Papa critica “obsessão” da igreja por aborto, casamento gay e contracepção

papa-apeloFolha de São Paulo | O papa Francisco afirmou que a Igreja Católica se tornou “obcecada” com a pregação contra o aborto, o casamento gay e a contracepção, e que ele escolheu deliberadamente não falar sobre esses assuntos por entender que ela deve ser uma “casa para todos”, e não uma “pequena capela” focada na doutrina, na ortodoxia e em uma agenda limitada de ensinamentos morais.

As declarações foram dadas em uma entrevista concedida ao jornal jesuíta “La Civiltà Cattolica” no mês de agosto, durante três encontros. O conteúdo da conversa foi divulgado nesta quinta-feira por 16 jornais jesuítas de diferentes países.

“Não podemos insistir apenas em assuntos relacionados ao aborto, ao casamento gay e ao uso de métodos contraceptivos. Isso não é possível”, disse o papa ao também jesuíta Antonio Spadaro, editor-chefe do “La Civiltà Cattolica”.

O pontífice admitiu ainda que sofre críticas por evitar tratar desses temas.

“Eu não falei muito sobre essas coisas, e fui repreendido por isso. Mas, quando falamos sobre essas questões, temos que falar sobre elas em um contexto. O ensinamento da igreja quanto a isso é claro, e eu sou um filho da igreja, mas não é necessário falar sobre esses assuntos o tempo inteiro”, acrescentou.

O papa disse ainda que “os ensinamentos dogmáticos e morais da igreja não são todos equivalentes” e que o ministério pastoral não deve ser “obcecado” com a transmissão de “doutrinas desarticuladas que se tenta impor de forma insistente”.

“Precisamos encontrar um novo equilíbrio, senão até mesmo o edifício moral da igreja corre o risco de cair como um castelo de cartas, perdendo o frescor e a fragrância do Evangelho”, disse. “A proposta do Evangelho tem que ser simples, profunda, radiante. É dessa proposta que as consequências morais então fluem”.

O papa Francisco afirmou ainda que a igreja deve ajudar a curar “todo o tipo de doença ou ferida”. Ele contou que, quando ainda estava em Buenos Aires, costumava receber cartas de homossexuais que estavam “feridos socialmente” e que diziam sentir que a igreja sempre os condenava.

“Mas a igreja não quer isso. Durante meu voo de volta do Rio de Janeiro [após a Jornada Mundial da Juventude, em julho deste ano], eu disse que, se um homossexual tem boa vontade e está em busca de Deus, eu não estou em posição de julgá-lo. A religião tem o direito de expressar sua opinião a serviço das pessoas, mas, na criação, Deus nos fez livres: não é possível interferir espiritualmente na vida de uma pessoa”.

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As palavras do Papa são tão semelhantes a tantas outras falas já ditas na igreja. O fato desta vez, é que ele faz um alerta a perseguição que se dá as pessoas. Me recordo da polêmica gerada com suas palavras no avião de volta à Itália depois da JMJ. A mídia, e o fará de novo, afirmou que estava liberado o casamento homossexual na igreja – isto os mais sensacionalistas. Outros, disseram que se aproximava a igreja de uma possível mudança quanto a isso. Agora vemos o mesmo acontecer. A obseção em condenar os casamentos gay, o aborto, os métodos contraceptivos é notória na igreja, assim como o contrário, em forçar a igreja a mudar de acordo com preceitos do mundo. Vejo nas falas do Papa uma esperança a paz. Não vejo na fala dele uma mudança de regras e dogmas já existentes.

“Eu não falei muito sobre essas coisas, e fui repreendido por isso. Mas, quando falamos sobre essas questões, temos que falar sobre elas em um contexto. O ensinamento da igreja quanto a isso é claro, e eu sou um filho da igreja, mas não é necessário falar sobre esses assuntos o tempo inteiro”

Vejo que quando o Papa fala que é “filho da igreja”, independente de sua opinião ele a obedece. Falar o tempo todo não há necessidade e essa fala do Papa Francisco remete aos dois lados da história. Ninguém precisa de atacar. No entanto, a verdade dos dogmas e doutrina da igreja sempre estarão lá. Acolher, como disse o papa várias vezes durante esses seis meses de papado, é o que nos ajuda a caminhar afinal a igreja não é uma “pequena capela” e sim uma “casa para todos”.

