Como Deus é audacioso!

Dom Aloísio Roque Oppermann scj

Arcebispo de Uberaba – MG

Pensando nessa frágil criatura, que é o ser humano, admiro como o Criador entregou ao seu alvitre tantas grandiosidades, saídas de suas mãos. “Tu o fizeste pouco menor do que um deus” (Sl 8,6). É realmente espantoso que o Onipotente tenha  confiado ao ser inteligente, a capacidade de escolha. É a vontade livre, ou como dizem os filósofos, o livre arbítrio. Essa poderia se tornar a maior “roubada”, no linguajar dos jovens. Sendo livre, o homem tem a capacidade de fazer tudo errado. Mas também pode fazer certo. E não é diferente o alto risco a que o Ser por excelência quis correr, ao entregar aos cuidados do homem a guarda deste nosso fantástico planeta terra. “Enchei e dominai a terra” disse o generoso Senhor, aos nossos primeiros pais (Gen 1, 28). Que perigo! O risco é que o “homo sapiens” pode deitar tudo a perder, por causa de seus ímpetos de ganância. Mas pela sua autoconsciência, o ser que é o topo da criação, pode corrigir seus próprios erros. O que parece levar ao caos total, pode ter uma virada espetacular. É o que esperamos que aconteça com a vida neste nosso “planeta água”.

Igualmente espetacular é a confiança que Deus deposita nos escolhidos por seu Filho, para interpretar as Sagradas Escrituras. A Bíblia, caso não se faça uma adequada exegese, pode se tornar uma mensagem sem mordência. Aí entram os biblistas, os doutores dos santos escritos, e  pessoas santas que os vivenciam. Podem acertar, para ajudar o povo. Mas também podem introduzir sua própria ideologia e desencaminhar o povo fiel. Ainda bem que deixou, como último baluarte, os préstimos da Santa Igreja.  Em todas as circunstâncias, Deus arrisca. Mas o que eu acho o cume da bondade divina, é ver o Cristo entregar seus tesouros aos cuidados dos seus sacerdotes, com a incumbência de reger o povo eleito, e lhe distribuir os seus tesouros. Os sacerdotes podem ser pessoas firmes na fé, circunspectos e sábios. Mas podem também ser pessoas sem muito carisma, e sem grande amor no coração. Assim mesmo, o grande “Pastor e Bispo de nossas almas” (1 Pd 2, 25) entrega tudo nas mãos dos seus Sacerdotes, para que distribuam aos sedentos a “água da vida” (Apoc 21, 6). Peçamos ao Senhor que sempre tenhamos Padres dignos e santos.

 

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Evangelho animado

O site “Catolicos” possui um vasto contéudo mas, o que chama a atenção é o Evangelho de Jesus Cristo animado com linguagem é simples e facil de compreender. Para os catequistas que possuem o recurso de usar a internet é um forma de ler a Bíblia em um território que ainda temos que crscer muito.

Assesse http://www.catolicos.com.br

por Marquione Ban

Um opinião sobre os livros apócrifos

Neste artigo escrito por Frei Jacir de Freitas Faria, da Ordem dos Franciscanos, é abordado uma visão sobre os livros apócrifos. A palavra “apócrifa” significa literalmente, “ocultos”. Assim são chamados os livros que alguns tentaram introduzir no Cânon da Sagrada Escritura, na Bíblia, e que não foram admitidos pela Igreja sendo considerados falsos e sem inspiração Divina como os demais livros.    

Leia o texto:

A propósito do que escrevi no meu livro: Apócrifos aberrantes, complementares e cristianismos alternativos – Poder e heresias! (Vozes), na complexidade que o tema nos impõe, gostaria de salientar alguns pontos da trajetória histórica do cristianismo em seus sete primeiros séculos, a partir dos oitenta e oito apócrifos do Segundo Testamento, classificados por nós de aberrantes, complementares ou alternativos. Todos eles são formas de cristianismos e refletem a luta árdua que tiveram com aquele que se consolidou como hegemônico. Alguns deles exageraram na criatividade de textos ou práticas como liturgia sexual; outros simplesmente complementaram – ainda que de forma conservadora – a versão oficial; outros, por serem tão alternativos, foram relegados ao ostracismo.

