Dom Francisco Cota é o novo bispo de Itabira-Cel. Fabriciano

O papa Leão XIV nomeou, nesta terça-feira, 13 de outubro, dom Francisco Cota de Oliveira como novo bispo da Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano, no Leste de Minas Gerais. Até a nomeação, ele era bispo de Sete Lagoas (MG). A diocese mineira estava vacante desde janeiro de 2026, quando o então bispo, dom Marco Aurélio Gubiotti, foi nomeado arcebispo metropolitano de Juiz de Fora. Desde então, a diocese vinha sendo conduzida por um administrador, o padre Pascifal José do Nascimento, com o Colégio de Consultores.

Quem é dom Francisco Cota de Oliveira

Natural de Onça de Pitangui (MG), dom Francisco nasceu em 5 de agosto de 1969 e tem 57 anos. Estudou Filosofia na PUC Minas, em Belo Horizonte, e Teologia no Instituto Dom João Rezende Costa, da Arquidiocese de Belo Horizonte. Foi ordenado padre em 1º de agosto de 1999, incardinado na Diocese de Divinópolis, onde atuou por 18 anos em paróquias — entre elas Nossa Senhora do Carmo, em Carmo do Cajuru, Sant’Ana, em Itaúna, e Nossa Senhora do Pilar, em Pitangui — além de lecionar em seminários, assessorar a pastoral da juventude e atuar no Tribunal Eclesiástico diocesano.

Em junho de 2017, o papa Francisco o nomeou bispo titular de Fiorentino e bispo auxiliar da Arquidiocese de Curitiba (PR), com ordenação episcopal em agosto daquele ano. Em junho de 2020, foi escolhido para a Diocese de Sete Lagoas, que dirigia até esta nomeação. Dom Francisco também integra, na CNBB, a Comissão Especial para a Ecologia Integral e Mineração — atuação que dialoga diretamente com a realidade da diocese que agora assume, marcada por décadas de mineração e indústria pesada.

Uma diocese com três realidades dentro de um só território

A Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano reúne 24 municípios, cerca de 848 mil habitantes e mais de 8.800 km², organizados, desde 2007, em três Regiões Pastorais. A Região I tem sede em Itabira, cidade natal do poeta Carlos Drummond de Andrade e berço da mineradora hoje chamada Vale, com mais de 80 anos de extração de minério de ferro em grande escala — ciclo que, segundo estudos acadêmicos sobre a região, remodelou profundamente a paisagem local, a exemplo do antigo Pico do Caué. A Região II tem sede em João Monlevade, também ligada à siderurgia. Já a Região III, com co-sede em Coronel Fabriciano, concentra cerca de 62% da população da diocese e abrange o polo industrial do Vale do Aço — Ipatinga, Timóteo e cidades vizinhas —, território urbano e siderúrgico onde fica o maior município da diocese.

Essa convivência entre uma região de tradição mineradora e cidades históricas e outra marcada pela indústria siderúrgica e pela vida urbana mais densa é reconhecida pela própria diocese como um desafio pastoral. Documentos de planejamento da Diocese de Itabira-Coronel Fabriciano falam da necessidade de “construir os espaços regionais para uma ação orgânica” entre as três regiões e de buscar uma integração ainda em construção — ao lado da proposta de uma Pastoral Urbana voltada às áreas mais densamente povoadas do Vale do Aço.

Fé e mineração: um pano de fundo comum

Os impactos socioambientais da mineração em Itabira e da siderurgia no Vale do Aço fazem parte do cotidiano das comunidades da diocese há décadas, com reflexos sobre paisagem, emprego e qualidade de vida nas cidades da região. É nesse cenário que a atuação de dom Francisco na Comissão Especial para a Ecologia Integral e Mineração da CNBB ganha relevância: ao assumir a diocese, ele chega a um território que combina, lado a lado, tradição mineradora, indústria siderúrgica e áreas rurais, dentro de uma mesma estrutura eclesial que ainda caminha para integrar essas realidades distintas.

Em nota, a diocese afirmou acolher a nomeação “com esperança” e pediu orações pelo novo bispo, sob a intercessão de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, padroeira diocesana. Até a publicação desta notícia, a data de posse de dom Francisco Cota de Oliveira em Itabira-Coronel Fabriciano ainda não havia sido divulgada.

Fontes e referências

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