a petição de vários bispos, faz com que se estenda a festa do Corpus Christi a toda a Igreja por meio da bula “Transiturus” de 8 setembro do mesmo ano, fixando-a para a quinta-feira depois da oitava de Pentecostes e outorgando muitas indulgências a todos que asistirem a Santa Missa e o ofício.

Em seguida, segundo alguns biógrafos, o Papa Urbano IV encarregou um ofício -a liturgia das horas- a São Boa-ventura e a Santo Tomás de Aquino; quando o Pontífice começou a ler em voz alta o ofício feito por Santo Tomás, São Boa-ventura foi rasgando o seu em pedaços.

A morte do Papa Urbano IV (em 2 de outubro de 1264), um pouco depois da publicação do decreto, prejudicou a difusão da festa. Mas o Papa Clemente V tomou o assunto em suas mãos e, no concílio geral de Viena (1311), ordenou mais uma vez a adoção desta festa. Em 1317 é promulgada uma recopilação de leis -por João XXII- e assim a festa é estendida a toda a Igreja.

Nenhum dos decretos fala da procissão com o Santíssimo como um aspecto da celebração. Porém estas procissões foram dotadas de indulgências pelos Papas Martinho V e Eugênio IV, e se fizeram bastante comuns a partir do século XIV.

A festa foi aceita em Cologne em 1306; em Worms a adoptaram em 1315; em Strasburg em 1316. Na Inglaterra foi introduzida da Bélgica entre 1320 e 1325. Nos Estados Unidos e nos outros países a solenidade era celebrada no domingo depois do domingo da Santíssima Trindade.

Na Igreja grega a festa de Corpus Christi é conhecida nos calendários dos sírios, armênios, coptos, melquitas e os rutínios da Galícia, Calábria e Sicília.

Finalmente, o Concílio de Trento declara que muito piedosa e religiosamente foi introduzida na Igreja de Deus o costume, que todos os anos, determinado dia festivo, seja celebrado este excelso e venerável sacramento com singular veneração e solenidade; e reverente e honorificamente seja levado em procissão pelas ruas e lugares públicos. Nisto os cristãos expressam sua gratidão e memória por tão inefável e verdadeiramente divino benefício, pelo qual se faz novamente presente a vitória e triunfo sobre a morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Fonte Catequisar

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A Santíssima Trindade

É o mistério central da fé e da vida cristã. Os cristãos são batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

1. A revelação do Deus uno e trino

“O mistério central da fé e da vida cristã é o mistério da Santíssima Trindade. Os cristãos são batizados em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo” (Compêndio, 44). Toda a vida de Jesus é revelação de Deus Uno e Trino: na anunciação, no nascimento, no episódio de sua perda e encontro no Templo quando tinha doze anos, em sua morte e ressurreição, Jesus se revela como Filho de Deus de uma forma nova com relação à filiação conhecida por Israel. No início de sua vida pública, também no momento de seu batismo, o próprio Pai testemunha ao mundo que Cristo é o Filho Amado (cfr. Mt 3, 13-17 e par.) e o Espírito desce sobre Ele em forma de pomba. A esta primeira revelação explícita da Trindade corresponde a manifestação paralela na Transfiguração, que introduz o mistério Pascal (cfr. Mt 17, 1- 5 e par.). Finalmente, ao despedir-se de seus discípulos, Jesus os envia a batizar em nome das três Pessoas divinas, para que seja comunicada a todo o mundo a vida eterna do Pai, do Filho e do Espírito Santo (cfr. Mt 28, 19).

No Antigo Testamento, Deus havia revelado sua unicidade e seu amor para com o povo eleito: Javé era como um Pai. Mas depois de haver falado muitas vezes por meio dos profetas, Deus falou por meio de seu Filho (cfr. Hb 1, 1-2), revelando que Javé não é apenas como um Pai, mas que é Pai (cfr. Compêndio, 46). Jesus se dirige a Ele em sua oração com o termo aramaico Abba, usado pelos meninos israelitas para se dirigirem ao próprio pai (cfr. Mc 14, 36), e distingue sempre sua filiação daquela dos discípulos. Isto é tão chocante que se pode dizer que a verdadeira razão da crucificação é justamente o chamar-se a si mesmo Filho de Deus em sentido único. Trata-se de uma revelação definitiva e imediata [1], porque Deus se revela com sua Palavra: não podemos esperar outra revelação, porquanto Cristo é Deus (cfr., por ex., Jo20, 17) que se nos dá, inserindo-nos na vida que emana do regaço de seu Pai.

