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Organizadores da JMJ venderão cemitério para pagar dívidas

Como já era de se esperar, íamos ter dívidas. A JMJ é um evento muito grande e por isso gasta-se muito para realizar. Só o dinheiro de doações e inscrições seriam insuficiente para todos os gastos.

De acordo com a colunista da Folha de São Paulo, Mônica Bergamo, depois da Arquidiocese do Rio de Janeiro vender o prédio do hospital D’Or, agora será a vez do cemitério Catumbi.

O espaço é de uma ordem religiosa, que espera arrecadar cerca de R$ 80 milhões com o negócio. Os recursos seriam repassados como empréstimo para o Instituto Jornada Mundial da Juventude. Estima-se que o rombo da festa estrelada pelo pontífice ultrapasse os R$ 100 milhões, informa a colunista.

Da coluna de Mônica Bergamo para a Folha de São Paulo

Papa diz que protestos no País são justos e de acordo com Evangelho

Papa Francisco deve se referir às manifestações espalhadas pelo País em seu discurso na Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro, no final do mês de julho

1044827_342427299218739_226133895_nO papa Francisco, que virá ao Brasil no próximo dia 22 para participar da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), no Rio de Janeiro, disse que as manifestações que estão ocorrendo por todo o País são justas e de acordo com o Evangelho, segundo informações do jornal El País.

De acordo com reportagem do periódico, o Pontífice tem se informado diretamente dos protestos em curso nas ruas brasileiras, com massiva participação dos jovens, e deve inclusive se referir às manifestações em seu discurso na JMJ, segundo fonte “confiável” do correspondente do El País.

ppfranciscoaudiencia03042013O papa Francisco já teria escrito seu discurso quando foi informado, pessoalmente, por prelados brasileiros sobre as manifestações e atos de violência registrados no País. O primeiro a se encontrar com o pontífice no Vaticano foi o arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta.

Há 15 dias, foi a vez do arcebispo de São Paulo, dom Cláudio Hummes, conversar com o Papa, seguido finalmente pelo cardeal Raymundo Damasceno de Assis, presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que declarou apoio às manifestações, desde que pacíficas. O documento produzido pela CNBB estaria nas mãos do papa Francisco, segundo o periódico.

Dom Cláudio Hummes, após seu encontro com o Pontífice, disse a um grupo de católicos no Colégio São Bento que a “mensagem de Cristo está em sintonia com essas reivindicações do povo”, segundo o El País, e acrescentou que “por isso devem estar presentes. O povo, de fato, está vivendo o Evangelho”.

O cardeal afirmou que não teme que as manifestações possam manchar a visita do Papa ao Brasil, e inclusive transmitiu ao Pontífice que os protestos não estão relacionados com sua visita, e sim contra o governo.

Divulgada agenda da viagem do Papa ao Rio de Janeiro

Cidade do Vaticano (RV) – Foi divulgada ao meio-dia de hoje, 07, no Vaticano, a programação oficial da viagem do Papa Francisco ao Brasil. O Santo Padre chega ao Rio de Janeiro na tarde de segunda-feira, 22 de julho, sendo recebido no Aeroporto Internacional do Galeão/Antonio Carlos Jobim pela Presidente da República, Dilma Rousseff; pelo Arcebispo de São Sebastião do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta; pelo Arcebispo de Aparecida e Presidente da CNBB, Cardeal Raymundo Damasceno Assis; pelo Governador do Estado do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral; e pelo prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, Eduardo Paes.

No aeroporto não serão realizadas formalidades particulares e não serão pronunciados discursos. A Cerimônia de boas-vindas se realizará internamente no Palácio Guanabara. O Santo Padre se detérá por alguns minutos na Sala Presidencial do aeroporto, enquanto a Comitiva toma o seu lugar nos veículos do cortejo papal.

Papa Francisco deixará o aeroporto de papamóvel em direção ao Palácio Guanabara, sede oficial do Governo do Estado do Rio de Janeiro, onde será realizada a cerimônia de boas-vindas; presentes os mais altos cargos do Estado, o Corpo Diplomático e algumas centenas de convidados institucionais. Além da execução dos hinos e honras militares, os discursos da Presidente Dilma e do Santo Padre; em seguida a apresentação das duas delegações (brasileira e vaticana).

