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Ipatinga-MG recebe Grito dos Excluídos deste ano

grito361O tema do Grito dos excluídos de 2013 aborda a juventude. No dia 7 de setembro são aguardadas milhares pessoas no evento que marca o Dia da Pátria. O tema escolhido para o 19ª Grito dos Excluídos é  “Juventude que ousa lutar, constrói o projeto popular”.

Em Ipatinga o Grito dos Excluídos será realizado, a partir das 8h, em frente ao camelódromo da cidade. No Centro. A caminha irá em direção ao bairro Parque das Águas e Planalto, onde há uma alto índice de criminalidade e extermino entre os jovens. Durante a caminhada serão feitos momentos reflexivos sobre a situação dos excluídos.

O Grito dos Excluídos é uma manifestação popular carregada de simbolismo, é um espaço de animação e profecia, sempre aberto e plural de pessoas, grupos, entidades, igrejas e movimentos sociais comprometidos com as causas dos excluídos. É realizado em um conjunto de manifestações realizadas no Dia da Pátria, 7 de setembro, tentando chamar à atenção da sociedade para as condições de crescente exclusão social na sociedade brasileira.

O Grito é parte do processo da 5ª Semana Social Brasileira e no ano passado trouxe o lema: Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos a toda população!

Leve sua caneca, cartazes e “borá caminhar”!

As lições espirituais da Copa das Confederações

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz
Bispo Diocesano de Campos

A Copa das Confederações foi ganha pelo Bras¬¬il, esta edição da Copa teve características atípicas e inéditas que nos fazem pensar e refletir. Uma primeira consideração a fazer que foi a primeira vez que o foco da atenção do pais não esteve no campo do jogo mas nas ruas.

A paixão pelo futebol do povo brasileiro deixou espaço para o protesto, o comentário não foram as jogadas do time da seleção mas o time do povo, os jovens que tomaram as cidades do pais sendo jogadores de outra copa, sem duvida mais importante porque define a vida de todos.  Por primeira vez os governantes descobriram atônitos que não basta investir pesadas somas e quantias de dinheiro no padrão FIFA da Copa  para agradar ao povo, mas estar mais perto e cientes das demandas do dia a dia, na saúde, educação e segurança.

O povo acordou e sentiu-se arbitro, ator principal, expressando claramente aquilo que não quer, transporte público de péssima qualidade, impunidade, corrupção, venalidade e descaso na administração pública. O brado e o grito das ruas é certamente impreciso, desfocado, sem prioridades, mas sincero e autêntico, também com a presença infeliz de provocadores que incitam a atos de violência.

No entanto, ignorá-lo seria alienar-se de um verdadeiro sentimento popular de repulsa e de uma indignação visceral com a banalização da mediocridade, do mal e da prática maquiavélica do exercício do poder. Estamos contentes com a conquista da Copa, pois nossa seleção apresentou um time que prioriza o trabalho de equipe, o coletivo, o grupo como família, só assim nos tornamos merecedores de aspirar a objetivos e vitórias transcendentes.

Quem sabe o Brasil todo vira o jogo e se torna uma equipe campeã, no certame da vida pública, no desenvolvimento integral para todos/as, na luta contra a corrupção e a miséria, ganhando a Copa da educação, da cidadania, construindo um poder-serviço e uma democracia participativa realmente eficaz.

Deus seja louvado!

Dia da pátria é marcado pelo Grito dos Excluídos em Ipatinga/MG

Na última sexta a Igreja no Brasil organizou em todos as dioceses o tradicional Grito dos Excluídos. Na diocese de Itabira/Cel. Fabriciano o evento aconteceu no Regional III, que compreende a região mineira do Vale do Aço. Precisamente ao Grito ocorreu na cidade de Ipatinga.

Veja a matéria feita pelo repórter do jornal Diário do Aço Wesley Rodrigues.

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IPATINGA – Já tradicional na data em que se comemora o Dia da Independência, em sua 18ª edição, o Grito dos Excluídos mobilizou cerca de 400 pessoas, conforme os organizadores, na manhã dessa sexta-feira (7). Com o tema “Queremos um Estado a serviço da Nação, que garanta direitos à população”, movimentos sociais, pastorais e organizações populares fizeram uma passeata, saindo da Praça dos Três Poderes, no Centro, em direção ao Parque Ipanema.

