Até agora só a falácia, e nada mais

A um mês atras a Igreja se solidarizou com a renuncia de Bento XVI e se comoveu com a escolha de Francisco como o novo papa. Nós fies ficamos e ainda estamos empolgados com as novidades papais e seus exemplos samaritanos. Até pensei que esse mesmo espírito iria abarcar os nossos bispos na 51ª Assembleia Geral da CNBB. Mas, até o momento nada ainda aconteceu.

Vejo as manchetes da 51ª e só leio sobre reforma agrária, povos indígenas e uma nova forma de paróquia (reinvenção da roda). A tão esperada evangelização veio apenas no discurso de Dom Odilo, cardeal de São Paulo, onde ele afirma “a prioridade das prioridades é evangelizar”. Ninguém mais fala. Ao menos é o que saí no no site da CNBB e imprensa por aí.

Queria, sinceramente, que na 51ª os debates fossem atuais as necessidades da Igreja. Sei que é importante a reforma agrária, os povos indígenas e outros assuntos, mas é preciso debater assuntos como o diálogo interpastoral (inexistente em vários níveis e intolerantes nas bases), os pequenos papados instituídos por alguns bispos e até mesmos padres com relação a liturgia e outros assuntos, a grande evasão de fieis, o defesa da família com relação ao aborto, matrimônio gay. Nada disso foi debatido, ao menos divulgado que foi.

Espero ações dos bispos do Brasil. Opiniões e defesa da fé e da família. Aqui cabe uma leitura simplista do ditado popular “quem cala consente.” Não é preciso explicar.

por Marquione Ban

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“A urgência das urgências é evangelizar”, acredita o cardeal Odilo Scherer

IMG 1088Muitos são os desafios para a Igreja no Brasil, entre eles está à necessidade da revitalização das paróquias. Essa é a proposta da 51ª Assembleia Geral dos Bispos da CNBB se volta ao tema central que este ano trata de “Comunidade de comunidades: uma nova paróquia”, onde os bispos brasileiros estão empenhados em refletir sobre a vida das paróquias. O arcebispo metropolitano de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer observa que “a Igreja sempre precisa de renovação, pois é um organismo vivo, senão ela morre”. Para o cardeal, renovar as paróquias é “tirar delas suas potencialidades para que não sejam apenas estruturas burocráticas, mas comunidades vivas com um espírito novo e dinâmico”.

Diante das necessidades que se apresentam para a Igreja do Brasil, o arcebispo acredita que “a urgência das urgências é evangelizar”. E, para que essa renovação ocorre na estrutura a Igreja precisa se “adequar para bem evangelizar, utilizando bem todos os meios e ocasiões”. Segundo o cardeal, a 51ª Assembleia Geral se realiza em clima diferente após a realização do Conclave que elegeu Papa Francisco. E, desejou que “a vida da Igreja se renove”, com a chegada do novo pontífice, pois “a Igreja existe para evangelizar”. Ele relembra que a nova evangelização está na linha da preocupação da Igreja, que tem buscado se orientar nas reflexões e caminhos sugeridos pela Conferência de Aparecida, realizada em 2007. Para dom Odilo, a missão a Assembleia Geral é acompanhar e motivar a vida e missão da Igreja no Brasil, em comunhão com o Papa.

Igreja missionária

Sobre as especulações da possível perda de fieis por parte do catolicismo, o cardeal dom Odilo analisa que a Igreja não está indiferente a esse fato, mas tem buscado estar mais próxima da sociedade. “Quando um católico deixa de ser católico, não ficamos indiferentes. Isso preocupa a Igreja, mas não temos soluções mágicas. Não podemos estar ocupados com uma pastoral de manutenção e conservação, mas com uma Igreja efetivamente missionária”, disse. Por outro lado, o arcebispo observa que “não só a Igreja católica perde fiel. É um fenônemo cultural, onde existe uma mobilidade de valores e outras várias razões que levaram as pessoas a fazerem novas escolhas”.

O arcebispo aponta a presença de um fenômeno da migração religiosa, onde as pessoas estão à procura de religiões que oferecem propostas mais interessantes, “com menos comprometimento, ligado a cultura do relativismo”, de acordo com o interesse subjetivo de cada indivíduo. Mediante a essa fator cultural, o cardeal Odilo explica que o objetivo principal da Assembleia Geral é buscar a renovação das paróquias. “Nós estamos ocupados em refletir sobre as paróquias. Queremos renovar a estrutura da paróquia quanto a sua funcionalidade para que seja expressão viva e dinâmica”. Para que essa renovação, de fato, aconteça, o cardeal dom Odilo aconselha: “Sermos honestos no modo de evangelizar, apresentando a proposta do evangelho sem instrumentalizar a religião. Isso demanda tempo, paciência e perseverança”.

Defender o autêntico matrimônio não é atacar gays, explica Cardeal Dolan de Nova Iorque

Arcebispo de Nova Iorque, Cardeal Timothy Dolan

(ACI/EWTN Noticias).- O Arcebispo de Nova Iorque e Presidente da Conferência dos Bispos Católicos dos Estados Unidos, Cardeal Timothy Dolan, assinalou que a defesa do autêntico matrimônio, composto por um homem e uma mulher, não significa nem é atacar os homossexuais.

Em uma entrevista concedida na Semana Santa ao programa televisivo This Week da rede americana ABC, o Cardeal explicou que a Igreja não é contrária a ninguém mas ama todos, também os homossexuais, que são criados a imagem e semelhança de Deus.

Ao ser perguntado sobre o que responderia a um casal de gays “católicos” que “querem casar-se, se amam e querem criar uma família”, o Cardeal assinalou: “o primeiro que lhes diria é que eu os amo e Deus também”.

“Estamos feitos a imagem e semelhança de Deus e queremos sua felicidade, mas também sabemos que Deus nos diz que o caminho à felicidade, sobretudo quando se trata do amor sexual, é só para o homem e a mulher no matrimônio onde nascerão os filhos naturalmente”, sublinhou o Arcebispo.

“Temos que fazer, que se veja melhor que nossa defesa do matrimônio não consiste em um ataque aos homossexuais”. O Cardeal admitiu logo que embora “não fomos bons” para dar com claridade essa mensagem, a Igreja não é contrária a nenhuma pessoa.

“Estamos defendendo o que Deus nos ensinou sobre o matrimônio, que é entre um homem e uma mulher para sempre e que traz uma nova vida”, precisou.

