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O Apocalipse segundo o islã e segundo o Evangelho

Padre Olmes Milani, CS, é um sacerdote católico em missão nos Emirados Árabes Unidos. Ele escreveu um artigo para a Rádio Vaticano, onde aborda o tema do juízo final a partir das perspectivas islâmica e cristã. Um comparativo. Ele mostra semelhanças e diferenças. Interessante. Leia. 

Amigas e amigos, é com votos de paz e esperança que os saúdo. Partilho algumas informações sobre o tema da ressurreição no Islã e as convergências e divergências com o cristianismo.

No Ilsã

Na doutrina islâmica, a ressurreição é precedida pelo fim do mundo. O anjo de Deus tocará a trombeta e todos os habitantes da terra cairão inconscientes, com exceção daqueles que são poupados por Deus.

A descrição do fim é apocalíptica. A terra será achatada, as montanhas serão reduzidas a pó, uma fenda aparecerá no céu, os planetas dispersos e os túmulos revirados.

A trombeta tocará mais uma vez e as pessoas serão ressuscitadas com seus corpos físicos originais. Ao terceiro toque, as pessoas levantar-se-ão de seus túmulos, ressuscitadas.

Seres humanos, crentes ou ímpios, demônios e animais serão reunidos na Grande Planície do Encontro onde esperarão o julgamento.

Haverá balanças para pesar os atos dos homens. Em seguida os registros dos atos realizados nessa vida, serão entregues. Quem recebe seu registro na mão direita terá uma prestação de contas fácil e voltará feliz para a sua família. Entretanto, a pessoa que receber o seu registro na mão esquerda será jogada no fogo.

Com os registros em mãos, todos serão julgados e informados sobre suas boas ações e pecados. Os crentes reconhecerão seus erros e serão perdoados. Os descrentes não terão boas ações para declarar porque já foram recompensados em vida.

No Cristianismo

No fim dos tempos, Cristo diz que “todos os povos da terra serão reunidos diante dele, e ele separará uns dos outros, assim como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. E colocará as ovelhas à sua direita, e os cabritos à sua esquerda. Então o Rei dirá aos que estiverem à sua direita: ‘Venham vocês, que são abençoados por meu Pai. Recebam como herança o Reino que meu Pai lhes preparou desde a criação do mundo. Pois eu estava com fome, e vocês me deram de comer; eu estava com sede, e me deram de beber; eu era estrangeiro, e me receberam em sua casa; eu estava sem roupa, e me vestiram; eu estava doente, e cuidaram de mim; eu estava na prisão, e vocês foram me visitar’. Então os justos lhe perguntarão: ‘Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, com sede e te demos de beber? Quando foi que te vimos como estrangeiro e te recebemos em casa, e sem roupa e te vestimos? Quando foi que te vimos doente ou preso, e fomos te visitar?’ Então o Rei lhes responderá: ‘Eu garanto a vocês: todas as vezes que vocês fizeram isso a um dos menores de meus irmãos, foi a mim que o fizeram”. (Mt 25,32-40). Quem não teve a sabedoria de ver Cristo nas pessoas que sofrem, será enviado para um estado de sofrimento. Nós não queremos isso. Almejamos a salvação.

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Pe. Olmes Milani, CS, missionário, das Arábias para a Rádio Vaticano

Vinde a mim todos vós que estais cansados – Evangelho do Dia

Evangelho – Mt 11,28-30

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo São Mateus 11,28-30

Naquele tempo, tomou Jesus a palavra e disse:
28Vinde a mim todos vós que estais cansados
e fatigados sob o peso dos vossos fardos,
e eu vos darei descanso.
29Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim,
porque sou manso e humilde de coração,
e vós encontrareis descanso.
30Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.
Palavra da Salvação.

