Papa elenca 15 doenças da Curia que prejudicam a Igreja

Enquanto o Papa Francisco discursa alguns cardeais demonstram tristeza pela bronca. Foto: Andreas Solaro / AP
Enquanto o Papa Francisco discursa alguns cardeais demonstram tristeza pela bronca. Foto: Andreas Solaro / AP

Hoje, 22/12, o Papa Francisco falou sobre a Cúria  e suas doenças que atrapalham na governança da Igreja. Francisco listou 15 enfermidades a serem combatidas. A mais forte de todas, e já citada pelo pontífice, foi o “Alzheimer espiritual”. Ele ainda, em seu discurso anual aos membros da Cúria, condenou rivalidades, calúnias e intrigas.

“Como qualquer corpo humano”, a Cúria sofre de “infidelidades ao Evangelho” e de “doenças que precisa aprender a curar”, disse o Papa.

O objetivo da lista é para que Cúria “seja cada vez mais harmoniosa e unida”. Na lista, figuram expressões fortes como “terrorismo do falatório”, “esquizofrenia existencial”, “exibicionismo mundano”, “narcisismo falso” e “rivalidades pela glória”.

— A cura é o fruto da tomada de consciência da doença — concluiu o Papa, pedindo que os bispos e cardeais se permitam que o Espírito Santo inspire suas ações, em vez de confiar apenas em suas capacidades intelectuais. — Os padres são como aviões: estão na primeira página quando caem — acrescentou.

Após o puxão de orelha em público, o Papa saudou um a um os cardeais.

Será que essas doenças habitam apenas a Cúria?

Creio que não. Muitas já estão enraizadas nas bases da Igreja. Padres autoritários, leigos autoplocamados donos da igreja. Bispos esquecidos. E assim por diante. Contudo, o passo dado hoje por Francisco, mostra que ele pretende, ou melhor, faz uma quimioterapia na Igreja. De fato, ela tem de começar em algum lugar. Esse lugar é o coração da casa. Por lá que os exemplos ruins tem chegado até as pequenas comunidades.

Vamos rezar para que essas doenças saim todas da Igreja de Cristo.

Marquione Ban com informações de O Globo

Retrospectiva 2013: tudo que aconteceu na Igreja durante o ano

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Isso mesmo, irmãos e irmãs. O Anunciador fez uma retrospectiva dos fatos mais marcante no ano de 2013. Tudo que rolou aqui, no O Anunciador, em um resumo do Ano de 2013.

É oportuno lembrar que este ano foi o Ano da Fé e por isso tivemos vários fatos marcantes. Teve pela primeira vez em 600 anos um papa renunciando. A escolha de um papa Latino, da Argentina. Um mega JMJ no Rio de Janeiro. Dois papa juntos, rezando. Tivemos também a marcante luta pela vida em várias nações. A triste guerra na Síria. Mega-tufão com imagem intacta de Jesus. E muito mais.

Vamos rever o que aconteceu, mês a mês:

Janeiro

Muita coisa aconteceu neste mês. Publicamos muitas coisas em janeiro. Uma das matérias de destaque deste mês foi a notícia de que o número de padres cresceu em todo o mundo. Estudo realizado pela Agência Fides que apresenta dados extraídos do “Anuário Estatístico da Igreja”  revela que a Igreja católica cresceu em todo o mundo, principalmente na Ásia e na África. Contrariando os inimigos da Igreja.

Janeiro também nos reservou a grata surpresa de que a conta Papa no twitter havia superado mais de 2,5 milhões de seguidores. Além disse o então papa, Bento XVI, também lançou uma conta em latim na rede social. Outra dois fatos também marcaram o mês de São Sebastião, a mensagem do Papa para o Dia Mundial das Comunicações e a Semana de Oração Pela Unidade dos Cristãos no hemisfério norte.

Fevereiro

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Este mês foi histórico para a Igreja. Um mês triste pela renuncia do Papa Bento XVI. Bento XVI renunciou a cátedra de Pedro por motivos de saúde. O papa emérito estava muito cansado não conseguia comandar a igreja com o vigor necessário. Bento XVI ainda disse, que foi “Deus quem pediu para renunciar”.

A renuncia de Bento XVI causou nos meios de comunicação e também nas mentes dos fiéis. Como pode um papa renunciar? Muitos se perguntavam. Veio a tona profecias de fim do mundo, como foi o caso da Profecia de São Malaquias. Seria o próximo papa o último? Até hoje alguns acreditam nessas ideias (kkkk).