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Promover a família beneficiará a todos, afirma o Papa

pppapa130913cna(ACI/EWTN Noticias).- O Papa Francisco enviou uma mensagem aos participantes da 47ª Semana Social dos católicos italianos iniciada nesta quinta-feira na cidade de Turim (Itália) e os chamou a “evidenciar o laço que une o bem comum à promoção da família fundada nomatrimônio”. A mensagem foi dirigida ao Presidente da Conferência Episcopal Italiana (CEI), Cardeal Angelo Bagnasco, e nele Francisco recorda que a família é uma escola privilegiada de generosidade que educa a superar o individualismo que existe na sociedade.

A família, indicou o Papa, é mais que um tema, é vida, “é caminho de gerações que se transmitem a fé junto com o amor”, “é fadiga, paciência, e também projeto, esperança e futuro”. E tudo isto se converte em levedura cada dia na massa de toda a sociedade para o seu maior bem comum. Além disso, o futuro da mesma sociedade está enraizado nos jovens e nos anciões, que são a memória viva.

Por isso, advertiu que “um povo que não se ocupa dos anciões, das crianças e dos jovens não tem futuro”.

Sobre a Igreja, indicou que esta oferece “uma concepção da família que é a do livro do Gênesis, da unidade na diferença entre homem e mulher” e como tal “merece ser sustentada eficazmente”.

Dia da Família IINesse sentido, advertiu que as consequências das eleições culturais e políticas que se referem à família afetam os diversos âmbitos da vida de um país: desde o problema demográfico às demais questões referentes ao trabalho até a mesma “visão antropológica que está na base de nossa civilização”.

Conforme informou a Rádio Vaticano, o Santo Padre reconheceu “os sofrimentos de tantas famílias” devido à falta de trabalho ou aos conflitos internos ou os fracassos da experiência conjugal e manifestou a todos a sua proximidade, de uma vez que recordou o testemunho simples de tantas famílias “que vivem a experiência do matrimônio e do ser progenitores com alegria” e sem medo de encarar também os momentos da cruz que vivida em união com a do Senhor, não impede o caminho do amor, mas ao contrário, pode fazê-lo mais forte.

Em sua mensagem, também recordou ao Beato José Toniolo, um leigo católico que apesar das dificuldades soube percorrer caminhos profícuos “para trabalhar na busca e na construção do bem comum”, destacando que seu exemplo “constitui um estímulo sempre válido para os católicos leigos de hoje para que procurem vias eficazes para a mesma finalidade”.

Finalmente, expressou seu desejo de que esta Semana Social contribua “de modo eficaz evidenciar o laço que une o bem comum à promoção da família fundada no matrimônio, acima de preconceitos e ideologias”.

As Semanas Sociais na Itália começaram em 1907. Um de seus principais promotores foi o Beato José Toniolo. Esta é a primeira Semana Social que se celebra depois de sua beatificação realizada em 28 de abril de 2012.

#NotíciasdoPapa: Atividades de Setembro a Novembro; Predecessores; Viver o perdão; @Pontifex_pt; 6 meses de papado

Atividades do Papa de setembro a novembro

(ACI/EWTN Noticias).- A Santa Sé informou nesta quinta-feira o calendário de atividades que realizará o Papa Francisco durante os meses de setembro a novembro, que inclui a Santa Missa pela Jornada Mariana de 13 de outubro em que o Pontífice consagrará o mundo ao Imaculado Coração de Maria.

Assim, o próximo 22 de setembro, o Papa visitará o Santuário de Nossa Senhora da Bonária em Cagliari (Itália).

Uma semana depois, em 29 de setembro, o Papa presidirá às 10h na Praça de São Pedro a Santa Missa pelo Dia dos Catequistas. No dia seguinte às 10h na Sala do Consistório, presidirá o consistório para diversas causas de canonização como a do Beato João Paulo II e a do Papa João XXIII. Continue a ler…..

Papa Francisco está em comunhão com seus predecessores

(ACI/EWTN Noticias).- O novo Secretário de Estado do Vaticano, Dom Pietro Parolin, que assumirá o cargo o próximo 15 de outubro, assinalou que as reformas na Igreja empreendidas pelo Papa Francisco não se tratam “apenas de voltar ao passado” em formas externas, mas de “voltar para os princípios institucionais da Igreja”, e também destacou que o Santo Padre está em continuidade com seus predecessores.

