Dom Odilo Pedro Scherer é nomeado membro da Congregação para a Educação Católica

O cardeal arcebispo de São Paulo, dom Odilo Pedro Scherer, foi nomeado pelo Papa Francisco neste sábado, 30, como membro da Congregação para a Educação Católica. O cardeal está entre os 11 novos membros nomeados para o dicastério.

Além das nomeações, Francisco confirmou a permanência do prefeito e do secretário dessa mesma Congregação, respectivamente cardeal Zenon Grocholewski e dom Ângelo Vincenzo Zani, e de mais 23 membros, entre os quais o cardeal João Braz de Aviz.

Ainda neste sábado, a Santa Sé informou que o Conselho de Superintendência do Instituto para as Obras de Religião (IOR) nomeou Rolando Marranci como novo diretor geral do Banco do Vaticano. A nomeação do novo diretor do IOR, que fora vice-diretor geral até 1° de julho último, foi confirmada pela comissão cardinalícia.

fonte Canção Nova

“A urgência das urgências é evangelizar”, acredita o cardeal Odilo Scherer

IMG 1088Muitos são os desafios para a Igreja no Brasil, entre eles está à necessidade da revitalização das paróquias. Essa é a proposta da 51ª Assembleia Geral dos Bispos da CNBB se volta ao tema central que este ano trata de “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”, onde os bispos brasileiros estão empenhados em refletir sobre a vida das paróquias. O arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer observa que “a Igreja sempre precisa de renovação, pois é um organismo vivo, senão ela morre”. Para o cardeal, renovar as paróquias é “tirar delas suas potencialidades para que não sejam apenas estruturas burocráticas, mas comunidades vivas com um espírito novo e dinâmico”.

Diante das necessidades que se apresentam para a Igreja do Brasil, o arcebispo acredita que “a urgência das urgências é evangelizar”. E, para que essa renovação ocorre na estrutura a Igreja precisa se “adequar para bem evangelizar, utilizando bem todos os meios e ocasiões”. Segundo o cardeal, a 51ª Assembleia Geral se realiza em clima diferente após a realização do Conclave que elegeu Papa Francisco. E, desejou que “a vida da Igreja se renove”, com a chegada do novo pontífice, pois “a Igreja existe para evangelizar”. Ele relembra que a nova evangelização está na linha da preocupação da Igreja, que tem buscado se orientar nas reflexões e caminhos sugeridos pela Conferência de Aparecida, realizada em 2007. Para dom Odilo, a missão a Assembleia Geral é acompanhar e motivar a vida e missão da Igreja no Brasil, em comunhão com o Papa.

Igreja missionária

Sobre as especulações da possível perda de fieis por parte do catolicismo, o cardeal dom Odilo analisa que a Igreja não está indiferente a esse fato, mas tem buscado estar mais próxima da sociedade. “Quando um católico deixa de ser católico, não ficamos indiferentes. Isso preocupa a Igreja, mas não temos soluções mágicas. Não podemos estar ocupados com uma pastoral de manutenção e conservação, mas com uma Igreja efetivamente missionária”, disse. Por outro lado, o arcebispo observa que “não só a Igreja católica perde fiel. É um fenônemo cultural, onde existe uma mobilidade de valores e outras várias razões que levaram as pessoas a fazerem novas escolhas”.

O arcebispo aponta a presença de um fenômeno da migração religiosa, onde as pessoas estão à procura de religiões que oferecem propostas mais interessantes, “com menos comprometimento, ligado a cultura do relativismo”, de acordo com o interesse subjetivo de cada indivíduo. Mediante a essa fator cultural, o cardeal Odilo explica que o objetivo principal da Assembleia Geral é buscar a renovação das paróquias. “Nós estamos ocupados em refletir sobre as paróquias. Queremos renovar a estrutura da paróquia quanto a sua funcionalidade para que seja expressão viva e dinâmica”. Para que essa renovação, de fato, aconteça, o cardeal dom Odilo aconselha: “Sermos honestos no modo de evangelizar, apresentando a proposta do evangelho sem instrumentalizar a religião. Isso demanda tempo, paciência e perseverança”.