Este mês também foi marcado pelo

  1. Início da Quaresma;
  2. Campanha da Fraternidade 2013 (Fraternidade e Juventude);
  3. Morte do Bispo Emérito da Diocese de Yinchuan da região autônoma da Ningxia (China) que ficou 20 anos preso;
  4. O Papa estava certo quanto a prevenção da AIDS. Distribuir camisinha não resolve;

Em particular, além dos fatos acima, minha diocese também ficou marcada. A renuncia de Dom Odilon Guimarães foi aceita e neste mesmo mês foi escolhido um novo bispo para a Itabira/Cel. Fabriciano: Dom Marco Aurélio.

Março

papaO mês de São José, da Semana Santa, foi o mês de Francisco. Isso mesmo. O conclave foi reunido ainda em março e em pouco tempo elegeu um “papa do fim do mundo“. Os fiéis foram surpreendidos com um papa simples que antes de abençoar o povo pediu que orassem por ele.

“Vocês sabem que o dever do Conclave era de dar um bispo para Roma.; parece que meus irmãos foram buscá-lo no fim do mundo. Mas, estamos aqui. Obrigado pela acolhida. Rezemos todos juntos pelo bispo de Roma. Peço um favor a vocês: antes que o bispo abençoe o povo, peço que rezem ao Senhor para que me abençoe.” Papa Francisco ao ser eleito papa.

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Histórico encontro de Francisco e Bento XVI

Francisco ainda seguiu surpreendendo o mundo. Não aceitou residir no apartamento papal, pagou a conta da sua hospedagem na Casa Santa Matta. E historicamente demostrou que a humildade seria a marca principal de seu papado ao encontrar-se com Bento XVI, e disse “Somos irmãos.

Março foi marcado por uma triste derrota pró-vida. O Conselho Regional de Medicina defendeu o aborto.

Abril

Abril é o mês do amor. E também um mês cheio de acontecimentos. Novamente a humildade do Papa chama a atenção com o gesto simples de consertar seus sapatos. Em contraponto a humildade do Papa no Brasil um tal de Padre Beto pisou e sambou sobre os ensinamentos da igreja e sobre seu sacerdócio. Resultado, foi excomungado pelo Bispo de Bauru-SP.

Enquanto um padre declarava apoio a causa gay no Brasil a França viveu a marcha de prefeitos (Juízes de Paz) contra a legalização do casamento homossexual.

No Brasil terminava a morna 51ª Assembleia da CNBB que não declarou nada em seus documentos sobre o casamento gay, aborto e outros assuntos polêmicos que a Igreja sempre se pronunciou contra.

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Angola entrou para a história e proibiu ações da igrejas ditas “evangélicas” em seu território. A causa para beatificação de Dom Oscar Romero foi reaberta. Sociedade São Vicente de Paulo celebrou 200 anos do nascimento de Beato Frederico Ozanam.

Uma imagem rodou o mundo pela intolerância. Ativistas seminuas do grupo feminista Femen invadiram uma conferência em uma universidade de Bruxelas. Durante o ato as manifestantes jogaram água no arcebispo de Mechelen-Bruxelas, Andre-Joseph Leonard. O bispo não reagiu e evitou olhar para as manifestantes.

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Fechando este mês de abril, não podemos esquecer da polêmica com o COL – comitê organizador da JMJ – em colocar artistas seculares para se apresentarem durante a JMJ.

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Card. Maradiaga: “Projeto de reforma requer parecer de quem tem experiência na Cúria”

Cidade do Vaticano (RV) – O cardeal hondurenho Oscar Rodriguez Maradiaga, coordenador do “Conselho de cardeais” instituído pelo Papa Francisco para ajudá-lo na reforma da Constituição Apostólica Pastor Bonus sobre a Cúria Romana, concedeu uma entrevista ao jornal dos bispos italianos “Avvenire”.

“Nosso trabalho não será emendar e nem retocar a Pastor Bonus. Será preciso um trabalho mais profundo e mais tempo. Não terminaremos em 2014, porque uma vez que o projeto estiver pronto, queremos ouvir o parecer de quem tem experiência na Cúria”.

Depois dos primeiros 3 dias de encontros do Conselho no Vaticano, o cardeal explicou que “a primeicard.-N-R-Maradiaga-Homdurasra coisa que o Papa pediu foi para refletirmos e propormos sugestões sobre o Sínodo dos Bispos, que deverá trabalhar com mais continuidade e de modo interativo, via Internet, por exemplo.

A respeito da criação de um eventual “moderator curiae”, o cardeal latino-americano explicou que se trata “de uma ideia surgida nas reuniões pré-Conclave para ajudar a Secretaria de Estado a desempenhar suas tarefas. Ainda é cedo para definir o perfil do ‘moderador’.