Em entrevista ao jornal venezuelano El Universal, o até agora Núncio Apostólico nesse país, destacou a importância de levar em consideração que na Igreja Católica “temos dois mil anos de história. Agora, esta história não passou em balde (em vão)”.

Contemplar a humanidade sofredora de Jesus para viver o perdão, exorta o Papa

(ACI/EWTN Noticias).- “A humanidade sofredora” de Jesus e a “doçura” de Maria são os dois polos a que todo cristão deve olhar para conseguir viver o que nos pede o Evangelho, assim o afirmou nesta manhã o Papa Francisco em sua homilia da Missa matutina celebrada na capela da Casa Santa Marta.

Conforme assinala a Rádio Vaticano, o Papa disse que o Evangelho é exigente, pede “coisas fortes” a um cristão: capacidade de perdoar, magnanimidade, amor pelos inimigos… Há só uma maneira para conseguir coloca-las em prática: “contemplar a Paixão, a humanidade de Jesus” e imitar o comportamento da Mãe.

@Pontifex_pt

Seis meses de Pontificado de Papa Francisco

A seis meses atrás a igreja conhecia seu papa. A foto abaixo foi a primeira publicada do Cardeal Jorge Bergolio como papa.

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Google Street View inclui Basílica de Nossa Aparecida em suas visualições

O Google anunciou nesta quinta-feira (13) que adicionou mais de mil novos destinos ao Street View, serviço que permite a visualização diversos locais do planeta por meio de fotos. Agora, é possível visitar a basílica de Nossa Senhora Aparecida, assim como a catedral gótica de Seville, na Espanha e outros endereços pelo mundo afora.

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Dom Orani se pronuncia diante repercussão da possível presença de cantores seculares na JMJ

Da Aleteia – O arcebispo do Rio de Janeiro e presidente do COL (Comitê Organizador Local) da JMJ Rio2013, Dom Orani João Tempesta, desmentiu informações veiculadas na imprensa esta semana de que a JMJ destinaria alguns milhões de Reais para pagar artistas seculares para cantar no evento que acontece em julho.

“Infelizmente nós estamos vendo que tem muitos filhos da Veja, que acreditam piamente naquilo que esta revista fala”, disse Dom Orani nesta quinta-feira, no programa Conexão Rio, transmitido ao vivo pela Aleteia.

Em coluna publicada no domingo passado, a revista Veja afirmava que o COL gastaria alguns milhões para trazer à JMJ artistas como Milton Nascimento, Ivete Sangalo e Michel Teló.

“Aquilo que vale é o que sai no nosso site. Há muitas invenções, tanto de locais para o Papa visitar, como também sobre a Jornada”, disse Dom Orani.

“É lamentável quem acredita neles. É lamentável acreditar nesse pessoal que tem outros interesses por trás, econômicos, etc.”

Dom Orani explicou que foi feito um convênio da JMJ com todos os cantores católicos e bandas católicas.

Segundo o arcebispo, se algum outro cantor “quiser cantar uma música religiosa, isso deve ser feito gratuita e voluntariamente, mas tem de ser analisado pelo COL”.

“Mas isso que saiu de pagar rios de dinheiro a cantores, e cantores que nem têm música própria de vida religiosa, é muito lamentável que isso tenha saído. Não partiu do COL”, afirmou.

“Infelizmente tem muitos filhos dessas revistas e jornais que correm atrás, inclusive pessoas que a gente imaginava que tivessem esse critério de não se deixar acreditar em qualquer lugar, em qualquer tipo de notícia que sai. Então quem acredita nesse pessoal está numa furada. Procurem olhar a verdade e aquilo que sai realmente no site da Jornada”, disse Dom Orani.

Em reunião com clero, Bento XVI pede ‘verdadeira renovação’ da Igreja

papaG1 – O Papa Bento XVI pediu nesta quinta-feira (14) uma “verdadeira renovação” da Igreja Católica, durante encontro com sacerdotes da Diocese de Roma.

A reunião já prevista, mas ela teve seu significado ampliado, já que será a última vez que se reúne com eles antes de renunciar ao pontificado, o que deve ocorrer em 28 de fevereiro.

“Temos que trabalhar para que se realize verdadeiramente o Concílio Vaticano II e se renove a Igreja”, disse.