Reflexão – Mt 11, 28-30

Existem pessoas que acreditam que a verdade da religião encontra-se num rigorismo muito grande, principalmente no que diz respeito às exigências morais e rituais. Com isso, a religião acaba por ser um instrumento de opressão. Jesus nos mostra que não deve ser assim. Ele veio ao mundo para trazer a libertação do jugo do pecado e da morte e que a verdadeira religião é aquela que liberta as pessoas de todos os pesos que as oprimem na sua existência. O verdadeiro cristianismo é aquele que não está fundamentado na autoridade e na rigidez, mas na humildade e mansidão de coração, por que o seu fundador, Jesus Cristo, manso e humilde de coração, Ã © o Mestre de todo o nosso agir.

A visão cristã sobre o meio ambiente

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo de Campos (RJ)

Dia 05 de junho a humanidade celebra e comemora o dia mundial do meio ambiente. Faz-se necessária uma reflexão e um discernimento, para podermos colaborar com a preservação da integridade do planeta.

Trata-se de uma questão profundamente espiritual que procede do mandato divino do Gênesis de cuidar e transformar a Terra. Alguns pensadores atuais atribuem a uma interpretação equivocada desta missão, focalizada no domínio predatório e abusivo que gerou a atual crise ecológica. Esquecem que foi o iluminismo racionalista do século XVIII, que separou a razão da fé, e começou a conceber a terra como um mecanismo, uma máquina que com a revolução industrial se converterá em matéria prima e mercadoria de troca.

O cristianismo não vê oposição entre ciência, ação humana e cuidado da terra, como certos ambientalistas radicais que diagnosticam o fim da espécie humana como uma única saída para salvar a terra. Mais, acreditamos que com a sabedoria do Evangelho, somos capazes de amar, cuidar e proteger as criaturas que Deus nos confiou, optando por um desenvolvimento integral, solidário e sustentável.

Um crescimento qualitativo em consciência, e inteligência cordial e espiritual, que resgate o olhar para a criação como um dom divino, como a Casa que o Pai nos entregou para vivermos com alegria, partilha, simplicidade e sobriedade, incluindo e acolhendo a todas as pessoas, respeitando a vida de todos os seres.

Também nossa fé cristã, nos liberta de considerar a terra como uma deusa, ou como a quarta pessoa da Trindade Santa, o cosmocentrismo leva a desvios, como o de querer substituir a Carta da Declaração dos Direitos Humanos pela Carta da Terra; o ser humano Imago Dei (imagem de Deus) foi instituído pelo Criador, gerente, cuidador e jardineiro da Terra, com uma dignidade intrínseca e específica. Que São Francisco, padroeiro da Ecologia nos ajude a viver a fraternidade universal com todas as criaturas e a cuidar com ternura e bondade da criação. Deus seja louvado !

Em animação japonesa, Jesus e Buda dividem apartamento em Tóquio

Sem comentários. Apenas rezo pelo que se passa na cabeça das pessoas.

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FOLHA DE SÃO PAULO – DA EFE, EM TÓQUIO || A animação baseada no mangá “Sei Oniisan” (no original), narração cômica na qual os fundadores do cristianismo e do budismo dividem apartamento em Tóquio, estreou nesta sexta-feira nos cinemas japoneses.

O longa “Saint Young Men”, a cargo do diretor Noriko Takao e da produtora A-1, é um dos filmes mais aguardados do ano pelos fãs de animes no Japão e leva à telona as histórias escritas por Hikaru Nakamura.

Apesar de ser considerada sacrílega por muitos leitores no Japão, a série publicada na revista mensal Morning 2, do grupo editorial Kodansha, foi acolhida com muito sucesso no país e até fora dele.

Buda e Jesus, protagonistas de "Saint Young Men"
Buda e Jesus, protagonistas de “Saint Young Men”

O mangá, repleto de divertidas referências sobre o cristianismo e o budismo, começa quando Jesus Cristo e Siddhartha Gautama decidem passar férias na Terra.

Os dois alugam um apartamento na cidade-dormitório de Tachikawa, na região metropolitana de Tóquio, e decidem ocultar suas respectivas identidades, ao tempo que tentam entender a correria do dia a dia no Japão contemporâneo.

