Um ensinamento que Jesus nos deixou e nós ignoramos

Você tem vários caminhos. Eles podem te levar ao mesmo destino, mas a escolha é sua.
Você tem vários caminhos. Eles podem te levar ao mesmo destino, mas a escolha é sua.

Esta semana comecei a refletir sobre muitas coisas. Umas delas envolvia essa história de estado laico e também comportamentos sociais contemporâneos. Muito se fala. Muito se opina. E muitos tem a verdade encrustada em suas pronuncias. Ao menos pensam que tem. Mas o que isso tem há ver com os ensinamentos de Jesus? Tudo, meu caro padawan.

Comecemos pelo ensinamento que ignoramos: o livre arbítrio.

– Mas esse ensinamento é conhecido de todos. Deus nos deu. Como pode ter sido ensinado por Jesus?

– Explico.

O livre arbítrio nos foi dado por Deus desde nossa concepção. Se assim não fosse, não haveria fruto proibido no Jardim do Éden. Mas essa é outra história, um tanto quanto complicada. O que quero dizer é que temos nossas escolhas. Optamos por entrar ou não para o Reino de Deus, para a permanência do Pai, embora Ele queira todos consigo. Mas, ainda sim, podemos escolher.

Jesus nos ensinou muito sobre o livre arbítrio, pois ele mesmo pode escolher em obedecer ao Pai ou não. Em sua oração ele pediu que fosse afastado dele o cálice. Depois, em plena convicção e comunhão com o Pai disse: “Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres”. (Mt 26, 39). A vontade de Deus é que importa para Cristo. Ele nos ensina a obediência, o amor.

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– Mas nós podemos fazer o outro obedecer a força?

Essa é a questão. O livre arbítrio dado por Deus a nós nos impede de impormos qualquer coisa, pensamento ou atitude sobre o outro. A escolha é dele. Ele aceita ou não. Jesus nos ensinou o respeito a isso. Ele optou pela morte de cruz para nos salvar. Salvar até mesmo seu algozes.

A Bíblia não é uma arma.
A Bíblia não é uma arma.

Mais adiante, no mesmo evangelho, ele pede que evangelizemos todas as criaturas. Todos os homens. O que vejo hoje é que modificamos o conceito de evangelizar para “forçar a conversão”. Isso não deve acontecer. Por isso enfrentamos esse combate monstruoso aos valores cristãos. Lógico que há ação do encardido também no meio disso. Contudo, nossa confusão nos leva ao caos evangelístico. A crença de que se o estado não for laico ou os comportamentos modernos existirem o mundo acaba. Lembre-se, que é você, com tudo que ouviu e aprendeu de Jesus que escolhe seu caminho.

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Cardeal diz que acolhida aos gays não mudará valores da Igreja Católica

Para o arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno, o sínodo cujo tema é família é uma oportunidade para a Igreja avançar e lidar melhor com essas questões. (Foto: Carlos Santos/G1)
Para o arcebispo de Aparecida, Dom Raymundo Damasceno, o sínodo cujo tema é família é uma oportunidade para a Igreja avançar e lidar melhor com essas questões. (Foto: Carlos Santos/G1)

GLOBO.COM | O arcebispo de Aparecida (SP) e presidente da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Raymundo Damasceno, afirmou em entrevista ao G1 que “acolher pessoas do mesmo sexo não significa aprovar suas escolhas”. O cardeal está no Vaticano participando do sínodo dos bispos e pediu, durante discurso na última quarta-feira (8), que a Igreja Católica acompanhe “situações familiares difíceis”, como considera no caso dos homossexuais.

“Somos chamados a acolher toda pessoa, porque é criatura de Deus. Sem fazer discriminações do ponto de vista étnico, religioso, sexual e moral. Mas isso não significa que estamos aprovando o que a pessoa faz. Para nós, o matrimônio é união entre homem e mulher em vista de uma comunhão total, para a geração da vida”, afirma.

Nessa segunda-feira (13), um documento do Vaticano declarou que os homossexuais têm “dons e qualidades a oferecer” e indagou se o catolicismo pode aceitar os gays e reconhecer aspectos positivos de casais do mesmo sexo..

Para Dom Raymundo, o sínodo extraordinário, que tem como tema a família, é uma oportunidade para que a Igreja possa avançar nestas questões e lidar melhor com elas. “Após este processo teremos orientações mais concretas para ajudar igrejas, paróquias a lidar com essas pessoas e ajudá-las de alguma forma”, avalia.

O cardeal também considera que a Igreja tem evoluído neste debate, uma vez que busca ouvir experiências vividas em pastorais, mas não deverá mudar seus valores básicos. “Esperamos que, neste processo sinodal, essas experiências sejam mais aprofundadas e partilhadas e a Igreja possa discernir e propor caminhos para que nas Dioceses, Paróquias e Comunidades se ofereça acompanhamento específico para pessoas homossexuais que procuram apoio”, disse.

A primeira etapa do sínodo, convocado pelo Papa Francisco, acontece desde o dia 5 de outubro e se estende até o próximo domingo (19) no Vaticano.