Anistia Internacional divulga imagens de satélite da região de Baga, atacada pelo Boko Haram

É por isso que não sou Chralie Hebdo. A mídia divulga massivamente os atentados na França e ainda o impregnam de atentado a Liberdade de Expressão. Como jornalista, sempre me questionei até onde ia e vai a minha liberdade de expressão. Entendo que a sociedade atual não sabe o significado de Liberdade de Expressão. Também não sabem o que é informação. Rezo pela vítimas francesas e nigerianas, mas oro também pela sociedade atual que se perdeu em suas idiocrasias.

....
….

Não tenho coragem de colocar nenhuma foto do massacre aqui. Mas se ainda sim quiser ver, clique aqui. [Imagens fortes]

Leia o texto do Brasil Post

Continuar lendo “Anistia Internacional divulga imagens de satélite da região de Baga, atacada pelo Boko Haram”

Neymar, o Messias. Isso é liberdade de expressão?

Por Felipe Melo – Juventude Conservadora da UnB

Recentemente, uma série de distúrbios seriíssimos estourou no Oriente Médio e cercanias em virtude de um filme caseiro que fazia troça de Maomé e dos muçulmanos. Aproximadamente uma centena de pessoas foram mortas nos protestos que rasgaram o mundo islâmico – inclusive o então embaixador dos Estados Unidos na Líbia, Chris Stevens –, centenas de milhares de pessoas foram mobilizadas por clérigos islâmicos para mostrar a sua revolta de modo sangrento, e os velhos discursos contra o “Grande Satã” do Ocidente ecoaram novamente com força total. Curiosamente, a tradução e divulgação do filme no mundo islâmico foi promovida justamente por grupos radicais.

A celeuma estava pronta. Diversas lideranças mundiais condenaram tanto o filme (bobo e de muito mau gosto) quanto sua instrumentalização pelos líderes islâmicos, o diretor do filmeco teve o nome e o endereço divulgado pelas autoridades americanas, diversas ações judiciais correram o mundo, inclusive no Brasil, para proibir seu acesso, e, como sói acontecer, a turma de plantão do pluralismo e tolerância rosnou junto com os radicais.

Agora, vejam a imagem abaixo:

Essa, senhoras e senhores, é a capa da edição de outubro da revista Placar. Para qualquer pessoa com um mínimo de senso das coisas, essa capa parece desnecessariamente apelativa. Por quê? Ela nivela duas figuras essencial e completamente diferentes: endeusa alguém à custa da secularização de Alguém que,para 1/3 do gênero humano, é Deus feito homem. Comparar Neymar a Jesus Cristo, sobretudo da forma como isso foi feito, é, no mínimo, uma maneira bastante discutível de aumentar as vendas de uma revista – o que parece ser o único desejo da editora em questão. Para muitas pessoas, e eu me incluo nessa conta, essa capa não é apenas inadequada, mas despropositadamente ofensiva.

Decerto não veremos o Papa Bento XVI ou qualquer outro líder cristão de importância mundial conclamando uma guerra santa contra a revista, nem haverá aglomerações de pessoas em passeata atirando para o alto e atacando a polícia, muito menos matando qualquer pessoa, por conta dessa capa lamentável. Mas engana-se quem pensa que devemos ficar simplesmente passivos diante de algo aparentemente sem importância: é nosso direito – e, sobretudo àqueles que abraçam a fé cristã, um dever – manifestar nosso repúdio.

Acessem a página da revista Placar em que se encontra a notícia da capa e deixem seu comentário. Divulguem para outras pessoas e peçam que façam o mesmo. Não deixem isso passar em branco. E vamos esperar para ver se nossos amigos politicamente corretos dedicarão suas excelsas atenções a esse fato.

Leia também a nota da CNBB em repúdio a esta imagem:

Entrevista com Dom Leonardo Steiner

Leia nota na íntegra:

NOTA DE REPÚDIO

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, CNBB, manifesta profunda indignação diante da publicação de uma fotomontagem que compõe a capa de uma revista esportiva na qual se vê a imagem de Jesus Cristo crucificado com o rosto de um jogador de futebol.

Reconhecemos a liberdade de expressão como princípio fundamental do estado e da convivência democrática, entretanto, que há limites objetivos no seu exercício. A ridicularização da fé e o desdém pelo sentimento religioso do povo por meio do uso desrespeitoso da imagem da pessoa de Jesus Cristo sugerem a manipulação e instrumentalização de um recurso editorial com mera finalidade comercial.

A publicação demonstrou-se, no mínimo, insensível ao recente quadro mundial de deplorável violência causado por uso inadequado de figuras religiosas, prestando, assim, um grave desserviço à consolidação da convivência respeitosa entre grupos de diferentes crenças.