A história apresenta várias situações disparatadas como, por exemplo, que as meninas japonesas confundem continuamente Jesus com o ator americano Johnny Depp e que Buda se torna um apaixonado leitor de um mangá sobre a sua própria vida.

O que esperar do novo Papa?

Dom Murilo Krieger
Arcebispo de Salvador (BA)

Muito já foi escrito e falado sobre o que o próximo Papa deverá fazer para agradar à opinião pública e, assim, conseguir que cresça o “ibope” da Igreja. Fôssemos oferecer uma síntese das sugestões apresentadas na TV, nos jornais e nas revistas semanais a respeito, teríamos um volumoso livro, que exigiria daquele que for eleito vários dias para ler. Aliás, é surpreendente o número de “vaticanistas” que surgiram de repente, todos com soluções para todos os problemas, todos com certezas absolutas e respostas fáceis para complicadas questões religiosas. Claro, nessas “soluções” não há preocupação com expressões como “fidelidade ao Evangelho”, “busca da vontade de Deus”, ou “caminho de santidade”. Para não poucos, a Igreja deveria ser apenas e tão-somente uma organização não governamental para se dedicar à paz, à construção da fraternidade e à defesa da justiça. Se, tendo recebido a ordem de ir pelo mundo todo para evangelizar, os apóstolos tivessem se guiado somente pela divulgação de tais valores, poderiam até ter recebido algum “Nobel” da época, mas o cristianismo não se teria divulgado pelo mundo, atraindo inúmeras pessoas no seguimento de Jesus Cristo.

Mas, então, qual será o programa do próximo Papa? Que valores defenderá? Que preocupações terá? Não é difícil responder a essas perguntas, mesmo não sendo um “vaticanista”. Tendo diante de si o testemunho de Pedro, de Paulo e dos demais apóstolos, o novo Papa sentirá ser sua primeira e principal tarefa proclamar que Jesus Cristo é “o Filho de Deus vivo!”, o revelador do Deus invisível, o primogênito de toda a criatura e o fundamento de todas as coisas. Ele é o nosso salvador; é a nossa esperança. Um dia, virá para nos julgar.

Outra meta do futuro Papa será a de nos ensinar que a busca da santidade não é um adorno em nossa vida, nem meta para alguns poucos privilegiados. A santidade é a razão de ser de nosso seguimento de Cristo. Desde o início de sua pregação, Jesus teve a ousadia de nos apresentar ideais humanamente impossíveis de serem alcançados, mas que, com a graça divina, tornam-se possíveis: amar a Deus sobre todas as coisas, amar o próximo como a si mesmo, perdoar os que nos prejudicam ou ofendem… Para resumir o caminho de santidade que apresentava, Jesus não economizou ousadia: “Sede perfeitos como vosso Pai celeste é perfeito”.

O futuro Papa – não é preciso ser futurólogo para prever isso – defenderá que a vida humana é sagrada e que é preciso protegê-la desde a concepção, até o seu término natural. Ensinará, portanto, que não é possível se pensar em ser fiel ao Evangelho e admitir o aborto ou a eutanásia. Quando se pronunciar sobre o matrimônio, lembrará que se trata de uma aliança pela qual o homem e a mulher (um homem e uma mulher!) constituem entre si uma comunhão para toda a vida. Ao tratar da família, insistirá que se trata da primeira e vital célula da sociedade, pois é dela que saem os cidadãos e ela é a primeira escola das virtudes sociais.

O que esperar do próximo Papa? Mais do que esperar, desejo que ele seja alguém que faça com todos nós o que Jesus fez com os discípulos de Emaús: depois de terem caminhado com o Mestre, tomaram consciência de que ele os ajudara a reler os acontecimentos da História da Salvação. Espero que o próximo Papa nos recorde continuamente que toda a nossa vida é acompanhada pelo olhar amoroso do Pai. Tomando consciência desse olhar, nos convenceremos de que não temos o direito de desperdiçar a vida com vaidades inúteis, com glórias passageiras, ou com orgulhos que, segundo a linguagem popular, “a terra há de comer”. A consciência do olhar do Pai nos convencerá de que a vida é um dom preciso demais para ser desperdiçado.

