O que é realmente a ideologia de gênero e como ela age? Bispo responde

RIO DE JANEIRO| ACI – Ao constatar que a presença da ideologia de gênero está se fazendo cada vez mais forte nas escolas e universidades, nos meios de comunicação e em diversos outros locais, o Bispo auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro, Dom Antônio Augusto Dias Duarte, esclareceu o que é de fato tal ideologia, a qual classificou como ditadora e tirânica.

“Presente em todas as partes e denominando-se a si mesmo como um progresso cultural, pedagógico e jurídico, a Ideologia de Gênero não permite nenhuma outra visão diferente da sexualidade humana”, assinalou o Prelado em recente artigo publicado no site da Arquidiocese.

Dom Antônio observou como esta ideologia está presenta no cinema, com filmes que abordam a diversidade sexual; também nas escolas e universidades, que organizam “simpósios, concursos e debates sobre os direitos sexuais e os novos arranjos familiares”, além das cartilhas para ensino fundamental “tratando de gênero e de relacionamentos amorosos entre crianças do mesmo sexo”; ou mesmo nas “inúmeras atividades, organizadas por órgãos ligados ao mundo jurídico, ao segmento formativo de professores e ao espaço da mídia nacional”.

Com isso, sublinhou, “percebe-se como essa ideologia adquiriu nesse início do século XXI um caráter onipresente e onisciente”.

Para proliferar na sociedade, os ideólogos de gênero utilizam “estratégias bem planejadas e aplicadas nos três grandes campos de formação da opinião pública – educação, mídia e entretenimento”.

Com isso, “querem desconstruir a identidade do homem e da mulher, com um objetivo bem determinado: a formação de uma sociedade sem casamentos, sem família natural, sem distinção de idades, sem respeito à natureza humana, sem educação para a maturidade sexual e, finalmente, a criação de um mundo polimórfico no sexo”.

Sobre o polimorfismo sexual, que “é o alvo principal da Ideologia de Gênero”, o Bispo explicou que se trata da defesa de que “não há mais homem nem mulher desde a sua concepção, mas sim indivíduos humanos, que prescindindo de sua natureza biológica e física, têm a liberdade de escolherem a sua identidade sexual, a que quiserem, de darem a orientação sexual que viverão, de combinarem, sem restrições éticas, as formas de relacionamentos sexuais que mais lhe apetecerem”.

Nesse cenário, pontuou, o mais perigoso é a defesa de “que todas essas ‘novas formas’ de ser pessoa” devem “ser reconhecidas públicas e legalmente numa ‘sociedade evoluída’”.

Dessa forma, Dom Antônio esclareceu que o que realmente está acontecendo com a ideologia de gênero não é apenas uma revolução sexual, uma revolta contra o machismo dominador de mulheres ou libertinagem da sexualidade humana.

“A Ideologia de Gênero – explicou – pretende ser, e dá todas as provas demonstrativas dessa sua pretensão, o que todas as ideologias desconstrutivas querem ser: ditadora, tirânica, dominadora do pensamento e da liberdade humana”.

Segundo o Prelado, os ideólogos de gênero “cederam diante da tentação mais presente na história da humanidade: a tentação de serem os árbitros do bem do mal”.

“A Ideologia de Gênero não só destrói a família, não só desrespeita a dignidade do homem e da mulher, mas não dá espaço para a consciência humana julgar, com imparcialidade, o que é o bem e o mal em matéria da sexualidade humana”, ressaltou.

Diante disso, Dom Antônio Augusto apontou que “o caminho para esclarecer e imunizar as inteligências das crianças e dos jovens, da classe política e dos professores, do povo e dos formadores da opinião pública começa pelo empenho constante dos pais e das pessoas de boa vontade em favor da formação extensa e profunda no conceito de natureza do homem e da mulher, do valor da paternidade e da maternidade, da grandeza e do papel social do casamento e da família, da necessidade de uma sociedade realmente humanizada e humanizadora”.

Por fim, o Bispo indicou que a afirmação bíblica “Deus criou homem e mulher…” é “o ponto de partida para se viver, com sabedoria e liberdade, a identidade sexuada e a orientação que dela se origina, e dar a luz que esclarecerá a inteligência das pessoas, que buscam conhecer quem são e quais suas dimensões mais valiosas”.

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Ex-maçom fala sobre a relação da maçonaria e o demônio

O católico nunca pode ser um maçom.
O católico nunca pode ser um maçom.

(ACI).| Serge Abad-Gallardo foi membro da maçonaria durante mais de 25 anos, chegou a ser mestre de 14º grau. Depois de uma peregrinação ao Santuário de Lourdes tudo mudou e começou seu caminho de conversão, que logo o levou a escrever um livro. Na entrevista ao grupo ACI ele explica também a relação que existe entre o demônio e a organização.

“Fiz parte da maçonaria e pensei que tinha que escrevê-lo primeiro para me entender mais e depois para contar às pessoas. Cada pessoa tem a liberdade para fazer o que ela quiser, mas na maçonaria não se fala francamente”, relata o autor do livro “Por que deixei de ser maçom”, editado apenas em espanhol.

Católico e Maçom: isso pode?

“Através do meu livro quero demonstrar que o catolicismo e a maçonaria não podem ser praticados juntos”, explica o ex-maçom.

Serge é arquiteto e entrou na loja maçônica através um amigo, tentando encontrar nela as respostas às perguntas mais profundas do homem.

“Eu não pensava deixar a maçonaria. Tive alguns problemas sérios na minha vida e me perguntava qual a resposta que a maçonaria poderia me dar a esses problemas, porém não encontrei nenhuma resposta. Entretanto no caminho com Cristo sim as encontrei”, afirmou.

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Papa: “atenção pelos pobres é Evangelho, e não comunismo ou pauperismo”

O Papa Francisco mitou novamente. “A atenção pelos pobres está no Evangelho, não é uma invenção do comunismo”, disse o Papa numa entrevista com Andrea Tornielli, coordenador do “Vatican Insider”, e Giacomo Galeazzi, vaticanista do jornal “La Stampa” .

Papa concede entrevista a jornalistas durante volta ao Vaticano após a JMJ em 2013, no Rio de Janeiro.
Papa concede entrevista a jornalistas durante volta ao Vaticano após a JMJ em 2013, no Rio de Janeiro.

A entrevista com o Papa conclui o livro intitulado “Papa Francisco. Esta economia mata”, dedicado ao magistério social do Pontífice. O volume recolhe e analisa os documentos do magistério sobre a pobreza, imigração, justiça social e integridade da criação. Publicado pela Editora  Piemme, o livro será lançado na terça-feira, 13 de janeiro, mas neste domingo o jornal “La Stampa” antecipou longos extractos da entrevista com o Papa. Serviço de Isabella Piro, da Rádio Vaticano.

Opção pelos pobres vem de Jesus

“A atenção pelos pobres está no Evangelho e na tradição da Igreja, não é uma invenção do comunismo e não devemos fazer dela uma ideologia”, assim explica o Papa Francisco a continuidade, na tradição da Igreja, da “opção preferencial pelos pobres”. “Uma atenção que tem a sua origem no Evangelho – reitera – documentada já nos primeiros séculos do cristianismo”: basta citar os primeiros Padres da Igreja, do segundo ou do terceiro século. As suas homilias não podem  ser consideradas “marxistas”, explica o Papa Francisco, porque quando “a Igreja convida a vencer a “globalização da indiferença” está longe de qualquer interesse político e de qualquer ideologia”. Ela é “movida apenas pelas palavras de Jesus” e “quer dar o seu contributo na construção de um mundo onde se protege e se cuida uns aos outros”.

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Guilherme de Sá, vocalista da Banda Rosa de Saron: “O laico Brasil precisa de Deus”

(Zenit.org) Lilian da Paz | Desde 1988, a banda Rosa de Saron trilha uma estrada que a leva a um lugar de consagração na música católica – e também secular – no Brasil. Na última edição do prêmio Louvemos o Senhor!, realizado em junho deste ano, o grupo ganhou em sete categorias, entre elas melhor música e DVD do ano.

"O laico Brasil precisa de Deus", afirma Guilherme de Sá
“O laico Brasil precisa de Deus”, afirma Guilherme de Sá

Formada por Guilherme de Sá (voz), Eduardo Faro (guitarra), Rogério Feltrin (baixo) e Grevão (bateria), o Rosa compõe letras profundas, resgatadas de uma vivência humana fincada no coração de Cristo. Por aí caminha o sucesso da banda, que atrai uma juventude sedenta de plenitude.

O termo rosa de Saron aparece no livro do Cântico dos Cânticos como uma expressão simbólica de Jesus Cristo, o Amado que desposa a Sua Igreja: ‘Eu sou a rosa de Saron, o lírio dos vales’. (Cânt 2,1). Esta Rosa traz ao coração da humanidade aquilo que de mais sublime se busca: o amor eterno e invencível, que é o próprio Cristo.

É neste conceito que Guilherme de Sá, casado há 4 anos e com uma filha, mergulha para viver e cantar. Ele concedeu entrevista a Zenit, em meio à correria de shows no Brasil para a divulgação do álbum Cartas ao Remetente. Como ícone para a juventude católica, Guilherme revela histórias e opiniões sobre música católica, testemunho de vida, religião, política e eleições, em meio a um cenário de expectativas na realidade do país.

Veja o clipe da música tema do álbum.

A entrevista é muito bacana. Leia

Zenit: A banda Rosa de Saron levou sete prêmios na última edição do Troféu Louvemos o Senhor. Em 26 anos de caminhada, qual o segredo de tanto sucesso, sobretudo com os mais jovens?

Guilherme: O mesmo segredo que faz um profissional de qualquer área obter êxito no que faz: dedicação e amor. Não demorou muito para percebermos o verdadeiro valor disso, logo, tratamos o Rosa de Saron com muito zelo. Parece discurso feito, mas é a pura verdade. A banda é uma parte importante das nossas vidas e cuidamos dela na mesma proporção. O jovem vem neste embalo, ele respira vida, então colocamos vida no que fazemos. Este é o nosso maior troféu.

Conseguiram vencer as críticas a respeito das letras, que falam de Deus de uma forma mais implícita?