Os bispos auxiliares da diocese e as centenas de sacerdotes receberam o papa alemão com aplausos, vivas e outras demonstrações de carinho.

O papa entrou apoiado em um bastão, enquanto os aplausos se mesclavam com o canto ‘Tu sei Petrus’ (Tu és Pedro).

Bento XVI respondeu com um largo sorriso e dando várias vezes obrigado pelas mostras de carinho.

Bem humorado, ele contou piadas e falou sobre episódios de seu passado.

papa_1‘Divisões’ da Igreja

Na véspera, durante a Missa de Quarta-Feira de Cinzas, o Papa afirmou que a Igreja “está desfigurada” pela “divisões em seu corpo eclesiástico”.

“A qualidade e a verdade da relação com Deus é o que certifica a autenticidade de todos os sinais religiosos”, disse o pontífice no sermão.

Depois, ele denunciou a “hipocrisia religiosa, o comportamento dos que querem aparentar, as atitudes que buscam os aplausos e a aprovação”.

‘Pelo bem da Igreja’

Mais cedo, na primeira fala em público desde que anunciou sua renúncia, ele disse que tomou a decisão de abandonar o pontificado “em plena liberdade, pelo bem da Igreja”.

Bento XVI disse que “orou arduamente e examinou sua consciência” antes de tomar a decisão.

O pontífice alemão, de 85 anos, reiterou que está consciente da gravidade da decisão, mas também que está consciente da diminuição de suas forças espirituais e físicas.

Ele disse ter certeza que a Igreja iria sustentá-lo com orações e que Cristo continuará sendo seu guia.

Na audiência, o Pontífice recebeu no Vaticano mais de 3.500 fiéis e peregrinos para a sua catequese e fez a saudação em várias línguas, entre as quais o português, falando sobre o período da QuaresmaEle agradeceu à presença de fiéis, citando literalmente as cidades de Curitiba e Porto Alegre.

Na terça-feira, o porta-voz do Vaticano, Federico Lombardi, disse que o Papa Bento XVI está usando um marcapasso cardíaco “há algum tempo”, mas que seu estado de saúde é bom e que ele estava “lúcido e sereno” quando tomou a histórica decisão de encerrar precocemente seu pontificado.

Redes Sociais são o tema da mensagem de Bento XVI para o Dia Mundial das Comunicações 2013

Foi divulgada nesta quinta-feira a mensagem do Papa Bento XVI para o 47º Dia Mundial das Comunicações, que será celebrado no dia 12 de maio. Todos os anos, a mensagem é divulgada no dia 24 de janeiro, Dia de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas. O tema central deste ano são as redes sociais. Confira a seguir a íntegra do documento.

Redes sociais: portais de verdade e de fé; novos espaços de evangelização

Amados irmãos e irmãs,

Encontrando-se próximo o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2013, desejo oferecer-vos algumas reflexões sobre uma realidade cada vez mais importante que diz respeito à maneira como as pessoas comunicam actualmente entre si; concretamente quero deter-me a considerar o desenvolvimento das redes sociais digitais que estão a contribuir para a aparição duma nova ágora, duma praça pública e aberta onde as pessoas partilham ideias, informações, opiniões e podem ainda ganhar vida novas relações e formas de comunidade.

Estes espaços, quando bem e equilibradamente valorizados, contribuem para favorecer formas de diálogo e debate que, se realizadas com respeito e cuidado pela privacidade, com responsabilidade e empenho pela verdade, podem reforçar os laços de unidade entre as pessoas e promover eficazmente a harmonia da família humana. A troca de informações pode transformar-se numa verdadeira comunicação, os contactos podem amadurecer em amizade, as conexões podem facilitar a comunhão. Se as redes sociais são chamadas a concretizar este grande potencial, as pessoas que nelas participam devem esforçar-se por serem autênticas, porque nestes espaços não se partilham apenas ideias e informações, mas em última instância a pessoa comunica-se a si mesma.

O desenvolvimento das redes sociais requer dedicação: as pessoas envolvem-se nelas para construir relações e encontrar amizade, buscar respostas para as suas questões, divertir-se, mas também para ser estimuladas intelectualmente e partilhar competências e conhecimentos. Assim as redes sociais tornam-se cada vez mais parte do próprio tecido da sociedade enquanto unem as pessoas na base destas necessidades fundamentais. Por isso, as redes sociais são alimentadas por aspirações radicadas no coração do homem.