Espero que o próximo Papa tenha um pouco da bondade de João XXIII, da firmeza de Paulo VI, da simplicidade de João Paulo I, do entusiasmo de João Paulo II e da sabedoria de Bento XVI. Não me importará, então, se for europeu ou americano, africano ou asiático. Para mim, o importante é que seja um homem de Deus.

A 19 dias do “fim do mundo” (não vai acabar): veja o que as religiões pensam sobre o fim e a profecia Maia

Cartaz do filme de ficção 2012
Cartaz do filme de ficção 2012

Terra – Quase todas as religiões falam de um apocalipse, de uma renovação dos seres, do retorno de um messias ou de transições para novas eras. Mas elas não dão uma data para esses acontecimentos. Para muitas pessoas, esse dia está bem próximo: 21 de dezembro de 2012.

Há muitos rumores sobre 21/12/2012. Tem quem diga que a vida na Terra se extingue nessa data, como teria previsto uma profecia da civilização maia. Entre as catástrofes para o dia derradeiro, estariam chuva de meteoros, planetas em rota de colisão com a Terra, erupções solares e inversão dos polos. Pessoas estão se escondendo em bunkers, alertando familiares, estocando comida e até se refugiando em casas preparadas para os piores desastres. Até a Nasa lançou nota oficial sobre o assunto, com receio de suicídios coletivos prévios ao suposto apocalipse.

Por sorte, não há fatos nem lógica que corrobore os boatos. O psicanalista e espiritualista Lázaro Freire explica que tudo não passa de interpretações errôneas do calendário maia. Segundo Freire, não há profecias detalhadas de autoria da cultura maia sobre o que poderia acontecer com o mundo em 2012. O que existe é uma data final para o calendário maia, o qual se encerra neste ano. Mas, como a civilização foi exterminada por volta de 1500, no México, é compreensível que suas previsões não tenham ido mais longe.

Não se sabe explicar ainda por que o mito foi tão alimentado. Boa parte do que está escrito nos calendários “maias” que vêm sendo distribuídos recentemente contém elementos de outras culturas, como hexagramas (origem chinesa), chacras (origem hindu), entre outros que pouco ou não tem a ver com algo que teria vindo do México. Outro elemento que pode ter tumultuado o imaginário popular é o filme 2012, lançado em 2009. A obra, estrelada por John Cusack, mostra um grupo de pessoas tentando se salvar em um mundo repleto de ameaças, como erupções de vulcões, terremotos e tsunamis.

Outra correlação feita é a do conhecimento dos maias em relação à astronomia e às citações de uma nova era, mas muitos povos têm suas interpretações e previsões a respeito de diferentes eras. Para o membro da Associação Brasileira de Pesquisa Bíblica e professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro, o teólogo Isidoro Mazzarolo, boatos sobre o fim do mundo foram muito comuns na história do Ocidente. Ele acredita, porém, que ninguém tenha conhecimento suficiente para identificar uma “causa eficiente” que possa provocar, de fato, a destruição do planeta Terra.

As religiões têm diferentes visões sobre o tema. Confira

Pluralismo (1)

Catolicismo

O teólogo e professor da PUC-RJ Isidoro Mazzarolo explica que a religião católica, em particular, e o Cristianismo, em geral, veem o fim do mundo como o Apocalipse. No Apocalipse Cristão, o fim do mundo está ligado à Segunda Vinda de Cristo e à instauração de uma nova terra e um novo céu. “(Para os católicos) a data desse acontecimento ninguém conhece, somente Deus sabe. É no livro de Isaías (o terceiro livro bíblico), como a restauração de Israel, depois do exílio da Babilônia e entendido como nova etapa da história do povo, governado por Deus”, afirma Mazzarolo.