O cristianismo conviveu até o século terceiro com diversas teorias e teologias. O cristianismo apócrifo gnóstico, principal opositor daquele se tornou hegemônico, era também multiforme. E, por isso mesmo, se enfraqueceu e foi vencido. No cristianismo hegemônico, a trajetória foi diversa. Ele conseguiu agregar vários modos de pensar teológico, até mesmo apócrifo, num único ramo que se tornou oficial e hegemônico, no quarto século. Os outros foram subjugados a ele, expulsos e cunhados de heréticos, pois pensavam diferente do que fora estabelecido como verdadeiro. A história foi reescrita pelo grupo vitorioso, de modo que parecesse que assim já era desde os tempos apostólicos. O cristianismo vencedor das disputas teológicas foi aquele que firmou raízes no império romano e chegou até nós. Por isso, ele é também chamado de romano e católico, por ter sido anunciado a todo o mundo, com base nos ensinamentos dos apóstolos, sobretudo Pedro e Paulo. Nasce, assim, a cristandade, fundamentada no cristianismo apostólico.

 
Para se firmar como cristianismo hegemônico, ele estabeleceu, ao longo de séculos, dez ações, tais como:

  

  1. provou ao império romano a sua antiguidade a partir do judaísmo, sendo a realização das promessas do Primeiro Testamento;
  2. rompeu com o judaísmo como religião;
  3. criou uma igreja e um bispo homem, eliminando o poder de direção institucional das mulheres;
  4. colocou um bispo romano para todas as igrejas;
  5. criou comunhão universal na fé apostólica com todas as igrejas, tornando-se católico;
  6. estabeleceu um credo de fé apostólico;
  7. eliminou os vários outros modos de conceber o cristianismo, sobretudo aqueles cognominados de apócrifos aberrantes, complementares ou alternativos;
  8. utilizou tradições apócrifas complementares em seus dogmas de fé;
  9. determinou a lista dos livros inspirados;
  10. fundamentou, nos canônicos e na tradição apostólica, a fé em Jesus, humano, divino e trinitário.

Os cristianismos alternativos resistiram ao longo dos séculos. Rondam o nosso imaginário teologias de Tertuliano e Orígenes, dos ebionitas e marcionitas, dos montanistas e arianos. Muitas de nossas práticas e profissões de fé cristã católicas, ortodoxas, gregas ou evangélicas têm também seus fundamentos nas origens apócrifas do cristianismo. Mesmo que queiramos negar os cristianismos antigos, isso não é possível. Eles estão aí e permanecerão sempre no imaginário popular, na fé libertadora e conservadora, no ecumenismo e na ortodoxia. O que vale é uma leitura ecumênica, dialogal com eles.

 
Somos eternos devedores de uma fé sólida e eficaz aos nossos predecessores que construíram o cristianismo que hoje vivenciamos, mas é salutar e libertador conhecer outras formas de cristianismos, bem como entender a nossa fé a partir desses cristianismos antigos e perdidos. A nossa fé se torna mais adulta, libertadora e comprometida com os valores de fé, dos quais não podemos abrir mão. A questão não é fazer dos apócrifos uma literatura inspirada. Basta compreender que eles foram vozes alternativas abafadas e perseguidas pelo cristianismo que se tornou hegemônico, num misto de poder e heresias.

 

A descoberta dos apócrifos, sobretudo os gnósticos, é o grande achado da atualidade, que nos revela o outro lado da moeda na luta desenfreada pelo poder, nos primórdios do cristianismo. Poder? Que poder? Poder de direcionar a fé, de organizar uma instituição hierárquica capaz de salvaguardar a essência da fé em Jesus Cristo, em um só credo e em uma igreja universal. E foi por causa dessa organização institucional do cristianismo que ele sobreviveu e marcou a humanidade em antes e depois de Cristo. Pena que, para isso, os seres humanos daquele tempo tiveram que ser divididos em hereges e oficiais. Ninguém é tão oficial que não tenha nada de herege e ninguém é tão herege que não tenha nada de oficial.

(*) Frei Jacir de Freitas Faria, OFM é escritor, professor e exegeta

Saiba mais:

Frei Jacir de Freitas Faria

Este texto foi retirado do site http://www.franciscanos.org.br

imagens da internet

(IN) Tolerância religiosa

Cristo, a igreja e a tolerância

 

Na linguagem oral o verbo tolerar significa suportar algo ou alguém. Neste caso, a palavra tolerar expressa a dificuldade das religiões aceitarem umas as outras ou até mesmo o direito de discordar.