A Senhora Presidente acompanha o Santo Padre à Sala Verde do primeiro andar, onde se realizarão os encontros privados.
– breve encontro com o Governador do Estado do Rio de Janeiro e apresentação da família.
– breve encontro com o Prefeito da cidade do Rio de Janeiro e apresentação da família.

O Papa deixará o Palácio Guanabara em direção ao Sumaré, onde será a sua residência durante a permanência no Rio de Janeiro.

A terça-feira, dia 23, será estritamente privada até a manhã de quarta-feira, 24 de julho.

Na quarta-feira, 24, às 8h15 o Papa deixará o Rio de Janeiro e de helicóptero irá até Aparecida onde irá venerar a imagem de Nossa Senhora no Santuário Nacional e celebrará a Santa Missa.

O Santo Padre será acolhido pelo Arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno Assis e pelo Reitor do Santuário Padre Domingos Sávio da Silva. Papa Francisco almoçará no Seminário Bom Jesus, retornando depois ao Rio de Janeiro.

No final da tarde no Rio de Janeiro o Santo Padre visitará o Hospital São Francisco de Assis. O Hospital, dirigido pela Associação homônima, dedica-se seja à recuperação dos dependentes da droga e do álcool, seja na assistência médica-cirúrgica, assegurada gratuitamente aos indigentes, com cerca 500 leitos. Está previsto um discurso do Papa.

No início da noite Papa Francisco retornará ao Sumaré onde irá jantar de forma privada e onde pernoitará.

Na quinta-feira, dia 25, o Santo Padre celebrará no início da manhã a Santa Missa em privado na Residência do Sumaré.

Às 9 horas Papa Francisco deixará o Sumaré em direção ao Palácio da Cidade, onde receberá das mãos do Prefeito Paes, as chaves da cidade e irá abençoar as bandeiras oficiais dos Jogos Olímpicos e paraolímpicos.

Por volta das 10 horas deixará o Palácio da Cidade e se dirigirá à Comunidade da Varginha – Manguinhos, para uma visita. A Comunidade da Varginha faz parte de uma ampla favela “pacificada” em virtude do programa de recuperação realizado pelas Autoridades brasileiras.
O Santo Padre será acolhido pelo Pároco, pelo Vice-Pároco, pelo Vigário episcopal e pela Superiora das Irmãs da Caridade.
Logo em seguida se dirigirá para a pequena igreja dedicada a São Jerônimo Emiliano onde encontrará alguns membros da comunidade paroquial.
Na Paróquia, após um momento de oração, será abençoado o novo altar e o Papa oferecerá um presente à comunidade.
O Santo Padre se dirigirá depois ao campo de futebol, onde estará reunida a comunidade. Ao longo do percurso (cerca 100 m) visitará a casa de uma família da Comunidade. Ali o Papa fará um discurso.

Papa Francisco retornará depois ao Sumaré para o almoço em privado.

Na parte da tarde às 17 horas o Santo Padre deixará novamente o Sumaré em direção da Praia de Copacabana onde terá lugar a Festa da Acolhida aos jovens participantes da JMJ.

O ato está previsto na forma de Celebração da Palavra. O Papa fará um discurso e abençoará os jovens. Retornará depois ao Sumaré onde pernoitará.

Na sexta-feira de manhã, dia 26, Santa Missa em privado na Residência do Sumaré. Em seguida irá se deslocar em automóvel até à Quinta da Boa Vista onde às 10 horas irá confessar 5 jovens provenientes dos cinco continentes.

Após as confissões Papa Francisco se transferirá para o Palácio São Joaquim, residência do Arcebispo do Rio de Janeiro, o qual acolhe o Santo Padre na entrada principal.

O Santo Padre irá encontrar em forma reservada cinco jovens detentos. Presentes também alguns assistentes acompanhantes dos jovens detentos. Em seguida o Santo Padre e o Arcebispo se dirigirão ao primeiro andar para visitar a Capela onde encontrará as Irmãs que trabalham na residência.

Às 12 horas o Santo Padre do balcão do Palácio rezará a oração do Angelus. Em seguida encontrará os 20 membros do Comitê Organizador e os 10 grandes patrocinadores-benfeitores da JMJ para uma saudação. Não estão previstos discursos.

No Salão redondo no primeiro andar do Arcebispado, o Santo Padre almoçará com S.E. Dom Tempesta e com 12 jovens de várias nacionalidades: um jovem e uma moça de cada um dos continentes mais um jovem e uma moça de nacionalidade brasileira.
O almoço terá a duração de cerca 1 hora.