Para quem aprecia a banda, sim. Para quem nos detesta, não. Então a resposta desta pergunta é não. Mas não procuramos nos apoiar na aceitação, até porque nesta hora cai muito bem aquela frase: “Toda unanimidade é burra”. Não pretendemos viver uma alienação, nós escrevemos experiências íntimas, sinceras. Sempre que lançamos algo, este algo diz muito pra gente. Então costumamos dizer que somos quatro caras de muita sorte por fazermos o que gostamos e podermos ter um público que se identifica com o nosso gosto. Isso não tem preço. A liberdade não tem preço.

Para ser um bom cantor católico é necessário viver o que se canta. Como você encara a missão e vocação de cantor sendo referencial para a juventude católica? Como é sua relação com Deus?

Primeiro que eu não “cutuco a onça com vara curta”. A carne é fraca para todos. Não faço aventuras. Não me envolvo com ninguém distante da minha família. Não tenho amigos, não tenho MSN, WhatsApp. Minha família me basta muito e eu sou muito feliz por tê-los ao meu lado. Faço isso exatamente por saber o peso que meu nome leva, cansei de ouvir histórias de gente grande na Igreja se perdendo por aí, queimando seu ministério. Essas histórias vêm a granel, infelizmente. E, infelizmente, muitos perdem a fé por apoiá-la nos homens. A Igreja é santa, é onde podemos apoiar nossa fé, é isso que professo no Credo. Acho que é por aí que temos de ir. As pessoas não são espólios de guerras, são almas que passam por nossos dedos.

Segundo: A minha relação com Deus é muito pessoal, não a uso para autopromoção, ninguém sabe quanto rezo ou quanto doo. Meu chamado são minhas músicas, é onde expresso minha fé e é assim que gostaria de ser lembrado.

O Rosa esteve na Jornada Mundial da Juventude, onde lançou o DVD Latitude Longitude. Qual foi a sensação de estar lá, cantando para o maior público da vida de vocês? Conseguiram falar com o Papa?

Imagina, quem dera falarmos com o Papa, ele deve é ter tapado os ouvidos nas nossas apresentações e dado graças a Deus quando nos retiramos (risos). Mas, falando sério, ainda não temos a dimensão do feito, já se passou mais de um ano da jornada e o que ficou é uma sensação de sonho. Nós somos uma banda muito pequena para um feito tão grande, fica um imenso sentimento de gratidão a quem nos escalou. Estar diante daquele homem santo fazendo o que gostamos de fazer foi indescritível, então paro por aqui.

O Papa Francisco fala de ir às periferias existenciais. As músicas do Rosa visitam estas periferias nos corações de quem escuta. São muitos os casos de conversões pessoais depois de ouvir alguma música da banda. Qual caso você guarda com mais carinho?

Não tenho um preferido, tenho vários. Impressiona o número de coisas trágicas que chegam pra gente. São casos que me ajudam a entender se estamos no caminho certo ou não. Já pensei em parar várias vezes, mas muitas vezes essas histórias me seguraram aqui. Já compus várias músicas pensando nelas serem um presente para determinadas histórias, tipo: “Tomara que você, fulano, a ouça… Pensei em você, viu?”

 As letras das músicas do Rosa são fortes, profundas. De onde vem tanta inspiração?

Posso falar apenas por mim, já que compomos de maneiras diferentes entre nós. Sou exigente comigo mesmo, tenho um padrão pessoal de qualidade que me irrita muitas vezes. Eu faço uma pré-produção lírica enorme. Tudo que penso, vejo e leio, eu anoto. Simples assim. Quando vou escrever sobre um tema, tenho várias visões ou formas de escrever. Então misturo com o que vivo e com o que a melodia me inspira (já que componho primeiro a melodia, depois a letra). Tenho um gosto musical muito definido. Então, tudo isso tem de fazer muito sentido para mim, antes de qualquer coisa, senão engaveto a música e vou pra outra. Acho nossas canções nota sete. No máximo.

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Ser homossexual é um sofrimento, não uma escolha nem um pecado em si

topicALELEIA | Blogueiro e participante do universo ativista LGBT, começou-se a falar dele em 2011, quando Phillipe Ariño revelou que havia mudado de vida. Em 2013, ele guiou, em primeira linha, a batalha contra a legalização do “casamento para todos” francês; é autor do livro “L’homosexualité en vérité”, que na França vendeu mais de 10 mil cópias.

Foi ele quem aconselhou Frigide Barjot, ex-porta-voz da “Manif pour tous”, que não falasse de “heterossexualidade“, porque “assim se perde não só a batalha, mas também a guerra”.

Entrevistado por Tempi.it, Ariño explica que, “para salvar o ser humano, é preciso ir à origem do problema. É isso que tentamos fazer nas ruas com os veilleurs” (os “veladores”).

Conte-nos sua história. Como você cresceu?

Eu tinha uma péssima relação com o meu pai e, na adolescência, eu não conseguia fazer amizades masculinas. Depois entendi e reconheci que minhas tendências homossexuais eram sintoma de uma “ferida”: só dessa maneira meu sofrimento começou a diminuir.

Ser homossexual é um sofrimento; não é uma escolha, um pecado ou algo inócuo. Conheço mais de 90 pessoas com pulsões homossexuais que foram estupradas. Agora, o mundo LGBT me odeia porque conto isso, mas eu repito a eles também: a homossexualidade é uma ferida que não se alivia fazendo sexo. Se você não admitir isso, nunca terá paz.

Quando sua forma de entender a homossexualidade mudou?

Em 2011, descobri a beleza da continência. Eu havia começado a reconhecer que alguma coisa não estava bem e voltei à Igreja. Durante uma conferência, falei da minha situação e percebi que me ajudava. E não só isso: explicando o meu drama, consegui ajudar muitas pessoas, incluindo homens e mulheres casados.

Foi difícil?

EU encontrei um caminho, mas há muitos. Outros também conseguem superar estas pulsões; eu descobri que, reconhecendo a minha ferida e oferecendo-a a Cristo e à Igreja, minha condição dolorosa se transforma em uma festa. Ao não praticar a homossexualidade, não estou dizendo “não” às minhas pulsões, mas “sim” a Deus: é um sacrifício para ter o melhor, o máximo, algo que antes eu não tinha. Podemos pensar que o Senhor só nos ama se estivermos bem, mas acontece o contrário: Ele ajuda quem precisa dele e, se você lhe oferece os seus limites, Ele faz grandes coisas.

Por que as relações homossexuais não o faziam feliz?

Ao me relacionar com outros homens ou olhar para eles de maneira possessiva, eu sentia satisfação no momento. Mas estava sozinho e nunca me sentia completo. É então que caímos na ilusão de achar que podemos viver a sexualidade como os outros, mas, na verdade, a sexualidade só pode ser vivida na diferença sexual.

O que mudou concretamente na sua vida?

Antes, eu me sentia sempre inferior aos homens, porque a homossexualidade é invejosa. Agora, após descobrir que Deus me ama e que sou seu filho, querido e amado, não me sinto inferior a nenhum homem. Assim, depois de muitos anos, descobri a beleza da amizade masculina, que eu não trocaria pelas relações do passado – quando eu fingia estar me realizando.

Pessoas como você, que abandonam seu passado, não são muito queridas pela comunidade LGBT. Como você se relaciona com o universo que frequentava?

Eles me colocaram na lista negra. Ficam me ameaçando e me etiquetam de homofóbico, mas eu não teria sobrevivido junto deles: é um mundo de mentiras, que exteriormente se mostra alegre, mas dentro está cheio de raiva e tristeza. A maioria dos atos homofóbicos e dos insultos contra as pessoas com tendências como as minhas provêm de pessoas que têm feridas como as minhas, que gritam e vociferam porque são frágeis.

Entrevista com Dom Marco Aurélio, bispo de Itabira/Cel. Fabriciano

No último sábado, 19, a Diocese de Itabira Cel. Fabriciano realizou o DNJ – Dia Nacional da Juventude – na cidade de Itabira-MG. O evento reuniu jovens de toda a diocese. Durante o encontro os jovens da paróquia Sagrada Família, Ipatinga, fizeram várias entrevistas para a webTV Juventude Santa Uai. Uma delas é com o bispo Dom Marco Aurélio.

Na entrevista Dom Marco Aurélio falou sobre o tema do encontro, missões, e também sobre Pastoral da Juventude. Vejam:

 

Íntegra da entrevista do Papa Francisco à ‘Civiltà Cattolica’

A polêmica entrevista do Papa ao Civiltà Cattolica que culminou na matéria postada anteriormente aqui em que o Papa fala da “obsessão” em falar de casamento gay, aborto e métodos contraceptivos pela Igreja. Leiam.

papa-francisco-ateusPor Padre Antonio Spadaro, SJ | Frates In Unum | É segunda-feira, 19 de agosto. O Papa Francisco marcou encontro para as 10h na Casa de Santa Marta. Eu, no entanto, herdei do meu pai a necessidade de chegar sempre mais cedo. As pessoas que me acolhem instalam-me numa pequena sala. A espera dura pouco, e, depois de uns breves minutos, acompanham-me ao elevador. Nesses dois minutos tive tempo de recordar como em Lisboa, numa reunião de diretores de algumas revistas da Companhia de Jesus, surgiu a proposta de publicar conjuntamente uma entrevista com o Papa. Tinha conversado com os outros diretores, ensaiando algumas perguntas que exprimissem os interesses de todos. Saio do elevador e vejo o Papa já à porta, à minha espera. Na verdade, tive a agradável impressão de não ter atravessado portas.

Entro no seu quarto e o Papa convida-me a sentar numa poltrona. Ele senta-se numa cadeira mais alta e rígida, por causa dos seus problemas de coluna. O ambiente é simples, austero. O espaço de trabalho da escrivaninha é pequeno. Toca-me a essencialidade não apenas dos móveis, mas também das coisas. Vêem-se poucos livros, poucos papéis, poucos objetos. Entre estes, um ícone de São Francisco, uma estátua de Nossa Senhora de Luján (padroeira da Argentina), um crucifixo e uma estátua de São José adormecido, muito semelhante àquela que tinha visto no seu quarto de reitor e superior provincial no Colégio Máximo de San Miguel. A espiritualidade de Bergoglio não é feita de «energias harmonizadas», como ele lhe chamaria, mas de rostos humanos: Cristo, São Francisco, São José, Maria.

