Arquivo da tag: ONU

Abusos Sexuais: clara resposta do Vaticano à ONU e firme compromisso pelas crianças

(ACI/EWTN Noticias).- O Escritório de Imprensa da Santa Sé divulgou um comunicado no qual responde claramente às acusações da ONU feitas hoje em um relatório no qual se afirma que supostamente o Vaticano permitiu o abuso de “milhares de crianças” (embora a presidente do Comitê, Kirsten Sandberg, admitiu não ter um número concreto). Diante destas declarações, a Santa Sé reiterou seu compromisso na defesa e proteção da infância.

O comunicado da Santa Sé saiu logo depois de um relatório –apresentado por alguns meios de imprensa seculares como a agência AP como “devastador”– no qual o Comitê para os Direitos da Criança da ONU “criticou severamente o Vaticano por suas atitudes em relação à homossexualidade, o planejamento familiar e o aborto, e pediu que se revisem suas políticas para assegurar que se protejam os direitos das crianças e seu acesso à saúde”.

O relatório do organismo internacional indica que “o comitê está profundamente preocupado com o fato de a Santa Sé não reconhecer o alcance dos crimes cometidos, que não tenha dado os passos necessários para proteger as crianças e que tenha adotado um comportamento e tomado decisões que levaram à continuação dos abusos e à impunidade dos predadores”.

AP assinala também que “é muito provável que essas recomendações (do comitê da ONU) sejam desprezadas pelo Vaticano, que tem essa divergência histórica com as Nações Unidas em temas como a saúde reprodutiva”.

Austen Ivereigh, fundador e líder do grupo internacional Vozes Católicas, comentou que o relatório da ONU é uma “mostra estremecedora de ignorância e elevada parcialidade”.

Do mesmo modo, indica AP, o líder católico assinalou que o documento não reconhece o progresso que se fez em anos recentes e que em muitos lugares a Igreja é considerada líder em proteção aos menores. Também disse que o comitê não distinguiu entre as responsabilidades e jurisdição da Santa Sé e das Igrejas locais.

“Em uns casos (o relatório) tenta mudar os ensinamentos da Igreja e diz como interpretar as Escrituras, o que certamente vai além da jurisdição da ONU e contradiz as leis internacionais sobre liberdade religiosa”, adicionou.

Comunicado da Santa Sé

No comunicado divulgado hoje, afirma-se que “segundo os procedimentos particulares previstos para as partes da Convenção, a Santa Sé toma nota das observações conclusivas sobre os próprios relatórios, os quais serão submetidos a estudo e exames minuciosos em pleno respeito da Convenção nos diferentes âmbitos apresentados pela Comissão em conformidade com o direito e a prática internacional, tendo também em conta o debate público interativo com a Comissão realizado a 16 de Janeiro de 2014”.

“Todavia, a Santa Sé lamenta ver nalguns pontos das observações conclusivas uma tentativa de interferir no ensinamento da Igreja católica sobre a dignidade da pessoa humana e na prática da liberdade religiosa”, acrescenta o texto.

O comunicado precisa finalmente que “a Santa Sé reitera o seu compromisso em defesa e proteção dos direitos da criança, em sintonia com os princípios promovidos pela Convenção sobre os direitos da criança e segundo os valores morais e religiosos oferecidos pela doutrina católica”.

Tolerância zero

Em uma recente entrevista publicada na Rádio Vaticana, o Núncio ante a ONU em Genebra, o Arcebispo Silvano Tomasi, rejeitou as acusações de que o Vaticano tenha obstaculizado as investigações a sacerdotes católicos acusados de abusos sexuais contra menores.

“As acusações que a Santa Sé obstaculizou a atuação da Justiça me parecem gratuitas. Impedir um país de aplicar sua jurisdição seria uma interferência ilegal e injusta”, disse Dom Silvano Tomasi.

Em dias recentes, o diretor da Sala de Imprensa da Santa Sé, Pe. Federico Lombardi, assegurou que o maior defensor das crianças é o Santo Padre: “Que chefe dos 193 Estados do Comitê da Convenção sobre os Direitos da Criança pode representar melhor testemunho e eficaz aval que o papa Francisco e seu amor tão forte pela infância?”, questionou.

Depois de lamentar os casos de abusos sexuais cometidos por membros do clero, o sacerdote recordou que os últimos Papas e os organismos competentes do Vaticano trabalharam e trabalham arduamente para “o estabelecimento de normas e diretrizes rigorosas e eficazes para curar, resistir e prevenir os graves fenômenos de abuso sexual contra menores de idade”, o que inclui “a atualização das leis do Estado da Cidade do Vaticano em assuntos penais”.

Seguindo os passos de seu predecessor, Bento XVI –que estabeleceu uma série de estritas normas para lutar contra o problema dos abusos sexuais, assim como com a política de tolerância zero – o Papa Francisco já deu importantes passos neste tema, como a criação de uma comissão para tratar este tema, e respalda e promove o trabalho da Igreja em todo mundo para garantir os direitos e o bem-estar das crianças.

Círio de Nazaré vira Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade

1441583_587928634588350_1239886725_nA celebração do Círio de Nazaré na cidade de Belém de Pará foi inscrita, nesta quarta-feira (4/12), como Patrimônio Cultural Imaterial da UNESCO. O Círio passa, assim, a fazer parte da lista que traz outras 257 manifestações culturais do mundo inteiro que representam expressões do patrimônio imaterial que se transmitem e perpetuam nas comunidades humanas.

Com a aprovação da candidatura brasileira, ocorrida no âmbito da 8ª Sessão Ordinária do Comitê Intergovernamental para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, o Brasil passa a ter quatro elementos de seu patrimônio intangível declarados pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade:  Expressões orais e gráficas dos Wajãpis;  Samba de Roda do Recôncavo Baiano;  Frevo;  Círio de Nazaré.

A proteção a tradições culturais e folclóricas da humanidade é regida pela Convenção Internacional para a Salvaguarda do Patrimônio Cultural Imaterial, aprovada pela 32ª Conferência Geral da UNESCO em outubro de 2003 e em vigor desde abril de 2006.

ONU reconhece que o aborto não é direito humano

(ACI/EWTN Noticias).- Ao emitir uma histórica resolução sobre mulher, paz e segurança, o Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU) rechaçou a pretensão de que as vítimas de estupros em tempos de guerra tenham um suposto direito ao aborto.

 Em sua resolução 2106, adotada em 24 de junho de 2013, o importante organismo da ONU rechaçou qualquer medida que pretenda legitimar o aborto e a pílula do dia seguinte nos países membros.