As mobilizações do Grito dos Excluídos ocorrem por todo o país, na Semana da Pátria, exigindo melhorias na área social. O Grito em Ipatinga foi coordenado por católicos da regional 3 da diocese Itabira – Coronel Fabriciano, que reúne 22 paróquias. De acordo com a secretária da instituição religiosa e integrante da organização do grito, Marlene Gonçalves Bonifácio, o manifesto ocorre em 7 de setembro para se contrapor a uma “suposta Independência do Brasil e para expressar a indignação dos participantes com injustiças sociais”.

Dentre os temas protestados pelo movimento, assuntos como saúde pública, soberania popular, consumo de drogas, violência contra a mulher, e outros pontos que “são postos à margem pelo Estado”, eram expressados nos cartazes e bandeiras carregados pelos manifestantes.

“Nós queremos um novo Estado, que esteja a serviço da nação. Todos nós sabemos que o país vivenciou um crescimento nos últimos anos. Por outro lado, ainda há muita pobreza. Somos dominados por um sistema capitalista que privilegia poderosos e os serviços básicos à classe baixa são marginalizados”, disse o bispo diocesano, Dom Odilon Guimarães Moreira, presente à manifestação.

Motivação

Nascida na França, Irmã Nicole Henner, 65 anos, mora há 16 anos em Coronel Fabriciano. E, desde que se mudou para o município, participa da mobilização. “É uma manifestação importante para que as pessoas abram os olhos para a realidade em que vivem. Já alcançamos conquistas como a Lei da Ficha Limpa, por meio de uma mobilização que está além do grito, mas da qual somos parte. As pessoas estão mais acomodadas nos últimos anos e a luta é difícil. E, nossas conquistas, por menores que sejam, nos motivam a continuar lutando e manifestando contra as injustiças sociais”, enfatizou a religiosa, que atua na paróquia Santo Antônio.

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Manifesto chama atenção  para o voto consciente

A passeata ressaltou também a seriedade das eleições em face do pleito que definirá prefeitos e vereadores no próximo mês. “Há um ditado que diz ‘o povo tem o governo que merece’. É o momento para que a população tome consciência da seriedade e responsabilidade do voto. O voto é algo sério – é como se assinássemos um cheque em branco, colocando todas as responsabilidades nas mãos de governantes”, comentou Dom Odilon, bispo da diocese Itabira – Coronel Fabriciano.

E com o mesmo sentimento, os jovens Iuri Fernandes Araújo e Axell Dancar Macclawd foram ao Grito dos Excluídos pela primeira vez. Os estudantes, ambos com 16 anos, votarão pela primeira vez neste ano. “As pessoas só reclamam da atuação dos políticos. Mas é preciso fazer por onde para poder reclamar, votando certo”, disparou Iuri. Axell, por sua vez, afirma que será criterioso na escolha de seus representantes.

“Devido ao incidente no Hospital Municipal e a saúde da nossa região, a saúde pública é o primeiro critério que avalio das propostas dos candidatos. E, além disso, a educação”, resume.

Repórter : Wesley Rodrigues

 

Prepare a Solenidade de São Pedro e São Paulo

Sagrada Escritura:
Leituras do Dia

Primeira: At 12,1-11
Salmo 33
Segunda: 2Tm 4,6-8.17-18
Evangelho: Mt 16, 13-19

Nexo entre as leituras

A liturgia comemora São Pedro e São Paulo, os dois grandes Apóstolos da primeira comunidade cristã, como mestres e confesores da fé. «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo», proclama Pedro em nome dos demais discípulos, diante da pergunta de Jesus: «E vós, quem dizeis que eu sou?». Esta mesma confissão de fé leva Herodes Agripa a perseguir e encarcerar Pedro para dar satisfação aos escribas e fariseus (primeira leitura). Por sua parte, já no fim da vida, Paulo abre a alma para Timóteo nesta bela e significativa frase: «Combati o bom combate, completei a corrida, guardei a fé»; e, alguns versículos mais adiante, «O Senhor esteve do meu lado e me deu forças, Ele fez que a mensagem fosse anunciada por mim integralmente, e ouvida por todas as nações».