Em relação à possibilidade de fusão dos dicastérios, o Cardeal Maradiaga respondeu que “no pré-Conclave se falou disso, mas ainda não se pode dizer muito. Na época, cogitou-se unir os organismos econômicos e financeiros do Vaticano, criando uma espécie de “Ministério da Economia” vaticano, mas ainda não abordamos este tema. Aguardamos os resultados das duas comissões específicas instituídas pelo Papa”.

E o IOR?: “Há quem pense que seria melhor transformá-lo em um banco ético. Mas repito – acrescentou o coordenador do Conselho – temos que esperar o resultado das comissões, principalmente o da específica sobre o IOR”.  (CM)

Texto da Rádio Vaticano

Uma nova constituição para a Cúria

O papa Francisco se reúne a portas fechadas com cardeais que o aconselharão em reforma da Cúria Católica, desde terça, no Vaticano
O papa Francisco se reúne a portas fechadas com cardeais que o aconselharão em reforma da Cúria Católica, desde terça, no Vaticano

(ACI/EWTN Noticias).- Uma nova constituição para a Cúria do Vaticano em substituição da atual “Pastor Bonus” e a atribuição de um papel mais protagônico dos leigos foram os temas principais tratados ontem pela tarde e na manhã de hoje na reunião do Conselho de cardeais e o Papa Francisco que o instituiu para colaborar no governo da Igreja.

Assim o informou o diretor do Escritório de Imprensa da Santa Sé, Padre Federico Lombardi, que explicou que a orientação dos cardeais “não é a de uma atualização da Constituição apostólica ‘Pastor Bonus’, com retoques ou modificações marginais, mas a de uma nova constituição com novidades de relevância. É necessário esperar um tempo adequado, depois deste Conselho, mas a ideia é essa. Os Cardeais deixaram claro que não se trata de fazer retoques cosméticos ou pequenos ajustes da Pastor bonus”.

Também é evidente a intenção dos cardeais de d estacar a natureza de serviço por parte da Cúria à Igreja universal e local mais “em termos de subsidiariedade, que de exercício de poder centralizado. A direção é a de atuar a serviço da Igreja em todas as suas dimensões”.

Um argumento muito importante foi o da natureza e funções da Secretaria de Estado que “deve ser a secretaria do Papa; a palavra Estado não deve dar lugar a equívocos. Esse organismo está a serviço do Papa no seu governo da Igreja universal. A reunião do Conselho é muito útil neste momento, em vista às orientações que o Santo Padre dará ao novo Secretário de Estado que tomará posse do seu cargo dentro de muito pouco, em 15 de outubro”.

Sempre no âmbito da Cúria se abordou a questão das relações entre os chefes de dicastério e o Papa e da coordenação entre os diversos organismos. “Neste contexto se falou da figura de um ‘Moderator Curiae’ ( moderador da cúria) e de suas funções. O tema foi tocado, mas não se tomou ainda nenhuma decisão; se houver, estará na nova constituição, mas, de fato é uma das hipóteses propostas pelo Conselho”.

Os cardeais falaram da possível reorganização das administrações dos bens temporais, mas sem aprofundar no tema já que estão à espera dos “informes das comissões referentes nessa matéria que lhes comunicarão o resultado de seu trabalho”.

Os membros do conselho deram uma “atenção notável” à questão dos leigos, já que os prelados recolheram muitas sugestões e pedidos sobre esse tema em suas respectivas zonas de procedência.

“Na hora de tratar da reforma da Cúria e suas instituições, está-se pensando também – explicou o Padre Lombardi- em dar maior atenção específica aos temas relativos aos leigos, que esta dimensão da realidade da Igreja seja adequada e eficazmente reconhecida e seguida pelo governo da Igreja. Agora há um Pontifício Conselho para os Leigos, mas se pode pensar em potencializar esta realidade”.

Nesta manhã voltaram a debater sobre o sínodo, em vista da preparação do próximo.

Por último, Lombardi disse que até ontem não se fixou uma data para a próxima reunião do Conselho, embora já se tinha falado de um encontro no começo do ano que vem, mas de forma informal.

“A intenção -concluiu- é a de continuar, sem esperar longos tempos. Além disso, não terá que pensar que entre uma reunião e outra não passe nada; os cardeais e o Papa continuam intercambiando opiniões e mensagens, embora não haja uma reunião plenária do Conselho”.

