Dois novos santos no Brasil: “O Anjo surfista” e Dom Luciano Mendes tem processos de beatificação abertos

Dom Luciano Mendes
Dom Luciano governou a diocese de Mariana por 18 anos e deu prioridade ao pobres

O Brasil pode ganhar dois novos santos. A Arquidiocese do Rio e a Diocese de Mariana abriram processos de canonização de seminarista Guido Schäffer conhecido como o “Anjo surfista” e de Dom Luciano Mendes que foi bispo de Mariana-MG.

“Dom Luciano é carioca. Seu processo foi aberto nesta cidade mineira, porque foi lá que ele morreu. Dom Luciano trabalhou muito para os pobres. Seu processo tem muitas pessoas a serem convocadas, especialmente os mais carentes. Sua vida é apaixonante”, disse Dom Roberto.

Conheça as histórias

“Anjo surfista”

Guido Schäffer faleceu no dia 1º de maio de 2009, com 34 anos de idade, vítima de uma contusão na nuca que gerou desmaio e afogamento, enquanto surfava, na Praia da Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O jovem ia ser ordenado sacerdote apenas algumas semanas depois dessa data.

Seminarista Anjo Surfista
Seminarista conhecido como “Anjo Surfista” pode virar santo em breve.

Apesar de sua morte inesperada, o jovem Guido é lembrado com muito carinho por formadores e seminaristas do Seminário São José, onde estudou teologia.

Sua história, assinala a arquidiocese do Rio, “inspira cada vez mais outros jovens a seguirem o caminho de santidade sem deixarem de viver todas as coisas próprias da juventude”.

O chamado “Anjo surfista” deixou uma marca entre os mais necessitados devido ao trabalho que fazia com os indigentes junto às irmãs missionárias da Caridade, a congregação fundada pela Beata Teresa de Calcutá.

“Ele trabalhava na Santa Casa da Misericórdia e tinha o desejo de morar lá depois que fosse ordenado sacerdote. Era filho de médicos, tinha uma boa condição financeira, mas não tinha apegos materiais. Era muito dedicado aos outros e um homem de muita fé, apaixonado pela palavra de Deus”, assinalou em maio deste ano Dom Roberto Lopes, Vigário Episcopal para as Causas dos Santos.

“No dia de suas exéquias, a Igreja Nossa Senhora de Copacabana esteve repleta de bispos, sacerdotes e muitas pessoas que manifestaram que ele foi um jovem diferente e que amava profundamente a Deus”, assinala o sacerdote.

O Vigário recordou também que durante a Jornada Mundial da Juventude celebrada no Rio em agosto de 2013, muitas pessoas visitaram a exposição sobre a vida deste jovem.

“Foi impressionante a quantidade de pessoas que visitaram a exposição e ainda hoje muitos procuram informação e atribuem graças alcançadas por sua intercessão. A vida de Guido surpreende”, conclui Dom Roberto.

Dom Luciano Mendes

“Em que posso lhe ajudar”. A conhecida frase de Dom Luciano ainda ecoa e é repetida por aqueles que conviveram e aprenderam com ele. O bispo, que governou a Diocese de Mariana durante 18 anos, faleceu no dia 27 de agosto de 2006 com fama de santidade. Sua última frase antes de morrer foi: “cuidem dos pobres, não se esqueçam dos pobres”.

Dom Roberto afirmou que Dom Luciano era muito amigo do Cardeal Van Thuan, o bispo da capital do Vietnã que ficou preso treze anos, sendo nove em isolamento completo, quando os comunistas iniciaram uma perseguição aos católicos.

“Vemos assim os futuros santos que se encontraram no Século 20 e tiveram muitas partilhas”, ressaltou Dom Roberto.

Garota que morreu aos 9 anos pode se tornar 1ª santa nascida no Rio

Folha de São Paulo – A Arquidiocese do Rio inicia oficialmente no próximo dia 18 o processo de beatificação que pode transformar uma menina de nove anos na primeira santa nascida no Rio. Odette Vidal de Oliveira morreu em 1939, vítima de meningite, e desde então vem sendo cultuada por um número crescente de católicos.

Desde dezembro, quando a intenção de reconhecê-la como santa veio a público, o túmulo da menina passou a ser o mais visitado do cemitério São João Batista, em Botafogo, superando até mesmo o jazigo de Carmen Miranda, historicamente o mais procurado pelos visitantes.

“Já identificamos centenas de graças alcançadas por fiéis que pediram a intercessão de Odetinha. Mas agora precisamos comprovar de fato um milagre”, explica o padre e historiador João Cláudio Loureiro do Nascimento, membro de uma comissão da Arquidiocese do Rio criada para identificar novos nomes que podem integrar a lista de santos da Igreja Católica.