Além disso indicou que “temos que escutar às pessoas, como o exemplo que acaba de descrever: Jesus morreu na cruz por eles como morreu por mim. Queremos ensinar o que Deus nos ensina sobre como devemos viver”.

Também por nós foi crucificado…

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo

Na Semana Santa do Ano da Fé somos convidados a confrontar-nos com os vários “Mistérios da Fé” celebrados nesses dias abençoados. Pensando bem, boa parte da nossa Profissão de Fé (Credo) está relacionada estreitamente com as celebrações da Semana Santa e da Páscoa. É um motivo a mais para que a vivamos intensamente, deixando-nos envolver por Deus, que veio ao nosso encontro de maneira tão misericordiosa salvadora.

Em nossa fé cristã católica professamos que Deus enviou ao mundo seu único Filho, Jesus Cristo para nos salvar. Em tudo, o Filho assumiu a nossa condição humana, menos no pecado; São Paulo bem recorda que o pecado nunca dominou sobre Ele. Salvar, significa dar sentido pleno à nossa existência e a participação na felicidade completa; isso somente Deus pode nos dar. O Filho, feito homem, acolheu a todos nós em sua santa humanidade, mostrou a luz de Deus para que possamos viver iluminados pela verdade e ele mesmo se fez para nós o caminho, a verdade e a vida.

Poderia Deus realizar o seu desígnio a nosso respeito – de vida plena para todos – sem que o Filho passasse pela contradição da condição humana, o sofrimento e a morte, como experimentam todos os descendentes de Adão e aqueles que procuram nesta vida ser fiéis a Deus?  Queria Deus Pai o sofrimento de seu Filho? Este é um grande mistério e não cabem aqui respostas fáceis e superficiais. Mas é certo que Deus não quer o sofrimento para ninguém, muito menos o quis para seu amado Filho.

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O fato é que Jesus Cristo, na sua condição humana, permaneceu fiel a Deus e à sua missão, não obstante as ameaças e perseguições. E Deus Pai aceitou esta radical “obediência” de Cristo: “obediente até à morte e morte de cruz” (Fl 2,8). Nessa total fidelidade a Deus, Ele nos deu o exemplo, para que sigamos os seus passos e permaneçamos fieis a Deus sempre; nada deve ser colocado acima dessa total fidelidade a Deus. Ao meu ver, o mistério da cruz de Cristo só se explica pela sua total comunhão com Deus Pai, que teria sido rompida se Jesus entrasse no jogo das conveniências humanas ou do medo. Ele não seguiu o “politicamente correto” para salvar a própria pele. Muitíssimos, a seu exemplo, também enfrentaram todo tipo de desprezo e discriminação por causa da “verdade”. Tantos morreram mártires, como o próprio Jesus.

Nossa fé católica em Jesus Cristo não nos permite escolher apenas algum aspecto de sua pessoa ou de seu ensinamento, que mais nos agrade. E a Igreja está no mundo para testemunhar a fé completa sobre Jesus Cristo, Filho de Deus, Salvador. É a fé pascal em Cristo ressuscitado, que triunfou sobre o pecado, o ódio e a morte; somos as testemunhas de sua ressurreição e isso constitui um ousadíssimo aspecto de nossa profissão de fé.

Mas isso não nos pode levar a esquecer a cruz de Cristo. É uma tentação insidiosa, apresentar ao mundo apenas o Cristo glorioso, sem referência ao Cristo crucificado. A tendência humana de fugir da cruz pode levar à busca de uma religião fácil e “politicamente correta”, onde só há “vantagens” e nenhuma escolha difícil ou renúncia. Jesus não ensinou um Cristianismo sem necessidade de conversão, sem cruz, sem colocar o reino de Deus como centro de referência para a vida do homem e do mundo. O seu caminho para a vida plena e para a participação na glória de Deus passa pela cruz.

O papa Francisco, na sua primeira missa com o colégio Cardinalício no dia 14 de março, ainda na Capela Sistina, observou que a Igreja, deixando de lado Jesus Cristo crucificado, tornar-se-ia apenas uma “ONG piedosa”… Falando aos jovens, no Domingo de Ramos, convidou-os a tomarem, com ele, o caminho para a Jornada Mundial da Juventude, no Rio de Janeiro e encorajou-os a não terem vergonha da cruz de Cristo e a abraçarem com coragem a própria cruz, no seguimento de Cristo.

Quando professamos nossa fé, lembremos sempre que a graça de nossa “liberdade de filhos de Deus” custou “um preço muito alto” (cf 1Cor 6,20): nada menos que o sofrimento, o sangue derramado e a morte do Filho de Deus feito homem! Celebrando a Páscoa, agradeçamos por tão grande presente! E em tudo sejamos fiéis a Deus também nós, como foi nosso Salvador.

Missa de inauguração do pontificado do papa Francisco:”Cuidar das pessoas que estão na periferia do nosso coração”

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Desde as primeiras horas da manhã de hoje, 19 de março, a praça São Pedro começou a receber chefes de estado, líderes religiosos e peregrinos para a missa de inauguração do pontificado do papa Francisco. Antes do início da cerimônia, o Papa Francisco desfilou em carro aberto pela praça, e em seguida desceu ao túmulo de São Pedro, embaixo do altar da Confissão, dentro da Basílica. Depois de se deter alguns minutos em oração, incensou o Trophaeum apostólico e se juntou à procissão de cardeais concelebrantes.

À frente, estavam os diáconos levando o Pálio pastoral, o Anel do Pescador e o Evangelho. Já fora da Basílica, no altar da Praça São Pedro, o cardeal-protodiácono, Jean-Louis Tauran, impôs o Pálio (estola decorada com as cruzes do martírio); o cardeal protopresbítero Godfried Danneels, fez uma oração, e o cardeal decano Angelo Sodano entregou ao Pontífice o Anel do Pescador. Neste momento, seis cardeais, em nome de todo o Colégio Cardinalício, prestaram obediência ao Papa.

Todos os cardeais, patriarcas e arcebispos maiores das Igrejas orientais católicas; o secretário do Conclave, Dom Lorenzo Baldisseri, e os padres Fr. Jose’ Rodriguez Carballo e Alfonso Nicolas SJ, respectivamente presidente e vice-presidente da União dos Superiores Gerais, concelebraram com Francisco a sua primeira Missa como Papa.

Também acompanharam a celebração o presidente da Itália, Giogio Napolitano; as presidentes da Argentina, Cristina Kirchner; e do Brasil, Dilma Rousseff, entre outros. Todos os chefes de estado e delegações estrangeiras foram recebidos pelo papa, após a missa, na Basílica de São Pedro.