O Secretário Geral da Organização das Nações Unidas, Ban Ki-moon, realizou um relatório a inícios de 2013, assegurando que o aborto e a pílula do dia seguinte são um “componente integral” de qualquer resposta à violência sexual em situações de conflito.

Entretanto, o Conselho de Segurança da ONU simplesmente “tomou nota da análise e recomendações contidas” em seu relatório, rechaçando diplomaticamente suas sugestões.

A resolução aprovada pelo Conselho de Segurança está centrada na prevenção e atenção da violência sexual em situações de conflito, o qual alcança a mulheres e crianças em acampamentos de refugiados.

Algumas delegações promotoras do aborto ante a ONU protestaram pelo rechaço ao aborto como direito humano.

A delegada da França, Najat Vallaud-Belkacem, questionou: “Por que continuam discutindo os direitos sexuais e reprodutivos das vítimas da violência sexual?”, enquanto que Karin Enstrom, em representação dos países nórdicos demandou como “crucial” a disponibilidade do aborto e da pílula do dia seguinte em situações de conflito.

O Conselho de Segurança da ONU rechaçou também incluir supostos direitos específicos para as pessoas homossexuais.

“Carta dos Direitos da Família” completa 30 anos

joao paulo ii escreveInspirada na Declaração Universal dos Direitos Humanos, promulgada pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 10 de dezembro de 1948, a “Carta dos Direitos da Família”, publicada pela Santa Sé em 22 de outubro de 1983, completará 30 anos. O documento reconhece a família como “núcleo natural e fundamental da sociedade” e oferece uma base adequada para uma elaboração conceitual em nível “psicológico, moral, cultural e religioso”.

De acordo com Assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), padre Wladimir Porreca a Carta “é dirigida às famílias e a todos os homens e mulheres de boa vontade a comprometerem-se a fazer todo o possível para garantir que os direitos da família sejam protegidos e que a instituição familiar seja fortalecida para o bem de toda a humanidade”.

O Conselho Pontifício para a Família, em fidelidade ao Magistério dos Papas nos últimos 30 anos, se propõe comemorar o aniversário do documento com dois eventos significativos: Seminário Internacional de Estudos de juristas católicos de todo o mundo (19-21 setembro 2013) e a vigésima primeira reunião plenária do PCF (23 a 25 de outubro de 2013).

tres-maos-um-coracaoO assessor menciona as propostas feitas por ocasião das próximas celebrações. “Decidimos propor a todos os que trabalham em favor da família, em especial os Regionais, dioceses e paróquias dois eventos comemorativos, um religioso, nas celebrações eucarísticas e, outro em uma sessão civil, na Câmara Municipal, nas Escolas, Associações e outros”.

Um dos anseios é que, por meio da celebração da data, sejam promovidas ações e políticas em prol da família. “Na comemoração dos 30 anos da “Carta dos direitos da família” no dia 22 de outubro de 2013, possamos animados pela esperança na promoção da família, favorecer instrumentos e políticas públicas de acordo com o designo de Deus”, afirmou o padre. “Peçamos a Sagrada Família que acompanhe nossos projetos em comemoração dos 30 anos da “Carta dos direitos da família”, finalizou.

Rio+20: Esperança ou decepção?

Dom Francisco Biasin
Bispo de Pesqueira (PE)

Apagados os holofotes sobre a Rio +20 é possível refletir sobre este evento e sobre a Cúpula dos Povos com maior objetividade e quem sabe, tirar algumas lições de vida, assim como lançar um olhar em perspectiva de futuro sobre a humanidade e a preservação do planeta terra através de uma economia sustentável.

É unanime a constatação que no Documento oficial da Conferência, assinado pelos representantes oficiais das Nações, não houve grandes avanços no compromisso de preservar o planeta terra da devastação e do aquecimento, aliás adiou-se para o próximo futuro e para outras Conferências a agenda sobre estes assuntos de primária importância.

Sintomática foi à presença dos Estados Unidos, país que mais polui no planeta, cujo representante oficial Hillary Clinton, ao chegar de última hora, fez um pronunciamento sem compromisso nenhum, a não ser uma insignificante ajuda aos países da África. Arrancou uma salve de palmas ao tornar-se defensora dos “direitos reprodutivos” da mulher, tema muito polêmico debatido na Cúpula dos Povos, desviando assim a atenção dos reais problemas da pobreza global, da falta de água potável para 600 milhões de seres humanos no planeta e da fome que assola a terra em várias regiões, sobretudo da África, da Ásia e da América Latina.

Participei da Cúpula dos Povos, no Fórum das “Religiões por direitos” que viu reunidos líderes de várias Religiões que se empenham na preservação do meio ambiente, colocando a pessoa humana no centro do ecossistema.

Com eles celebramos, a partir das escrituras e das tradições de cada credo! O refrão que ecoou na celebração de tradição judaica cristã foi o início do salmo 8: “Ó Senhor, nosso Deus, como é grande vosso nome por todo o universo!”

Houve também uma mesa redonda, promovida pela Comissão Episcopal Pastoral de Ecumenismo e Diálogo interreligioso, onde cada líder religioso apresentou o compromisso da sua Igreja ou religião na preservação da natureza para uma economia sustentável.

Com alegria coube-nos:

1. Anunciar a Boa nova do destino universal dos bens e da ecologia como oportunidade única diante da sensibilidade da humanidade e dos pobres de pleitar uma nova ordem econômica, frisando a estreita interdependência entre os seres humanos  e todos os outros seres vivos  no planeta terra.

2. Reconhecer que a criação é o primeiro sacramento da bondade e da beleza do Criador, sinal do seu amor providente pelas criaturas. É vista como “casa comum” onde acontece a aliança de Deus com a humanidade e com todos os seres criados.

3. Reconhecer também que sensibilidade ecológica abre os nossos olhos de crentes para que possamos enxergar a presença de Deus Criador e Pai que sustenta cada criatura e todo a criação, proporcionando-nos assim uma nova compreensão do universo. Deus continua criando e acompanha a sua criação e, a partir dela, faz ouvir a sua voz. (Salmo 19, 1-5)

4. Valorizar a ecologia como base comum que facilita o diálogo universal. Homens e mulheres de diferentes ideologias, de diferentes credos religiosos e de diversas culturas, diante da responsabilidade que tem para garantir o futuro da humanidade e dos perigos que ameaçam o planeta terra, constroem uma plataforma comum para dialogar e poder olhar na mesma direção para defender a casa comum.