O Papa acolhe-me com o mesmo sorriso que já deu várias vezes a volta ao mundo e que abre os corações. Começamos a falar de tantas coisas, mas sobretudo da sua viagem ao Brasil. O Papa considera-a uma verdadeira graça. Pergunto-lhe se descansou. Ele diz-me que sim, que está bem, mas, sobretudo, que a Jornada Mundial da Juventude foi para ele um «mistério». Diz-me que nunca foi habituado a falar para tanta gente: «Consigo olhar para as pessoas, uma de cada vez, e entrar em contacto de modo pessoal com quem tenho na minha frente. Não estou habituado às massas». Digo-lhe que é verdade e que se vê, e que isto impressiona toda a gente. Vê-se que quando está no meio das pessoas, os seus olhos, de fato, pousam sobre cada um. Depois as câmaras televisivas difundem as imagens e todos podem vê-lo, mas assim ele pode sentir-se livre para ficar em contacto direto, pelo menos visual, com quem tem diante de si. Parece-me contente com isso, por poder ser aquilo que é, por não ter de alterar o seu modo habitual de comunicar com as pessoas, mesmo quando tem diante de si milhões de pessoas, como aconteceu na praia de Copacabana.

Antes de eu ligar o gravador, falamos de outras coisas. Comentando uma minha publicação, disse-me que os seus dois pensadores franceses contemporâneos predilectos são Henri de Lubac e Michel de Certeau. Digo-lhe ainda algumas coisas mais pessoais. Também ele me fala de si e particularmente da sua eleição pontifícia. Diz-me que quando começou a dar-se conta de que corria o risco de ser eleito, na quarta-feira, dia 13 de Março, à hora do almoço, sentiu descer sobre ele uma profunda e inexplicável paz e consolação interior, juntamente com uma escuridão total e uma obscuridade profunda sobre tudo o mais. E estes sentimentos acompanharam-no até à eleição.

Na verdade, teria continuado a falar assim familiarmente ainda por muito tempo, mas pego nas folhas com algumas perguntas que tinha anotado e ligo o gravador. Antes de mais, agradeço-lhe em nome de todos os diretores das revistas dos jesuítas que publicarão esta entrevista.

Pouco antes da audiência que concedeu aos jesuítas da Civiltà Cattolica1, o Papa tinha-me falado da sua grande dificuldade em dar entrevistas. Tinha-me dito que prefere pensar, mais do que dar respostas imediatas em entrevistas de momento. Sente que as respostas corretas lhe vêm depois de ter dado a primeira resposta: «Não me reconheci a mim mesmo quando no voo de regresso do Rio de Janeiro respondi aos jornalistas que me faziam perguntas», diz-me. Na verdade, nesta entrevista, várias vezes o Papa sentiu-se livre para interromper aquilo que estava a dizer respondendo a uma pergunta, para acrescentar algo sobre a precedente. Falar com o Papa Francisco é, realmente, uma espécie de fluxo vulcânico de ideias que se atam entre si. Mesmo o tomar apontamentos traz a desagradável sensação de interromper um diálogo nascente. É claro que o Papa Francisco está mais habituado a conversas, do que a lições.

Quem é Jorge Mario Bergoglio?

Tenho a pergunta pronta, mas decido não seguir o esquema que fixara e pergunto um pouco à queima-roupa: «Quem é Jorge Mario Bergoglio?» O Papa fixa-me em silêncio. Pergunto se é uma pergunta lícita para lhe colocar… Ele faz sinal de aceitar a pergunta e diz-me: «Não sei qual possa ser a definição mais correta… Eu sou um pecador. Esta é a melhor definição. E não é um modo de dizer, um gênero literário. Sou um pecador».

O Papa continua a refletir, como se não esperasse aquela pergunta, como se fosse obrigado a uma reflexão ulterior.

«Sim, posso talvez dizer que sou um pouco astuto, sei mover-me, mas é verdade que sou também um pouco ingênuo. Sim, mas a síntese melhor, aquela que me vem mais de dentro e que sinto mais verdadeira, é exatamente esta: “Sou um pecador para quem o Senhor olhou”». E repete: «Sou alguém que é olhado pelo Senhor. A minha divisa, Miserando atque eligendo, senti-a sempre como muito verdadeira para mim».

O lema do Papa Francisco é tirada das Homilias de São Beda, o Venerável, o qual, comentando o episódio evangélico da vocação de São Mateus, escreve: «Viu Jesus um publicano e assim como o olhou com um sentimento de amor, escolheu-o e disse-lhe: “Segue-me”».

E acrescenta: «O gerúndio latino miserando parece-me intraduzível, seja em italiano, seja em espanhol. Gosto de o traduzir com um outro gerúndio que não existe: misericordiando».

O Papa Francisco continua a sua reflexão e diz-me, fazendo um salto cujo sentido não compreendo, naquele momento: «Eu não conheço Roma. Conheço poucas coisas. Entre estas, Santa Maria Maior: ia sempre lá». Rio e digo-lhe: «Todos o compreendemos muito bem, Santo Padre!». «Sim — prossegue o Papa – conheço Santa Maria Maior, São Pedro… mas vindo a Roma sempre vivi na Via della Scrofa. Dali visitava frequentemente a igreja de São Luís dos Franceses e ali ia contemplar o quadro da vocação de São Mateus, de Caravaggio». Começo a intuir o que é que o Papa quer dizer-me.

«Aquele dedo de Jesus assim… dirigido a Mateus. Assim sou eu. Assim me sinto. Como Mateus». E aqui o Papa torna-se mais decidido, como se tivesse encontrado a imagem de si próprio de que estava à procura: «É o gesto de Mateus que me toca: agarra-se ao seu dinheiro, como que a dizer: “Não, não eu! Não, este dinheiro é meu!”. Este sou eu: um pecador para o qual o Senhor voltou o seu olhar. E isto é aquilo que disse quando me perguntaram se aceitava a minha eleição para Pontífice. Então sussurra: Peccator sum, sed super misericordia et infinita patientia Domini nostri Jesu Christi, confusus et in spiritu penitentiae, accepto». (Sou pecador, mas confiado na misericórdia e paciência infinita de Nosso Senhor Jesus Cristo, confundido e em espírito de penitência, aceito).

Por que se fez jesuíta?

Compreendo que esta fórmula de aceitação é para o Papa Francisco mesmo um bilhete de identidade. Não há nada mais a acrescentar. Prossigo com aquela que tinha escolhido como primeira pergunta: «Santo Padre, o que foi que o fez escolher entrar na Companhia de Jesus? O que é que o impressionou na ordem dos Jesuítas?»

«Eu queria algo mais. Mas não sabia o quê. Tinha entrado no seminário. Gostava dos dominicanos e tinha amigos dominicanos. Mas depois escolhi a Companhia, que conhecia bem, porque o seminário estava entregue aos jesuítas. Da Companhia impressionaram-me três coisas: o espírito missionário, a comunidade e a disciplina. Isto é curioso, porque eu sou um indisciplinado nato, nato, nato. Mas a sua disciplina, o modo de organizar o tempo, impressionaram-me muito».

«E depois uma coisa para mim verdadeiramente fundamental é a comunidade. Procurava sempre uma comunidade. Eu não me via padre sozinho: preciso de uma comunidade. É mesmo isso que explica o fato de eu estar aqui em Santa Marta: quando fui eleito, ocupava, por sorteio, o quarto 207. Este onde estamos agora era um quarto de hóspedes. Escolhi ficar aqui, no quarto 201, porque quando tomei posse do apartamento pontifício, dentro de mim senti claramente um “não”. O apartamento pontifício no Palácio Apostólico não é luxuoso. É antigo, arranjado com bom gosto e grande, não luxuoso. Mas acaba por ser como um funil ao contrário. É grande e espaçoso, mas a entrada é verdadeiramente estreita. Entra-se a conta-gotas e eu não, sem gente, não posso viver. Preciso de viver a minha vida junto dos outros».

Enquanto o Papa fala de missão e de comunidade, vêm-me à mente todos os documentos da Companhia de Jesus onde se fala de «comunidade para a missão» e reencontro-os nas suas palavras.

O que significa para um jesuíta ser Papa?

Quero prosseguir nesta linha e coloco ao Papa uma pergunta que surge do fato de que ele é o primeiro jesuíta a ser eleito bispo de Roma: «Como lê, à luz da espiritualidade inaciana, o serviço à Igreja Universal a que foi chamado a exercer? O que significa para um jesuíta ser eleito Papa? Que ponto da espiritualidade inaciana o ajuda melhor a viver o seu ministério?»

«O discernimento», responde o Papa Francisco. «O discernimento é uma das coisas que Santo Inácio mais trabalhou interiormente. Para ele, é um instrumento de luta para conhecer melhor o Senhor e segui-l’O mais de perto. Impressionou-me sempre uma máxima com que se descreve a visão de Inácio: Non coerceri a maximo, sed contineri a minimo divinum est. (não estar constrangido pelo máximo, e no entanto, estar inteiramente contido no mínimo, isso é divino). Refleti muito sobre esta frase a propósito do governo, de ser superior: não estarmos restringidos pelo espaço maior, mas sermos capazes de estar no espaço mais restrito. Esta virtude do grande e do pequeno é a magnanimidade, que da posição em que estamos nos faz olhar sempre o horizonte. É fazer as coisas pequenas de cada dia com o coração grande e aberto a Deus e aos outros. É valorizar as coisas pequenas no interior de grandes horizontes, os do Reino de Deus».

«Esta máxima oferece os parâmetros para assumir uma posição correta para o discernimento, para escutar as coisas de Deus a partir do seu “ponto de vista”. Para Santo Inácio, os grandes princípios devem ser encarnados nas circunstâncias de lugar, de tempo e de pessoas. A seu modo, João XXIII colocou-se nesta posição de governo quando repetiu a máxima Omnia videre, multa dissimulare, pauca corrigere, (ver tudo, não dar importância a muito, corrigir pouco) porque mesmo vendo omnia, a dimensão máxima, preferia agir sobre pouca, sobre uma dimensão mínima. Podem ter-se grandes projetos e realizá-los, agindo sobre poucas pequenas coisas. Ou podem usar-se meios fracos que se revelam mais eficazes do que os fortes, como diz São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios».