Protestantes (Evangélica)

As religiões evangélicas pentecostais e não pentecostais têm uma visão similar à Católica: ninguém exatamente sabe quando acontecerá o fim do mundo. Entretanto diversos seguidores do Evangelho nos Estados Unidos estão estocando alimentos e outros utensílios como forma de preparação para um possível fim do mundo em 2012. De acordo com uma pesquisa encomendada pela CNN e pela revista Time, aproximadamente um terço dos 50 milhões de evangélicos americanos acreditam que o fim do mundo está próximo ,e que Israel terá um papel central no “desencadeamento dos eventos apocalípticos”.

Muçulmana

De acordo com Gamal Foaud El Oumari, vice-presidente da Comunidade Muçulmana do Paraná e membro do Instituto Brasileiro de Estudos Islâmicos, os muçulmanos professam que apenas Allá sabe ao certo quando o mundo ruirá. Porém, segundo El Oumari, algumas profecias se concretizarão, mas os muçulmanos “devem saber diferenciar a profecia Divina da mundana, que é proferida pelos seres humanos. A profecia maia é vista dessa forma e não mereceria crédito”.

No fim do mundo, na crença muçulmana, Deus virá para acabar com a injustiça e a opressão. Imam Mahdi, último sucessor do profeta Mohammad, viria junto com Jesus Cristo, para apoiá-lo a combater as injustiças na Terra.

Espiritismo

Segundo o vice-presidente da Federação Espírita Brasileira, Geraldo Campetti Sobrinho, os Espíritas acreditam que a Terra vive um momento de transição, saindo de “uma fase onde impera mal para um mundo um pouco mais feliz”. Para Sobrinho, na visão espírita, o bem venceria em outro mundo, mas que não é possível precisar uma data como na profecia maia. “Allan Kardec (que viveu até 1869, na França), em sua época, dizia que o processo de renovação da Terra já havia iniciado. Estamos todos sendo testados individualmente nesse momento de transição”, explicou Sobrinho.

Judaísmo

Diferentemente das religiões Cristãs e do Islamismo, os judeus não acreditam que um Messias já tenha passado pela Terra. Portanto, na visão Judaica, o Messias ainda está por vir para preparar os humanos para uma nova fase, na qual o mundo seria mais elevado, e a natureza, transformada. “Antes disso, ainda acontecerá a Ressurreição dos Mortos, onde os justos são resgatados para viver essa época”, afirmou o rabino Hugo Gitz. Segundo ele, não há uma data prevista para esse acontecimento.

Budismo

No Budismo, não existe uma menção específica ao fim do mundo. Entretanto há uma teoria similar ao que seria o Apocalipse das religiões Cristãs. A era Mappou significa término ou final – um momento de transformação, em cenário “atemporal” no qual os ensinamentos, práticas e efeitos do Dharma (lei natural) se ocultariam em função da ignorância dos seres.

Tolerância e relativismo

Dom Redovino Rizzardo
Bispo de Dourados (MS)

Ao longo do mês de setembro, um filme produzido nos Estados Unidos, ridicularizando a figura de Maomé, fundador do Islã, ocupou as manchetes dos meios de comunicação social de todo o mundo, pelas graves conseqüências que provocou. Foram inúmeros os países em que os protestos dos muçulmanos causaram dezenas de mortes, entre elas, do embaixador norte-americano na Líbia.

Poucos dias antes, o Festival de Cinema de Veneza havia premiado o filme “Paraíso: Fé”, que zomba a religião católica ao mostrar uma mulher masturbando-se com um crucifixo. Mas, diferentemente do que aconteceu com a produção norte-americana, foram raras as pessoas que tomaram a defesa da Igreja. Para uma delas, o motivo é simples: “Uma das características da “cultura” atual é atacar os católicos e, em seguida, defender-se apoiando-se na liberdade de expressão“. De igual teor foi a reação do diretor de uma revista francesa ao se defender das críticas que recebeu, por ter acirrado mais ainda os ânimos, publicando charges contra Maomé, poucos dias depois do aparecimento do filme norte-americano: “As religiões não podem ser questionadas? Ou só é possível fazê-lo contra a Igreja Católica?“.