Em Cristo, Deus abre e entrega sua intimidade, que seria inacessível ao homem pelas próprias forças somente [2]. Esta mesma revelação é um ato de amor, porque o Deus pessoal do Antigo Testamento abre livremente seu coração e o Unigênito do Pai sai ao nosso encontro, para fazer-se uma só coisa conosco e levar-nos de volta ao Pai (cfr. Jo 1, 18). Trata-se de algo que a filosofia não podia adivinhar, pois, fundamentalmente, só se pode conhecer mediante a fé.

2. Deus em sua vida íntima

Deus não só possui uma vida íntima, mas Deus é – identifica-se – com sua vida íntima, uma vida caracterizada por eternas relações vitais de conhecimento e de amor, que nos levam a expressar o mistério da divindade em termos de processões.

De fato, os nomes revelados das três Pessoas divinas exigem que se pense em Deus como o proceder eterno do Filho do Pai e, na mútua relação – também eterna – do Amor que “sai do Pai” (Jo 15, 26) e “toma do Filho” (Jo 16,14), que é o Espírito Santo. A Revelação nos fala, assim, de duas processões em Deus: a geração do Verbo (cfr. Jo 17.6) e a processão do Espírito Santo. Com a característica peculiar de que ambas são relações imanentes, porque estão em Deus: mais, são o próprio Deus, uma vez que Deus é Pessoal; quando falamos de processão, pensamos ordinariamente em algo que sai de outro e implica mudança e movimento. Posto que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus Uno e Trino (cfr. Gn1, 26-27), a melhor analogia com as processões divinas pode ser encontrada no espírito humano, em que o conhecimento que temos de nós mesmos não sai para fora: o conceito (a idéia) que fazemos de nós mesmos é distinta de nós mesmos, mas não está fora de nós. O mesmo podemos dizer do amor que temos para conosco. De forma parecida, em Deus, o Filho procede do Pai e é sua Imagem, analogamente como o conceito é imagem da realidade conhecida. Só que esta imagem em Deus é tão perfeita que é o próprio Deus, com toda sua infinitude, sua eternidade, sua onipotência: o Filho é uma só coisa com o Pai, o mesmo Algo, essa é a única e indivisa natureza divina, ainda que sendo outro Alguém. O Símbolo Niceno-Constantinopolitano o expressa com a fórmula “Deus de Deus, Luz de Luz, Deus verdadeiro de Deus verdadeiro”. O fato é que o Pai gera o Filho, doando-se a Ele, entregando-Lhe Sua substância e Sua natureza; não em parte como acontece com a geração humana, mas perfeita e infinitamente.

O mesmo pode ser dito acerca do Espírito Santo, que procede como o Amor do Pai e do Filho. Procede de ambos, porque é o dom eterno e incriado que o Pai entrega ao Filho, gerando-o, e que o Filho devolve ao Pai como resposta a Seu Amor. Este dom é dom de si, porque o Pai gera o Filho comunicando-lhe total e perfeitamente seu próprio Ser mediante seu Espírito. A terceira Pessoa é, portanto, o Amor mútuo entre o Pai e o Filho [3]. O nome técnico desta segunda processão é expiração. Seguindo a analogia do conhecimento e do amor, pode-se dizer que o Espírito age como a vontade que se move em direção ao Bem conhecido.

Estas duas processões chamam-se imanentes, e se diferenciam radicalmente da criação, que étranseunte, no sentido de que é algo que Deus realiza fora de si. Ao serem processões, dão conta da distinção em Deus, enquanto que, ao serem imanentes, dão razão da unidade. Por isso, o mistério do Deus Uno e Trino não pode ser reduzido a uma unidade sem distinções, como se as três Pessoas fossem apenas três máscaras; ou a três seres sem unidade perfeita, como se se tratasse de três deuses distintos, ainda que juntos.