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Odette Vidal de Oliveira, a Odetinha, que morreu aos 9, pode se tornar santa brasileira
Odette Vidal de Oliveira, a Odetinha, que morreu aos 9, pode se tornar santa brasileira

O Vaticano já autorizou o prosseguimento do processo. A próxima etapa consiste em obter provas documentais para atestar o primeiro milagre da Santa Odetinha.

“As provas serão analisadas por peritos contratados pelo Vaticano, que vão definir se o caso realmente pode ser considerado sem explicação pela medicina”, diz.

Uma intervenção atribuída à menina é a recuperação de uma mãe, que, após o parto, teve uma grave hemorragia. Os médicos teriam afirmado ao próprio marido que sua mulher não iria sobreviver. No hospital, ele pediu a ajuda de Odette em suas orações.

Segundo o padre, Odette provavelmente nasceu em Madureira. Na região, havia o frigorífico de Francisco Oliveira, pai adotivo da menina. Ele se casou com Alice Vidal, a mãe de Odetinha, após a morte de Augusto Ferreira Cardoso –pai biológico que morreu de tuberculose durante a gravidez da esposa.

“Odetinha sempre chamou atenção por sua religiosidade, tinha uma relação muito intensa com a oração. Algo incomum para uma criança de sua idade”, acrescentou.

Arquidiocese do Rio: Polêmicas sobre a “Infância de Jesus” não são coerentes

(ACI).- Apesar das críticas que a recente obra do Papa Bento XVI “A infância de Jesus” vem recebendo no Brasil e em outros lugares do mundo por parte de alguns setores da imprensa — que afirmam injustificadamente que o Papa pretende mudar o presépio e as tradições do Natal, entre outras insinuações sem fundamento —, o livro, segundo a opinião de importantes teólogos, e do bispo auxiliar da arquidiocese do Rio de Janeiro afirma a historicidade do nascimento de Cristo através de uma verdadeira meditação teológica, por meio da qual elementos históricos se misturam com os simbólicos, em um diálogo que compõe a fé do cristão.

Segundo o site oficial da arquidiocese carioca, o Papa Bento XVI lançou o último livro da trilogia que narra a vida do Senhor como uma forma de repensar o Natal, às vésperas do tempo litúrgico do Advento. Em meio a um mundo secularizado, onde predomina a falta de fé, o Pontifice apresenta, de maneira sábia e didática, Jesus como o centro dos debates e em perspectiva histórica. A mensagem é uma só: Jesus nasceu e ele é o filho de Deus, Salvador e Redentor do mundo. Esse é o foco do livro. A tentativa de criar polêmica sobre a mudança nas tradições natalinas não é coerente com a verdade da publicação.

O Pontífice, conforme explicou com simplicidade no prefácio de sua obra, procurou “interpretar, em diálogo com exegetas do passado e do presente, o que Mateus e Lucas narram no início dos seus evangelhos sobre a infância de Jesus”.

Em artigo publicado no Portal da Arquidiocese, o Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro Dom Edson de Castro Homem relembrou a fala do Papa Bento XVI em ocasião do lançamento do primeiro livro da trilogia e afirmou que a posição do Pontifice pode também ser aplicada para o lançamento de “A Infância de Jesus”.

“O que ele afirmou do primeiro livro “Jesus de Nazaré”, serve para o último da trilogia “A Infância de Jesus”. Disse na ocasião: “Este livro não é um ato de magistério, mas unicamente expressão da minha procura pessoal “do rosto do Senhor” (cf. Sl 27, 8). Por isso, cada um está livre para me contradizer. Peço apenas aos leitores um adiantamento de simpatia, sem o qual não há nenhuma compreensão”. É claro que já há contraditores à altura e os que infelizmente não leram com nenhuma simpatia. Pior: fizeram uma leitura dinâmica, superficial, bem apressada”, disse Dom Edson.

“O pontífice valoriza a história assim como aprecia a razão. Lembra que Jesus nasceu em data precisa, no décimo quinto ano do reinado de Tibério Cesar. Insiste que Ele não nasceu e apareceu em público no impreciso “era uma vez”. Pertence a um tempo exatamente datado e a um ambiente geograficamente definido. Portanto, é um ser histórico, não mitológico. Entretanto, são muitos os simbolismos, ricos de mensagens espirituais, que transparecem nos relatos da Infância. Assim se misturam elementos históricos com os simbólicos que compoem a mensagem da fé”, afirmou também o prelado.

“Com a companhia de Santo Agostinho, afinidade que Bento XVI cultiva, contempla o simbolismo da manjedoura. Não apenas o simples lugar no qual os animais encontram seu alimento. Agora nela está Aquele que indicou a si mesmo como o verdadeiro pão descido do céu. Eis o significado profundo do símbolo a serviço da fé: “a manjedoura se tornou uma referência para a mesa de Deus, à qual o homem está convidado, para receber o pão de Deus””, conclui o artigo de Dom Edson de Castro.