A fotomontagem usa de forma explícita a imagem de Jesus Cristo crucificado, mesmo que o diretor da publicação tenha se pronunciado negando esse fato tão evidente, e isso se constitui numa clara falta de respeito que ofende o que existe de mais sagrado pelos cristãos e atualiza, de maneira perigosa, o já conhecido recurso de atrair a atenção por meio da provocação.

Cardeal Raymundo Damasceno Assis
Arcebispo de Aparecida
Presidente da CNBB

Dom Leonardo Ulrich Steiner
Bispo Auxiliar de Brasília
Secretário Geral da CNBB

Liberdade religiosa, a quem interessa?

Bispo de Dourados (MS)
Dom Redovino Rizzardo

No dia 8 de dezembro de 1864, o Papa Pio IX publicou a Encíclica “Quanta Cura”, em que apresentava o “Sílabo” (lista, síntese) dos principais erros então propugnados pelo liberalismo. Entre eles, estavam a tolerância religiosa e a liberdade de consciência. O documento pontifício criticava os que «não temem fomentar a opinião desastrosa para a Igreja Católica e a salvação das almas, de que a liberdade de consciência e de cultos é direito próprio e inalienável do indivíduo, que há de se proclamar nas leis e se estabelecer em todas as sociedades constituídas».

O texto queria ser a resposta a uma concepção filosófica que avançava em toda a parte, fomentada pelo Iluminismo, onde a liberdade religiosa se identificava com o relativismo, o sincretismo e a indiferença, já que todas as religiões se equivalem, por não existir nenhuma verdade absoluta. Para seus fautores, a religião representava um retrocesso para a humanidade, própria de pessoas ingênuas e ignorantes.

Na atualidade, após a evolução incentivada pelo Concílio Vaticano II, por liberdade religiosa a Igreja Católica entende o direito que cada pessoa tem de não ser forçada nem impedida – por indivíduos, grupos ou Estados – de assumir uma crença religiosa. Ela não se limita aos atos internos e privados praticados pelo indivíduo através do culto, mas abrange também as manifestações externas e coletivas, expressas nas atividades pastorais, culturais e sociais. O exercício desse direito pressupõe o reconhecimento e o amparo legal do Estado, a quem cabe definir seus limites, em vista do bem comum e da ordem pública.

Em vários países, a data de 21 de janeiro assinala o dia mundial da religião e o dia nacional de combate à intolerância religiosa. Em 2011, na celebração que realizou em Roma, o Cardeal Peter Kodwo Appiah Turkson, presidente do Conselho Pontifício “Justiça e Paz”, após lembrar que a liberdade religiosa «é um direito humano universal e inalienável», descreveu alguns dos escolhos que a ameaçam: o secularismo, que se opõe a toda expressão da religião; o fundamentalismo que, por transformar a fé num fato político, gera a intolerância; e o relativismo, que manipula a globalização, empobrece a cultura humana e prega o sincretismo.

O Cardeal Turkson recordou ainda que o apelo da Igreja à liberdade religiosa «não se baseia num simples pedido de reciprocidade por parte de uma comunidade cristã, disposta a respeitar os direitos dos membros de outra comunidade, desde que esta retribua com a mesma medida. Respeitamos os direitos dos outros porque é justo, e não em troca de um tratamento equivalente ou de um favor recebido. Os cristãos defendem a liberdade religiosa nas regiões do mundo onde são maioria, como também não deixam de buscá-la em outros contextos onde são minoria».

Pouco depois, no dia 2 de março, Dom Silvano Tomasi, Observador Permanente da Santa Sé junto às Nações Unidas, em Genebra, ao discursar durante a 16ª sessão do Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, voltou ao assunto: «A dimensão espiritual é de extrema importância para a existência humana. Apesar disso, ela é desrespeitada em diversas partes do mundo com a proliferação de episódios de violência contra minorias religiosas, ferindo um princípio que, inclusive, deveria ser protegido pela lei».

Em seguida, referindo-se aos atos de barbárie cometidos seguidamente contra quem muda de religião em países onde ela se identifica com um exacerbado nacionalismo, acrescentou: «O direito de adotar uma religião ou de trocá-la por outra é baseado no respeito que a dignidade humana merece. Por sua vez, o Estado deve defender a liberdade de quem busca a verdade».

Dom Silvano encerrou sua alocução relembrando as palavras do Papa Bento XVI no discurso que dirigiu aos membros do corpo diplomático acreditado junto à Santa Sé, no início deste ano: «A liberdade religiosa é o caminho para a paz. E a paz é construída e preservada somente quando os seres humanos podem buscar e servir a Deus livremente em seus corações, em suas vidas e em suas relações com os irmãos».

Liberdade religiosa, porque, num mundo onde todos têm direito a expressar suas opiniões mais disparatadas, ela parece negada apenas aos cristãos…