A seguir, a íntegra da homilia do papa Francisco, na missa de hoje, solenidade de São José, patrono da Igreja.

“Queridos irmãos e irmãs!

Agradeço ao Senhor por poder celebrar esta Santa Missa de início do ministério petrino na solenidade de São José, esposo da Virgem Maria e patrono da Igreja universal: é uma coincidência densa de significado e é também o onomástico do meu venerado Predecessor: acompanhamo-lo com a oração, cheia de estima e gratidão.

Saúdo, com afecto, os Irmãos Cardeais e Bispos, os sacerdotes, os diáconos, os religiosos e as religiosas e todos os fiéis leigos. Agradeço, pela sua presença, aos Representantes das outras Igrejas e Comunidades eclesiais, bem como aos representantes da comunidade judaica e de outras comunidades religiosas. Dirijo a minha cordial saudação aos Chefes de Estado e de Governo, às Delegações oficiais de tantos países do mundo e ao Corpo Diplomático.

Ouvimos ler, no Evangelho, que «José fez como lhe ordenou o anjo do Senhor e recebeu sua esposa» (Mt 1, 24). Nestas palavras, encerra-se já a missão que Deus confia a José: ser custos, guardião. Guardião de quem? De Maria e de Jesus, mas é uma guarda que depois se alarga à Igreja, como sublinhou o Beato João Paulo II: «São José, assim como cuidou com amor de Maria e se dedicou com empenho jubiloso à educação de Jesus Cristo, assim também guarda e protege o seu Corpo místico, a Igreja, da qual a Virgem Santíssima é figura e modelo» (Exort. ap. Redemptoris Custos, 1).Como realiza José esta guarda? Com discrição, com humildade, no silêncio, mas com uma presença constante e uma fidelidade total, mesmo quando não consegue entender. Desde o casamento com Maria até ao episódio de Jesus, aos doze anos, no templo de Jerusalém, acompanha com solicitude e amor cada momento. Permanece ao lado de Maria, sua esposa, tanto nos momentos serenos como nos momentos difíceis da vida, na ida a Belém para o recenseamento e nas horas ansiosas e felizes do parto; no momento dramático da fuga para o Egipto e na busca preocupada do filho no templo; e depois na vida quotidiana da casa de Nazaré, na carpintaria onde ensinou o ofício a Jesus.

Como vive José a sua vocação de guardião de Maria, de Jesus, da Igreja? Numa constante atenção a Deus, aberto aos seus sinais, disponível mais ao projecto d’Ele que ao seu. E isto mesmo é o que Deus pede a David, como ouvimos na primeira Leitura: Deus não deseja uma casa construída pelo homem, mas quer a fidelidade à sua Palavra, ao seu desígnio; e é o próprio Deus que constrói a casa, mas de pedras vivas marcadas pelo seu Espírito. E José é «guardião», porque sabe ouvir a Deus, deixa-se guiar pela sua vontade e, por isso mesmo, se mostra ainda mais sensível com as pessoas que lhe estão confiadas, sabe ler com realismo os acontecimentos, está atento àquilo que o rodeia, e toma as decisões mais sensatas. Nele, queridos amigos, vemos como se responde à vocação de Deus: com disponibilidade e prontidão; mas vemos também qual é o centro da vocação cristã: Cristo. Guardemos Cristo na nossa vida, para guardar os outros, para guardar a criação!

Entretanto a vocação de guardião não diz respeito apenas a nós, cristãos, mas tem uma dimensão antecedente, que é simplesmente humana e diz respeito a todos: é a de guardar a criação inteira, a beleza da criação, como se diz no livro de Génesis e nos mostrou São Francisco de Assis: é ter respeito por toda a criatura de Deus e pelo ambiente onde vivemos. É guardar as pessoas, cuidar carinhosamente de todas elas e cada uma, especialmente das crianças, dos idosos, daqueles que são mais frágeis e que muitas vezes estão na periferia do nosso coração. É cuidar uns dos outros na família: os esposos guardam-se reciprocamente, depois, como pais, cuidam dos filhos, e, com o passar do tempo, os próprios filhos tornam-se guardiões dos pais. É viver com sinceridade as amizades, que são um mútuo guardar-se na intimidade, no respeito e no bem. Fundamentalmente tudo está confiado à guarda do homem, e é uma responsabilidade que nos diz respeito a todos. Sede guardiões dos dons de Deus!

E quando o homem falha nesta responsabilidade, quando não cuidamos da criação e dos irmãos, então encontra lugar a destruição e o coração fica ressequido. Infelizmente, em cada época da história, existem «Herodes» que tramam desígnios de morte, destroem e deturpam o rosto do homem e da mulher.

Queria pedir, por favor, a quantos ocupam cargos de responsabilidade em âmbito económico, político ou social, a todos os homens e mulheres de boa vontade: sejamos «guardiões» da criação, do desígnio de Deus inscrito na natureza, guardiões do outro, do ambiente; não deixemos que sinais de destruição e morte acompanhem o caminho deste nosso mundo! Mas, para «guardar», devemos também cuidar de nós mesmos. Lembremo-nos de que o ódio, a inveja, o orgulho sujam a vida; então guardar quer dizer vigiar sobre os nossos sentimentos, o nosso coração, porque é dele que saem as boas intenções e as más: aquelas que edificam e as que destroem. Não devemos ter medo de bondade, ou mesmo de ternura.A propósito, deixai-me acrescentar mais uma observação: cuidar, guardar requer bondade, requer ser praticado com ternura. Nos Evangelhos, São José aparece como um homem forte, corajoso, trabalhador, mas, no seu íntimo, sobressai uma grande ternura, que não é a virtude dos fracos, antes pelo contrário denota fortaleza de ânimo e capacidade de solicitude, de compaixão, de verdadeira abertura ao outro, de amor. Não devemos ter medo da bondade, da ternura!
Hoje, juntamente com a festa de São José, celebramos o início do ministério do novo Bispo de Roma, Sucessor de Pedro, que inclui também um poder. É certo que Jesus Cristo deu um poder a Pedro, mas de que poder se trata? À tríplice pergunta de Jesus a Pedro sobre o amor, segue-se o tríplice convite: apascenta os meus cordeiros, apascenta as minhas ovelhas. Não esqueçamos jamais que o verdadeiro poder é o serviço, e que o próprio Papa, para exercer o poder, deve entrar sempre mais naquele serviço que tem o seu vértice luminoso na Cruz; deve olhar para o serviço humilde, concreto, rico de fé, de São José e, como ele, abrir os braços para guardar todo o Povo de Deus e acolher, com afecto e ternura, a humanidade inteira, especialmente os mais pobres, os mais fracos, os mais pequeninos, aqueles que Mateus descreve no Juízo final sobre a caridade: quem tem fome, sede, é estrangeiro, está nu, doente, na prisão (cf. Mt 25, 31-46). Apenas aqueles que servem com amor capaz de proteger.