A cultura das redes sociais e as mudanças nas formas e estilos da comunicação colocam sérios desafios àqueles que querem falar de verdades e valores. Muitas vezes, como acontece também com outros meios de comunicação social, o significado e a eficácia das diferentes formas de expressão parecem determinados mais pela sua popularidade do que pela sua importância intrínseca e validade. E frequentemente a popularidade está mais ligada com a celebridade ou com estratégias de persuasão do que com a lógica da argumentação. Às vezes, a voz discreta da razão pode ser abafada pelo rumor de excessivas informações, e não consegue atrair a atenção que, ao contrário, é dada a quantos se expressam de forma mais persuasiva. Por conseguinte os meios de comunicação social precisam do compromisso de todos aqueles que estão cientes do valor do diálogo, do debate fundamentado, da argumentação lógica; precisam de pessoas que procurem cultivar formas de discurso e expressão que façam apelo às aspirações mais nobres de quem está envolvido no processo de comunicação. Tal diálogo e debate podem florescer e crescer mesmo quando se conversa e toma a sério aqueles que têm ideias diferentes das nossas. «Constatada a diversidade cultural, é preciso fazer com que as pessoas não só aceitem a existência da cultura do outro, mas aspirem também a receber um enriquecimento da mesma e a dar-lhe aquilo que se possui de bem, de verdade e de beleza» (Discurso no Encontro com o mundo da cultura, Belém, Lisboa, 12 de Maio de 2010).

O desafio, que as redes sociais têm de enfrentar, é o de serem verdadeiramente abrangentes: então beneficiarão da plena participação dos fiéis que desejam partilhar a Mensagem de Jesus e os valores da dignidade humana que a sua doutrina promove. Na realidade, os fiéis dão-se conta cada vez mais de que, se a Boa Nova não for dada a conhecer também no ambiente digital, poderá ficar fora do alcance da experiência de muitos que consideram importante este espaço existencial. O ambiente digital não é um mundo paralelo ou puramente virtual, mas faz parte da realidade quotidiana de muitas pessoas, especialmente dos mais jovens. As redes sociais são o fruto da interacção humana, mas, por sua vez, dão formas novas às dinâmicas da comunicação que cria relações: por isso uma solícita compreensão por este ambiente é o pré-requisito para uma presença significativa dentro do mesmo.

A capacidade de utilizar as novas linguagens requer-se não tanto para estar em sintonia com os tempos, como sobretudo para permitir que a riqueza infinita do Evangelho encontre formas de expressão que sejam capazes de alcançar a mente e o coração de todos. No ambiente digital, a palavra escrita aparece muitas vezes acompanhada por imagens e sons. Uma comunicação eficaz, como as parábolas de Jesus, necessita do envolvimento da imaginação e da sensibilidade afectiva daqueles que queremos convidar para um encontro com o mistério do amor de Deus. Aliás sabemos que a tradição cristã sempre foi rica de sinais e símbolos: penso, por exemplo, na cruz, nos ícones, nas imagens da Virgem Maria, no presépio, nos vitrais e nos quadros das igrejas. Uma parte consistente do património artístico da humanidade foi realizado por artistas e músicos que procuraram exprimir as verdades da fé.

A autenticidade dos fiéis, nas redes sociais, é posta em evidência pela partilha da fonte profunda da sua esperança e da sua alegria: a fé em Deus, rico de misericórdia e amor, revelado em Jesus Cristo. Tal partilha consiste não apenas na expressão de fé explícita, mas também no testemunho, isto é, no modo como se comunicam «escolhas, preferências, juízos que sejam profundamente coerentes com o Evangelho, mesmo quando não se fala explicitamente dele» (Mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais de 2011). Um modo particularmente significativo de dar testemunho é a vontade de se doar a si mesmo aos outros através da disponibilidade para se deixar envolver, pacientemente e com respeito, nas suas questões e nas suas dúvidas, no caminho de busca da verdade e do sentido da existência humana. A aparição nas redes sociais do diálogo acerca da fé e do acreditar confirma a importância e a relevância da religião no debate público e social.