Cardeais brasileiros concedem entrevista coletiva em Roma

cardeais_brasileiros14032013Conforme publicado pelo portal de notícias G1, os cardeais brasileiros concederam na manhã desta quinta-feira, 14 de março, em Roma, uma entrevista coletiva em que avaliaram a escolha do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, como sucessor de Bento XVI. Dos cinco cardeais brasileiros que participaram da eleição do pontífice, três participaram da entrevista: o presidente da CNBB e arcebispo de Aparecida (SP), dom Raymundo Damasceno Assis; o arcebispo emérito de Salvador (BA), dom Geraldo Majella; e o arcebispo de São Paulo (SP), dom Odilo Pedro Scherer.

A coletiva foi realizada no Colégio Pio Brasileiro. “As cotações prévias foram todas para o espaço”, afirmou dom Odilo, dizendo que, segundo a crença, há outros elementos envolvidos na escolha de um novo Papa. “Há de se aprender que a Igreja não é só feita de cálculos humanos. De fato, o Espírito Santo orienta a Igreja.”

Questionado sobre a possível pressão sentida por ter sido considerado um dos favoritos para ser o novo Papa, dom Odilo disse ter enfrentado tudo com muita tranquilidade. “Tenho os pés muito no chão, sabendo que havia muitas outras pessoas com muitas possibilidades.”

Ele afirmou não ter pensado que poderia vencer. “Depois de ter rezado, se colocado diante da possibilidade de ser eleito, ficaria difícil dizer não. Mas nunca pensei que viesse a acontecer”, disse. “Ser Papa não é uma honra simplesmente, não é um poder. É um serviço muito grande. Quem é eleito Papa sente esse peso.”

Após a eleição e dos ritos formais feitos, todos os cardeais saudaram pessoalmente o Papa. “O saudei, lhe dei os parabéns, pedi que Deus o abençoasse. Lembrei da Jornada Mundial da Juventude, que ele irá ao Brasil em julho. Depende dele confirmar, com certeza o fará”, disse dom Odilo.

O arcebispo de São Paulo revelou que visitou o túmulo de São Francisco de Assis, no domingo anterior ao conclave. Chegando lá, ele encontrou o cardeal arcebispo de Viena, Christoph Schönborn. “Mas um dominicano num lugar tão franciscano!”, comentou o brasileiro na ocasião. O colega disse que seria bom que a Igreja tivesse um Papa com espírito franciscano. “É um sinal para o que a Igreja quer e precisa fazer”, afirmou Odilo na entrevista coletiva. “Não se fazem saltos mortais na Igreja, mas existe uma continuidade.”

Também dom Geraldo revelou que foi a Assis no período pré-conclave. “Rezei naquela hora para que o Papa pudesse realmente ser o que fizesse as vezes de São Francisco”, afirmou. “Ele [Bergoglio] foi chamado e não teve nenhuma dificuldade de ser aclamado. Ele tem 76 anos, mas pode em pouco tempo fazer muito. O testemunho dele vai ser muito importante para o mundo, vai chamar a atenção do mundo. Vamos rezar para que ele seja feliz e, sendo feliz, faça a Igreja feliz”, disse.

Para dom Geraldo, a escolha não foi surpreendente. “Não foi uma grande surpresa no sentido de que ele não pudesse ser o possível candidato”, disse. “É um grande dom de Deus para a Igreja, para o mundo, um homem que tem um testemunho de vida. Ele vive o nome Francisco, é diferente dos outros”, afirmou. “Agradeço a Deus por um grande final.”

Já Dom Raymundo, que abriu a coletiva, disse que houve surpresa. “Não preciso dizer para vocês que foi uma surpresa para todos nós”, afirmou. Os cardeais também contaram que, ainda na noite de quarta (13), após anúncio do pontífice, o Papa Francisco falou que precisaria ir nesta quinta-feira à Casa Internacional do Clero em Roma, onde estava hospedado antes do conclave, para pagar a conta e pegar suas coisas. Dom Raymundo foi informado de que o Papa foi mesmo à Casa nesta quinta, e insistiu para pagar sua hospedagem.

Depois da apresentação pública do novo Papa aos fiéis, os cardeais e o pontífice fizeram uma confraternização na Casa Santa Marta. “Foi muito fraterna, com um cardápio semelhante ao dos dias do conclave. Mas não poderia deixar de ter uma champanhe para comemorar”, disse dom Raymundo.

“Depois da solenidade de apresentação, para voltar para a Casa Santa Marta, como protocolo ofereceram o carro oficial do Papa. Mas ele recusou e quis voltar como foi: no ônibus junto com os outros cardeais”, disse dom Odilo.