Na segunda Leitura, São Paulo fala de Abraão, que acreditou «com uma esperança, para além do que se podia esperar» (Rm 4, 18). Com uma esperança, para além do que se podia esperar! Também hoje, perante tantos pedaços de céu cinzento, há necessidade de ver a luz da esperança e de darmos nós mesmos esperança. Guardar a criação, cada homem e cada mulher, com um olhar de ternura e amor, é abrir o horizonte da esperança, é abrir um rasgo de luz no meio de tantas nuvens, é levar o calor da esperança! E, para o crente, para nós cristãos, como Abraão, como São José, a esperança que levamos tem o horizonte de Deus que nos foi aberto em Cristo, está fundada sobre a rocha que é Deus.

Guardar Jesus com Maria, guardar a criação inteira, guardar toda a pessoa, especialmente a mais pobre, guardarmo-nos a nós mesmos: eis um serviço que o Bispo de Roma está chamado a cumprir, mas para o qual todos nós estamos chamados, fazendo resplandecer a estrela da esperança: Guardemos com amor aquilo que Deus nos deu!Peço a intercessão da Virgem Maria, de São José, de São Pedro e São Paulo, de São Francisco, para que o Espírito Santo acompanhe o meu ministério, e, a todos vós, digo: rezai por mim! Amem.

O Papa Francisco pede aos argentinos não viajar a Roma e dar esse dinheiro aos pobres

Carta enviada pelo Núncio na Argentina

(ACI).- Em uma carta enviada pela Nunciatura Apostólica na Argentina aos pastores desta nação, o Papa Francisco fez um chamado a seus compatriotas que pensavam em viajar a Roma para acompanhá-lo na Missa de instalação como Pontífice, a renunciar a esse desejo legítimo e entregar o dinheiro que iam usar com esse fim para ajudar os pobres.

O Santo Padre assinalou que sim espera que o acompanhem, mas comorações e com a esmola que assim solicitou para os irmãos mais necessitados.

O Papa Francisco alentou deste modo os três acentos deste tempo especial de Quaresma: a mortificação ou a renúncia, a viagem a Roma neste caso; aoração e a esmola.

Com este gesto o Santo Padre repete um similar que já fez antes quando era Arcebispo de Buenos Aires e foi criado Cardeal pelo Papa João Paulo II em fevereiro de 2001.

Naquela oportunidade o então Prelado suplicou às pessoas que planejavam ir a Roma para acompanhá-lo nessa importante ocasião que usassem o dinheiro para os mais necessitados.

“Como consequência disso, a delegação do Cardeal Bergoglio no consistório foi uma dos menores, totalmente em desacordo com o tamanho e a importância de Buenos Aires”, assinala o diretor do grupo ACI, Alejandro Bermúdez, em um post do blog desta agência titulado “Bem-vindos ao minimalismo de Francisco”.

Além disso, acrescenta, “a diferença de seus predecessores, o Papa Francisco decidiu não usar a capa vermelha pontifícia para aparecer pela primeira vez ante os fiéis. Vestiu o traje branco, como São Pio V, o Papa dominicano que não quis deixar de usar o manto branco de sua ordem, começando assim a tradição do branco papal”.

“Apesar de ser o primeiro jesuíta em sentar-se na cadeira de Pedro, o Papa escolheu o nome nunca antes usado do santo de Assis, que encabeçou a reforma da Igreja em seu tempo chamando a um retorno fiel à simplicidade e santidade”, conclui Bermúdez.

Vaticano divulga foto do Papa pagando a conta no check-out

G1 – Uma imagem divulgada nesta sexta-feira (15) pelo ‘L’Osservatore Romano’, o jornal doVaticano, mostra o momento em que o Papa Francisco foi acertar a conta e fazer o check-out da residência onde estava hospedado como cardeal para participar do conclave, em Roma.

Apesar de o local ser de posse da Santa Sé, agora comandada pelo próprio Papa Jorge Mario Bergoglio, ele insistiu em pagar pela hospedagem, segundo o Vaticano, para “dar um bom exemplo”.

Foto do 'Osservatore Romano' mostra o Papa Francisco fazendo o check-out da residência onde se hospedou, em Roma (Foto: Reuters/Osservatore Romano)

 

Cardeais brasileiros concedem entrevista coletiva em Roma

cardeais_brasileiros14032013Conforme publicado pelo portal de notícias G1, os cardeais brasileiros concederam na manhã desta quinta-feira, 14 de março, em Roma, uma entrevista coletiva em que avaliaram a escolha do cardeal argentino Jorge Mario Bergoglio, o Papa Francisco, como sucessor de Bento XVI. Dos cinco cardeais brasileiros que participaram da eleição do pontífice, três participaram da entrevista: o presidente da CNBB e arcebispo de Aparecida (SP), dom Raymundo Damasceno Assis; o arcebispo emérito de Salvador (BA), dom Geraldo Majella; e o arcebispo de São Paulo (SP), dom Odilo Pedro Scherer.

A coletiva foi realizada no Colégio Pio Brasileiro. “As cotações prévias foram todas para o espaço”, afirmou dom Odilo, dizendo que, segundo a crença, há outros elementos envolvidos na escolha de um novo Papa. “Há de se aprender que a Igreja não é só feita de cálculos humanos. De fato, o Espírito Santo orienta a Igreja.”

Questionado sobre a possível pressão sentida por ter sido considerado um dos favoritos para ser o novo Papa, dom Odilo disse ter enfrentado tudo com muita tranquilidade. “Tenho os pés muito no chão, sabendo que havia muitas outras pessoas com muitas possibilidades.”

Ele afirmou não ter pensado que poderia vencer. “Depois de ter rezado, se colocado diante da possibilidade de ser eleito, ficaria difícil dizer não. Mas nunca pensei que viesse a acontecer”, disse. “Ser Papa não é uma honra simplesmente, não é um poder. É um serviço muito grande. Quem é eleito Papa sente esse peso.”