As duas processões são o fundamento das distintas relações que em Deus se identificam com as Pessoas divinas: o ser Pai, o ser Filho e o ser expirado por Eles. De fato, como não é possível ser pai e ser filho da mesma pessoa, no mesmo sentido, assim, não é possível ser, ao mesmo tempo, a Pessoa que procede pela expiração e as duas Pessoas das quais procede. Convém esclarecer que, no mundo criado, as relações são acidentes, no sentido de que suas relações não se identificam com seu ser, ainda que o caracterizem profundamente, como no caso da filiação. Em Deus, posto que nas processões é doada toda a substância divina, as relações são eternas e se identificam com a própria substância.

Estas três relações eternas não só caracterizam, mas também se identificam com as três Pessoas divinas, posto que pensar no Pai significa pensar no Filho; e pensar no Espírito Santo, significa pensar naqueles em relação aos quais Ele é Espírito. Assim, as três Pessoas divinas são três Alguém, mas um único Deus. Não como se dá entre os homens que participam da mesma natureza humana, sem esgotá-la. As três Pessoas são cada uma toda a Divindade, identificando-se com a única Natureza de Deus [4]: as Pessoas são Uma na Outra. Por isso, Jesus disse a Felipe que quem O viu, viu o Pai (cfr. Jo 14, 6), posto que Ele e o Pai são uma só coisa (cfr. Jo 10, 30 e 17, 21). Esta dinâmica, que se chama tecnicamente pericoresis oucircumincessão (dois termos que fazem referência a um movimento dinâmico em que um se intercambia com o outro como em uma dança em círculo), ajuda a perceber que o mistério de Deus Uno e Trino é o mistério do Amor: “Ele mesmo é uma eterna comunicação de amor: Pai, Filho e Espírito Santo, e nos destinou a participar n’Ele” (Catecismo, 221).

3. Nossa vida em Deus

Sendo Deus eterna comunicação de Amor, é compreensível que esse Amor se extravase fora d’Ele em seu agir. Toda a ação de Deus na história é obra conjunta das três Pessoas, posto que se distinguem somente no interior de Deus. Não obstante, cada uma imprime nas ações divinas ad extra sua característica pessoal [5]. Usando uma imagem, poder-se-ia dizer que a ação divina é sempre única, como o dom que nós poderíamos receber da parte de uma família amiga, que é fruto de um só ato; mas, para quem conhece as pessoas que constituem a família, é possível reconhecer a mão ou a intervenção de cada uma, pela marca pessoal deixada por cada uma no único presente.

Este reconhecimento é possível porque conhecemos as Pessoas divinas naquilo que as distingue pessoalmente, mediante suas missões, quando Deus Pai enviou, juntamente o Filho e o Espírito Santo, na história (cfr. Jo 3, 16-17 e 14-26), para que se fizessem presentes entre os homens: “são, principalmente, as missões divinas da Encarnação do Filho e do dom do Espírito Santo as que manifestam as propriedades das Pessoas divinas” (Catecismo, 258). Eles são como as duas mãos do Pai [6] que abraçam os homens de todos os tempos, para levá-los ao seio do Pai. Se Deus está presente em todos os seres enquanto princípio do que existe, com as missões o Filho e o Espírito Santo se fazem presentes de forma nova [7]. A própria Cruz de Cristo manifesta ao homem de todos os tempos o eterno dom que Deus faz de Si mesmo, revelando em sua morte a íntima dinâmica de seu Amor que une as três Pessoas.

Isto significa que o sentido último da realidade, aquilo que todo homem deseja, o que foi buscado pelos filósofos e pelas religiões de todos os tempos, é o mistério do Pai que gera o Filho, no Amor, que é o Espírito Santo. Na Trindade se encontra, assim, o modelo originário da família humana [8] e sua vida íntima é a aspiração verdadeira de todo amor humano. Deus quer que todos os homens constituam uma só família, isto é, uma só coisa com Ele mesmo, sendo filhos no Filho. Cada pessoa foi criada à imagem e semelhança da Trindade (cfr. Gn 1, 27) e está feita para existir em comunhão com os demais homens, e, sobretudo, com o Pai celestial. Aqui se encontra o fundamento último do valor da vida de cada pessoa humana, independentemente de suas capacidades ou de suas riquezas.