Os cardeais foram questionados sobre a rivalidade entre Brasil e Argentina, muito presente em diversos temas. “A disputa é mais no campo do futebol, entre o Maradona e o Pelé. No campo religioso não há isso, se trata da mesma Igreja”, disse dom Raymundo. “Como os argentinos são chamados no Brasil? De hermanos. Somos povos irmãos, nos sentimos assim”, completou dom Odilo.

Os cardeais também foram questionados sobre o papel da nova evangelização no novo pontificado e como o Papa Francisco deve direcioná-la. “Ela já foi uma das ênfases no pontificado de João Paulo II e Bento XVI. E na América Latina é fundamental. Esse objetivo de ir ao encontro dos mais afastados, distantes, esquecidos. A Igreja é chamada a ir ao encontro das pessoas, ficando em estado permanente de missão”, disse dom Raymundo.

Dom Odilo afirmou que dentro do conclave, em nenhum momento foi possível ver possíveis divisões dos cardeais ou identificar partidos. “Não existe direita e esquerda, não percebi. Foi um clima muito bonito, de grande responsabilidade e serenidade.”

“Era um ambiente muito especial, com um grupo bastante reduzido em relação ao número de católicos do mundo, mas 115 cardeais de todo o mundo. Transcorreu num clima de muita abertura, liberdade, fraternidade. É uma instância na qual a gente não sente pressão. Se sente totalmente livre, e isso é muito importante. E o ambiente é um dos mais belos em termos de arte no mundo, a Capela Sistina”, disse dom Raymundo. E completou: “O nome do novo Papa é uma mensagem de abertura ao mundo, de diálogo com o mundo, simplicidade, pobreza, solidariedade com os mais simples.”

O novo Papa tem 76 anos, o que surpreendeu algumas pessoas – muitos imaginavam que o escolhido seria mais jovem, para ter um pontificado mais longo que o de Bento XVI. Segundo Dom Geraldo, a idade não influenciou a escolha. “Havia vários [cardeais] com 60 anos, mas isso não pesou. Não foi uma surpresa a idade. O Espírito Santo sopra onde quer. Esse é um sinal para o mundo, sobretudo aos que mais sofrem.”

Ele também afirmou que os recentes escândalos de abusos sexuais no clero e de fraudes no Banco do Vaticano não tiveram peso dentro do conclave. “Em absoluto, não pesaram, ninguém teve preocupação com isso. Estamos preocupados com a Justiça, o Papa tem que defender a Justiça, os mais sofridos.”

Os cardeais foram questionados algumas vezes durante a coletiva sobre uma possível influência do conclave passado. À época, foi dito que o então cardeal Bergoglio renunciou aos votos recebidos no conclave em favor de Ratzinger, que foi eleito o Papa Bento XVI. Foi questionado se essa atitude o teria beneficiado agora. Os cardeais disseram não saber da veracidade dessa informação.

“Ninguém sabe se isso é verdade. Só dom Geraldo, que estava lá, mas ele não pode falar”, disse dom Odilo, sendo recebido por risadas dos presentes. Dom Geraldo era o único dos cardeais que deu entrevista que participou do conclave de 2005.

Haiti ainda exige atenção especial

missao_belem_no_haiti06O arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer, visitou o Haiti no início deste mês, no âmbito do projeto “Missão Belém”. A “Missão Belém” nasceu na Igreja em São Paulo em outubro de 2005 e foi instituída canonicamente pelo cardeal, em 2010. Hoje, está presente em três países e conta cem casas. No Haiti, acolhe 500 crianças e 200 mães.

Durante a viagem, dom Odilo visitou o arcebispo de Porto Príncipe, dom Guire Poulard, que explicou a situação da Igreja neste tempo posterior ao terremoto. Dom Odilo relata que as condições na região são precárias.

“Ainda falta reconstruir muitas igrejas, as missas continuam a ser celebradas debaixo de tendas, a construção do seminário ainda não começou. A visita à catedral, em ruínas, é desoladora. No entanto, andando pelas ruas, já não se veem mais tantos sinais do terremoto; os materiais foram removidos e a maioria das casas recuperáveis parecem ter sido reparadas. Contudo, edifícios públicos, de governo, continuam em ruínas”.

