A ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva lançou nesta quarta-feira, dia 8, durante reunião do Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável, em Brasília (DF), uma campanha que pretende coletar um milhão de assinaturas contrárias ao texto do novo Código Florestal, na forma como foi aprovado pela Câmara dos Deputados. O CONIC – Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil – esteve representado pelo secretário geral, Rev. Luiz Alberto Barbosa.
Segundo a ex-ministra, o esforço de coletar um milhão de assinaturas contra o código e de organizar manifestações será fundamental para dar respaldo àqueles que decidirão sobre a forma como o novo código será aprovado. “Tudo depende de uma sustentabilidade ética e política. Devemos fazer um esforço para dar sustentabilidade política aos senadores para que mudem o projeto. E se não der, vamos dar sustentabilidade política para que a presidenta Dilma o vete”, enfatizou Marina.
“Estamos em algo semelhante ao movimento Diretas Já porque trata-se de decidir o que fazer com a democracia. Temos de avançar e não retroceder nas conquistas que já tivemos”, avaliou Marina Silva. Ela ressaltou que o Código Florestal não trata de uma questão puramente ambiental. “É o encontro da economia com ecologia”, disse a ex-ministra pouco antes de classificar a Semana do Meio Ambiente como “uma das mais tristes da história”.
Ela reiterou as críticas à violência contra lideranças rurais que há tempos é praticada na Região Norte. “Essas pessoas morreram em nome dessa legislação que corre o risco de ser revogada [caso o Senado aprove o Código Florestal assim como passou na Câmara]. [Se aprovado o projeto] acabaremos com a base legal que defende as populações. As pessoas estavam vulneráveis, mas pelo menos a lei estava do lado delas”, argumentou a ex ministra.
“Ações como a de hoje ensinam que, quando os legisladores, legítimos representantes do povo, aprovam algo que é contrário aos anseios deste mesmo povo, é possível e moralmente aconselhável que se faça algo para tentar reverter o que já fora aprovado. O movimento de coleta de assinaturas é, neste sentido, uma maneira de manifestar ao Brasil e ao mundo a nossa indignação com a maneira como o Código Florestal foi aprovado”, explicou o secretário geral do CONIC, Luiz Alberto Barbosa.
Integraram o Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável entidades como a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), o Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), a Associação Brasileira de Imprensa e a SOS Amazônia.