Mas o acesso ao Pai só se pode encontrar em Cristo, Caminho, Verdade e Vida (cfr. Jo14, 6): mediante a graça, os homens podem chegar a ser um só corpo místico na comunhão da Igreja. Através da contemplação da vida de Cristo e através dos sacramentos, temos acesso à própria vida íntima de Deus. Pelo Batismo, somos enxertados na dinâmica de Amor da família das três Pessoas divinas. Por isso, na vida cristã, trata-se de descobrir que, a partir da existência ordinária, das múltiplas relações que estabelecemos, e de nossa vida familiar, que teve seu modelo perfeito na Sagrada Família de Nazaré, podemos chegar a Deus: “Procura o convívio com as três Pessoas, com Deus Pai, com Deus Filho, com Deus Espírito Santo. E para chegares à Trindade Santíssima, passa por Maria” [9]. Deste modo, pode-se descobrir o sentido da história, como caminho da trindade à Trindade, aprendendo com a “trindade da terra” – Jesus, Maria e José – a levantar o olhar para a Trindade do Céu.

Giulio Maspero

Bibliografía básica

Catecismo da Igreja Católica, 232-267.

Compendio do Catecismo da Igreja Católica, 44-49.

Leituras recomendadas

São Josemaria, Homilia “Humildade”, Amigos de Deus, 104-109.

J. Ratzinger, El Dios de los cristianos. Meditaciones, Ed. Sígueme, Salamanca 2005.

[1] Cfr. São Tomás de Aquino, In Epist. Ad Gal., c. 1, lect. 2.

[2] “Deus deixou marcas de seu ser trinitário na criação e no Antigo Testamento, mas a intimidade de seu ser como Trindade Santa constitui um mistério inacessível à razão humana sozinha e, inclusive, à fé de Israel, antes da Encarnação do Filho de Deus e do envio do Espírito Santo. Este mistério foi revelado por Jesus Cristo, e é a fonte de todos os demais mistérios” (Compêndio, 45).

[3] “O Espírito Santo é a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. É Deus, uno e igual ao Pai e ao Filho; ‘procede do Pai’ (Jo, 15, 26), o qual é princípio sem princípio e origem de toda a vida trinitária. E procede também do Filho (Filioque), pelo dom eterno que o Pai faz ao Filho. O Espírito Santo, enviado pelo Pai e pelo Filho encarnado, guia a Igreja até o conhecimento da ‘verdade plena’ (Jo 16, 13)” (Compêndio, 47).

[4] “A Igreja expressa sua fé trinitária confessando um só Deus em três Pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. As três divinas Pessoas são um só Deus porque cada uma delas é idêntica à plenitude da única e indivisível natureza divina. As três são realmente distintas entre si por suas relações recíprocas: o Pai gera o Filho, o Filho é gerado pelo Pai, o Espírito Santo procede do Pai e do Filho” (Compêndio, 48).

[5] “Inseparáveis em sua única substância, as divinas pessoas são também inseparáveis em seu agir: a Trindade tem uma só e mesma operação. Mas, no único agir divino, cada pessoa se faz presente segundo o modo que lhe é próprio na Trindade” (Compêndio, 49).

[6] Cfr. Santo Irineu, Adversus haereses, IV, 20, 1.

[7] Cfr. São Tomás de Aquino, Summa Theologiae, I, q. 43, a. 1, c. y a. 2, ad. 3.

[8] “O ‘Nós’ divino constitui o modelo eterno do ‘nós’ humano; primeiramente daquele ‘nós’ que está formado pelo homem e a mulher, criados à imagem e semelhança de Deus” ( João Paulo II,Carta às famílias, 2-2-1994, 6).

[9] São Josemaria Escrivá, Forja, 543.

Fonte: Opus Dei

Você sabe o são Dons Carismáticos?

A nossa vida espiritual tem duas dimensões, primeiro uma dimensão voltada para dentro de nós e depois outra voltada para fora.