A festa de hoje é por antonomásia a festa da fé: fé pessoal de Pedro e de Paulo em Jesus; fé proclamada e ensinada por ambos, ao longo de trinta anos, até a morte; fé confessada e testemunhada, dia após dia, entre perseguições e consolos, até o derramamento do seu sangue no martírio.

Mensagem Doutrinal

1. Fé pessoal. Em Pedro ela é, talvez, um processo contínuo, desde o primeiro encontro com Cristo, à beira-mar da Galiléia, até o grito entusiasta de «Tu és o Messias, o Filho do Deus vivo», e o humilde reconhecimento: «Senhor, tu sabes tudo; tu sabes que eu te amo». No caso de Paulo, mais do que um processo, é uma irrupção, fulgurante, no caminho de Damasco. Essa fé em Jesus Cristo, que o encadeia com ataduras de liberdade, irá se aprofundando com os anos, e em suas cartas ele irá nos deixando pegadas dela: «Para mim, viver é Cristo, e morrer é lucro», «vivo pela fé no Filho de Deus, que me amou e se entregou por mim». Nessa fé pessoal, incomovível, mais forte do que a morte, ambos fundam o seu ensinamento, seu testemunho e sua missão.

2. Mestre da fé. A primeira parte dos Atos dos Apóstolos mostra Pedro, sumamente ativo, pregando o kerigma cristão a judeus de Jerusalém e arredores e a pagãos, como é o caso da família de Cornélio. Proclama com vigor e sinceridade o que crê, e ensina o que viu, escutou e recebeu de seu Mestre e Senhor. Não tem nada próprio a dizer, só o mistério de Cristo que lhe é imposto com a força da evidência e da fé. Paulo tampouco tem nada próprio que dizer, mas só o que recebeu, como dirá aos coríntios. E quando, em algum caso, adiciona algo que não recebeu, ressalta que o faz segundo o Espírito de Cristo, que o possui e impulsiona a falar com autoridade.

3. Testemunhas da fé. As palavras, inclusive as mais sublimes, não serão acolhidas se forem somente palavras e não vida. A exemplo de Jesus, que deu a vida por todos em coerência com a sua pregação e doutrina, Pedro e Paulo culminarão o testemunho de vida cristã morrendo pela fé em que creram, que pregaram e que confessaram por toda a região mediterrânea. O martírio chega a ser, deste modo, o selo da autenticidade da sua fé, a prova segura, para nós, da verdade que eles nos comunicaram e da qual são igualmente colunas inquebrantáveis e perenes.

Sugestões Pastorais

1. Creio… cremos. Como pastores, temos que transmitir a fé da Igreja tal como formulada no Catecismo da Igreja Católica. Para transmiti-la com integridade e convicção, temos de fazer nossa toda a fé da Igreja. Fazê-la nossa com a inteligência, lendo, estudando, meditando as belas e doutrinalmente ricas páginas do catecismo. Fazê-la nossa com o coração, amando de verdade o corpo doutrinal, orgânico, completo, coerente, rejuvenecido e rejuvenecedor da Igreja Católica. Fazê-la nossa com a vida, para não sermos nem aparecermos como pregadores vazios, e sim como testemunhas da verdade eterna, que vem de Deus e que leva a Deus. Equipados com essa fé eclesial, tornada pessoal pela meditação, pelo amor e pelo testemunho, convidaremos nossos fiéis a crer individual e comunitariamente no que a Igreja nos ensina, a amar aquilo em que crêem e a testemunhar em seu mundo familiar e profissional aquilo que amam. E não teremos medo de proclamar, com humildade e com firmeza, as verdades «difíceis», porque o próprio Espírito que nos anima a proclamá-las trabalha eficazmente nos fiéis para que as aco-lham e as vivam.