«Este discernimento requer tempo. Muitos, por exemplo, pensam que as mudanças e as reformas podem acontecer em pouco tempo. Eu creio que será sempre necessário tempo para lançar as bases de uma mudança verdadeira e eficaz. E este é o tempo do discernimento. E por vezes o discernimento, por seu lado, estimula a fazer depressa aquilo que inicialmente se pensava fazer depois. E foi isto o que também me aconteceu nestes meses. E o discernimento realiza-se sempre na presença do Senhor, vendo os sinais, escutando as coisas que acontecem, o sentir das pessoas, especialmente dos pobres. As minhas escolhas, mesmo aquelas ligadas à vida quotidiana, como usar um automóvel modesto, estão ligadas a um discernimento espiritual que responde a uma exigência que nasce das coisas, das pessoas, da leitura dos sinais dos tempos. O discernimento no Senhor guia-me no meu modo de governar».

«Pelo contrário, desconfio das decisões tomadas de modo repentino. Desconfio sempre da primeira decisão, isto é, da primeira coisa que me vem à cabeça fazer, se tenho de tomar uma decisão. Em geral, é a decisão errada. Tenho de esperar, avaliar interiormente, tomando o tempo necessário. A sabedoria do discernimento resgata a necessária ambiguidade da vida e faz encontrar os meios mais oportunos, que nem sempre se identificam com aquilo que parece grande ou forte».

A Companhia de Jesus

O discernimento é, portanto, um pilar da espiritualidade do Papa. Nisto se exprime de modo peculiar a sua identidade jesuítica. Pergunto-lhe, pois, como pensa que a Companhia de Jesus poderá servir melhor a Igreja hoje, qual é a sua especificidade, mas também os eventuais riscos que corre.

«A Companhia é uma instituição em tensão, sempre radicalmente em tensão. O jesuíta é um descentrado de si próprio. A Companhia é descentrada de si mesma: o seu centro é Cristo e a sua Igreja. Por isso: se a Companhia coloca Cristo e a Igreja no centro, tem dois pontos fundamentais de referência do seu equilíbrio para viver na periferia. Se, pelo contrário, olha demasiado para si própria, se se coloca a si mesma no centro como estrutura bem sólida, muito bem “armada”, então corre o perigo de sentir-se segura e auto-suficiente. A Companhia deve ter sempre diante de si o Deus semper maior, a procura da glória de Deus sempre maior, Igreja Verdadeira Esposa de Cristo Nosso Senhor, Cristo Rei que nos conquista e a Quem oferecemos toda a nossa pessoa e toda o nosso esforço, mesmo se somos vasos de barro, inadequados. Esta tensão leva-nos constantemente para fora de nós próprios. O instrumento que torna verdadeiramente forte a Companhia descentrada de si mesma é o da “conta de consciência”, que é simultaneamente paternal e fraternal, precisamente porque a ajuda a sair melhor em missão».

Aqui o Papa refere-se a um ponto específico das Constituições da Companhia de Jesus, no qual se lê que o jesuíta deve «manifestar a sua consciência», isto é, a situação interior que vive, de modo que o superior possa estar mais ao corrente e consciente ao enviar uma pessoa à sua missão.

«Mas é difícil falar da Companhia» – prossegue o Papa Francisco. «Quando se explicita demasiado, corremos o risco de nos enganarmos. A Companhia só se pode exprimir em forma narrativa. Somente na narração se pode fazer discernimento, não na explicação filosófica ou teológica, onde, pelo contrário, se pode discutir. O estilo da Companhia não é o da discussão, mas o do discernimento, que obviamente pressupõe a discussão no processo. A aura mística não define nunca os seus limites, não completa o pensamento. O jesuíta deve ser uma pessoa de pensamento incompleto, de pensamento aberto. Houve épocas na Companhia nas quais se viveu um pensamento fechado, rígido, mais instrutivo-ascético do que místico: esta deformação gerou o Epitome Instituti».

Aqui o Papa refere-se a uma espécie de resumo prático, que se usou na Companhia e reformulado no século XX, que foi considerado como uma substituição das Constituições. A formação dos jesuítas na Companhia durante um certo tempo foi modelada por este texto, de tal maneira que alguns nunca leram as Constituições, que, na verdade, são o texto fundante. Para o Papa, durante este período na Companhia as regras correram o risco de abafar o espírito e foi a tentação de explicitar e afirmar demasiado o carisma que venceu.

Continua: «Não, o jesuíta pensa sempre, continuamente, olhando o horizonte para onde deve ir, tendo Cristo no centro. Esta é a sua verdadeira força. E isto estimula a Companhia a estar à procura, a ser criativa, generosa. Portanto, hoje mais do que nunca, deve ser contemplativa na ação; deve viver uma proximidade profunda a toda a Igreja, entendida como “Povo de Deus” e “Santa Madre Igreja hierárquica”. Isto requer muita humildade, sacrifício, coragem, especialmente quando se vivem incompreensões ou se é objecto de equívocos e calúnias, mas é a atitude mais fecunda. Pensemos nas tensões do passado sobre os ritos chineses, sobre os ritos malabares, nas reduções no Paraguai».

«Eu mesmo sou testemunha das incompreensões e problemas que a Companhia viveu mesmo recentemente. Entre estes, contam-se os tempos difíceis de quando se tratou da questão de alargar o “quarto voto” de obediência ao Papa a todos os jesuítas. Aquilo que me dava segurança no tempo do Padre Arrupe era o fato de que ele era um homem de oração, um homem que passava muito tempo em oração. Recordo-o quando rezava sentado no chão, como fazem os japoneses. Por isso ele tinha a atitude certa e tomou as decisões corretas».

O modelo: Pedro Fabro, «padre reformado»

Neste momento pergunto-me se entre os jesuítas existem figuras, das origens da Companhia até hoje, que o tenham impressionado de modo particular. E assim pergunto ao Pontífice se existem, quais são e porquê. O Papa começa a citar-me Inácio e Francisco Xavier, mas depois detém-se sobre uma figura que os jesuítas conhecem, mas que certamente não é muito notada em geral: o Beato Pedro Fabro (1506-1646), da Sabóia. É um dos primeiros companheiros de Santo Inácio, aliás o primeiro, com o qual partilhou o quarto quando eram os dois estudantes na Sorbonne. O terceiro no mesmo quarto era Francisco Xavier. Pio IX declarou-o beato a 5 de Setembro de 1872, e está em curso o seu processo de canonização.

Cita-me o seu Memorial, cuja edição ele encarregou a dois jesuítas especialistas, Miguel A. Fiorito e Jaime H. Amadeo, quando era superior provincial. O Papa gosta particularmente da edição a cargo de Michel de Certeau. Pergunto-lhe porque ficou tão impressionado por Fabro, que traços da sua figura o impressionam.

«O diálogo com todos, mesmo os mais afastados e os adversários; a piedade simples, talvez uma certa ingenuidade, a disponibilidade imediata, o seu atento discernimento interior, o facto de ser um homem de grandes e fortes decisões e ao mesmo tempo capaz de ser assim doce, doce…».

Continuar lendo “Íntegra da entrevista do Papa Francisco à ‘Civiltà Cattolica’”

Monge arquiteto ensina como melhorar o lar para favorecer o encontro com Deus

Padre Eduardo López Tello

 (ACI/EWTN Noticias).- O sacerdote e monge beneditino Eduardo López Tello, perito em arquitetura e arte litúrgica, assegura que bastam alguns detalhes para que qualquer casa possa aproximar-nos do encontro com Deus.

Em uma entrevista concedida ao grupo ACI em 3 de maio, o Pe. Tello assinalou que objetos como a Bíblia, um crucifixo ou imagens dos santos, podem ajudar a criar um lugar especial para a oração no lar.

“Estruturalmente todas as casas são iguais, o que não quer dizer que a casa de um cristão não possa transmitir ou mostrar a presença de Deus. Eu sempre ponho como exemplo as celas monásticas ou as dos monges do deserto, que reserva uma parte do quarto para o mistério de Deus, um âmbito especial onde está presente Deus graças à decoração, aos ícones, à Bíblia, e a elementos decorativos que podem fazer-nos recordar que esse lugar da casa transmite a presença de Deus”, explicou.

“O crucifixo é o sinal mais eminente da nossa fé, posto que é o lugar onde se realiza o encontro de Deus com o homem, mas também é bom usar imagens sagradas. Em particular dos mistérios da redenção e da salvação, como podem ser o Natal, Páscoa ou Pentecostes. Esses mistérios de alguma maneira transformam nosso interior”, referiu.

O perito explicou que é importante ter imagens de santos, porque “são modelos que viveram o evangelho de maneira excepcional”. E entre eles “destaca, é óbvio, a mãe de Deus, quem tem um papel especial em todas as casas”.

Outro elemento essencial na casa de um cristão deve ser a Bíblia, porque “é o livro que nos transmite a mensagem de como Deus chega a nós em cada momento da nossa vida, e acho que em cada casa, em todo lugar de oração, a Bíblia deve ter um lugar privilegiado e excepcional”.

O Pe. Tello é monge da Abadia de Santa Otilia Baviera, Alemanha, e também professor do Pontifício Instituto Litúrgico da Universidade de São Anselmo, onde ensina cursos em um Mestrado de Arquitetura e Arte para a Liturgia.

“Nós –indicou-, propomos em nossa fé a visibilidade do invisível, Deus que se fez homem, e desde esse instante, todo o visível nos pode mostrar a presença de Deus. Isso é o que tentamos mostrar. Como com os elementos visíveis, formais e estruturais, pode-se ter a experiência de Deus”.

Segundo o sacerdote espanhol, diversas construções podem aproximar de Deus, mas não há uma arquitetura mais completa para entrar em comunhão com Cristo que a “igreja”.

Neste sentido “o âmbito da igreja é um lugar privilegiado para o cristão, porque é o âmbito do Sacramento, é o âmbito onde encontramos em si a presença do mistério de Deus”, por isso é tão importante que o arquiteto “conheça bem a fé na hora de desenhar tanto os seus elementos estruturais como os de celebração”, assinalou.