5. Apresentar, enfim o grito dos pobres que mais sofrem com as mudanças climáticas provocadas pelo uso mercantilizado da terra, das florestas, das águas dos rios e das riquezas do subsolo. Defender a biodiversidade e os biomas para garantir o equilíbrio ecológico contra o uso predatório provocado por interesses econômicos. Favorecer estilos de vida sóbrios e saudáveis baseados em relações de fraternidade e respeito não apenas entre os seres humanos, mas também com a criação, inspirando-nos no testemunho de São Francisco.

Olhando para o evento da Rio+20, para os resultados alcançados ou as reações que ele provocou, ficam algumas interrogações: avançamos ou recuamos? Temos razões para esperar ou motivos mais graves para nos preocupar? O grito dos povos chega às instâncias das decisões dos que detém o poder econômico e político?

Trata-se de interrogações que exigem um posicionamento que para nós discípulos do Senhor não pode ser apenas ideológico, mas de fé.

Para nós que cremos a criação é dom de Deus Criador e Pai. Um dom não se estraga nunca, sobretudo quando ele é necessário para a nossa vida. Dom Helder Câmara chamava o homem de co-criador no sentido que ele é chamado a aperfeiçoar com sua inteligência o dom recebido, descobrindo a perfeição que existe nas leis que regem o universo. Daí é que surge a nossa luta e o nosso compromisso para a salvaguarda da criação, pois ela é de Deus e casa comum para todos!

Ninguém pode nos proibir de sonhar que, ao término da história, possamos entregar nas mãos do Pai, enriquecido a aperfeiçoado, o dom que ele nos entregou no início e serão… “novos céus e nova terra nos quais a justiça habitará”! (2Pd 3,13)

Balanço positivo da Rio + 20, segundo Cardeal dom Odilo Scherer

entrevista-dom-odilo-schererO Legado do Papa Bento XVI para a Conferência Rio + 20, Cardeal dom Odilo Scherer, destaca ganho na discussão da Conferência da ONU mesmo fazendo ressalvas sobre lacunas no documento final como aquela que ” não se chegou a estabelecer a contribuição dos países ricos, daqueles que mais poluem, para formar um fundo a partir do qual possa ser financiada a economia limpa, a economia verde que se quer promover”.

A Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, será encerrada sexta-feira 22, com a divulgação do documento final, contendo 49 páginas, denominado “O Futuro Que Queremos”. O balanço dos dez dias de discussões divide opiniões. Autoridades brasileiras consideram um avanço a inclusão do desenvolvimento sustentável com erradicação da pobreza, enquanto movimentos sociais e alguns líderes estrangeiros condenam a falta de ousadia do texto.

Segundo a Agência Brasil, o tom de crítica deve predominar nesta sexta-feira, pois as organizações não-governamentais (ONGs) que promoveram vários protestos durante a conferência prometem manifestações.

Para o legado pontifício para a Cúpula, Arcebispo de São Paulo, Cardeal Odilo Scherer, além de algumas lacunas, como a não-criação do fundo de contribuições dos países ricos, a Conferência trouxe novidades, como a nova consideração de chefes de Estado e Governo em relação aos oceanos:

“Acredito que o resultado é bastante positivo, embora haja muitas observações críticas de que o resultado é menos do que o esperado e que não foi bastante ousado em estabelecer metas ou medidas concretas que deveriam ser assumidas. Temos que considerar que numa Cúpula internacional deste porte, com a presença de quase 190 nações não se pode esperar demais, no sentido de resultados concretos. A crítica é que, por exemplo, não se chegou a estabelecer a contribuição dos países ricos, daqueles que mais poluem, para formar um fundo a partir do qual possa ser financiada a economia limpa, a economia verde que se quer promover. É uma verdade que esta lacuna naturalmente deverá ser preenchida através de novas negociações, com iniciativas como a da França, que anunciou claramente que quer taxar as transações financeiras internacionais que passam pelo país, e aplicar esta taxa em uma economia mais limpa e promover a preservação do meio ambiente.

Existem certamente muitos pontos positivos a serem observados: a declaração, que foi concordada através de negociações, contém pontos relevantes, primeiro porque estabelece uma identificação do que se pode chamar de economia verde, economia sustentável, colocando três pilares fundamentais. Primeiramente, que o homem esteja ao centro, e portanto, que a economia sustentável deve ser socialmente sustentável. Depois, é claro, que a economia seja economicamente sustentável. Deve seguir as leis econômicas porque senão se torna um caos. O terceiro ponto, que a economia verde seja ecologicamente sustentável, que tenha sempre em consideração a dimensão ecológica da economia, do trabalho, da produção e do consumo. O que também é novo neste documento, com uma nova posição, é a preocupação com os oceanos, que até agora nos documentos anteriores estava ausente. Por isso já se está falando na Conferência que a economia sustentável, além de verde, deve ser também azul, em referência aos oceanos, às águas.

Outro apelo que vai aparecendo é que o modelo de economia não deve se basear simplesmente na produção e no consumo; o critério de desenvolvimento não devem ser simplesmente os índices econômicos: deve haver um conjunto de índices que apontem um modelo de desenvolvimento.

Enfim, acredito que o mais positivo de todas as contribuições que a Rio+20 está trazendo é uma nova tomada de consciência da comunidade internacional a respeito dos problemas da sustentabilidade da economia, dos problemas do clima e da urgente necessidade de todos de fazerem a sua parte; que não podemos protelar por mais tempo a tomada de decisões porque o clima, o planeta está reclamando: a sustentabilidade está ameaçada”.

Cúpula dos Povos diz que texto da Rio+20 traz ‘frustração e desencanto’

Os representantes da Cúpula dos Povos, evento paralelo à Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20), afirmaram nesta sexta-feira (22) para o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, estarem “frustrados” com o texto aprovado pelos países na Rio+20.

Ban Ki-moon ouve as críticas de Iara Pietrovsky, representante da Cúpula dos Povos (Foto: Darlan Alvarenga/G1)
Ban Ki-moon ouve as críticas de Iara Pietrovsky, da Cúpula dos Povos (Foto: Darlan Alvarenga/G1)

“Gostaria de iniciar nossa conversa expressando nosso profundo desencanto, nossa profunda frustrração em relação ao documento oficial apresentado”, disse Iara Pietrovsky, integrante do grupo de articulação da Cúpula dos Povos, dirigindo-se ao secretário-geral da ONU.