Na segunda dimensão está a Igreja, é a dimensão de comunidade, a dimensão de caminhar com o povo de Deus, e Deus nos concede então os dons carismáticos, que não são necessariamente para nós, mas para os outros, por exemplo o dom da sabedoria que não é a sabedoria para alimentar a nós mas para alimentar os outros, não apenas para nos orientar, o dom da fé, da ciência, o dom de cura, de milagres que são dons como diz São Paulo para o bem da Igreja, para os outros, para utilidade de todos.

Quando nós exercemos os dons carismáticos não quer dizer que já somos santos, porque Deus pode usar quem Ele quiser da maneira que quiser, mas é preciso dizer que quanto mais santo a pessoa for, mais fácil é para Deus usar essa pessoa, por isso os dons carismáticos não estão separados dos dons de santificação, e eu até diria que existe uma grande interface entre eles, quanto mais a pessoa vive os dons de santificação mais aptidão ela tem para viver os dons carismáticos.

Na dimensão interior estão os Dons de Santificação.

Os Dons Carismaticos são:
– Dom da Fé
– Dom da interpretação
– Dom da Profecia
– Dom da Cura
– Dom de línguas
– Dom de Milagres
– Dom do Discernimento
– Palavra de Ciência
– Palavra de Sabedoria

Por Prof. Felipe Aquino

Você sabe o que são Dons de Santificação?

A nossa vida espiritual tem duas dimensões, primeiro uma dimensão voltada para dentro de nós e depois outra voltada para fora.

Na primeira dimensão voltada para dentro é a dimensão da nossa santificação, é a busca da nossa santificação, a busca do nosso retorno para Deus, é a luta contra o pecado e contra tudo que esconde em nós a imagem e semelhança de Deus.

E isto é uma tarefa que supera as forças naturais, e que é preciso a força de Deus. E nisso Deus nos socorre com os chamados dons infusos ou dons de santificação, desde o batismo recebemos esses dons, que a Igreja chama de sete dons, mas não necessariamente precisa ser sete: fortaleza, piedade, sabedoria, conhecimento, conselho, entendimento e temor de Deus. Esses dons fazem crescer em nós a graça do batismo que recebemos como semente para que a medida que a criança vá crescendo também vá crescendo as coisas de Deus nela.

São para isso os dons de santificação, sabedoria para buscar a Deus, ciência para mergulhar profundamente nos mistérios de Deus, enfim, todos eles para levar a pessoa a santificação.

Na dimensão exterior estão os Dons Carismáticos.

Os Dons da Santificação são:

– Dom da Fortaleza
– Dom da Piedade
– Dom da Sabedoria
– Dom do Conhecimento
– Dom do Conselho
– Dom do Entendimento
– Dom do Temor de Deus

Por Prof. Felipe Aquino

Fonte Catequizar

Maria e a Palavra

Dom Aldo Pagotto

Arcebispo da Paraíba – PB

Por que os cristãos católicos dedicam o mês de maio a Maria? Assim como os filhos elogiam sua mãe primorosa pelas virtudes que pratica, Maria é enaltecida pela sublime missão desempenhada na vida de Jesus Cristo, incumbida de dar continuidade na vida dos filhos e filhas de Deus.

Maria é uma referência de amor fiel a Cristo, nosso único Senhor e Salvador. Nela a Palavra se fez carne (Jo 1,14). A humanidade é comum a ambos, o filho unigênito de Deus e seu filho, porquanto toma a carne e o sangue da mulher bendita entre todas as criaturas. Maria se faz serva, discípula, aprendiz, seguidora daquele que ela gerou em seu seio puríssimo.

A virgindade fecunda de Maria significa a sua disponibilidade total e incondicional a toda ação humana, permeada da graça divina, tal que se cumpra a vontade de Deus e se manifestem as maravilhas do seu amor àqueles que primeiramente são por Ele amados.

Maria é admirada e seu exemplo é seguido pelos cristãos porque ela é a primeira a acolher a Palavra e praticá-la, convicta de que as grandes transformações começam em nós e no mundo quando deixamos Deus agir. Ao tempo que acolhe a Palavra e a guarda em seu coração, também cumpre tudo o que agrada ao Senhor.