Padre Marcelo Rossi à Folha de São Paulo: “Estamos voltando à Idade Média, o período mais terrível e negro da igreja”.

padremarceloFolha de São Paulo – Sacerdote católico mais famoso do país, o padre Marcelo Rossi, 45, vai de encontro à indicação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de que o incentivo às Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) pode ajudar a igreja a recuperar o espaço perdido para os evangélicos.

Para padre Marcelo, as CEBs –que tiveram seu auge nos anos 1980 combinando princípios cristãos a uma visão social de esquerda– apresentam o risco de estimular a “tentação à política”.

“O PT surgiu da CEB. Então, que não se politize”, diz o padre, que defende que a igreja construa grandes espaços como seu Santuário Mãe de Deus, aberto, ainda incompleto, em novembro passado.

Ele pretende concluir a obra, com capacidade para 100 mil fiéis, com as vendas de “Kairós” (ed. Globo), seu segundo livro, que será lançado amanhã em São Paulo.

Folha – Qual sua expectativa em relação ao papa Francisco?

É uma expectativa muito grande, a começar pelo rompimento dos protocolos. Espero muito da renovação da igreja, da opção pelos pobres. Espero em julho estar com ele na Jornada Mundial da Juventude e entregar o [livro] “Kairós”. Meu amigo padre Fábio de Melo, padre Reginaldo Manzotti e eu estaremos lá, cantando para ele.

Em 2007, o senhor foi impedido de cantar para o papa Bento 16 no Brasil e acusou a Arquidiocese de São Paulo de boicotá-lo. Temeu que o arcebispo dom Odilo Scherer virasse papa?

Não, pelo contrário. Dom Odilo pôde me conhecer de perto. Percebeu que eu não era um artista. Hoje tenho uma admiração e um carinho enorme por ele. Não vou dizer que [o responsável pelo boicote] foi dom Odilo. Foi o comitê organizador. É muito fácil culpar. Às vezes, a pessoa nem está sabendo.

Ainda em 2007 ele disse que seu trabalho era “insuficiente” e que “o padre não é um showman”. O que mudou?

Ele entendeu que eu não faço show. Celebro missa. Toda missa que faço, mesmo na TV, quem está à frente é o meu bispo [dom Fernando Figueiredo, bispo de Santo Amaro]. Estou lá animando. Minha função é animar as pessoas.

O último Censo apontou um aumento do número de evangélicos e a diminuição do número de católicos. Como recuperar o terreno?

O número de católicos é enorme e o de padres, em relação aos fiéis, mínimo. Para formar um sacerdote são no mínimo sete anos. Um pastor se faz em três meses. A formação é mínima. E precisa ter acolhida. A pessoa vai à igreja, ela está fechada. Os [templos] evangélicos estão sempre abertos. E o uso da mídia. Você liga a TV, sempre tem coisa evangélica, pessoas que invadem horários e horários. É até exagerado.

Na assembleia da CNBB, neste mês, a igreja indicou que quer incentivar as Comunidades Eclesiais de Base para recuperar espaço em áreas pobres. Deve ser esse o caminho?

Aí eu questiono. Acho as CEBs importantes, mas hoje nosso povo precisa de grandes espaços. Vejo nas missas do Santuário. Uma vela ilumina? E dez? E 20 mil? O Palmeiras estava sem 13 titulares, mas a torcida foi e eles se classificaram na Libertadores. Faz diferença. Os evangélicos erguem grandes locais, porque reúnem as pessoas. Se ficar fechado na CEB, esquecer a oração, ficar só na política… Se olhar os que estão no governo, a maioria surgiu da CEB.

A CEB está na origem do PT.

O PT surgiu da CEB. Então, que não politize. O perigo é este: cair na política.

livro+kairos+padre+marcelo+rossi+lacrado+santa+luzia+pa+brasil__9A83CB_1O senhor é criticado por atrair o público, mas adotar um discurso conservador e distante dos problemas sociais.

Temos trabalhos com recuperação de drogados, arrecadação de alimentos. Nas CEBs, acaba se tornando mais política do que social. É mais perigoso a pessoa ter a tentação à política na CEB.

Acha que a igreja serviu de trampolim para integrantes do governo ou do PT?

Não poderia julgar. A Igreja Católica é apartidária, pelo menos deve ser. Os evangélicos, às vezes, determinam em quem votar. Estamos voltando à Idade Média, o período mais terrível e negro da igreja.

Mas na campanha do ano passado houve episódios polêmicos envolvendo a Igreja Católica, como a declaração de dom Odilo contra a campanha de Celso Russomanno.

E dom Fernando depois se manifestou [disse que Russomanno era católico]. Russomanno saiu de encontro de casais. Fiz o casamento dele, batizei os filhos. Ele é católico. É fácil hoje você destruir uma pessoa. Veja o [deputado Gabriel] Chalita [acusado de receber favores de empresas quando era secretário estadual da Educação].

Como avalia as denúncias contra ele, que é seu amigo?

Fico perplexo. Estou esperando ele se manifestar. Nossa função é ficar quietinho, porque é um amigo que me ajudou muito. Quero ver o que vai ser provado. Se algo está errado, você vai falar [denunciar] depois de dez anos? É para destruir a pessoa.

Conversou com Chalita?

Até agora não, acredita? Estou esperando um posicionamento mais claro. Ainda dizia, quando ele falou que iria entrar na política: “Não faça isso”. Eu o aconselhei várias vezes. Conselho é bom, né, mas você só pode dar.

Espera um posicionamento público ou que ele fale pessoalmente com o senhor?

Pessoalmente eu não prefiro. Tenho certeza de que ele vai falar que está tudo OK. Mas quero ver um posicionamento provando isso.

Acredita na inocência dele?

Parto do princípio da confiança. Mas não sou cego. Se eu vejo alguma coisa que está errada… Por isso estou esperando que ele se coloque.

Qual sua opinião a respeito do pastor Marco Feliciano (PSC-SP) à frente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara?

Ele tentou até me provocar [disse, em uma entrevista, que “padre Marcelo pede dinheiro e nunca se falou nada”]. Eu nunca pedi dinheiro. Pelo contrário. O jogo deles é criar guerrilha. A melhor coisa é ficar quieto. A Justiça do mundo pode tardar, mas chega. E credibilidade não se compra. Em 2010, a Folha fez uma pesquisa sobre em quem o brasileiro mais confiava, com 27 personalidades. Estava o Edir Macedo, que ficou lá em 20º [foi o 26º]. Fiquei em terceiro lugar. Eram Lula, William Bonner e eu.

Ele deveria renunciar?

Ele nem deveria estar lá, na minha opinião. A partir do momento em que se diz um pastor, não dá para ser ao mesmo tempo um líder político. Acho importante ter uma bancada católica, como existe a evangélica. Mas não acho correto padre, bispo, pastor se candidatarem, porque aí estou transformando um púlpito num palanque.

Qual sua opinião sobre o casamento gay?

A palavra de Deus é clara: Deus criou o homem e a mulher. A igreja acolhe o pecador, mas não o pecado. Não vai poder legitimar o casamento entre homossexuais. Mas acolhe com carinho.

E sobre a adoção por casais homossexuais?

[Ele é contra] Por causa da formação. O que vai ficar na cabeça [da criança]? Você quebra o sentido do que é família, que é o homem e a mulher, o pai e a mãe. São princípios bíblicos. Não sou eu que vou contrariar a palavra de Deus. Seja evangélico ou católico, a partir do momento em que você é cristão, não dá.

Padre Manzotti: “Eu estou cantor, estou apresentador, estou escritor. Mas sou padre”

JVA | Débora Anício – O Padre Reginaldo Manzotti concedeu entrevista a jornalista Débora Anício, do Jornal Vale do Aço, de Ipatinga. Manzotti esteve na cidade, ontem (29), por ocasião da festa do trabalhador realizada pelo Sindicato dos Trabalhadores Metalúrgicos da região. Peguei alguns tópicos da entrevista que pode ser acessado na íntegra no link acima.

JVA – Qual das tarefas o senhor gosta mais?
Pe. Manzotti – Ser padre. Rezar missa é a melhor parte do dia, é o que mais gosto de fazer. Essa é minha identidade. Eu estou cantor, estou apresentador, estou escritor. Mas sou padre.

JVA – Como o senhor recebeu a notícia de que teríamos um papa argentino? 
Pe. Manzotti – Fiquei feliz por ser um papa latino-americano, o que veio trazer um rosto diferente para o mundo europeu. Existe uma diferença muito grande entre as culturas europeias e latinas. As formas de se postar, querer e expressar são diferentes. Não sei o que Francisco irá trazer para a Igreja, mas ele já dá sinais de renovação e humildade. Apesar disso não acredito que haja grandes reformas.

JVA – Quais são os maiores desafios da Igreja Católica hoje?
Pe. Manzotti – Fazer a Jornada Mundial da Juventude (evento católico que acontece no Rio em julho) dar frutos, fazer com que os jovens permaneçam na Igreja. Atrair a juventude é uma coisa, fazer com que eles fiquem é outra. Também acredito que outro desafio seja investir mais na formação de novos padres, capacitá-los para que possam responder às necessidades do mundo atual, curar a ferida da Igreja causada por assuntos de pedofilia nos ultimos anos. É preciso trazer pessoas mais resolvidas para a Igreja, investir na questão afetiva, humana e intelectual. Antes as pessoas perguntavam o que é pecado, hoje elas perguntam por que é pecado. É preciso ter padres cultos e preparados para essas questões.

JVA – A que o senhor atribui a violência crescente no Brasil, que chega a ser banalizada muitas vezes?
Pe. Manzotti – Isso é um sinal da banalização do valor da vida. Quando as pessoas começam a brincar de Deus, decidir quem nasce e quem morre,  optar por não ter o filho e decidir pela eutanásia, elas percebem que a vida não é tão importante. A violência é um problema social muito sério que começa na família. É preciso haver uma reestruturação social.

JVA – O senhor é a favor da redução da maioridade penal?
Pe. Manzotti – Não. A Igreja é contra, pois não é trazendo a criminalização para uma data mais baixa que a violência vai acabar.  Os jovens repetem o que veem dos adultos, o que veem em casa. É preciso investir na família e na educação. Falta corpo docente no Brasil, e isso gera pessoas ignorantes, violentas e desestruturadas.