No encontro realizado nesta manhã no Riocentro, a Cúpula dos Povos entregou o documento político final elaborado durante as Plenárias de Convergência organizadas por ONGs e movimentos sociais, que representam representam redes, organizações e movimentos sociais de vários países, em temas sindicais, indígenas, ambientais, povos tradicionais, direitos humanos, entre outros. O documento está disponível no site da Cúpula dos Povos.

“Esperávamos um documento bem mais audacioso, bem mais ambicioso frente aos desafios que estamos nos confrontando”, disse Iara. “De qualquer maneira, acreditamos que o diálogo e a possibilidade de uma agenda é importante para que possamos criar saídas alternativas e sustentáveis para o nosso planeta”, ressalvou.

Ao término do encontro, os representantes da Cúpula dos Povos reafirmaram o sentimento de frustração. “A Rio+20 acabou para nós, mas o nosso processo não dependia da conferência. A O Rio+20 foi uma passagem, infelizmente uma passagem extremamente frustrante”, afirmou Iara.

Matéria de Darlan Alvarenga publicada no G1

Rio + 20…. Enquanto isso na Warner brasileira – Brasília – Tom e Jerry salvam uma cachoeira

“Os olhos do mundo estão voltados para o Brasil”. Assim começa todos os telejornais brasileiros e assim são as manchetes dos impressos nessa pátria gentil. Fato relevante e importante para a sociedade tupiniquim que contém grandes reservas naturais a serem cuidadas pelo governo. Outra coisa que o governo deve cuidar é de suas reservas de popularidade, embora o povo tenha memória curta. Muito curta. Quase um Alzheimer.

É, a preservação das florestas de dinheiro publico para o bem político de um ser chamado político começou. Creio que com inspiração na Rio +20 e Cúpula dos Povos. Afinal a grande floresta verde de reais está se esgotando. Será? Não, isso só aconteceria em sonhos, ou melhor, pesadelos dos sofistas do planalto. Dos éticos. É nesse contesto de Rio +20 e Cúpula dos Povos que Tom and Jerry  entram em ação na CPI de preservação das cachoeiras. Ou de quem nela se banhou.

Como no desenho, Tom e Jerry sempre se estranham e vão as vias de se extinguirem. Contudo diante a ameaça em comum de alguém se unem facilmente. Em Brasília, a Warner brasileira, ou até mesmo a Disney, afinal lá são produzidos belos contos de fada, assistimos, ou não, ao  filme “O que há por trás da Cachoeira”. Na verdade, como sempre sabemos, espero, que os filmes de contos de fadas, heróis e outros seres são ficção, a CPI também é.

Ontem, 14/06, houve uma grande encenação de abandono da CPI por parte de Tom – oposição – e uma “trolagem”  de Jerry – Governo – pela não aprovação da convocação do dono da Delta. Empresa mergulhada nas águas dessa cachoeira, assim como o Senador ético e governadores semelhantes. Sem falar em outros membros do governo e da CPI que fizeram um tour por Paris com Cachoeira.

A Rio + 20 corre o risco de novamente não gerar grandes frutos ambientais para o planeta. A Cúpula dos Povos continuará com os status de evento paralelo. Já a CPI do Cachoeira terá o destino mais bonito de todos. A preservação. O desfecho que o mundo espera na Rio + 20 acontecerá em Brasília. No final as águas de cachoeira serão preservadas e Tom e Jerry saíram abraçados comendo queijo e peixe. A Rio+20, só Deus sabe.

Ah! Me esqueci do povo, inclusive eu. Mas não me lembro de nada hoje, ontem e nem daqui uns dias.

Por Marquione Ban

Igreja presente na Conferência Rio+20 e na Cúpula dos Povos

rio202012Vinte anos depois da Conferência das Nações Unidas sobre Meio Ambiente e Desenvolvimento (Rio-92), o Rio de Janeiro volta a ser o ponto de encontro para lideranças do mundo inteiro e sediará a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, entre os dias 13 e 22 de junho. Paralelamente a esse grande evento, de 15 a 23 de junho, acontecerá, no Aterro do Flamengo, a Cúpula dos Povos, numa oportunidade para tratar dos problemas enfrentados pela humanidade e demonstrar a força política dos povos organizados. Dentro dessa perspectiva, a arquidiocese do Rio de Janeiro, bem como a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) marcam presença ao longo do evento propondo reflexões e debates sobre a integração do homem com o mundo à sua volta.

A Rio+20 também conta com a participação da Santa Sé, que enviou uma equipe para representar o papa Bento XVI. À frente dessa comitiva está o arcebispo de São Paulo (SP), dom Odilo Pedro Scherer. Para ele, esse será um grande desafio, uma vez que a presença da Santa Sé no evento representa a palavra da Igreja.

“É uma tarefa importante porque eu irei integrar e, ao mesmo tempo, chefiar a delegação da Santa Sé, que representa a palavra da Igreja, a posição da Igreja sobre as questões tratadas na Rio+20. No entanto, com grande honra, porque é a oportunidade de apresentar o pensamento da Igreja, que tem uma grande autoridade moral no conselho das nações. Embora o Vaticano seja um Estado pequeno, a sua representatividade é muito grande e importante no âmbito das nações”, disse o cardeal.

A primeira das atividades será no dia 15 de junho, na Tenda da Paz, no aterro do Flamengo, onde haverá uma mesa de diálogo sobre meio ambiente e justiça social.

Dom Odilo ressaltou a forte presença da Santa Sé em eventos promovidos pelas Nações Unidas e outros órgãos internacionais. “Ela tem se feito presente através do Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas e por isso também apresenta a Santa Sé em eventos como este, que é a Rio +20. “A Igreja tem um pensamento, um olhar próprio sobre todas essas questões, uma visão sobre o homem, uma visão sobre a economia, cultura, sobre a vida e assim por diante. Portanto, são oportunidades da Santa Sé, em nome da Igreja, de estar colocando a posição, a palavra da Igreja para ajudar a servir e iluminar, e isso faz parte da missão evangelizadora da Igreja”, concluiu.

Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas

observadornaONUPela primeira vez no Rio de Janeiro e com participação ativa na Rio + 20, o Observador Permanente da Santa Sé nas Nações Unidas, dom Francis Chullikatt, tem uma missão importante: destacar a pessoa humana e os problemas ecológico-sociais dos países mais pobres, que, segundo ele, muitas vezes não têm voz nas grandes conferências.

Junto com dom Francis, chegaram na última terça-feira, 12 de junho, três colaboradores: padre Philip J. Bené, padre Justin Wylie e o advogado Lucas Swanepoel, que já estão participando da 3ª Reunião do Comitê Preparatório, no qual se reúnem representantes governamentais para negociações dos documentos a serem adotados na Conferência.