Dois pesos e duas medidas: denegrir o Cristianismo é direito, arte e cultura, e ai de quem se atreve a divergir! Pelo contrário, ofender o Islã é preconceito e intolerância, como afirmou a própria Dilma Roussef no discurso que proferiu nas Nações Unidas, no dia 25 de setembro: «Como presidente de um país no qual vivem milhares de brasileiros de confissão islâmica, registro neste plenário nosso veemente repúdio à escalada de preconceito islamofóbico em países ocidentais».

Mas, até que ponto é lícito ferir a cultura e a religião de quem pensa diferente? Violência gera violência: à prepotência da imprensa, que se julga dona da verdade e acima de qualquer questionamento, há muçulmanos que se sentem no direito e no dever de responder com a força das armas! Em pronunciamento feito no dia 12 de setembro, o porta-voz do Vaticano, Pe. Federico Lombardi, lembrou que o caminho a ser percorrido é diferente: “O respeito pelas crenças, pelos textos, pelos personagens e pelos símbolos das diferentes religiões é uma condição essencial para a coexistência pacífica dos povos“.

Numa sociedade que se pensa cada vez mais tolerante, o que mais parece faltar é tolerância, sobretudo em matéria de ética, moral e religião. Foi o que disse o papa Bento XVI na entrevista que concedeu ao jornalista alemão Peter Seewald, em 2010: «O que se está difundindo hoje é um novo tipo de intolerância. Existem maneiras de pensar bastante difusas que devem ser impostas a todos. É o que acontece, por exemplo, quando se afirma que, em nome da tolerância, não devem existir crucifixos nos edifícios públicos. No fundo, estamos eliminando a tolerância, porque, na realidade, isto significa que a religião e a fé cristã já não podem se expressar de modo visível.

A mesma coisa acontece quando, em nome da não discriminação, se quer obrigar a Igreja Católica a mudar a própria posição em relação à homossexualidade ou à ordenação sacerdotal das mulheres. Na prática, isso significa que não lhe é permitido viver a própria identidade, substituindo-a por uma religião abstrata como critério tirânico último, ao qual todos se devem dobrar. E isso seria liberdade, pelo simples fato de que nos livraria de tudo o que era praticado anteriormente.

A verdadeira ameaça diante de qual nos encontramos hoje é a de que a tolerância seja abolida em nome da própria tolerância. Há o perigo de que a razão ocidental afirme ter finalmente descoberto o que é justo e apresente uma pretensão de totalidade que é inimiga da liberdade. Creio ser necessário denunciar fortemente esta ameaça. Ninguém é obrigado a ser cristão. Mas também ninguém deve ser constrangido a viver segundo a ‘nova religião’, como se fosse a única e verdadeira, vinculante para toda a humanidade“.

Para o papa, a “nova religião” que está penetrando em todos os segmentos da sociedade é «a ditadura do relativismo, para quem nada é definitivo, e tem como único critério o próprio eu e suas vontades». Contudo, num mundo que assume como religião o relativismo, o que determina o pensamento e as atitudes das pessoas só poderá ser um novo paganismo…

Papiro sobre “esposa de Jesus” não afeta o Cristianismo, destaca perito norte-americano

(ACI/EWTN Noticias).- Dias atrás  meios de comunicação no Brasil e no mundo informaram sobre um papiro que faz referência a uma suposta “esposa de Jesus”, uma afirmação que segundo um destacado perito em Bíblia não afeta em nada o Cristianismo e a fé Católica, nem prova que Jesus esteve casado.

O texto em questão é um fragmento de um papiro escrito em idioma copto no Egito. O escrito tem 4,5 centímetros de altura por 9 centímetros de comprimento e contém as frases “Jesus lhes disse: ‘Minha esposa…” e na seguinte linha supostamente diz “ela poderá ser minha discípula”.