JVA – Mesmo com tantas informações sobre os danos causados pelas drogas é cada vez mais crescente o número de jovens que entra neste mundo. O que a Igreja faz para erradicar este problema? 
Pe. Manzotti – Eu parto da questão do equilíbrio familiar, do nível dos relacionamentos. Não quero ser moralista, mas filhos de pais separados, de pais que se batem e crianças criadas por terceiros não recebem o carinho devido no berço. Está faltando substrato, liderança. A Igreja Católica pode oferecer modelos bons. A Jornada Mundial da Juventude tem grande mérito de mostrar modelos positivos para os jovens.

Entrevista do Monsenhor Marco Aurélio Gubiotti, novo bipo de Itabira/Cel. Fabriciano

Entrevista do Monsenhor Marco Aurélio Gubiotti sobre a sua nomeação para bispo da Diocese de Itabira e Coronel Fabriciano (MG). Entrevista gravada na noite do dia 21 de fevereiro de 2013, na Matriz da Paróquia Nossa Senhora de Fátima de Pouso Alegre (MG), pela Pastoral da Comunicação da paróquia.

Padre Reginaldo Manzotti lança o livro ‘Feridas da Alma’ no programa do Jô Soares

Padre Reginaldo Manzotti acaba de lançar o livro “Feridas da Alma”, uma obra dividida em três partes: diagnóstico, superação e cura, que aborda muitos dos problemas emocionais, psíquicos, espirituais e sociais que afligem as pessoas.

Na publicação, o sacerdote, embasado na fé, aponta saídas para essas dores que são invisíveis aos olhos, causam graves problemas e podem levar à depressão. “Meu conselho é: pegue o remédio e tome com água benta. A fé e o remédio curam”, afirma.

Veja a entrevista aqui. 

Entrevista: Dom Leonardo Steiner trata da Semana Nacional da Vida

A primeira semana do mês de outubro será marcada por inúmeras discussões em defesa da vida. Instituída, em 2005, pela 43ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Semana Nacional da Vida acontecerá entre os dias 1º e 7 de outubro, e trabalhará o tema “Vida, saúde e dignidade: direito e responsabilidade de todos”. A semana termina com o “Dia do Nascituro” comemorado no dia 8 de outubro para homenagear o novo ser humano, a criança que ainda vive dentro da barriga da mãe.

Em entrevista, o secretário-geral da CNBB, dom Leonardo Ulrich Steiner, aborda diversas questões ligadas à Semana Nacional da Vida. Leia a íntegra da entrevista:

– A Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família lançou o subsídio “Hora da Vida”. Como ele colabora com os temas de discussão da Semana Nacional da Vida?

O subsídio “Hora da Vida” é composto por roteiros de encontros temáticos que podem ser organizados nas diferentes comunidades das nossas Igrejas particulares. Há muitos temas indicados para serem abordados durante esta semana, e, em função da realidade local, outros podem ser acrescentados. Os temas contidos no subsídio são sugestões de conteúdo a ser refletido, discutido, aprofundado e, também, concretizado em possíveis ações pastorais e sociais. De forma simples e deixando o espaço para a criatividade, o subsídio aborda a questão da ameaça à vida no seio materno, da sua manipulação em laboratório; propõe uma reflexão sobre as situações de risco, como a violência no trânsito e a ingestão de drogas; questiona-nos sobre o que é de fato ter vida digna, vida plena; motiva-nos para o cuidado com a vida frágil, do seu início até o seu fim natural. Tudo como expressão do amor e do cuidado amoroso.

– Que tipos de discussões o tema “Vida, saúde e dignidade: direito e responsabilidade de todos” trará para a Semana Nacional da Vida?

O tema da saúde faz o vínculo com a Campanha da Fraternidade deste ano, cujo título foi “Fraternidade e saúde pública”. Isso nos interpela a trabalhar para que todos os brasileiros possam ter acesso à saúde, não só como um valor em si mesmo, mas porque manifesta a dignidade de vida de cada pessoa, em qualquer fase ou condição social. Muito se fala hoje dos direitos de cada pessoa e, por vezes, esquece-se dos deveres de cada um. Quando se trata do respeito, da promoção e da defesa da vida, os direitos devem ser cobrados, mas os deveres também devem ser assumidos por todos.

– A Semana Nacional da Vida responde aos apelos das Diretrizes Gerais da Ação Evangelizadoras da Igreja no Brasil (DGAE)?

Uma das cinco urgências da ação evangelizadora no Brasil, traçadas pelos bispos do Brasil para 2011-2015, é a “Igreja ao serviço da vida plena para todos”.  A Semana Nacional da Vida retoma várias situações de ameaça à vida, que são descritas nesta quinta urgência e que já foram apontadas acima, e se insere nesta vasta missão da Igreja que também se desdobra no campo da promoção da vida humana, sobretudo das mais frágeis e indefesas e outras.

– Sobre a urgência nas questões de promoção da vida (quinta urgência), que ações efetivas poderão ser tomadas a partir da Semana Nacional da Vida?

“A partir de Jesus Cristo e na força do Espírito Santo”, como afirma o objetivo geral da ação evangelizadora no Brasil, o discípulo-missionário terá condições de identificar as situações que denigrem a vida, quer seja em âmbito local quer em âmbito nacional, para assim agir em consequência. A Igreja muito tem feito e muito realiza para promover a vida. Basta pensarmos nas inúmeras iniciativas que surgem das ações pastorais em favor da família, da criança, do adolescente, da AIDS, da sobriedade, do idoso, da saúde, do povo de rua, da terra, da moradia etc. A Semana Nacional da Vida pode, por um lado, contribuir para fomentar uma boa formação intraeclesial dos leigos e pastores, a fim de se formular um juízo moral adequado sobre as propostas da ciência e sua aplicação; e, por outro, estimular uma maior participação social, incentivando os leigos a se fazerem presentes nos diversos conselhos de participação popular (conselho municipal da saúde, da mulher, da educação, por exemplo) ou a se comprometerem através da própria profissão para uma maior distribuição dos recursos humanos e materiais para a saúde e um cuidado materno pela vida em nosso país.

– Quais os principais aspectos sobre a reforma do Código Penal que serão tratados durante a Semana Nacional da Vida? E qual a importância de se trazer essa discussão à tona?

No Anteprojeto de reforma do Código Penal brasileiro, há muitos pontos que merecem ser amplamente debatidos e outros que devem ser simplesmente excluídos, haja vista o seu teor extremamente polêmico e contrário a princípios éticos. A Semana Nacional da Vida e o Dia do Nascituro são ocasião para que toda a Igreja continue afirmando sua posição favorável à vida desde o seio materno até o seu fim natural, bem como a dignidade da mulher e a proteção das crianças etc. Isso pode suscitar uma reflexão necessária por parte da sociedade e por parte dos senadores e senadoras responsáveis em avaliar e aprovar o anteprojeto no Senado Federal.

– Que mensagem deixaria para as comunidades católicas?

A família é uma bênção, pois é o lugar onde cada um, cada uma de nós veio à luz e onde iniciamos os primeiros e mais profundos laços de nossa existência. Na família começamos o caminho da fé que nos possibilita participarmos de uma Comunidade-igreja, e nos leva ao encontro dos irmãos e irmãs; É o Evangelho que nos abre o caminho para nos abrirmos à graça de Jesus em todos os momentos de nossa vida. A Semana Nacional da Vida nos leve à admiração e ao cuidado pela vida! Ela nos ajude a criarmos grupos de famílias que assumam a grande vocação de ser promotores da vida.

Cardeal Bergoglio: Sacerdotes devem batizar os filhos de mães solteiras

Cardeal Jorge Mario Bergoglio

(ACI/EWTN Noticias).- O Arcebispo de Buenos Aires (Argentina), Cardeal Jorge Mario Bergoglio, chamou os sacerdotes a batizar os filhos das mães solteiras e não ser “os hipócritas de hoje” que terminam afastando o povo de Deus da salvação.

Durante o encerramento do Encontro da Pastoral Urbana da Região Buenos Aires, o Cardeal disse que é necessário mostrar “uma ternura especial com os pecadores” e com os mais afastados porque “Deus vive em meio deles”. Por isso, lamentou que alguns tenham “clericalizado à Igreja do Senhor”.

“Enchem a Igreja com preceitos, e falo isso com dor, se parecer uma denúncia ou ofensa, me perdoem, mas na nossa região eclesiástica há presbíteros que não batizam as crianças das mães solteiras porque não foram concebidos na santidade do matrimônio”.

“Estes são os hipócritas de hoje. Os que clericalizaram à Igreja. Os que afastam o povo de Deus da salvação. E essa pobre mãe que poderia ter tirado esta criança, mas que teve a valentia de dar à luz vai peregrinando de paróquia em paróquia para que a batizem”, expressou o Cardeal no dia 2 de setembro durante a Missa celebrada na Universidade Católica Argentina.

Ele insistiu no chamado a ser mais próximos com o próximo. “Deus põe seu povo em situação de encontro. E com essa proximidade, com esse caminhar, cria essa cultura do encontro que nos faz irmãos, filhos e não sócios de uma ONG ou partidários de uma multinacional. Proximidade. Essa é a proposta”, afirmou.

“Não à hipocrisia, não ao clericalismo hipócrita e não a tornar mundana nossa vida espiritual, porque isto é demonstrar que alguém é mais empresário que homem ou mulher de Evangelho”, expressou.

Elba Ramalho denuncia: governo da presidente Dilma se contradiz ao promover o aborto

Achei linda a entrevista e vale a pena ver tudo.

Em entrevista exclusiva, disponível agora na íntegra no canal da ACI Digital no YouTube, a cantora católica e pró-vida Elba Ramalho denuncia a promoção do aborto no governo da Presidente Dilma Rousseff e se diz entristecida pelo fato de que a mandatária, quando candidata, havia prometido não legalizar o aborto, mas agora está sendo “conivente” com a promoção dessa prática antivida, permitindo medidas como a edição da norma técnica do Ministério da Saúde que viria a instruir as mulheres a realizar o aborto impunemente, garantindo ainda recursos públicos para esse fim.