Cumprir e fazer com que todos cumpram a vontade de Deus significa que Ele nos determina a santificação da vida, dos relacionamentos humanos e da história. A contemplação da Palavra, tal como Maria a contempla, evita-nos o risco de nos fixarmos nas exterioridades. A Palavra de Deus nos coloca para dentro do mistério do seu amor, levando-nos a compreender o significado da vida.

A oração e o discernimento da Palavra à luz do exemplo de Maria evita um perigo ainda pior: a busca de nós mesmos, um intimismo que se revela falso e estéril, um puro ato de egoísmo justificando nosso próprio ego. Ora, a Palavra nos converte e nos compromete com a obra de transformação da realidade, começando pela conversão do nosso coração e de nosso modo de pensar e agir.

Maria participou efetivamente da vida e do ministério salvífico de Cristo. Segui-o de perto, não de forma circunstancial ou passiva e, sim, como colaboradora de sua missão que culminou na rejeição e morte de cruz e na superação do pecado e da morte, a ressurreição. Maria é fiel à Palavra encarnada, Jesus Cristo, crucificado e redivivo.

A fidelidade amorosa do “sim” de Maria a insere no âmago mais profundo do mistério da redenção, revelado palatinamente ao longo da história, no transcurso dos séculos, até que Cristo se manifeste plenamente na sua vinda definitiva ao mundo.

Maria estaria longe de representar uma temática transversal ou supletiva no mistério de Cristo. Maria está vivamente inserida no mistério da redenção, como ícone da Igreja, da humanidade redimida, fiel ao dom que recebe do Senhor, correspondendo proativamente, grata e vigilante: eis aqui a serva, faça-se em mim segundo a tua Palavra (Lc. 1, 38).

 

Por que a Igreja Católica celebra o 7º dia de Falecimento

Hoje faz sete dias do atentado a escola de Realengo no Rio de Janeiro. Também hoje, o bispo da Arquidiocese do Rio, Dom Orani Tempesta irá celebrar o 7º dia de falecimento das 12 crianças. Mas, por que isso? Por que sete dias?

Essas perguntas são pertinentes e nos ajudaram a entender melhor porque a Igreja Católica celebra o sétimo dia de falecimento das pessoas.

No dia do enterro todas as denominações, religiões celebram o culto fúnebre, corpo presente, exéquias diante do corpo do falecido e junto a família. A igreja católica entende também que se deve celebrar o sétimo dia da morte das pessoas.

Essa atitude faz parte da doutrina católica é e baseada na Bíblia. No livro de Genesis, capitulo 50, 10 está escrito que José fez uma celebração n  sétimo dia de morte de seu pai Jacó. “Fizeram uma solene lamentação. José celebrou em honra de seu pai Jacó, um luto que durou sete dias”, Gn 50, 10.

Já no livro de Samuel, há uma passagem que narra o falecimento de Saul que diz: “E tomaram os seus ossos, e os sepultaram debaixo de um arvoredo, em Jabes, e jejuaram sete dias.”(1Sm, 31,13) Assim também foi com Judit, a heroína do povo hebreu. “Todo o povo chorou durante sete dias”. (Jd 16,24)

Baseado nessas em outras citações é que a Igreja celebra o sétimo dia de falecimento de seus fiéis. É valido lembrar também que o numeral 7 possui uma grande simbologia para os cristãos. Foi no sétimo dia que Deus terminou a grande obra da criação e descansou. Esse número significa plenitude, perfeição, eternidade fazendo com que a celebração de sétimo dia signifique os falecidos estejam na plenitude divina.

Também no último livro da Bíblia, Apocalipse, o número sete ressurge mostrando a perfeição divina novamente. “E olhei, e eis que estava no meio do trono e dos quatro animais viventes e entre os anciãos um Cordeiro, como havendo sido morto, e tinha sete chifres e sete olhos, que são os sete espíritos de Deus enviados a toda a terra.” (Ap 5, 6)

É por tudo isso que a Igreja celebra seus mortos no sétimo.

Por Marquione Ban