Em entrevista para a WebTV Redentor, dom Francis Chullikatt falou sobre o papel da Igreja na Rio+20, destacando os três aspectos do desenvolvimento sustentável: a sustentabilidade econômica, social e ambiental.

“A Igreja é muito importante no desenvolvimento destes três aspectos. Relacionado ao aspecto econômico, sabemos que a Igreja Católica sempre se preocupa com os países pobres. Quando falamos do social, sabemos que a Igreja é totalmente envolvida no crescimento da situação social do mundo. O terceiro aspecto, o ecológico, pode-se destacar, aqui no Brasil, a preocupação com a proteção da Amazônia. Nós cuidamos da natureza, porque nós católicos acreditamos na preservação”, disse.

O Observador na ONU mostrou-se preocupado em trabalhar durante a Conferência, principalmente com os países pobres, já que a Rio+20 tem dois temas centrais: “A economia verde no contexto do desenvolvimento sustentável e da erradicação da pobreza”; e “A estrutura institucional para o desenvolvimento sustentável”.

“Viemos mostrar especialmente aqueles que não têm voz, especialmente o povo dos países pobres. Defendemos a humanidade e as pessoas que têm a vida violentada pelo mundo. Temos que ter essa preocupação para a vida humana ser preservada”, acrescentou dom Chullikatt.

CINE O ANUNCIADOR: Cúpula dos povos

O vídeo aborda as questões ambientais e acima de tudo a dignidade humana diante o avanço econômico destruidor do meio ambiente e favorecedor de poucos. O vídeo é Vídeo produzido pelo Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social e pela Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Justiça, da Caridade e da Paz – CNBB.

<script type=”text/javascript”><!–
google_ad_client = “ca-pub-0067633013566491”;
/* Publicidade 1 */
google_ad_slot = “7431772747”;
google_ad_width = 160;
google_ad_height = 600;
//–>
</script>
<script type=”text/javascript”
src=”http://pagead2.googlesyndication.com/pagead/show_ads.js”&gt;
</script>

Secretário da ONU envia mensagem para o Dia Mundial das Famílias

O mundo inteiro celebra nesta terça-feira, 15, o Dia da Família. Para a ocasião, o secretário geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Ban Ki-moon, escreveu uma mensagem destacando a dedicação em relação aos núcleos familiares com o mundo do trabalho, num momento de crise econômica e financeira. A mensagem vai de encontro ao tema do próximo Encontro Mundial das Famílias “A família: o trabalho e a festa”, que será realizado entre os dias 30 de maio a 3 de junho próximos, em Milão, Itália.

Em 1993, a Assembleia Geral da ONU proclamou essa data como Dia Internacional da Família. Desde então, o órgão tem celebrado o dia chamando a atenção para determinadas questões que influenciam o dia-a-dia da Família, como forma de reconhecer o papel nuclear da família na sociedade e de impulsionar a adoção de medidas no plano nacional e internacional para melhorar sua condição.

O ano 1994 foi proclamado, pelas Nações Unidas, como o Ano Internacional da Família e teve como tema “Família, Capacidades e Responsabilidades num Mundo em transformação”, declarando a família como “a pequena democracia no coração da sociedade”.

“É na família que o homem se realiza como filho, esposo e pai”. É o que disse o Papa Bento XVI ao receber, no Vaticano, os participantes de um encontro promovido pelo Instituto João Paulo II de estudos sobre o matrimônio e a família (13/05/2011).

O Dia Internacional da Família é comemorado em diversos lugares no mundo. Neste ano, em Portugal, várias entidades celebraram a data, com atividades lúdicas, espetáculos e iniciativas de caráter social, de norte a sul do país, destacando a importância das famílias na sociedade.

Leia abaixo a mensagem do secretario geral da ONU, Ban Ki-moon:

Mensagem do Secretário Geral da Organização das Nações Unidas (ONU) pelo Dia Mundial das Famílias 2012

O Dia Internacional da família deste ano destaca a necessidade do equilíbrio trabalho-família. O objetivo é ajudar os trabalhadores de todos os lugares a sustentaram financeiramente e emocionalmente as suas famílias, mas também a contribuirem para o desenvolvimento sócio-econômico de suas sociedades.

As tendências atuais enfatizam a crescente importância das políticas sobre a relação trabalho e família. Estas tendências incluem uma maior participação das mulheres no mercado de trabalho, e a crescente urbanização e mobilidade em busca de emprego.

Como as famílias tornam-se menores e as gerações vivem separadas, a família ampliada está menos disponível para oferecer cuidados, e os pais trabalhadores enfrentam crescentes desafios.

Milhões de pessoas ao redor do mundo não têm condições dignas de trabalho e do apoio social para se ocupar de suas famílias. Cuidados infantis de qualidade a preços acessíveis é raramente disponível nos países em desenvolvimento, onde muitos pais são forçados a deixar seus filhos, em idade pré-escolhar, sozinhos em casa. Muitas crianças também são deixadas aos cuidados de irmãos mais velhos que, por sua vez, são retirados da escola.

Um certo número de países oferece generosas disposições de licença para mães e pais. Muitos mais, entretanto, fornecem poucos benefícios em conformidade com os padrões internacionais. Disposições de licença de paternidade ainda são raras na maioria dos países em desenvolvimento.

Modalidades flexíveis de trabalho, incluindo horas de trabalho escalonados, horários de trabalho compactados ou de teletrabalho, estão se tornando mais amplamente disponíveis – mas há muito o que para melhorar em toda parte. Estou comprometido com isso em nossa própria organização, onde atualmente estamos olhando para as nossas próprias estruturas, e vendo o que podemos fazer melhor.

Temos de responder às complexidades em constante mudança de trabalho e vida familiar. Congratulo-me com o estabelecimento de locais de trabalho favoráveis à família, através de disposições de licença parental, regimes de trabalho flexíveis e melhor cuidado com os filhos.

Tais políticas e programas são fundamentais para melhorar o equilíbrio entre trabalho e família. Essas ações também podem levar a melhores condições de trabalho, a saúde e a produtividade do trabalhador,  e um foco mais planejado sobre  a igualdade de gênero.
Políticas de equilíbrio entre o trabalho a família demonstrar tanto o compromisso de um governo para com o bem-estar das famílias e o compromisso do setor privado com a responsabilidade social.

Neste Dia Internacional das Famílias, renovemos o nosso compromisso de promover o equilíbrio entre o trabalho e a família para o benefício das famílias e da sociedade em geral.