Após a eleição e dos ritos formais feitos, todos os cardeais saudaram pessoalmente o Papa. “O saudei, lhe dei os parabéns, pedi que Deus o abençoasse. Lembrei da Jornada Mundial da Juventude, que ele irá ao Brasil em julho. Depende dele confirmar, com certeza o fará”, disse dom Odilo.

O arcebispo de São Paulo revelou que visitou o túmulo de São Francisco de Assis, no domingo anterior ao conclave. Chegando lá, ele encontrou o cardeal arcebispo de Viena, Christoph Schönborn. “Mas um dominicano num lugar tão franciscano!”, comentou o brasileiro na ocasião. O colega disse que seria bom que a Igreja tivesse um Papa com espírito franciscano. “É um sinal para o que a Igreja quer e precisa fazer”, afirmou Odilo na entrevista coletiva. “Não se fazem saltos mortais na Igreja, mas existe uma continuidade.”

Também dom Geraldo revelou que foi a Assis no período pré-conclave. “Rezei naquela hora para que o Papa pudesse realmente ser o que fizesse as vezes de São Francisco”, afirmou. “Ele [Bergoglio] foi chamado e não teve nenhuma dificuldade de ser aclamado. Ele tem 76 anos, mas pode em pouco tempo fazer muito. O testemunho dele vai ser muito importante para o mundo, vai chamar a atenção do mundo. Vamos rezar para que ele seja feliz e, sendo feliz, faça a Igreja feliz”, disse.

Para dom Geraldo, a escolha não foi surpreendente. “Não foi uma grande surpresa no sentido de que ele não pudesse ser o possível candidato”, disse. “É um grande dom de Deus para a Igreja, para o mundo, um homem que tem um testemunho de vida. Ele vive o nome Francisco, é diferente dos outros”, afirmou. “Agradeço a Deus por um grande final.”

Já Dom Raymundo, que abriu a coletiva, disse que houve surpresa. “Não preciso dizer para vocês que foi uma surpresa para todos nós”, afirmou. Os cardeais também contaram que, ainda na noite de quarta (13), após anúncio do pontífice, o Papa Francisco falou que precisaria ir nesta quinta-feira à Casa Internacional do Clero em Roma, onde estava hospedado antes do conclave, para pagar a conta e pegar suas coisas. Dom Raymundo foi informado de que o Papa foi mesmo à Casa nesta quinta, e insistiu para pagar sua hospedagem.

Depois da apresentação pública do novo Papa aos fiéis, os cardeais e o pontífice fizeram uma confraternização na Casa Santa Marta. “Foi muito fraterna, com um cardápio semelhante ao dos dias do conclave. Mas não poderia deixar de ter uma champanhe para comemorar”, disse dom Raymundo.

“Depois da solenidade de apresentação, para voltar para a Casa Santa Marta, como protocolo ofereceram o carro oficial do Papa. Mas ele recusou e quis voltar como foi: no ônibus junto com os outros cardeais”, disse dom Odilo.

Os cardeais foram questionados sobre a rivalidade entre Brasil e Argentina, muito presente em diversos temas. “A disputa é mais no campo do futebol, entre o Maradona e o Pelé. No campo religioso não há isso, se trata da mesma Igreja”, disse dom Raymundo. “Como os argentinos são chamados no Brasil? De hermanos. Somos povos irmãos, nos sentimos assim”, completou dom Odilo.

Os cardeais também foram questionados sobre o papel da nova evangelização no novo pontificado e como o Papa Francisco deve direcioná-la. “Ela já foi uma das ênfases no pontificado de João Paulo II e Bento XVI. E na América Latina é fundamental. Esse objetivo de ir ao encontro dos mais afastados, distantes, esquecidos. A Igreja é chamada a ir ao encontro das pessoas, ficando em estado permanente de missão”, disse dom Raymundo.

Dom Odilo afirmou que dentro do conclave, em nenhum momento foi possível ver possíveis divisões dos cardeais ou identificar partidos. “Não existe direita e esquerda, não percebi. Foi um clima muito bonito, de grande responsabilidade e serenidade.”

“Era um ambiente muito especial, com um grupo bastante reduzido em relação ao número de católicos do mundo, mas 115 cardeais de todo o mundo. Transcorreu num clima de muita abertura, liberdade, fraternidade. É uma instância na qual a gente não sente pressão. Se sente totalmente livre, e isso é muito importante. E o ambiente é um dos mais belos em termos de arte no mundo, a Capela Sistina”, disse dom Raymundo. E completou: “O nome do novo Papa é uma mensagem de abertura ao mundo, de diálogo com o mundo, simplicidade, pobreza, solidariedade com os mais simples.”

O novo Papa tem 76 anos, o que surpreendeu algumas pessoas – muitos imaginavam que o escolhido seria mais jovem, para ter um pontificado mais longo que o de Bento XVI. Segundo Dom Geraldo, a idade não influenciou a escolha. “Havia vários [cardeais] com 60 anos, mas isso não pesou. Não foi uma surpresa a idade. O Espírito Santo sopra onde quer. Esse é um sinal para o mundo, sobretudo aos que mais sofrem.”

Ele também afirmou que os recentes escândalos de abusos sexuais no clero e de fraudes no Banco do Vaticano não tiveram peso dentro do conclave. “Em absoluto, não pesaram, ninguém teve preocupação com isso. Estamos preocupados com a Justiça, o Papa tem que defender a Justiça, os mais sofridos.”

Os cardeais foram questionados algumas vezes durante a coletiva sobre uma possível influência do conclave passado. À época, foi dito que o então cardeal Bergoglio renunciou aos votos recebidos no conclave em favor de Ratzinger, que foi eleito o Papa Bento XVI. Foi questionado se essa atitude o teria beneficiado agora. Os cardeais disseram não saber da veracidade dessa informação.

“Ninguém sabe se isso é verdade. Só dom Geraldo, que estava lá, mas ele não pode falar”, disse dom Odilo, sendo recebido por risadas dos presentes. Dom Geraldo era o único dos cardeais que deu entrevista que participou do conclave de 2005.

Confira a biografia de Francisco I, o novo papa

Francisco113032013O cardeal argentino e arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, de 76 nos, foi eleito o novo pontífice da Igreja Católica Apostólica Roma. A fumaça branca saiu da chaminé da Capela Sistina, às 15h05, no Brasil (horário de Brasília), 19h05, em Roma. O novo Pontífice se apresentou ao mundo, às 16h22 e convidou todo o povo para rezar em intenção ao Papa Emérito, Bento XVI. O anúncio “Habemus Papam” foi pronunciado pelo cardeal diácono mais velho, 70 anos, Jean-Louis Tauran.