Papa Francisco: “Na Cúria há gente santa, mas também uma rede de corrupção. Fala-se de ‘lobby gay”, e é verdade, existe”. “Expliquem o que têm de explicar, mas sigam adiante… Abram portas, façam algo aí onde clama a vida”.

Texto postado no blog Frates in Unum

“Na Cúria há gente santa, mas também uma rede de corrupção. Fala-se de ‘lobby gay”, e é verdade, existe”. “Expliquem o que têm de explicar, mas sigam adiante… Abram portas, façam algo aí onde clama a vida”. 

Por  Reflexión y Liberación | Tradução: Fratres in Unum.com – Um encontro histórico, sem precedentes. Pelo que se disse, e pelo como se disse. Durante uma hora, Francisco dialogou com franqueza com a diretoria da Confederação Latino-americana e Caribenha de Religiosas e Religiosos (CLAR). Conversaram sentados em círculo, entre iguais, como nas primeiras comunidades fundadas por Jesus… E o Papa foi sincero: falou da corrupção na Cúria romana, onde “há gente santa, mas também uma rede de corrupção, também existe, é verdade… Fala-se do ‘lobby gay’, e é verdade, existe”.

Por sua vez, defendeu a liberdade da vida religiosa — “expliquem o que têm de explicar, mas sigam adiante” –; mostrou sua preocupação por “certos grupos restauracionistas”; e reivindicou o espírito de Aparecida: “Aparecida não acabou. Aparecida não é só um documento. Foi um acontecimento”. Reflexión y Liberación oferece de maneira exclusiva esta breve síntese deste histórico encontro celebrado na Santa Sé.

Audiência com o Papa Francisco

Abram portas… abram portas!

Eles se equivocarão, pisarão na bola, isso passa! Talvez até chegue para vocês uma carta da Congregação para a Doutrina (da Fé) afirmando que disseram tal ou qual coisa… Mas não se preocupem. Expliquem o que tiver que explicar, mas sigam adiante… Abram portas, façam algo ali onde clama a vida. Prefiro uma Igreja que se equivoca por fazer algo do que uma que adoece por ficar fechada…

. (sobre sua eleição) Não perdi a paz em momento algum, sabem? E isso não é meu, eu sou de ficar preocupado, nervoso… Mas não perdi a paz em momento algum. Isso me confirma que isso é de Deus.

. (ao contar-lhe da esperança que nos trouxeram os seus gestos neste tempo, faz referência a  permanecer vivendo em Santa Marta) … esses gestos… não vieram de mim. Eles não me ocorreram. Não é que eu traçara um plano, nem que me tenham feito um quando me elegeram. Fiz dessa forma porque senti que era o que o Senhor queria. Mas estes gestos não são meus, há Outro aqui… isso me dá confiança.

Vim com a roupa contada, lavava-a de noite, e de repente isso… Sim, eu não tinha nenhuma possibilidade! Nas apostas de Londres eu estava em 44º lugar, vejam vocês, quem apostou em mim ganhou muitíssimo, claro!… Isso não vem de mim…

. É preciso virar a mesa. Não é novidade que na Ottaviano [ndr: uma via de Roma] morra um idoso de frio à noite, ou que há tantas crianças sem educação, ou com fome, penso na Argentina… Por outro lado, as principais bolsas do mundo sobem ou descem 3 pontos e isso é um acontecimento mundial. É preciso mudar isso! Não pode ser. Os computadores não foram feitos à imagem e semelhança de Deus; são um instrumento, sim, mas não mais. O dinheiro não é imagem e semelhança de Deus. Só a pessoa é imagem e semelhança de Deus. É preciso mudar isso. Esse é o evangelho.

. É necessário ir às causas, às raízes. O aborto é mal, mas isso está claro. Porém, o que está por trás da aprovação dessa lei, que interesses estão detrás? São as vezes as condições que colocam os grandes grupos para apoiar financeiramente, sabiam? É necessário ir às causas, não podemos ficar só nos sintomas. Não tenham medo de denunciar…. Vocês sofrerão, terão problemas, mas não tenham medo de denunciar, essa é a profecia da vida religiosa…

. Partilho com vocês duas preocupações. Uma é a corrente pelagiana que existe na Igreja neste momento. Há alguns grupos restauracionistas. Conheço alguns; coube a mim recebê-los em Buenos Aires. E nos sentimos como se tivéssemos voltado 60 anos atrás! Antes do Concílio… Sentimo-nos em 1940… Um relato, só para ilustrar esse grupo, não é para que riam disso, eu tive respeito, mas preocupa-me; quando eu fui eleito, recebi uma carta de um desses grupos, e eles disseram: “Sua Santidade, nós lhe oferecemos este tesouro espiritual: 3.525 rosários.” Por que eles não dizem: “nós rezamos pelo senhor, pedimos…”? Mas essa coisa de contar… E esses grupos voltam a práticas e disciplinas que eu experimentei – não vocês, porque vocês não são velhos – a disciplinas, a coisas que naquele momento aconteceram, mas não agora, elas não existem hoje em dia…