Elba Ramalho denunciou no seu diálogo com ACI Digital no último 24 de julho, na cidade do Rio de Janeiro, que o governo Dilma se contradisse ao permitir o avanço do lobby abortista e ofereceu seu testemunho na luta contra esse mal da sociedade de hoje lançando um apelo para que as jovens brasileiras sejam conscientes do valor da vida e que não matem os seus filhos no ventre no caso de uma gravidez.

A cantora afirmou que esteve com a presidente em uma ocasião na qual a então candidata pelo Partido dos Trabalhadores assegurou que não legalizaria o aborto no Brasil. Admitindo sua decepção, a artista manda um recado a Dilma Rousseff:

“Querida presidente, eu fui a uma reunião sua, quando a senhora disse que não legalizaria o aborto no Brasil. E muito me entristece hoje, como artista e cidadã brasileira, ver o seu governo caminhar por vias contrárias e enganadoras, tentando convencer a nossa sociedade, amparando grupos feministas patrocinados por empresas internacionais, multinacionais que querem produzir a morte exigindo mais abortos no Brasil como controle de natalidade”.

A cantora disse ainda: “me entristece que a senhora seja conivente com isso”. “Isto é mais um jogo para chegar a uma legalização, vamos dizer assim, um pouco “camuflada” do aborto, ou seja, legalizar a morte”, disse Elba mais adiante na conversa com o grupo ACI.

“Então, a gente está aqui hoje assumindo uma posição mais forte e mais direta porque a gente enfrenta realmente uma estrutura pesada, abortiva, uma estrutura que quer ver o sangue de crianças inocentes derramado no mundo”, disse a cantora brasileira.

“Se o jovem se conscientiza hoje que abortar é tão fácil quanto tomar um copo d’água, e ele não assume a responsabilidade dos seus atos, a nossa sociedade se extingue em muito pouco tempo. (…) É preciso que o jovem entenda que o aborto é a morte de uma criança que está no ventre de sua mãe, e ele acontece quando sua mãe consente que a sua criança seja assassinada”, assinalou.

“O povo brasileiro não é conivente com a morte! (…) Garotas do Brasil, meninas do Brasil, jovens do Brasil, acordem! É Pecado, é crime: Não Matarás!”.

“Se você não crê em Deus, creia que você mais adiante, que você na sua terceira idade e na sua velhice isso vai lhe pesar tanto sobre os ombros, sobre a sua consciência, você vai chorar lágrimas de sangue, você vai se arrepender…”, disse Elba Ramalho, que admitiu na mesma entrevista ter feito um aborto e após ter recebido o perdão de Deus e voltado para a Igreja Católica, hoje se dedica a defender a vida.

Falando sobre a pressão e as ameaças de alguns grupos feministas que ela vem recebendo, a cantora afirmou à nossa agência: “eu não tenho medo, eu não me sinto afrontada”.

Elba disse que na verdade, essas afrontas causam-lhe tristeza, porque muitas vezes provêm de grupos integrados por pessoas “frias”, e em alguns casos, constituídos de “juízas, médicos, médicas, professoras, filósofas, mulheres que são uma minoria, uma minoria que grita muito, faz muito barulho. Mas elas também são financiadas por empresas internacionais, nós sabemos disto, e eu estou dizendo aqui baseada em fatos concretos”.

“Elas recebem apoio, “money””, enfatizou a cantora, “para elas gritarem e ameaçarem: Elba Ramalho fique longe do meu útero, se ela for cantar em tal lugar a gente vai apedrejar… Os cães ladram, mas caravana continuará cantando e defendendo a vida.” “Isso não me afeta em nada”, asseverou.

“Eu fico feliz por vocês (da ACI Digital) estarem aqui me dando a oportunidade de falar. Estamos juntos, esta é uma luta toda, de todos nós e obrigado…Eu faço isso com muita humildade com muita gratidão a Deus, que pelas mãos daVirgem Maria me colocou diante desta obra e o assumo com muita responsabilidade, muita consciência e muita alegria no meu coração”, concluiu Elba Ramalho.

Elba também gravou uma especial mensagem em defesa da vida para os leitores da ACI Digital e todos os defensores da vida no Brasil que pode ser vista em: http://www.youtube.com/watch?v=BfSFijYA91Y

Para parabenizar a cantora brasileira pelo seu trabalho pró-vida não deixe de demonstrar seu apoio através dos comentários no nosso canal no YouTube.

Fonte ACI Digital

Canonista fala sobre nulidade matrimonial e desafios dos tribunais eclesiásticos

por Elisangela Cavalheiro

rhawyAcontece em Juiz de Fora (MG) de 9 a 14 de julho o 27º Encontro da Sociedade Brasileira de Canonistas e 29º Encontro dos Servidores de Tribunais Eclesiásticos do Brasil.

O evento organizado pelo Tribunal Eclesiástico Interdiocesano e de Apelação de Juiz de Fora e pela Sociedade Brasileira de Canonistas terá como tema ‘Cânon 1095 em sua atualidade e diversidade com o Canonista Padre Alejandro Bunge’, e lema ‘Felizes os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados’ (Mt, 5, 6). Padre Alejandro Bunge é presidente do Tribunal Eclesiástico de Buenos Aires.

O encontro deve reunir mais de 150 pessoas, entre servidores e canonistas, além de juristas,desembargadores, professores de Direito, juízes, promotores. O encontro conta também com a presença do Arcebispo Metropolitano de Juiz de Fora, Dom Gil Antônio Moreira e o Eparca da Igreja Greco-Melquita Católica, Dom Farés Maakaroun.

O canôn 1095 do Código de Direito Canônico diz respeito ao consentimento matrimonial, especificamente, a falta de discrição de juízo, ou seja, a “capacidade [que uma pessoa tem] de julgar sobre as responsabilidades que se assumem no matrimônio”. O assunto para os canonistas e servidores é complexo e exige maior preparo dos profissionais que atuam nos tribunais.

Padre Rhawy Chagas Ramos, que faz parte da diretoria da Sociedade Brasileira de Canonistas, concedeu entrevista ao Portal A12 para esclarecer alguns assuntos sobre a proposta do tema, o sacramento do matrimônio, nulidade matrimonial, entre outros assuntos.

Portal A12 – Qual a proposta do encontro ao discutir o Cânon 1095 sobre o Consentimento Matrimonial?

Padre Rhawy – Este é um dos Capítulos novos da Nova Codificação de 1983, que foi oriundo de uma jurisprudência Rotal, mas é que nos últimos anos, muitos dos Tribunais no mundo, têm recorrido a este Caput. Sempre o Papa, seja o saudoso João Paulo II como o atual Romano Pontífice, Bento XVI, tem exortado para que sejam atentos e não reduzam tudo a este capítulo. Houve alguns abusos no passado [tudo era só por este capítulo], hoje com as peritagens isso tem se tornado mais difícil e além do que são as peritagens que nos dão tranquilidade [ao turno de juízes] a chegarem a certeza moral e de julgarem conforme o Direito e na Justiça cada caso.

Em causas de grave falta de discrição de juízo as declarações das partes podem ter força de prova se dão testemunho de credibilidade. Deve-se dar peso a essas declarações, pois muitos sinais que indicam a falta de discrição só se conhecem na experiência da vida íntima do casal.

A consulta ao processo de habilitação matrimonial é importante, pois o sacerdote, na preparação do matrimônio pode ter percebido e anotado algum sinal de falta da devida liberdade. Também tem força de prova os documentos privados dos médicos e peritos. São de grande importância os depoimentos das testemunhas que conheciam a parte ou as partes no tempo da celebração do matrimônio. Os depoentes podem trazer à lembrança os sinais da patologia no relacionamento com os parentes, amigos companheiros de trabalho, escola, modo de administrar os bens pessoais, os costumes da pessoa em matéria sexual. Sobre o testemunho de parentes e membros da família deve-se notar que frequentemente os parentes e membros da família, para proteger a fama, dificilmente falam do grave defeito de discrição de outro membro da família. O serviço dos peritos é muito importante e, algumas vezes, necessário aos juízes eclesiásticos. A relação entre juiz e perito deve estabelecer-se com muita cautela. A única presunção do direito nesta espécie de causa favorece o matrimônio. Dadas as circunstâncias deste caso, frequentemente é necessário que o juiz eclesiástico proíba novas núpcias.

O Pe. Alejandro é um expert no assunto e nos trará luzes a muitas interrogações e questões quando se referem a este capítulo de nulidade.

Portal A12 – Houve redução no número de casamentos religiosos católicos no país? Como o senhor analisa essa realidade?

Padre Rhawy – Sim, os casamentos religiosos têm diminuído, e crescido a questão de união de fato, civilmente. Alguns dizem que entre 10 casamentos, 6 sejam nulos, 3 sejam válidos, sendo possível um não consumado. As estatísticas da Igreja Católica demonstram um crescimento do número de pessoas que optam por pedir a nulidade do matrimônio, isso é uma resultante de uma pesquisa realizada em Belo Horizonte e na região metropolitana. Apenas em 2011, cerca de 200 pedidos de nulidade foram feitos. Os dados indicam uma média, de um processo a cada dois dias. Já no ano retrasado, foram registradas 150 solicitações, por exemplo.

Vivemos uma época típica de individualismo e relativismo e um grave problema pastoral diz respeito à admissão ao sacramento do matrimônio daqueles batizados que, embora declarem não ter fé, pedem o casamento religioso. A Igreja aceita a celebração do sacramento, na esperança de que a vida comum no matrimônio, sustentada pela graça sacramental e pelo testemunho do cônjuge que tem fé, possa ajudar o outro a reencontrar a fé e nela crescer. E está profundamente convencida de que só à luz do Evangelho encontra plena realização e esperança, que o ser humano põe legitimamente no matrimônio e na família.

Apesar de todos esses aspectos negativos, muitos casais lutam para reafirmar sempre mais os valores cristãos, que estão muito acima desses fenômenos perturbadores. Os desafios pastorais que essa realidade apresenta exigem uma tomada de consciência e uma doação generosa na busca de respostas adequadas às mudanças, que ocorreram nesta sociedade nas últimas décadas. O sacramento do Matrimônio é resposta de fé a um chamado de Deus para edificar esta sociedade e a Igreja, a serviço da construção do Reino de Deus. A busca contínua da verdade permite compreender quão grandes bens são o matrimônio, a família e a vida; que constituem os supremos valores do “totius vitae consortium”.