Confira a biografia do Papa Francisco:

Data de nascimento. Nasceu em Buenos Aires em 17 de dezembro de 1936.

Educação. Estudou e se diplomou como técnico químico, mas ao decidir-se pelo sacerdócio ingressou no seminário de Villa Devoto. Em 11 de março de 1958 passou ao noviciado da Companhia de Jesus, estudou humanas no Chile, e em 1960, de retorno a Buenos Aires, obteve a licenciatura em Filosofia no Colégio Máximo São José, na localidade de San Miguel. Entre 1964 e 1965 foi professor de Literatura e Psicologia no Colégio da Imaculada da Santa Fé, e em 1966 ditou iguais matérias no Colégio do Salvador de Buenos Aires. Desde 1967 a 1970 cursou Teologia no Colégio Máximo de San Miguel, cuja licenciatura obteve.

Sacerdócio. Em 13 de dezembro de 1969 foi ordenado sacerdote. Em 1971 fez a terceira
aprovação em Alcalá de Henares (Espanha), e em 22 de abril de 1973, sua profissão perpétua. Foi professor de noviços na residência Villa Barilari, de San Miguel (anos 1972/73), professor na Faculdade de Teologia e Consultor da Província e reitor do Colégio Máximo. Em 31 de julho de 1973 foi eleito provincial da Argentina, cargo que exerceu durante seis anos. Esteve na Alemanha, e ao voltar, o superior o destinou ao Colégio de Salvador, de onde passou à igreja da Companhia, da cidade de Córdoba, como diretor espiritual e confessor. Entre 1980 e 1986 foi reitor do Colégio Máximo de San Miguel e das Faculdades de Filosofia e Teologia da mesma Casa.

Episcopado. Em 20 de maio de 1992, João Paulo II o designou bispo titular da Auca e auxiliar de Buenos Aires. Em 27 de junho do mesmo ano recebeu na Catedral primaz a ordenação episcopal, e foi promovido a arcebispo auxiliar de Buenos Aires em 3 de junho de 1998. De tal sé arcebispal é titular desde em 28 de fevereiro de 1998, quando se converteu no primeiro jesuíta que chegou a ser primaz da Argentina.
É Ordinário para os fiéis de rito oriental residentes na Argentina e que não contam com Ordinário de seu próprio rito. Na Conferência Episcopal Argentina é vice-presidente; e como membro da Comissão Executiva é membro da Comissão Permanente representando à Província Eclesiástica de Buenos Aires. Integra, além disso, as comissões episcopais de Educação Católica e da Universidade Católica Argentina, da que é Grande Chanceler. Na Santa Sé, forma parte da Congregação para o Culto Divino e a disciplina dos Sacramentos, e da Congregação para o Clero.

Cardinalato: Criado cardeal presbítero em 21 de fevereiro do 2001; recebeu a barrete vermelha e o título de São Roberto Belarmino.

Papa Francisco

francisco

Jorge Mario Bergoglio SJ (Buenos Aires, 17 de dezembro de 1936) é um religioso da Companhia de Jesus, papa, bispo católico, cardeal, é o arcebispo da Arquidiocese de Buenos Aires desde 28 de fevereiro de 1998.

Recebeu a ordenação presbiteral no dia 13 de dezembro de 1969, pelas mãos de Dom Ramón José Castellano. Foi ordenado bispo no dia 27 de junho de 1992, pelas mãos de Antonio Quarracino, Dom Mario José Serra e Dom Eduardo Vicente Mirás.

Foi criado cardeal no consistório de 21 de fevereiro de 2001, presidido por João Paulo II, recebendo o título de cardeal-presbítero de São Roberto Bellarmino.

Foi escolhido Papa no dia 13 de março de 2013.

Aberto o Conclave

by G. M. Ferretti

3Cidade do Vaticano (RV) – Com a Missa Pro Eligendo Pontefice, abriu-se nesta terça-feira, 12, o Conclave para a eleição do novo Papa. Desde as 7h (3h de Brasília), os 115 cardeais eleitores começaram a se acomodar na Casa Santa Marta, dentro do Vaticano, onde ficarão hospedados durante toda a duração das votações. Cada um terá seu quarto – os aposentos foram definidos por sorteio.

A cerimônia foi aberta a todos que conseguiram lugar, presidida pelo cardeal decano, o italiano Angelo Sodano, e concelebrada por todos os demais cardeais, não apenas os votantes.

No primeiro dia de conclave, está prevista apenas uma votação. Segundo a Sala de Imprensa da Santa Sé, os cardeais devem seguir às 15h45 (11h45 no horário de Brasília) para o palácio apostólico.

Depois, às 16h20 (12h20 em Brasília), seguirão em procissão da Capela Paulina para a Capela Sistina. O rito será transmitido ao vivo pela Rádio Vaticano, com comentários em português.

Os cardeais entram na capela, ocupam seus lugares e fazem o juramento previsto na Constituição Apostólica. O Cardeal Giovanni Batista Re, decano do conclave (por ser o mais idoso dos cardeais-bispos) fará uma introdução em latim.

Depois, cada um dos cardeais vai ao centro da capela, e com a mão sobre o Evangelho, profere o juramento, também em latim.

Então, a capela é fechada pelo Mestre das Celebrações Pontifícias, Mons. Guido Marini, que intima “Extra omnes”. Antes de todos os que não participam do conclave deixarem a Capela Sistina, o Cardeal Prosper Grech, 87 anos, maltês, propõe a última meditação aos cardeais eleitores. Em seguida, começam as votações.

O cronograma prevê que a operação termine às 19h15 (15h15 em Brasília) e retornem para a Casa Santa Marta às 19h30 (15h30 em Brasília). Às 20h (16h em Brasília), será servido o jantar.

Padre Lombardi, Diretor da Sala de Imprensa, disse que “dificilmente” o nome do novo Papa deve sair na primeira votação, nesta tarde.

A partir de quarta-feira, 13, serão feitas duas votações pela manhã e duas à tarde, até um dos candidatos receber mais de dois terços dos votos. As cédulas serão queimadas apenas uma vez por período e a previsão é que a fumaça seja expelida pela chaminé da Capela Sistina às 12h e às 19h (8h e 15h em Brasília).