Para aqueles que acolheram de coração aberto o dom da fé, a resposta mais radical às questões do homem sobre o amor, a verdade e o sentido da vida – questões estas que não estão de modo algum ausentes das redes sociais – encontra-se na pessoa de Jesus Cristo. É natural que a pessoa que possui a fé deseje, com respeito e tacto, partilhá-la com aqueles que encontra no ambiente digital. Entretanto, se a nossa partilha do Evangelho é capaz de dar bons frutos, fá-lo em última análise pela força que a própria Palavra de Deus tem de tocar os corações, e não tanto por qualquer esforço nosso. A confiança no poder da acção de Deus deve ser sempre superior a toda e qualquer segurança que possamos colocar na utilização dos recursos humanos. Mesmo no ambiente digital, onde é fácil que se ergam vozes de tons demasiado acesos e conflituosos e onde, por vezes, há o risco de que o sensacionalismo prevaleça, somos chamados a um cuidadoso discernimento. A propósito, recordemo-nos de que Elias reconheceu a voz de Deus não no vento impetuoso e forte, nem no tremor de terra ou no fogo, mas no «murmúrio de uma brisa suave» (1 Rs 19, 11-12). Devemos confiar no facto de que os anseios fundamentais que a pessoa humana tem de amar e ser amada, de encontrar um significado e verdade que o próprio Deus colocou no coração do ser humano, permanecem também nos homens e mulheres do nosso tempo abertos, sempre e em todo o caso, para aquilo que o Beato Cardeal Newman chamava a «luz gentil» da fé.

As redes sociais, para além de instrumento de evangelização, podem ser um factor de desenvolvimento humano. Por exemplo, em alguns contextos geográficos e culturais onde os cristãos se sentem isolados, as redes sociais podem reforçar o sentido da sua unidade efectiva com a comunidade universal dos fiéis. As redes facilitam a partilha dos recursos espirituais e litúrgicos, tornando as pessoas capazes de rezar com um revigorado sentido de proximidade àqueles que professam a sua fé. O envolvimento autêntico e interactivo com as questões e as dúvidas daqueles que estão longe da fé, deve-nos fazer sentir a necessidade de alimentar, através da oração e da reflexão, a nossa fé na presença de Deus e também a nossa caridade operante: «Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, sou como um bronze que soa ou um címbalo que retine» (1 Cor 13, 1).

No ambiente digital, existem redes sociais que oferecem ao homem actual oportunidades de oração, meditação ou partilha da Palavra de Deus. Mas estas redes podem também abrir as portas a outras dimensões da fé. Na realidade, muitas pessoas estão a descobrir – graças precisamente a um contacto inicial feito on line – a importância do encontro directo, de experiências de comunidade ou mesmo de peregrinação, que são elementos sempre importantes no caminho da fé. Procurando tornar o Evangelho presente no ambiente digital, podemos convidar as pessoas a viverem encontros de oração ou celebrações litúrgicas em lugares concretos como igrejas ou capelas. Não deveria haver falta de coerência ou unidade entre a expressão da nossa fé e o nosso testemunho do Evangelho na realidade onde somos chamados a viver, seja ela física ou digital. Sempre e de qualquer modo que nos encontremos com os outros, somos chamados a dar a conhecer o amor de Deus até aos confins da terra.

Enquanto de coração vos abençoo a todos, peço ao Espírito de Deus que sempre vos acompanhe e ilumine para poderdes ser verdadeiramente arautos e testemunhas do Evangelho. «Ide pelo mundo inteiro, proclamai o Evangelho a toda a criatura» (Mc 16, 15).

Vaticano, 24 de Janeiro – Festa de São Francisco de Sales – do ano 2013.

Arquidiocese de Belo Horizonte inaugura presépio na Praça da Liberdade

O arcebispo metropolitano de Belo Horizonte, dom Walmor Oliveira de Azevedo, inaugura, juntamente com os bispos auxiliares dom Joaquim Mol, dom Luiz Gonzaga Fechio, dom Wilson Angotti e dom João Justino, o presépio de Natal do Palácio Cristo Rei, nesta quinta-feira, às 19h. Durante a solenidade, será realizado um momento de oração, com apresentação de cânticos.

O presépio do Palácio Cristo Rei estará aberto à visitação das 7h às 23h. O endereço é Praça da Liberdade, 263, bairro Funcionários.