2. Fiéis ao Magisterio. A Igreja é um corpo vivo, que se constrói com pedras vivas. Todos colaboramos na construção, mas sob a guia e supervisão dos que são sucessores de Pedro (o Papa) e dos demais Apóstolos (os bispos). Como partícipes do sacerdócio de Cristo e colaboradores dos bispos, os presbíteros e diáconos são moralmente obrigados a escutar a voz do Santo Padre, da Conferência Episcopal, do bispo diocesano; a conhecer, estudar, difundir e, se necessário, defender os seus ensinamentos, que são as orientações que eles nos oferecem a serviço da nossa fé e do nosso comportamento moral. Falemos sempre bem, para os nossos fiéis, do Santo Padre, dos bispos; criemos em torno deles um ambiente de respeito, de acolhimento, de disponibilidade, de sincero afeto filial. São homens como nós, mas são, sobretudo, os mestres da nossa fé, os confessores e testemunhas da verdade revelada por Deus em Jesus Cristo, mediante o Espírito Santo.

Ressurreição e suborno

Dom Anuar Battisti
Arcebispo de Maringá (PR)

“Depois do sábado, ao amanhecer do primeiro dia da semana, Maria Madalena e a outra Maria foram ver a sepultura” (Mt 28,1). No modo de contar judaico, o sábado fechava a semana e começava a nova semana. Este primeiro dia, graças à ressurreição de Cristo, para os cristãos tornou-se o “Dia do Senhor”; em latim “Dies Domine”; em português, “Domingo”.

Quem dá a notícia às mulheres no evangelho segundo São Mateus é o anjo: “Então o anjo disse às mulheres: Não tenham medo; eu sei que vocês estão procurando Jesus que foi crucificado. Ele não está aqui, Ressuscitou como havia dito” (Mt 28, 5). “As mulheres saíram depressa do túmulo; estavam com medo, mas correram com muita alegria para dar a notícia aos discípulos” (Mt 28,8).

Domingo de Páscoa é a festa mais importante do calendário litúrgico para os cristãos. Não há solenidade maior que a Ressurreição de Cristo. Neste dia, celebramos a vitória da vida sobre a morte. Com a Sua ressurreição, o Cristo crucificado vence a dor, o sofrimento, a humilhação, a angústia e a própria morte. O luto se transforma em festa; a dor em alegria; o sofrimento em esperança; a angústia em glória. O apóstolo Paulo afirma categoricamente: “Se Cristo não tivesse ressuscitado, inútil seria a nossa fé” (cf. 1Cor 15,17). A cruz é o trono; o grito é salvação; o sangue e a água são a vida plena; o Salvador é Jesus. Por isso que a fé no ressuscitado não pode ser apenas louvor e glória. Ela é cruz, grito, sangue, dor, e salvação.

Naquele dia, diante da revolucionária notícia, as autoridades que viam o fracasso de suas artimanhas para manter as máscaras da corrupção diante do povo, inventam uma mentira. A primeira atitude é o suborno.

O evangelho segundo São Mateus – aliás, o único evangelista que relata esse fato – nos diz: “Enquanto as mulheres partiram, alguns guardas do túmulo foram à cidade, e comunicaram aos chefes dos sacerdotes tudo o que havia acontecido. Os chefes dos sacerdotes se reuniram com os anciãos, e deram uma grande soma de dinheiro aos soldados dizendo-lhes: Digam que os discípulos dele foram durante a noite, e roubaram o corpo enquanto vocês dormiam. E se o governador ficar sabendo nós o convenceremos. Assim tal boato se espalhou entre os judeus, até o dia de hoje” (Mt 28,11-15).

Não é de hoje que a inconsistência humana, a duplicidade de atitudes, o sistema da mentira, a corrupção vergonhosa está instalada no coração humano. É sempre a elite, principalmente a elite política, que inventa esquemas, tramando em beneficio próprio. Tenho certeza de que tudo isso também faz parte do plano de salvação. Jesus morreu e ressuscitou por amor a todos, e foi por amor que deu a vida para instalar definitivamente o seu Reino em nós e nas estruturas de poder. Reino que está a serviço da justiça. Reino que privilegia a solidariedade, que se fundamenta na esperança autêntica. Reino cuja força é o amor e paz.

Que Jesus ressuscitado traga para todos nós um novo alento nesta caminhada para a pátria definitiva! Quero aqui fazer o convite para que você, que acredita na Ressurreição e luta contra todo tipo de suborno, ajude a construir um mundo cada vez mais justo e fraterno.  Páscoa não é só hoje, é todo dia, ela depende de você! Feliz Páscoa!