O arcebispo de São Paulo descreveu que muitas pessoas continuam a viver em grandes campos de tendas, enquanto não recebem uma casa para morar. “Muita gente também foi para as periferias da cidade e constituiu novas favelas, ocupando áreas disponíveis; outros foram para as montanhas, perto de Porto Príncipe, onde o ar é melhor; também essas estão à espera de receber uma casa”, relata.

Dom Odilo se reuniu com o Núncio Apostólico, com os capelães do Brasil e do Paraguai, das Forças de Paz da ONU e as religiosas da CRB. Fez uma via-sacra no meio da favela: “Foi uma experiência chocante ver de perto onde e como vivem aquelas pessoas. A ideia de Jesus, que continua a carregar a cruz nas dores e sofrimentos da humanidade, foi muito forte. O Haiti continua sendo um país muito pobre e devastado; mas tem muitas possibilidades e, com muitos pequenos ‘milagres’, motivados pela solidariedade e a caridade fraterna, certamente conseguirá superar a situação atual.”

Cardeal de São Paulo, Dom Odilo Scherer, critica desrespeito à fé católica na parada gay

Em declarações ao jornal o Estado de São Paulo, arcebispo de São Paulo, cardeal Dom Odilo Pedro Scherer, classificou como uma manifestação “infeliz, debochada e desrespeitosa” os cartazes com imagens de santos católicos ao longo da Avenida Paulista durante a 15ª Parada Gay recomendando o uso do preservativo para as relações homossexuais. Para o cardeal-arcebispo, o “uso instrumentalizado” das imagens por parte da organização do evento “ofende os próprios santos e os sentimentos religiosos do povo”.

Segundo explica a nota do Estadão “em 170 cartazes distribuídos em postes por todo o trajeto, 12 modelos masculinos, representando ícones como São Sebastião e São João Batista, apareciam seminus ao lado das mensagens: “Nem Santo Te Protege” e “Use Camisinha”.

Diante deste fato, o cardeal Scherer afirmou que “a associação das imagens de santos para essas manifestações da Parada Gay, a meu ver, foi infeliz e desrespeitosa. É uma forma debochada de usar imagens de santos, que para nós merecem todo respeito”.

“Vamos refletir sobre medidas cabíveis para proteger nossos símbolos e convicções religiosas. Quem deseja ser respeitado também tem de respeitar”, acrescentou o arcebispo.

Dom Odilo ressaltou que “o uso desrespeitoso da imagem dos santos populares ofende os próprios santos e os sentimentos religiosos do povo”.

Para o cardeal, afirma a nota do Estado de São Paulo, a organização da parada gay pregou os cartazes “provavelmente” para atingir a Igreja Católica “porque a Igreja tem manifestado sua convicção sobre essa questão e a defende publicamente.”

Dom Scherer manifestou sua posição contrária ao slogan escolhido pela organização da Parada, “Amai-vos uns aos outros” (tomado do Evangelho de São João). “Jesus recomenda “Amai-vos uns aos outros, como eu vos amei”. O uso de somente parte dessa recomendação, fora de contexto, em uma Parada Gay, é novamente um uso incorreto, instrumentalização da palavra de Jesus”, esclareceu o Cardeal.

“Instrumentalizar essas palavras sagradas para justificar o contrário do que elas significam é profundamente desrespeitoso e ofensivo, em relação àquilo que os cristãos têm como muito sagrado e verdadeiro”, afirmou também Dom Odilo.

Antes do desfile homossexual do domingo, decorrido em meio do caos gerado por arrastões, denúncias de roubos e participantes apreendidos com drogas, o Cardeal arcebispo de São Paulo, em um artigo intitulado “Homem e Mulher ele os criou”, afirmou que a Igreja Católica “vê com preocupação a crescente ambiguidade quanto à identidade sexual, que vai tomando conta da cultura”.

“Não é possível que a natureza tenha errado ao moldar o ser humano como homem e mulher. Isso tem um significado e é preciso descobri-lo e levá-lo a sério”, afirmava Dom Odilo.

“Para quem deseja a verdade e busca conformar sua vida ao desígnio de Deus, permanece o convite a se deixar conduzir pela luz da Palavra de Deus e pelo ensinamento da Igreja também no tocante à moral sexual. O 6º mandamento da Lei de Deus (“não pecar contra a castidade”) não foi abolido e significa, positivamente, viver a sexualidade de acordo com o desígnio de Deus”, concluía Dom Odilo no seu artigo publicado no dia 21 de junho no Jornal Arquidiocesano O São Paulo.