Brasileiros

Cinco cardeais brasileiros participam do conclave: o arcebispo emérito de São Paulo, Dom Cláudio Hummes, 78 anos, o Prefeito emérito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada, Dom João Braz de Aviz, 65, o arcebispo de São Paulo, Dom Odilo Pedro Scherer, 63, Dom Geraldo Majella Agnelo, cardeal arcebispo emérito de Salvador, e o arcebispo de Aparecida e Presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Dom Raymundo Damasceno Assis.

Igreja na Venezuela pede pela unidade após morte de Hugo Chávez

(ACI).- O Secretário Geral da Conferência Episcopal da Venezuela, Dom Jesús González del Zarate, fez um chamado à unidade nacional logo do falecimento do presidente Hugo Chávez. O vice-presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, anunciou esta tarde que a morte do líder venezuelano de 58 anos, por causa de um câncer, produziu-se no Hospital Militar de Caracas às 4.25 p.m.

O também Bispo Auxiliar de Caracas fez um chamado à “unidade nacional” para confrontar o “fato doloroso” do falecimento do mandatário. “Neste momento todos ponhamos nossos melhores sentimentos”, disse o Prelado em declarações telefônicas ao programa televisivo Alô Cidadão, do canal privado Globovisión.

O Bispo recordou logo que “a morte não é o final de nossa vida, a morte abre o passo à vida plenamente feliz, ao lado de Deus, nosso Pai”.

Em diversas ocasiões os bispos da Venezuela tinham pedid à populaçãoorações pela saúde do mandatário.

Ao início da Quaresma, em fevereiro, o arcebispo de Caracas e primaz da Venezuela, Cardeal Jorge Urosa Savino, alentou os fiéis a rezarem pela recuperação de Chávez.

“Deus quer que nossa oração seja mais viva e para este ano a Igreja propõe ler a Palavra de Deus. Mas além disso devemos comparecer à Santa Missaque é o anúncio da Ressurreição gloriosa de Jesus Cristo”, disse o Cardeal na oportunidade.

Em janeiro deste ano, através de um comunicado assinado pelo Arcebispo de Cumaná e Presidente da Conferência Episcopal Venezuelana, os prelados destacaram os sentimentos de solidariedade para com Hugo Chávez até mesmo de seus rivais políticos.

“Foi bonito ver como os partidários e os adversários do presidente coincidiram em apresentar orações e oferendas a Deus por sua pronta recuperação e volta (ainda estava em Cuba), como aquilo que mais convém ao país”.

Chávez este hospitalizado desde junho de 2011 em Havana (Cuba) em diversas ocasiões e o estado de sua saúde não era conhecido com precisão devido ao hermetismo das autoridades venezuelanas.

O exército da Venezuela se desdobrou em diversos lugares do país para manter a ordem logo do falecimento do Chávez.

A Constituição venezuelana prevê que agora deverá assumir provisoriamente o mando do país o presidente do Parlamento, Diosdado Cabello, até a convocatória de novas eleições.

Cardeais enviam mensagem ao Papa Emérito

telegramapapaAo fim da Congregação Geral desta terça-feira, os Cardeais enviaram um telegrama ao Papa emérito, assinado pelo Cardeal decano Angelo Sodano.

A seguir, a íntegra da mensagem:

“Os Padres Cardeais reunidos no Vaticano para as Congregações gerais em vista do próximo Conclave enviam a Sua Santidade uma uníssona saudação com a expressão da renovada gratidão por todo o luminoso ministério petrino de Sua Santidade e pelo exemplo dado de uma generosa solicitude pastoral para o bem da Igreja e do mundo.

A gratidão dos Cardeais quer representar o reconhecimento de toda a Igreja pelo incansável trabalho de Sua Santidade na vinha do Senhor.

Os membros do Colégio Cardinalício confiam, enfim, nas orações de Sua Santidade pelos cardeais, assim como por toda a Santa Igreja”.

Vatileaks terão peso irrelevante no Conclave, assegura Cardeal eleitor

Cardeal Carlos Amigo

(ACI).- O Arcebispo Emérito de Sevilha (Espanha), Cardeal Carlos Amigo Vallejo, afirmou que o caso vatileaks, no que se filtrou informação confidencial dirigida ao agora Papa Emérito Bento XVI, terá um peso “irrelevante” no próximo Conclave para a eleição do sucessor de Pedro.

Na manhã de ontem, ao chegar ao Vaticano para participar da primeira Congregação de Cardeais, o Cardeal Amigo, de 78 anos, indicou que na Igreja”como é normal entre seres humanos”, existem “critérios diferentes” sobre diversos temas, mas descartou que haja “enfrentamentos” entre facções de Cardeais, como sugere a imprensa secular.

“A Igreja está unida e isso é o que importa”, remarcou.

Ao ser consultado pela imprensa, o Cardeal Amigo, um dos cinco Cardeais espanhóis que participarão do próximo Conclave, questionou “que segredos de Estado desvelou?” o caso vatileaks, e assegurou que a Igreja agora tem que enfrentar desafios maiores.

O Arcebispo emérito assegurou também que mais importante que a idade do próximo Papa é que seja “um pastor”.

MULHERES DE FÉ: Dra. Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança

A grande mulher de fé de hoje é a Dra. Zilda Arns, fundadora da Pastoral da Criança e também da Pastoral do Idoso. Em uma missão de ajuda humanitária no Haiti, Zilda Arns morreu quando um grande terremoto atingiu o pais. O legado de fé e de imitação de Cristo foi grande. Ela soube como ninguém exercer a caridade, dando o peixe ensinando a pescar. Zilda compreendeu também de forma generosa a fala de Cristo ao dizer que “quem quiser ser o primeiro, que seja o último e aquele que serve a todos”.

Veja a biografia da Dra. Zilda Arns Neumann 

Dra. Zilda Arns Neumann, 75 anos, é médica pediatra e sanitarista, fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, fundadora e coordenadora nacional da Pastoral da Pessoa Idosa, organismos de ação social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Dra. Zilda Arns também é representante titular da CNBB, do Conselho Nacional de Saúde e membro do Conselho Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES).