E a dignidade do ser humano, de ser um sinal permanente da união de Cristo com a Igreja comporta a exigência de que os casados conformem sua vida conjugal e familiar e de comum acordo, dê um significado ao seu matrimônio.

Daí a urgente necessidade de uma evangelização e catequese pré-matrimonial e pós-matrimonial, colocadas em prática por toda a comunidade cristã, para que todo homem e toda mulher que se casam, celebrem o sacramento do matrimônio não só válido, mas também, frutuosamente, para formarem uma verdadeira comunidade de vida e de amor conjugal.

Portal A12 – O que é relevante ao falar de nulidade matrimonial?

Padre Rhawy – A vocação para o matrimônio está inscrita na própria natureza do homem e da mulher, conforme saíram da mão do Criador. O casamento não é uma instituição simplesmente humana, apesar das inúmeras variações que sofreu no curso dos séculos, nas diferentes culturas, estruturas sociais e atitudes espirituais (Catecismo da Igreja Católica, n. 1603). Criado à imagem e semelhança de Deus, que é Amor, também o ser humano é chamado para o amor; essa é a vocação inata e fundamental de todo ser humano. Criado homem e mulher, o amor mútuo do ser humano se torna uma imagem do amor absoluto e indefectível de Deus pelo homem.

Assim sendo, o matrimônio não é uma união qualquer entre pessoas humanas, suscetível de ser configurada segundo uma pluralidade de modelos culturais. O homem e a mulher encontram em si mesmos a inclinação natural para se unir conjugalmente, mas o matrimônio, como observa muito bem São Tomás de Aquino, é natural não porque “é causado pela necessidade dos princípios naturais”, mas enquanto realidade “para a qual a natureza inclina, mas que é completada mediante o livre arbítrio”. Por conseguinte, toda oposição entre natureza e liberdade, entre natureza e cultura é totalmente errônea (João Paulo II, A cultura individualista…).

A evolução e a globalização da sociedade têm levado a legislação canônica a profundas transformações desde a legislação do código Pio-Beneditino, aos atos emanados da Santa Sé, aos documentos do Vaticano II, e, sobretudo, à força operante da jurisprudência dos Tribunais Eclesiásticos, sempre atenta à cultura dos povos e realidade particular da pessoa humana, encarnando a própria lei. No passado valorizou-se ao extremo a forma canônica, e isso fez com que a família passasse a operar em segundo lugar. Entre uma família naturalmente constituída numa primeira união e um casamento sem filhos, contraído em conformidade com a forma canônica, prevalecia o segundo como o abençoado por Deus. O flagelo dos casamentos clandestinos deu origem a outro flagelo: o das famílias dos “sem pai ou sem mãe”.

Portal A12 – Quais os desafios para os tribunais eclesiásticos atualmente?

Padre Rhawy – Os tribunais eclesiásticos existem para ajudar a vida cristã a se desenvolver, por isso, nós dizemos que eles são pastorais. Alguns poderiam dizer que tribunal como aqueles que prendem, pegam gente de noite, que assustam. Não! Tribunal eclesiástico não é violento. Ele é sempre um modo de tratar as coisas buscando a justiça. E exatamente como busca da justiça, é que esse tribunal vai se mostrar. Ele não leva ninguém para a cadeia, mas pode dizer de uma pessoa se ela é capaz ou não é capaz. Poder dizer se um sacramento é verdadeiro ou se ele é falso. Por isso, os tribunais trabalham todas aquelas situações religiosas, em que acontece alguma coisa sagrada, mas que está sendo feita de modo errado, ou de modo que a Igreja não pode aceitar. O tribunal é tribunal e é pastoral.

O grande desafio é certamente ter pessoal com tempo e com condições de especialização, para poderem examinar as coisas mais complexas e as coisas mais difíceis. É verdade que o Brasil tem uma associação de agentes de tribunal. Esse pessoal que trabalha nos tribunais passa uma semana de estudos vendo quais as dificuldades, quais as coisas que surgiram, onde que estão as coisas que eles podem fazer bem feitas e eles então animam os tribunais, muitos são voluntários, fazem isso com o próprio dinheiro e com a própria dedicação, e todos são nomeados pelas dioceses. Além disso, nós temos uma associação de canonistas. De gente que estuda Direito Canônico, que dá aula sobre Direito Canônico, que procura desenvolver dentro das paróquias o aconselhamento do Direito Canônico. Com isso, nós corrigimos muita coisa, mas vocês tem razão. Somos poucos. Esperamos ser mais.

Fonte A12.com

Você conhece o fundamento da sua fé?

Sagrada Escritura, Sagrada Tradição e Sagrado Magistério. Essa é a tríade que constitui a base da fé católica, a fonte para que os fiéis sejam conscientes da sua fé. Mas os católicos conhecem o significado desses pilares? Em especial neste ano em que se inicia o Ano da Fé, proclamado pelo Papa Bento XVI, os fiéis terão a oportunidade de redescobrir o verdadeiro sentido da fé que professam por Cristo e pela Igreja.
Para os católicos, a centralidade da fé está no mistério da Eucaristia, instituída pelo próprio Cristo, o que sinaliza a vontade de Deus em permanecer em união com a humanidade.

Para o membro da Comissão Episcopal Pastoral para a Doutrina da Fé da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Murilo Krieger, arcebispo de Salvador (BA) e Primaz do Brasil, uma das características da fé católica é justamente o fato da iniciativa partir de Deus, e não dos homens.

“Não somos nós que procuramos Deus, que procuramos conhecê-lo, que tentamos entrar na sua intimidade. Ao contrário: Deus é que se revela a nós. Ele é que tomou a iniciativa”, explica o arcebispo.

Sendo assim, Dom Murilo diz que o que resta aos católicos é acreditar em Deus, acolher sua Palavra e colocar em prática seus ensinamentos, o que acaba constituindo o fundamento da fé católica. “É (o fundamento) ouvir o Senhor, acreditar em seus ensinamentos, colocá-los em prática com a graça e força que Ele mesmo nos dá”.

Sagradas Escrituras e Tradição 

As sagradas escrituras reúnem os ensinamentos que Deus têm para a humanidade. Tais ensinamentos estão presentes no livro sagrado para os católicos: a Bíblia. Mas nem tudo que Deus ensinou está unicamente em forma de escrita.

“A pregação não surgiu assim de um livro que Deus mandou escrever e distribuir. Surgiu de ouvir a Palavra de Deus. Então essa pregação apostólica, hoje nós a temos expressa, de modo especial, nos livros inspirados. Mas esta pregação deve continuar até o fim dos tempos”, lembrou Dom Murilo.

O arcebispo de Salvador enfatizou que os apóstolos transmitiram aquilo que receberam a partir do convívio com Jesus e exortaram os fiéis a manterem a tradição que aprenderam, seja oralmente ou por escrito.

“Eu resumo “Tradição” com a expressão seguinte: a tradição é a fé viva daqueles que já morreram. E nós temos conhecimento desta fé. Quando se fala em tradicionalismo, é outra coisa totalmente diferente, é o apego à fórmula, a uma determinada época. Tradicionalismo é a fé morta dos que ainda vivem. Então uma pessoa tradicionalista, apegada ao passado, a um determinado momento da história, tem uma fé morta, embora esteja viva”, explicou.

O Magistério da Igreja Católica

Além das Sagradas Escrituras e da Sagrada Tradição, a fé católica tem ainda um terceiro fundamento: o Magistério. “Magistério é aquele grupo da Igreja que recebe uma ação especial do Espírito Santo para que esta revelação de Deus não se perca e se mantenha sempre fiel”, explicou Dom Murilo.

Para o arcebispo, fazer o católico conhecer melhor as riquezas de sua fé é hoje uma tarefa desafiadora. Ele diz que é importante lembrar que foi a vontade de Deus que todas as gerações pudessem ter um conhecimento íntegro de suas revelações, o que nem sempre acontece.

“Temos um dom imenso, temos a Palavra de Deus, a Tradição, o Magistério, a unidade sob Pedro, temos os santos, as formas de rezar, os sacramentos, especialmente o da Eucaristia, temos mártires, temos tudo isso e às vezes não conhecemos”.

E o conhecimento da fé católica em sua profundidade vem a partir dessa tríade tão importante para a Igreja e seus fiéis. “Tanto a Sagrada Escritura, como a Sagrada Tradição como o Magistério nos permitem conhecer Deus como Ele se revelou, até o dia em que o veremos face a face e que não precisaremos mais, portanto, da Escritura, nem da Tradição e nem do Magistério porque estaremos diante de Deus contemplando mergulhados na sua misericórdia”

Ano da Fé

Se ainda não são conhecidos em sua plenitude, os pilares da fé católica podem ser melhor estudados e compreendidos durante o Ano da Fé. A proposta de Bento XVI é que esta seja, justamente, uma ocasião de redescobrimento e amadurecimento da fé dos católicos.

“O Papa já pediu que, neste Ano da Fé, nós saibamos dar lugar às Sagradas Escrituras, lembrando que Deus se revelou. Além disso, o Ano da Fé vai nos servir também para destacar o valor da Sagrada Tradição que tem sua força muito grande no Concílio Vaticano II, do qual estaremos, a partir de 11 de outubro, celebrando o cinqüentenário”.

Dom Murilo citou o Catecismo da Igreja Católica como o grande presente dado pelo Magistério da Igreja há 20 anos. Ele lembrou que o Papa pede que, em especial no Ano da Fé, o Catecismo seja mais conhecido, o que significa voltar-se para o essencial.

“Se nesse Ano da Fé nos voltarmos para o essencial, se nos colocarmos sob ação do Espírito Santo, Ele nos ajudará a penetrar nas verdades que Ele revelou à Igreja, verdade que tem como finalidade nos renovar, nos transformar”, disse.

Dom Murilo finalizou dizendo que o Ano da Fé foi uma graça que nasceu do coração de Deus e foi inspirada pelo Espírito Santo a Bento XVI. “Um dom assim temos que acolher com muita alegria e trabalhar para que as riquezas da Igreja estejam à disposição de todos”.