 

No principal livro cristão, a Bíblia, os evangelhos contam que Jesus Cristo teve esta dificuldade com seus discípulos. Jesus a caminho de Jerusalém quis passar pela Galiléia. Os habitantes daquela região não o quiseram receber pelo fato de ser judeu. Ao saber disso, dois discípulos quiseram que Jesus os castigasse fazendo descer sobre eles o fogo Divino. Jesus os repreendeu dizendo: “Vocês não sabem de que espírito sois” (Lc 9, 55). Jesus também disse a um discípulo que queria proibir alguém de expulsar demônios, porque não pertencia ao grupo deles: “Não o proíbam. Quem não está contra nós, está do nosso lado” (Lc 9, 49- 50). Ele quis ensinar seus discípulos a descobrir Deus no diferente, como é o caso do oficial romano Paulo – que é um dos apóstolos – na mulher estrangeira e nos samaritanos.
 

Certamente, vale para toda pessoa, em qualquer tradição ou corrente religiosa, a palavra que, há alguns anos, os bispos católicos da Ásia escreveram: “Deus é amor e se dá de mil maneiras à humanidade. Não nos pede permissão para se revelar às diversas comunidades e grupos humanos. Reconhecer estas múltiplas formas de como seu amor se revela é um modo importante de honrá-lo e corresponder ao seu amor”.
 

Jesus deixou dois mandamentos. O primeiro é: “amar o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu espírito;” (MT 23,37), e o segundo é: “amarás o teu próximo, como a ti mesmo” (MT 23,39). Para a irmã Márcia Maria presidente do CONIC-MG (Conselho Nacional das Igrejas Cristãs) “ser ecumênico não significa que todos devem ser católicos ou pertencerem a Assembléia de Deus, mas sim aceitar as diferenças e colocar em pratica as igualdades ensinados por Cristo”, afirma.  Ela disse ainda que a “igreja nasceu católica, universal” e que só depois se constituiu Católica Apostólica Romana. “No inicio a igreja era de todos, judeus, gregos e outros”, completa a Irmã.

Legislação sobre tolerância religiosa

A Constituição brasileira preve no artigo 5º que “é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e a suas liturgias ,e a aceitação dos diferentes tipos de religião existente no mundo e na sociedade.” Também é considerado crime atraves do codigo penal, em seu artigo 208 “escarnecer1 de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar2 publicamente ato ou objeto de culto religioso.”

O Dia Nacional de combate à intolerância religiosa foi criado pelo Congresso Nacional e sancionado pelo presidente da República no dia 27 de dezembro de 2007, por meio da lei n. 11.635. O decreto é muito conciso: “Fica instituído o Dia Nacional de Combate à Intolerância Religiosa, a ser comemorado anualmente em todo o território nacional no dia 21 de janeiro.” O artigo 2 diz que “a data fica incluída no Calendário Cívico da União para efeitos de comemoração oficial.” Traz as assinaturas do presidente da República e do ministro da Cultura.


 

A fé, a religião e a tolerancia organizada em entidades e eventos.

 

Hoje no Conselho Mundial da Igrejas – CMI – existem 349 igrejas cadastradas. Esse numero é muito maior no mundo. Em defesa da tolerancia as igrejas procuram se encontar no CMI, não para debater as diferenças, mas para desenvolverem o lado comunm existente entre elas.

 

No Brasil existe um conselho similar a CMI, o  CONIC – Conselho Nacional da Igrejas Cristãs do Brasil. Ele é composto pela Igreja Católica Apostolica Romana, Igreja Cristã Reformada, Igreja Episcopal Anglicana do Brasil,  Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia e Igreja Presbiteriana Unida. Juntas elas desenvolvem a  cada 5 anos a Campanha da Fraternidade Ecumenica. O Conselho já realizou três campanhas ecumenicas, em 2000 foi a primeira e era Fraternidade e os Excluidos; em 2005 a segunda e o tema foi Fraternidade e Paz e a em 2010 a terceira campanha ecumenica com o tema: Economia e vida. Diferente do CMI o CONIC não aceita ainda igrejas e religiões de confissões diversas a Cristã.

 

No Brasil existe também as Comunidades Eclesiais de Base, que  promovem seu evento, a nivel de Brasil, a cada 5 anos. O encontro de CEB’s é marcado pelo pluralismo religioso. O evento conta com a pesença em massa de catolicos embora haja grande participação de indigenas e sua tradições, menbros do Candomble e outras tradiçoes africanas. Semelhante a CEB’s o Movimento Nacional de Fé e Política também é ecumênico.

Saiba mais:

Agencia Baptist Press

O que ecumenismo?

Conselho Mundial das Igrejas