Ano da Fé é aberto na festa da Mãe Aparecida, aqui no Brasil

(ACI).- Segundo informou o portal A12, do Santuário Nacional, o Ano da Fé, inaugurado oficialmente pelo Papa Bento XVI nesta quinta-feira (11) foi aberto em âmbito nacional durante a Solenidade de Nossa Senhora Aparecida no Santuário Nacional nesta sexta-feira 12 de outubro com uma missa Solene.

Na celebração eucarística das 10h, o reitor do Santuário Nacional, Pe. Darci Nicioli, leu a mensagem especial da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) assinada pelo Cardeal Raymundo Damasceno Assis, presidente da CNBB e Arcebispo de Aparecida que se encontra em Roma convidado pelo Santo Padre, para concelebrar a Missa de Abertura do Ano da Fé e por isso não esteve presente na solene Celebração de Nossa Senhora Aparecida, Padroeira do Brasil.

“A Presidência da CNBB deseja a todas as Igrejas locais do Brasil que esse Ano seja, como indicou o Santo Padre, ‘um momento de graça e de compromisso para uma conversão a Deus cada vez mais completa, para fortalecer a nossa fé n’Ele e para O anunciar com alegria ao homem do nosso tempo’, afirmava a missiva do Cardeal Arcebispo de Aparecida.

A “renovada atenção” aos documentos conciliares, ao Catecismo da Igreja Católica – que comemora 20 anos da sua publicação – e a história da fé da Igreja Católica ao longo de mais de 2 mil anos foram destaques na mensagem da CNBB.

Esses instrumentos “nos permitirão crescer no conhecimento de nossa fé e em sua vivência cada vez mais decidida, para continuar a testemunhá-la com coragem em nosso tempo”, destacou ainda Dom Damasceno.

“Invocamos sobre a Igreja no Brasil a proteção da Virgem Aparecida, ela que ‘acreditando n’Aquele que gerou, concebeu-o também num ato de fé’ (Santo Agostinho, Sermo 215). Acompanhe-nos ela, ao longo deste Ano, sendo nossa mestra na fé, que consiste em estar à disposição para que se cumpra também em nós a vontade de Deus”, concluiu.

A Padroeira do Brasil foi um dos assuntos mais falados nas redes sociais nesta manhã de 12 de outubro. No Twitter, a hashtag #nsaparecida esteve entre os trending topics. Na Fan Page do Santuário Nacional, quase 40 mil pessoas acompanham as atualizações do Canal da Padroeira.

Os internautas também manifestam sua devoção pelas redes sociais. Celebrando e pedindo hoje as bênçãos de Nossa Senhora Aparecida as redes sociais reúnem os usuários se unem em oração à Rainha do Brasil e Padroeira do Brasil, a Virgem de Aparecida.

Confira a mensagem de Dom Damasceno:

Para acompanhar o Santuário nas Redes Sociais ingresse em:
www.twitter.com/padroeira
www.facebook.com/santuarionacional

Site, hino e logo oficial do Ano da Fé são apresentados no Vaticano

Logo do Ano da Fé

Nesta quinta-feira, 21, o presidente do Pontifício Conselho para a Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, apresentou, numa coletiva de imprensa no Vaticano, algumas novidades para o Ano da Fé, em especial o lançamento do site, do hino e do logo oficial.

No logo, a Igreja é representada por um barco, o mastro é uma cruz que iça as velas que formam o trigrama do nome de Cristo (IHS), e ao fundo, o sol associado ao trigrama remete à Eucaristia.

No hino, o refrão “Credo, Domine, adauge nobis é fidem” é uma invocação a Deus para que aumente a fé. Já o site oficial,www.annusfidei.va, está disponível primeiramente em inglês e italiano.

“O Ano da Fé, antes de tudo, pretende sustentar a fé de tantos crentes que no cansaço cotidiano não cessam de confiar, com convicção e coragem, a própria existência ao Senhor Jesus”, salientou Dom Rino.

Para o presidente do dicastério, a proposta deste Ano, se encaixa num contexto amplo, marcado por uma crise generalizada que afeta também a fé.

“A crise de fé é expressão dramática de uma crise antropológica que deixou o homem a si mesmo; por isso se encontra hoje confuso, sozinho, à mercê de forças que nem sequer conhecem o rosto, e sem uma meta a qual direcionar sua existência”, disse.