Ban Ki-moon

(Texto traduzido pelo padre Rafael Fornasier, assessor da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família, da CNBB)

RIO+20, Cúpula dos povos e afetados por mudanças climáticas

Dom Pedro Luiz Stringhini
Bispo de Franca (SP)

A ONU realizará, em junho deste ano, a Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20. No mesmo período, acontecerá a Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental. O Fórum Mudanças Climáticas e Justiça Social participará da Cúpula dos Povos, levando sua experiência e contribuição.

“A Cúpula dos Povos – um evento organizado pela sociedade civil – deverá atrair dez mil pessoas, de 15 a 23 de junho, no Aterro do Flamengo. Segundo a Ong Fase, serão duas mil pessoas da Via Campesina, mil quilombolas, 1,2 mil indígenas e mil trabalhadores da agricultura familiar, entre outros” (O Estado de SP, 28.03.12).

A Conferência sobre Meio Ambiente Rio+20 comemora os 20 anos da Eco 92 (Rio de Janeiro 1992). Uma visão e análise críticas da realidade dão conta que, em vez de fazer uma séria revisão sobre o que foi ou não realizado das decisões da Eco 92, tanto a ONU quanto o Governo brasileiro estão preferindo que a Rio+20 sirva para consagrar a proposta dos grandes grupos econômicos, a “economia verde”.

A cartilha Economia Verde, que está sendo publicada pela Rede Jubileu Brasil e outras entidades, e que está sendo assumida pelas pastorais sociais da CNBB como texto de informação e formação, ajuda a compreender com profundidade por que esta proposta está sendo contestada pelos movimentos sociais da sociedade civil brasileira e internacional.

Trata-se, em resumo, de nova tentativa dos principais responsáveis pelo aquecimento global, as empresas capitalistas, de se apresentarem como as “salvadoras do meio ambiente”. Na verdade, o que desejam é estabelecer preço para todos os bens naturais, que ainda são bens comuns – água, ar, reservas florestais, áreas indígenas e quilombolas, paisagens naturais, conhecimentos tradicionais, biodiversidade … –, usando-os como “créditos de carbono” a partir de pagamentos pelos “serviços ambientais” dessas áreas preservadas. Ou seja, querem continuar poluindo, justificados com esses pagamentos de serviços ambientais, tornando-se donos, ao mesmo tempo, de novos títulos de crédito negociados em mais uma bolsa especulativa.

Questionando essa opção, entidades da sociedade civil decidiram convocar-se como Cúpula dos Povos, autônoma em relação à conferência governamental Rio+20. Ela se propõe, através de atividades de Assembleia do Povo, dizer uma palavra profética sobre as verdadeiras causas da crise ambiental que atinge o Planeta, sobre a propalada solução da “economia verde” e, finalmente, sobre o que já está sendo feito e o que é preciso fazer para defender e promover a vida na Terra e da Terra.

O Fórum está buscando condições para apoiar a presença dos Afetados por Desastres Socioambientais(MONADES) na Cúpula dos Povos. O plano é realizar o 2º Seminário de Atingidos, que será também a 1ª Assembleia do MONADES, no Rio de Janeiro, nos dias 15 e 16 de junho – dias de atividades autogestionadas dos movimentos e entidades da Cúpula dos Povos. Em seguida, possibilitar a participação na Marcha de Abertura (dia 17), das Assembleias (dias 18, 19 e 21) e das Mobilizações, especialmente as do dia 20, da Cúpula dos Povos por Justiça Social e Ambiental.

Grande parte da missão do Fórum será realizada com a consolidação do MONADES. Com ele, os Afetados serão protagonistas na luta por políticas públicas que garantam seus direitos e promovam ações preventivas em todas as áreas de risco de desastres socioambientais.

A Cúpula dos Povos quer, com sua mobilização, sensibilizar a sociedade sobre a urgência em que se encontra a humanidade de implementar soluções verdadeiras. Cada comunidade cristã pode contribuir para essa importante e cidadã mobilização.

Em vista dessa mobilização, faz-se relevante e pertinente a proposta de recolher 1,4 milhão de assinaturas para propor ao Congresso nacional uma lei de iniciativa popular que coíba o desmatamento, isto é, realize o chamado desmatamento zero, impedindo a supressão de florestas nativas em todo o território nacional.

Mais de 13 milhões sofrem com a fome na África

A Organização das Nações Unidas (ONU) declarou nesta segunda-feira, 5, a piora no estado de crise de fome em outra região da Somália, como Bay, que já é a sexta área do sul do país afetada por um problema que ameaça se expandir ainda mais nos próximos meses.

De acordo com a Unidade de Análise de Nutrição e Segurança Alimentar da Somália (FSNAU), quatro milhões de pessoas estão em crise de fome no país. Destas, 750 mil correm o risco de morrer nos próximos quatro meses se não houver uma resposta adequada.

O comunicado divulgado em Nairóbi indica que dezenas de milhares de pessoas já morreram, a metade delas crianças. Além disso, aos atuais afetados pela crise alimentar na Somália podem se unir outras 50 mil pessoas das áreas agrícolas de Gedo, Juba e Hiran, no sudoeste da Somália, aponta o órgão vinculado à ONU.

A Somália é o país mais afetado pela fome e pela seca que castigam o Chifre da África, onde mais de 13 milhões de pessoas sofrem uma situação de crise humanitária, segundo números das Nações Unidas.

A FSNAU explicou que a ausência total de precipitações durante a temporada de chuvas de outubro a dezembro de 2010, somada às poucas que caíram entre abril e junho deste ano, gerou a pior colheita dos últimos 17 anos.

Outro fator agravante da crise é a presença da milícia radical islâmica Al Shabab, que controla a maior parte do sul da Somália e combate para instaurar um Estado muçulmano no país, dificultando as operações das organizações de ajuda humanitária.

A Médicos Sem Fronteiras (MSF) denunciou nesta segunda-feira em comunicado que, “apesar dos repetidos esforços e negociações”, ainda não foi possível “iniciar novos projetos e desenvolver novas atividades no sul da Somália”.

Segundo a ONU, o estado de crise de fome é declarado em uma região quando pelo menos 20% da população sofre com uma falta extrema de alimentos, mais de 30% sofre desnutrição aguda e a taxa de mortalidade é de mais de duas pessoas ao dia para cada 10 mil habitantes.

Campanha SOS África

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e Caritas Brasil lançou recentemente a campanha SOS ÁfricaNeste domingo, 4, foi realizada uma coleta em prol dos países da África que estão passando fome.