. A segunda [preocupação] é com a corrente gnóstica. Esses panteísmos… Ambas são correntes elitistas, mas esta é de uma elite mais educada… Ouvi falar de uma superiora geral que instou as irmãs de sua congregação a não rezarem de manhã, mas a banharem o cosmos espiritualmente no cosmos, coisas como essa… Elas me preocupam porque ignoram a encarnação! E o Filho de Deus se tornou a nossa carne, a Palavra encarnada, e na América Latina temos carne em abundância [de tirar al techo]! O que acontece aos pobres, suas dores, é a nossa carne…

O evangelho não é a regra antiga, nem tampouco este panteísmo. Se olharem para as periferias: os indigentes… os drogados! O modo de tratar as pessoas… Esse é o evangelho. Os pobres são o evangelho.

* (ao falar-lhe da difícil tarefa de cuidar da Cúria Romana, e da comissão de cardeais que lhe darão apoio, etc.) E, sim… é díficil. Na cúria há gente santa, de verdade, há gente santa. Mas também há uma rede de corrupção, também há, é verdade… Fala-se do ‘lobby gay’, e é verdade, existe… Vamos ver o que podemos fazer…

A reforma da Cúria romana é algo que pedimos quase todos os cardeais nas congregações anteriores ao Conclave. Eu também a pedi. A reforma não posso fazer eu, estes assuntos de gestão… Eu sou muito desorganizado, nunca fui bom nisso. Mas os cardeais da comissão a levarão adiante. Aí estão Rodríguez Maradiaga, que é latino-americano, que está na dianteira, está Errázuriz, são muito organizados. O de Munique também é muito organizado. Eles levarão isso adiante.

. Rezem por mim, para que me equivoque o menos possível…

. Aparecida não terminou. Aparecida não é só um documento. Foi um acontecimento. Aparecida foi algo distinto. Primeiro, porque não teve documento de trabalho. Teve contribuições, mas não um documento. E, ao fim, também não tinha um documento, sim, no dia anterior ao fim [da Conferência] tínhamos 2300 “maneiras”… Aparecida enviou à missão continental. Aì termina Aparecida, no impulso à missão.

É que houve de especial em Aparecida é que não se celebrou num hotel, nem numa casa de retiros… celebrou-se num Santuário mariano. Durante a semana, celebrávamos a eucaristia com umas 250 pessoas, porque era dia útil de trabalho. Mas aos finais de semana estava cheio…! O povo de Deus acompanhava os bispos, pedindo o Espírito Santo…

Eu vi — falo dele porque o vejo pouco amigável, mais dessa forma, é bom, mas é assim — vi o prefeito, João [ndr: Dom João Braz de Aviz, prefeito da congregação para os religiosos], que saía com a sua mitra, e o povo se aproximava, aproximavam-lhe as crianças, e eles saudava, abraçava… Esse mesmo bispo, mais tarde, votava. Não pode ter votado da mesma maneira se estivesse em um hotel!

Tínhamos as salas de reunião em baixo do Santuário. Assim, a música de fundo eram os cantos, as celebrações no Santuário… Isso fez da conferência algo muito especial.

. Há algo que me preocupa, embora não saiba como lê-lo. Há congregações religiosas, grupos muito, muito pequenos, umas poucas pessoas, gente idosas…  Não há vocações, o que sei, o Espírito Santo não quer que continuem, talvez já tenham cumprido sua missão na Igreja, não sei… Mas lá estão elas, aferradas a seus edifícios, aferradas ao dinheiro… Eu não sei porque isso ocorre, não sei como ler isso. Mas peço-lhes que se preocupem com esses grupos… A administração do dinheiro… é algo que precisa ser refletido.

. Aproveitem este momento que vivemos na Congregação para a Vida Consagrada… É um momento de sol… Aproveitem. O Prefeito é bom. E o secretário, que foi ‘lobbyado’ por vocês! Não, na realidade, sendo o presidente da USG, é lógico que fosse ele! É melhor…

. Ponham todo o seu empenho no diálogo com os bispos. Com o CELAM, com as conferências nacionais… Eu sei que há alguns que têm outra idéia da comunhão, mas… Falem, conversem com eles, digam-lhes…