Após o almoço o Papa retornará ao Sumaré.

No final da tarde, às 17 hora retornará à Praia de Copacabana para a Via Sacra com os jovens: o Santo Padre, depois de introduzir o ato litúrgico, acompanhará do palco o desenvolvimento da Via Sacra, e ao término pronunciará a sua alocução e concluirá a oração. Depois retornará ao Sumaré onde pernoitará.

No sábado de manhã, dia 27, Papa Francisco irá à Catedral da cidade onde celebrará a Santa Missa, às 9 horas, com os bispos da JMJ, com sacerdotes, religiosos e seminaristas.

Já no Teatro Municipal, às 11h30, o Santo Padre encontrará a classe dirigente do Brasil; presentes políticos, diplomatas, expoentes da sociedade civil, empresários, pessoas do mundo da cultura e representantes das maiores comunidades religiosas do país. O Papa fará um discurso.

Na conclusão o Pontífice retornará ao Sumaré onde irá almoçar com os Cardeais do Brasil, a Presidência da CNBB, os Bispos da Região e a Comitiva papal.

No início da noite, por volta das 18h15 o Papa deixa o Sumaré em direção do Campus Fidei de Guaratiba onde será realizada a Vigília de Oração com os jovens.

O encontro com os jovens terá lugar em uma área campestre denominada Campus Fidei, preparada para a ocasião pelas Autoridades locais, e que pode conter mais de dois milhões de pessoas. O encontro será na forma de uma Liturgia da Palavra, com testemunhos e perguntas de cinco jovens ao Santo Padre; respostas e discurso do Santo Padre; orações e cantos; troca de presentes e benção.

Os jovens dormirão no Campus Fidei, esperando a missa do dia seguinte.

No domingo, dia 28, Papa Francisco às 8h20 deixará novamente o Sumaré em direção a Guaratiba. Durante o deslocamento, o helicóptero do Santo Padre sobrevoará a célebre estátua do Cristo Redentor que do alto do Corcovado abraça a cidade do Rio.
Um cinegrafista do CTV estará abordo do helicóptero e transmitirá as imagens ao vivo através do host broadcaster.

Às 10 horas terá início a Missa de Envio da JMJ Rio2013. Prevista a presença da Presidente da República.

A Celebração terminará com o discurso de S.E.Card.Rylko; Angelus do Santo Padre; e anúncio da sede e do ano onde se realizará a sucessiva JMJ.

Papa retornará ao Sumaré onde irá almoçar com a Comitiva papal.

Ainda no Sumaré às 16 horas o Papa encontrará o Comitê de Coordenação do CELAM, Conselho Episcopal Latino-Americano.

O Comitê de coordenação do Celam é composto por cerca 45 bispos, que iniciarão as Sessões de trabalho na segunda-feira, dia 29 de julho.

Depois de se despedir do pessoal da residência do Sumaré Papa Francisco se dirigirá ao Rio Centro onde encontrará cerca de 15 mil voluntários da JMJ. O Papa fará a eles um discurso.

Às 18h30 a cerimônia de despedida no aeroporto Galeão/Antonio Carlos Jobim. O Santo Padre será acolhido no Pavilhão de honra Marechal Trompowski de Almeida pela Presidente da República, Dilma Rousseff. Discurso da Senhora Presidente e do Santo Padre.

O Santo Padre se despedirá da Presidente da República nas escadas do avião.

A partida para Roma está prevista para às 19 horas, e a chegada a Roma, 11h30 da manhã, hora italiana. Conclusão da 1ª Viagem Apostólica Internacional de Papa Francisco.

Silvonei José ouviu o comentário do Arcebispo do Rio de Janeiro, Dom Orani João Tempesta sobre o programa da visita do Papa.

Texto proveniente da página http://pt.radiovaticana.va/news/2013/05/07/divulgado_programa_da_viagem_do_papa_ao_rio_de_janeiro/bra-689782
do site da Rádio Vaticano

Dom Orani se pronuncia diante repercussão da possível presença de cantores seculares na JMJ

Da Aleteia – O arcebispo do Rio de Janeiro e presidente do COL (Comitê Organizador Local) da JMJ Rio2013, Dom Orani João Tempesta, desmentiu informações veiculadas na imprensa esta semana de que a JMJ destinaria alguns milhões de Reais para pagar artistas seculares para cantar no evento que acontece em julho.