Assim, o Ano da Fé pretende ser um percurso que a comunidade cristã oferece a tantos que vivem com saudade de Deus e com o desejo de encontrá-Lo de novo.  Dom Rino salienta que é necessário, portanto, que os fiéis sintam a responsabilidade de oferecer a companhia da fé e se tornem próximos àqueles que perguntam a razão da nossa crença.

Nos primeiros dias de setembro será publicado, nos diversos idiomas, o Subsídio Pastoral “Viver o Ano da Fé” e uma pequena réplica da figura de Cristo, que se encontra na Catedral de Cefalù, na Sicília, Itália, será entregue a peregrinos e fiéis em várias partes do mundo.

“No verso, está escrito Profissão de Fé. Um dos objetivos do Ano da Fé, de fato, é fazer do Credo a oração cotidiana aprendida de cor, como era costume nos primeiros séculos do cristianismo”, conta Dom Rino.

Grandes eventos

A solene abertura do Ano da Fé será na Praça São Pedro, no dia 11 de outubro, com a presença de todos os Padres Sinodais, dos Presidentes das Conferências Episcopais do mundo e dos Padres conciliadores ainda vivos que puderem ir.

No dia 21 de outubro serão canonizados seis mártires e confessores da fé. “Vamos, portanto, refletir e rezar para que estes testemunhos de heroísmo sejam colocados na Igreja como exemplos de fé vivida”, ressalta o arcebispo.

Já no dia 2 de fevereiro, haverá uma celebração dedicada aos consagrados e no dia 24 de março, Domingo de Ramos, será, como sempre, dedicado aos jovens que se preparam para a Jornada Mundial da Juventude.

O domingo 28 de abril será dedicado aos Crismandos. Nesse dia, o Papa ministrará o Crisma a um pequeno grupo de jovens. E o dia 5 de maio será dedicado à celebração da fé na piedade popular.

Na festa de Corpus Christi, no domingo, 2 de junho, haverá a Solene Adoração Eucarística que acontecerá ao mesmo tempo em todo mundo.

O dia 16 de junho será dedicado a promoção da vida e defesa da dignidade humana desde o primeiro instante até seu fim natural.

No dia 7 de julho acontecerá uma celebração conclusiva da peregrinação de seminaristas, noviças e noviços, na Basílica de São Pedro.

A Jornada Mundial da Juventude no Rio de Janeiro, que acontecerá de 23 a 28 de julho, será “um alegre encontro para dizer a todos a importância da fé”.

O dia 29 de setembro será dedicado, em particular, aos Catequistas. O domingo 13 de outubro, por sua vez, será dedicado a Virgem Maria.

E no dia 24 de novembro, em fim, será celebrada a jornada conclusiva do Ano da Fé.

Eventos artísticos 

Neste Ano da Fé ainda não faltarão eventos artísticos, os principais serão uma Mostra de Arte e um Concerto, o primeiro acontece no Castelo de Santo Ângelo, de 7 de fevereiro a 1º de maio, e o último será na Praça São Pedro, no dia 22 de junho.

Começa simpósio sobre liberdade religiosa e direitos fundamentais

A estrada italiana para a liberdade religiosa é assinalada por princípios que inspiram a nossa Carta Constitucional, cujo núcleo fundamental se relaciona aos direitos invioláveis, à igualdade de dignidade social das pessoas, às relações entre Estado e Igreja e à liberdade de professar a fé”. Essas foram as palavras do Diretor do Departamento de Ciências Humanas da Universidade Europeia de Roma, Professor Alberto Gambino, na inauguração do simpósio sobre “Direitos Fundamentais, Liberdade Religiosa e Integração”, do qual participam juristas, autoridades laicas e religiosas.

O evento teve início nesta quinta-feira, 15, na Universidade Europeia de Roma. Já desde o primeiro dia, o “princípio de laicidade” foi trazido à mesa de discussões. Ainda em seu discurso de abertura, o Professor ressaltou que este princípio indica a recíproca autonomia entre ordem temporal e espiritual. Sublinhou que ele não significa indiferença. Deve ser entendido como interdição do Estado de entrar nos assuntos internos das confissões religiosas; e para a autoridade religiosa, significa que é interditado exercitar o poder temporal no Estado.

O jurista ainda destacou que as liberdades religiosa e de culto são prerrogativas, eixos de sustento das democracias autenticamente laicas. “Contudo – concluiu ele – credos que contrastam com os valores que inspiram a ordem constitucional, e portanto contrários à humanidade, não podem