A origem do fragmento é desconhecida, mas foi examinado pela primeira vez em 1980. Parece ser do século IV, seu dono permanece anônimo e tenta vender sua coleção à Universidade de Harvard. A historiadora da Divinty School desta universidade norte-americana, Karen L. King, apresentou o papiro em Roma em um congresso internacional de estudos coptos.

Mark Giszczak, um perito biblista do Augustine Institute de Denver (Estados Unidos) comentou que este tipo de papiros que são usados para tentar gerar controvérsia sobre se Jesus esteve casado ou não “procuram na verdade reviver o fantasma do Código Da Vinci’, o romance de Dan Brown”.

Em declarações ao grupo ACI, o catedrático assinalou que o interesse neste tipo de fontes “nasce da obsessão de tentar ver Jesus como alguém que não foi especial, um simples professor humano em vez do próprio Filho de Deus”.

“Jesus, o Verbo encarnado, confronta cada nova geração com suas radicais afirmações sobre seu ser Deus e ter morrido pelo mundo. A história de suavida não deve ser reescrita, e sim recebida e crida”, ressaltou.

Giszczak explicou ademais que a Igreja Católica desde seus tempos mais remotos jamais ensinou que Jesus esteve casado e que no Novo Testamento inteiro não se afirma uma só vez que Ele teve uma esposa.

“Um texto do século IV que afirma que Jesus disse ‘minha esposa’ não muda o que sabemos sobre Jesus no Novo Testamento. Ao contrário, isto nos mostra que alguns coptos do século IV acreditavam que Jesus esteve casado, uma crença que contradiz os Evangelhos”.

O perito ressaltou que o profeta Jeremias e judeus do século I praticaram o celibato, enquanto que próprio Jesus no capítulo 19 de Mateus alenta sua prática.

Outros peritos coptos também questionaram a autenticidade do fragmento, informou a agência Associated Press. Criticam sua aparência, a gramática, a falta de contexto e sua origem ambígua.

Em declarações ao jornal americano The New York Times, a própria pesquisadora Karen L. King advertiu que o papiro não deveria ser usado como “prova” de que Jesus esteve casado. Entretanto, esse mesmo jornal e outros meios afirmaram que a descoberta poderia “reavivar” o debate sobre se Ele realmente teve esposa ou se teve discípulas.

Mark Giszczak rechaçou esta perspectiva e explicou que o Novo Testamento mostra que Jesus teve seguidoras que estiveram com ele na crucificação, incluindo Santa Maria Madalena, mas não menciona nenhuma esposa.

Giszczak disse que as pessoas devem estar “alertas” ante estas novas descobertas e por isso “devem esperar que todos os fatos sejam esclarecidos”. Novos textos devem “ser examinados à luz do Novo Testamento e dos ensinamentos da Igreja“.

Documentos não canônicos sobre Jesus já foram fonte de sensacionalismo no passado.

Um investigação na National Geographic Society sobre o evangelho de Judas, um texto escrito no século II por uma seita gnóstica hereje, foi exibido noDomingo de Ramos de 2008.

O projeto afirmou que o texto mostrava Judas em uma perspectiva positiva, mas proeminentes estudiosos criticaram o documentário por promover uma tradução errônea, e acusaram a produção de exploração comercial e imperícia acadêmica.

Evangelho do Dia – Mt 15,21-28

Mulher, grande é a tua fé!

+ Proclamação do Evangelho de Jesus Cristo segundo Mateus 15,21-28

Naquele tempo:
21Jesus foi para a região de Tiro e Sidônia.
22Eis que uma mulher cananéia, vindo daquela região,
pôs-se a gritar:
“Senhor, filho de Davi, tem piedade de mim:
minha filha está cruelmente atormentada por um
demônio!”
23Mas, Jesus não lhe respondeu palavra alguma.
Então seus discípulos aproximaram-se e lhe pediram:
“Manda embora essa mulher,
pois ela vem gritando atrás de nós.”
24Jesus respondeu: “Eu fui enviado somente
às ovelhas perdidas da casa de Israel.”
25Mas, a mulher, aproximando-se,
prostrou-se diante de Jesus, e começou a implorar:
“Senhor, socorre-me!”
26Jesus lhe disse: “Não fica bem tirar o pão dos filhos
para jogá-lo aos cachorrinhos.”
27A mulher insistiu: “É verdade, Senhor;
mas os cachorrinhos também comem
as migalhas que caem da mesa de seus donos!”
28Diante disso, Jesus lhe disse:
“Mulher, grande é a tua fé! Seja feito como tu queres!”
E desde aquele momento sua filha ficou curada.
Palavra da Salvação.