As doações, em qualquer valor, podem ser feitas nas seguintes contas:

Banco do Brasil: AG. 3475-4, C/C 26.116-5
Caixa Econômica Federal: AG. 1041, OP. 003, C/C 1751-6
Banco Bradesco: AG. 0606-8, C/C 187587-6
para DOC e TED o CNPJ é: 33.654.419/0001-16

Assista o vídeo da campanha SOS África

ONU estimula erradicação da tortura na América Latina

Para fortalecer os mecanismos de prevenção e proteção contra a tortura existentes na América Latina, 40 especialistas em direitos humanos estão reunidos em Santiago do Chile, desde ontem (15) até hoje (17). O encontro, convocado pelo Relator Especial sobre a Tortura das Nações Unidas (ONU), Juan Méndez, tem como objetivo realizar um diagnóstico da situação nessa região, orientado para a implementação de políticas públicas que acabem com os casos de tortura.

Participam juristas do Uruguai, Paraguai, Brasil, Jamaica, Colômbia, México, Bolívia, Peru, Argentina e Venezuela. Serão realizadas análises da situação em três áreas: o estado das retificações do que fizeram seus antecessores, estado da situação da tortura e tratamentos cruéis, desumanos e degradantes nas investigações de crimes, além da situação carcerária de cada nação.

“O principal desafio da região é, diferentemente de outras épocas, a luta contra uma falta de consenso social em ser contra a tortura. Nossas sociedades estão impregnadas da sensação de insegurança cidadã e isso favorece a brutalidade policial, além de condições carcerárias agravantes, porque se fez acreditar que assim estamos mais seguros e leva a um nível de tolerância maior do que em outros anos”, disse o relator Juan Méndez à Rádio Universidade do Chile.

Para a representante da ONG Conectas, do Brasil, Vivian Calderoni, a tortura não está relacionada somente com a ditadura, já que são praticadas distintas formas de tratamentos degradantes. Embora os Estados utilizem o recurso da negação, a tortura aumentou no âmbito democrático.

O encontro abordou o fenômeno, presenciado em vários países, de criminalização das manifestações sociais. A essa questão, soma-se também o problema das condições carcerárias, abuso de familiares, pouca transparência dos processos judiciais e a agressão aos defensores, os quais são problemas presentes também em muitos países.

Um dos temas que mais preocupa as Nações Unidas são os maltratos nas prisões. Segundo Méndez, o problema se agrava porque em países com poucos recursos, o âmbito carcerário é uma das últimas prioridades. Além disso, a opinião pública pressiona para que se use de violência e criam-se leis que impedem a liberdade provisória ou que aumentem as penas. É o que agrava os problemas de superpopulação e o que gera violações ainda mais graves. Para solucionar essa situação, Méndez convoca os Governos a assumirem suas responsabilidades e não se limitarem a argumentar que em seus países não se cometem torturas.

Tortura na América Latina

Segundo o Relatório 2010 da organização Human Rigths Watch (HRW), um dos principais violadores dos direitos humanos são as forças da ordem pública. Eles apontam, por exemplo, que o emprego da tortura por parte da polícia é um “problema generalizado” no México.

O relatório de 2009 da Comissão Nacional de Direitos Humanos do México assinala que foram recebidos de 2006 a 2009 mais de 2.200 denúncias de abusos aos direitos humanos. Incluem-se desaparecimentos forçados, assassinatos e tortura, os quais se presumem que tenham sido cometidos pelo exército mexicano.

Na Colômbia, por sua vez, também são os militares que cometem essas violações. Persistiram, no ano passado, os denominados “falsos positivos”, que é a execução de civis inocentes por parte dos soldados para apresentá-los como guerrilheiros mortos em combate. No Brasil, Venezuela e Guatemala é similar e recorrente o problema das execuções extrajudiciais.

 

 

Documentos sobre ditadura estarão na internet

Mais de 700 processos judiciais da época da ditadura militar no Brasil (1964-1985), muitos dos quais com relatos de tortura em tribunais militares e outros abusos, serão publicados na Internet pela Universidade Estatal de Campinas.

Os documentos chegaram ontem ao Brasil, enviados pelo Conselho Mundial das Igrejas, que os obteve de forma clandestina e os guardava nos Estados Unidos. Representantes da entidade entregaram a documentação ao procurador geral da República, Roberto Monteiro Gurgel Santos, em cerimônia na Procuradoria Regional da República da 3ª Região, em São Paulo.

A reprodução dos papeis começou por iniciativa da advogada Eny Raimundo Moreira e de seus colegas do escritório Sobral Pinto. Entre 1964 e 1979, eles fotocopiaram os autos do Superior Tribunal Militar, aproveitando que a lei permitia que os advogados consultassem os processos durante 24 horas. O objetivo era encontrar informações e evidências de violações aos direitos humanos praticadas por agentes da repressão militar.

Os advogados receberam apoio logístico e financeiro do então Arcebispo de São Paulo, Cardeal Paulo Evaristo Arns, e do reverendo presbiteriano Jaime Wright, pois no período da ditadura, havia a preocupação com a apreensão do material por parte dos repressores políticos. Os documentos foram microfilmados e remetidos aos EUA.

Foram copiados 707 processos judiciais, que somam cerca de um milhão de cópias em papel e 543 rolos de microfilme. O material serviu de base para o livro “Brasil: Nunca Mais”, publicado em julho de 1985, em meio ao processo de democratização do país.

O livro teve 20 reimpressões em seus dois primeiros anos e atualmente está em sua 31ª edição, de 2009.

A Arquidiocese de São Paulo decidiu agora doar toda a documentação à Unicamp, que se comprometeu a digitalizar e publicar o material na Internet dentro de um ano.

No mesmo dia em que se anuncia a difusão pública dos arquivos confidenciais que revelam que existiam no Brasil pelo menos 242 centros secretos, onde 444 pessoas foram torturadas, a ONU pediu ao governo que comece a investigar os crimes cometidos contra os direitos humanos durante os vinte anos da ditadura militar. O pedido foi feito pelo relator da ONU para a tortura, Juan Mendez.

Lançado o Ano Internacional do Afrodescendente no Brasil

Foi lançado pela ministra chefe da Secretaria de Promoção de Políticas para a Igualdade Racial (Seppir), no dia 21, o Ano afrodescendente no Brasil. O lançamento da campanha marca também os oito anos de criação da Seppir e o Dia Internacional pela Eliminação da Discriminação Racial, comemorado no dia 21 de março, que lembra as vítimas do massacre de Shapeville na África do Sul, mortas enquanto realizavam um protesto pacífico contra o regime de segregação racial.