“Infelizmente nós estamos vendo que tem muitos filhos da Veja, que acreditam piamente naquilo que esta revista fala”, disse Dom Orani nesta quinta-feira, no programa Conexão Rio, transmitido ao vivo pela Aleteia.

Em coluna publicada no domingo passado, a revista Veja afirmava que o COL gastaria alguns milhões para trazer à JMJ artistas como Milton Nascimento, Ivete Sangalo e Michel Teló.

“Aquilo que vale é o que sai no nosso site. Há muitas invenções, tanto de locais para o Papa visitar, como também sobre a Jornada”, disse Dom Orani.

“É lamentável quem acredita neles. É lamentável acreditar nesse pessoal que tem outros interesses por trás, econômicos, etc.”

Dom Orani explicou que foi feito um convênio da JMJ com todos os cantores católicos e bandas católicas.

Segundo o arcebispo, se algum outro cantor “quiser cantar uma música religiosa, isso deve ser feito gratuita e voluntariamente, mas tem de ser analisado pelo COL”.

“Mas isso que saiu de pagar rios de dinheiro a cantores, e cantores que nem têm música própria de vida religiosa, é muito lamentável que isso tenha saído. Não partiu do COL”, afirmou.

“Infelizmente tem muitos filhos dessas revistas e jornais que correm atrás, inclusive pessoas que a gente imaginava que tivessem esse critério de não se deixar acreditar em qualquer lugar, em qualquer tipo de notícia que sai. Então quem acredita nesse pessoal está numa furada. Procurem olhar a verdade e aquilo que sai realmente no site da Jornada”, disse Dom Orani.

Pedro e Paulo: colunas da igreja

Dom Orani João Tempesta, O. Cist.

Arcebispo Metropolitano de São Sebastião do Rio de Janeiro – RJ

A celebração da Solenidade de Pedro e Paulo nos dá ocasião para aprofundar o nosso amor à Igreja e a nossa missão aos povos. Em ambos vemos a nossa missão de discípulos missionários.

Pedro e Paulo aparecem como anunciadores do Evangelho para os povos, fundadores de comunidades cristãs e testemunhas de Cristo até o martírio. A festa de hoje associa-os na fé em Cristo e na fundação da Igreja de Roma. Com especial atenção e alto valor teológico, o autor dos Atos dos Apóstolos enfatiza a sintonia entre Pedro na prisão e a comunidade cristã (At 12,1-11, primeira leitura): “Da Igreja subia fervorosamente a Deus uma oração por ele” (v. 5). A libertação milagrosa de Pedro da prisão o torna, então, livre para outros horizontes missionários.

São Paulo, na prisão, faz um balanço de sua vida (2Tm 4,6-8.17-18, segunda leitura), dá graças ao Senhor que esteve perto dele e deu-lhe força para que ele pudesse “levar a cumprimento o anúncio do Evangelho a todos e as gentes o aceitassem” (v. 17).

O serviço missionário de Pedro, dos apóstolos e de todos os cristãos funda, necessariamente, as raízes na experiência de uma chamada e correspondida no amor. “Eu sei em quem eu confiei”, afirma Paulo, sem hesitação (2 Tm 1,12). Pedro vai gradualmente crescendo na confiança e no abandono ao seu Mestre. Pedro vai além da opinião corrente, para acolher a novidade de Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (v. 16). Essa resposta ultrapassa a compreensão humana (da carne e do sangue), porque é o resultado de uma revelação do Pai (v. 17). Então, Jesus, em um clima de profunda abertura, revela a Pedro e aos outros discípulos o seu projeto para uma nova comunidade, sua Igreja, que vai durar para sempre (v. 18). Depois da paixão e morte de Cristo, a fé de Pedro, em Cristo, é total: “Senhor, Tu sabes tudo, tu sabes que eu te amo” (Jo 21, 17).

Apesar das dificuldades e resistências contra esses textos de Mateus e João, o plano de Jesus em relação à Igreja subsiste no tempo, de acordo com a tradicional interpretação das três metáforas: a pedra (v. 18), as chaves (v. 19) e o binômio ligar-desligar (v. 19), que são a confirmação pós-pascal a Pedro do seu serviço de apascentar, no amor, o povo da nova aliança (cf. Jo 21,15 s). Para Jesus, que é  “o Senhor e o Mestre” (Jo 13, 14), que “não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida” (Mateus 20, 28), a autoridade é dada a Pedro e à Igreja para um serviço ao povo de Deus, em uma diaconia do amor sem fim.