Reflexão – Mt 15, 21-28

O Evangelho de hoje nos revela a diferença fundamental entre o judaísmo e o cristianismo, entre as idéias do povo de Israel e as idéias que devem marcar a vida da Igreja. Para o povo de Israel, ele era o único povo de Deus e não poderia haver outro e as demais nações da terra não poderiam receber os benefícios de Deus. Para a Igreja, todos os homens e mulheres do mundo, de todas as classes, línguas e nações, são objetos da ação salvífica de Deus, de modo que a graça divina é para todos e a salvação é universal. No primeiro momento do Evangelho de hoje, Jesus nos mostra que é verdadeiramente um judeu, mas no segundo, nos mostra como verdadeiramente devemos ser e agir.

DESCOBERTO EVANGELHO APÓCRIFO DO EGITO NA INGLATERRA

 O decano da Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra e professor de Novo Testamento da mesma universidade, Juan Chapa, encontrou na Inglaterra um novo evangelho apócrifo, texto que pelo seu conteúdo ou forma assemelha-se aos quatro evangelhos incluídos no Novo Testamento: Mateus, Marcos, Lucas e João.

O fragmento pertence à coleção de papiros de Oxirrinco, Egito, preservado e publicado na Universidade de Oxford, sob o patrocínio da Egypt Exploration Society de Londres e British Academy.

O texto, recém-descoberto e publicado, mede sete centímetros de comprimento por sete de largura e é escrito de ambos os lados com restos de vinte e duas linhas. De um lado, o documento inclui algumas palavras de Jesus dirigidas a seus discípulos que, como explicou Chapa, são “uma chamada para o seguimento radical, com uma alusão à Jerusalém e ao Reino”.  No outro lado, narra-se parte de um “exorcismo” realizado por Jesus que, como indica Chapa, não encontra paralelo exato nos quatro evangelhos canônicos e que, mais do que um novo exorcismo, parece uma síntese dos já conhecidos pelo outros evangelhos e “testemunha a importância que teve entre os primeiros cristãos esta atividade de Jesus”.

De acordo com este especialista em papiros, que colabora há anos com o projeto de edição de papiros da coleção britânica, ainda é incerto a dimensão dessa descoberta, mas assegurou que “fornecerá novas luzes para entender melhor o cristianismo dos primeiros dois séculos e o que liam e pensavam os primeiros cristãos do Egito, e também sobre a formação dos Evangelhos”. “Destaca especialmente pela sua antiguidade – diz Chapa -, porque foi escrito por volta do ano 200. São poucos os manuscritos preservados dessa época, e ainda menos, testemunhas dos evangelhos apócrifos”.

Nesse sentido, observou que, dos dois primeiros séculos, temos “um pouco mais de uma dezena de manuscritos” dos quatro evangelhos canônicos e apenas quatro de evangelhos apócrifos: do Evangelho de Tomé, do chamado Egerton Gospel – um Evangelho desconhecido que só se conhece por este manuscrito – e de outros dois que alguns atribuem ao Evangelho de Pedro.

Os quatro evangelhos incluídos no Novo Testamento são aqueles que a Igreja transmitiu como testemunho autêntico procedente da época apostólica e os outros livros do mesmo gênero perderam por não acrescentar nada novo ao que já continha naqueles quatro, ou porque foram elaborados a partir deles, a fim de difundir alguma doutrina particular, às vezes até em desacordo com a encontrada nos evangelhos canônicos.