O lançamento da Campanha no Brasil se justifica pelo alto número da população negra no país que é maior do planeta (e primeira fora do continente africano), este ano é a ocasião para chamar atenção para as persistentes desigualdades que ainda afetam esta parte importante da população brasileira.

De acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de 2009, 51,1% dos brasileiros se reconhecem como “pretos” ou “pardos”. Significa que mais da metade de população brasileira tem descendência africana.

2011, Ano do afrodescendente

O ano Internacional do Afrodescendente foi declarado pelo Órgão das Nações Unidas. O secretário geral da ONU, Ban Ki-moon, explicou o objetivo da iniciativa. Segundo ele, o Ano Internacional tentará fortalecer o compromisso político de erradicar a discriminação a descendentes de africanos. A iniciativa também quer promover o respeito à diversidade e herança culturais.

Por ocasião do lançamento o secretário geral fez um apelo para que a comunidade internacional  se empenhe em garantir aos afrodescendentes direitos fundamentais como a saúde e a educação: “Vamos todos intensificar os nossos esforços para assegurar que os povos afrodescendentes possam gozar de todos os seus direitos”.

Ban lembrou ainda as metas de integração e promoção da equidade racial estabelecidas pelos países-membros da ONU na Conferência de Durban, em 2001.  O compromisso foi reiterado no ano passado, na Conferência de Revisão de Durban, realizada entre 20 e 24 de abril de 2009 em Genebra (Suíça).

A homenagem aos povos de origem africana foi uma iniciativa da Assembleia Geral da ONU, em reconhecimento da necessidade de se combater o racismo e as desigualdades econômicas e sociais.

Os afrodescendentes estão entre as comunidades “mais afetadas pelo racismo” e “enfrentam demasiadas vezes restrição de acesso a serviços básicos, como saúde e educação de qualidade”, afirmou o secretário geral da ONU.  “A comunidade internacional não pode aceitar que comunidades inteiras sejam marginalizadas por causa da sua cor de pele”, afirmou.

Declaração da ONU para dia Mundial da Água

Por ocasião do Dia Mundial da Água, celebrado no dia 22, o alto comissariado das Nações Unidas divulgou uma declaração na qual ressalta o direito à água e o melhoramento das condições higiênicas como um direito humano universal. O documento foi elaborado pela especialista em água e saneamento, Catarina de Albuquerque; pela especialista em extrema pobreza, Magdalena Sepúlveda; e pela relatora para a habitação, Raquel Rolnik.

No documento está escrito que “com o aumento constante do número de pessoas vivendo em centros urbanos, a falta de acesso seguro à água potável e a sistemas de saneamento básico nas cidades é um fator de preocupação permanente”. O documento evidencia que quem não tem acesso a esses elementos, são os mesmos que vivem marginalizados, excluídos e discriminados, explicando o fenômeno como resultado de decisões políticas que deslegitimam as suas existências e perpetuam o estado de pobreza.

“Por ocasião do Dia Internacional da Água desse ano, os especialistas das Nações Unidas convocam os Estados a tomarem medidas imediatas para cessar as violações dos direitos humanos e para garantir que o acesso à água potável e ao saneamento básico sejam usufruídos por todos”, destaca o documento da ONU.

Ainda segundo a ONU, “o mundo está se tornando cada vez mais urbano, já existem mais pessoas vivendo em cidades que nas zonas rurais. 40% desse crescimento é feito a partir da formação de favelas, incluídas aí aquelas já estruturadas e as de estruturação recente. Ambas são consideradas ilegais, e por isso, os Governos recusam-se a estender água encanada e saneamento básico aos seus moradores”.

Contestando tal postura, a declaração afirma que “água e saneamento básico são direitos humanos, os quais devem ser, portanto, garantidos a todos, sem discriminação. Traz ainda o dado de que as pessoas que vivem na pobreza pagam mais por sistemas básicos que os cidadãos médios. O exemplo foi o de que uma pessoa que vive em um assentamento informal em Nairóbi (África) paga de cinco a sete vezes mais por um litro de água que um norte-americano de classe média. Além disso, são obrigados a comprar água de vendedores informais, que oferecem a água de qualidade não comprovada, armazenando-as de maneira imprópria.

Fonte CNBB

Imagem Internet

 

ONU declara 2011 Ano Internacional das Florestas

Com o intuito de alertar a população mundial a respeito da importância das matas, a Organização das Nações Unidas (ONU) declarou 2011 como o Ano Internacional das Florestas e escolheu como assunto o tema “Florestas para o povo”.

A ONU quer incentivar a conservação e a gestão sustentável de todos os tipos de floresta do planeta, preservando a biodiversidade, combatendo o desmatamento ilegal, o crescimento da caça e evitando o agravamento das mudanças climáticas, relata o repórter Rogério Ferro, em matéria para o Instituto Akatu.

Dados do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente mostram que as florestas cobrem 31% da área terrestre do planeta, abrigam 300 milhões de pessoas, respondem pela sobrevivência de 1,6 bilhão de habitantes do planeta e por 80% da biodiversidade da Terra. Em 2004, o comércio mundial de produtos florestais movimentou 588,8 bilhões de reais.

Dos 5,5 milhões de quilômetros quadrados da área total da floresta amazônica, a maior da Terra, 60% estão localizados em território brasileiro.

O Ministério do Meio Ambiente estimou que pode chegar a 90% o consumo  de madeira ilegal tirada da Amazônia do total comercializado no Brasil em 2008.

Mas há outras atividades que ameaçam florestas nacionais. A expansão de pastagens é um dos principais motivos para a derrubada de matas nativas. Entre dezembro de 2003 a dezembro de 2006,  96% dos 10 milhões de novos animais adicionados às fazendas brasileiras pastavam em áreas que um dia já foram florestas!

Também a expansão da fronteira agrícola dá-se a custas do desmatamento. A cultura da soja ocupou 21,3 milhões de hectares em 2008, o que corresponde a 45% de toda a lavoura brasileira de grãos. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) indicam que 5% da produção de soja brasileira é procedente de terras localizadas no bioma amazônico.

Campanha da Fraternidade 2011

Este ano a campanha o tema da campanha é “Fraternidade e Vida” e vem também debater sobre o assunto ecologia. O lema deste é ano foi tirado do primeiro livro da Bíblia, Genesis, e diz que “A criação geme como em dores de parto”.

Por Marquione Ban

Imagem da internet

Fonte CONIC