O Concílio nos dá a dimensão teológica e missionária desse projeto: “Em cada época e toda nação é agradável a Deus aquele que o teme e age com justiça (cf. At 10, 35). Mas Deus quer santificar e salvar os homens, não individualmente, e sem qualquer vinculação mútua, mas quer transformá-lo em um povo “(LG 9). De fato, “a Igreja peregrina é missionária por natureza” (AG 2). Porque “existe para evangelizar” (EN 14). Não é secundário o fato de que Jesus fale de seu projeto estando presente em um território pagão (região de Cesaréia de Filipe), em um contexto geográfico semelhante ao da mulher cananeia: esses fatos narrados por Mateus demonstram o caráter universal da missão de Cristo e da Igreja.

A liturgia deste dia nos convida a refletir sobre a fidelidade e testemunho dos dois pilares da Igreja. Pedro mostra-nos as chaves do reino, primeiro príncipe dos apóstolos. Ouvir a sua confissão, que agora pertence a nós como seguidores da mesma fé. Sentimo-nos como a fonte da nossa alegria pertencer a Cristo, a fonte da qual ele bebeu a mesma fé, o compromisso de também nos colocarmos como testemunhas. É também um dia de ação de graças a Deus, a Cristo Jesus pelos seus apóstolos, os fundadores da Igreja, nossa mãe. O que há para dizer na história da Igreja até os nossos dias, quando se vive um percurso onde as fragilidades humanas foram suplantadas pela força do Espírito. Quando em nossas escolas, universidades e livros a história é escrita excluindo a colaboração dos cristãos e até mesmo condenando a missão da Igreja, este momento de nossa liturgia é a hora de, mesmo reconhecendo as fragilidades históricas de nossas comunidades, olharmos com confiança para a missão desempenhada pelos seguidores de Cristo na construção da civilização do amor.

Temos a certeza de que ainda estamos apoiados sobre a rocha, que é o próprio Cristo, e sobre a Pedra, que é a fé do Apóstolo Pedro e de seus sucessores, e hoje do Romano Pontífice, o Papa Bento XVI. As portas do inferno, mesmo quando se manifestaram com violência contra nós, não prevaleceram. A promessa de Cristo é realizada em sua plenitude. A história de Pedro, no início fraco, arrogante e com medo, se torna depois corajoso e sem medo de dizer a verdade e a morrer como testemunho da sua fidelidade a Cristo. Isso se tornou substancialmente a história de nossa Igreja e de muitos cristãos.

Foi determinante nesse árduo caminho a contribuição de Paulo, convertido na estrada de Damasco, o Apóstolo dos gentios. Ele primeiro atravessou as fronteiras do mundo judaico para anunciar a mensagem da salvação aos gentios. A segunda leitura de hoje soa como um testemunho alegre que Paulo confidencia a seu amigo e colaborador Timóteo: “Quanto a mim, meu sangue está para ser derramado em libação e é chegado o momento de partir. Combati o bom combate, terminei minha carreira, guardei a fé. Agora eu só tenho a coroa da justiça que o Senhor, justo juiz, me dará naquele dia, e não só a mim, mas também para todos aqueles que esperam a sua vinda “.

Ver espalhado em libação o seu sangue é a suprema aspiração do Apóstolo, após a labuta dura de seu intenso apostolado. Ele anseia ao martírio por querer estar totalmente assimilado a Cristo e, assim, dar o supremo testemunho de fidelidade e amor. Esses dois traçam, de modo diverso, o caminho da Igreja e de todos nós: fracos como Pedro antes de Pentecostes, porém fortalecidos depois da vinda do Espírito Santo. Nós, perseguidores do Senhor como Saulo, mas depois tranfigurados pela graça. Quem sabe se estamos também  nós realmente prontos e dispostos a dar nossas vidas para Cristo?

Embora no Brasil a Solenidade de Pedro e Paulo tenha sido transferida para o Domingo, no entanto, no dia de 29 de junho celebramos também os sessenta anos de nosso Papa Bento XVI, sucessor de Pedro, o doce Cristo na terra. Rezemos por sua missão!