Nascida em Forquilhinha (SC), reside em Curitiba (PR), é mãe de cinco filhos e avó de dez netos. Escolheu a medicina como missão e enveredou pelos caminhos da saúde pública. Sua prática diária como médica pediatra do Hospital de Crianças Cezar Pernetta, em Curitiba (PR), e posteriormente como diretora de Saúde Materno-Infantil, da Secretaria de Saúde do Estado do Paraná, teve como suporte teórico diversas especializações como Saúde Pública, pela Universidade de São Paulo (USP) e Administração de Programas de Saúde Materno-Infantil, pela Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS/OMS). Sua experiência fez com que, em 1980, fosse convidada a coordenar a campanha de vacinação Sabin para combater a primeira epidemia de poliomielite, que começou em União da Vitória (PR), criando um método próprio, depois adotado pelo Ministério da Saúde.

Em 1983, a pedido da CNBB, a Dra. Zilda Arns cria a Pastoral da Criança juntamente com Dom Geraldo Majela Agnello, Cardeal Arcebispo Primaz de São Salvador da Bahia, que na época era Arcebispo de Londrina. Foi então que desenvolveu a metodologia comunitária de multiplicação do conhecimento e da solidariedade entre as famílias mais pobres, baseando-se no milagre da multiplicação dos dois peixes e cinco pães que saciaram cinco mil pessoas, como narra o Evangelho de São João (Jo 6, 1-15). A educação das mães por líderes comunitários capacitados revelou-se a melhor forma de combater a maior parte das doenças facilmente preveníveis e a marginalidade das crianças. Após 25 anos, a Pastoral acompanha mais de 1,9 milhões de gestantes e crianças menores seis anos e 1,4 milhão de famílias pobres, em 4.063 municípios brasileiros. Seus mais de 260 mil voluntários levam fé e vida, em forma de solidariedade e conhecimentos sobre saúde, nutrição, educação e cidadania para as comunidades mais pobres.

Em 2004, a Dra. Zilda Arns recebeu da CNBB outra missão semelhante, fundar, organizar e coordenar a Pastoral da Pessoa Idosa. Atualmente mais de 129 mil idosos são acompanhados todos os meses por 14 mil voluntários.

Pelo seu trabalho na área social, Dra. Zilda Arns recebeu condecorações tais como: Woodrow Wilson, da Woodrow Wilson Fundation, em 2007; o Opus Prize, da Opus Prize Foundation (EUA), pelo inovador programa de saúde pública que ajuda a milhares de famílias carentes, em 2006; Heroína da Saúde Pública das Américas (OPAS/2002); 1º Prêmio Direitos Humanos (USP/2000); Personalidade Brasileira de Destaque no Trabalho em Prol da Saúde da Criança (Unicef/1988); Prêmio Humanitário (Lions Club Internacional/1997); Prêmio Internacional em Administração Sanitária (OPAS/ 1994); títulos de Doutor Honoris Causa das Universidades: Pontifícia Universidade Católica do Paraná, Universidade Federal do Paraná, Universidade do Extremo-Sul Catarinente de Criciúma, Universidade Federal de Santa Catarina e Universidade do Sul de Santa Catarina. Dra. Zilda é Cidadã Honorária de 10 estados e 35 municípios; e foi homenageada por diversas outras Instituições, Universidades, Governos e Empresas.

Acesse também

Pastoral da Criança

Pastoral da Pessoa Idosa

Discurso de Zilda Arns

Cardeal Sodano, Decano do Colégio Cardinalício, convocou os Cardeais para a primeira congregação de dia 4 de Março

Ouça aqui… RealAudioMP3 

O Cardeal Ângelo Sodano, Decano do Colégio Cardinalício acaba de convocar os cardeais para a 1ª Congregação Geral em conformidade com a Constituição Apostólica Universi Dominici Gregis. Esta 1ª Congregação terá lugar no dia 4 de Março pelas 9.30h na Aula Paolo VI na Sala do Sinodo dos Bispos, estando também prevista uma 2ª Congregação para o mesmo dia marcada para as 17h. Durante a próxima semana será marcada a data de início do Conclave.

A partir do dia de hoje, 1 de Março, os Cardeais que já estão no Vaticano podem começar a falar uns com os outros, a fazer reflexões privadas, pessoais, para se prepararem para o Conclave. Irão para a Casa Santa Marta nas vésperas do Conclave, talvez no dia anterior. Contudo, estão ainda a decorrer algumas obras de adaptação. A atribuição dos quartos na Casa Santa Marta deverá ser sorteada entre os cardeais.

Fim do mundo? A Profecia de São Malaquias

Sao_MalaquiasCatólico Por que – A profecia atribuída a São Malaquias, bispo de Armagh (Irlanda) no século XII, não era conhecida até 1595. Os pesquisadores chegaram à conclusão de que foi forjada por interessados políticos que queriam colocar sobre a Cátedra de Pedro o Cardeal Simoncelli de Orvieto precisamente “indicado pelo Espírito Santo” mediante o dístico “De antiquitate urbis”. A falsidade da profecia logo se evidenciou, pois foi eleito Papa não Simoncelli mas o Cardeal Sfondrate. Tal profecia é um instrumento da desonestidade política e não merece crédito.

* * *

A eleição do Papa Bento XVI deu ocasião a que os meios de comunicação trouxessem à tona a Profecia de São Malaquias, que prevê o fim do mundo para os próximos anos, sendo o último Papa Pedro II. Torna-se assim oportuno estudar esta matéria.

1. O conteúdo da Profecia

São Malaquias de Armagh (distinga-se do profeta Malaquias, do Antigo Testamento) nasceu na Irlanda em 1095 aproximadamente. Fez-se monge do mosteiro de Bangor (Irlanda). Ordenado sacerdote aos 25 anos empenhou-se na renovação da vida monástica, começando pelo mosteiro de Bangor, sob a orientação do arcebispo Celso, primaz da Irlanda. Feito bispo de Connor, tornou-se depois arcebispo de Armagh. Interessado na restauração dos mosteiros, era grande amigo de S. Bernardo, seu contemporâneo. Morreu na França em 1148, quando viajava para se encontrar com o Papa Eugênio III.

Deixou fama de santidade e foi muito estimado pelas gerações seguintes, de modo que, após o devido processo, o Papa Clemente III o canonizou em 1190.

A esse Santo atribui-se a famosa “Profecia dos Papas”, que terá sido escrita em 1139, quando Malaquias passou um mês em Roma. Consta de 111 (segundo outros, 113) dísticos latinos, que tentam caracterizar a figura de cada Pontífice desde Celestino II (1143-1144) até Pedro II, que deverá presenciar o fim do mundo.

Esse texto, embora seja atribuido a um autor do século XII, só se tornou de conhecimento público em 1595, quando o beneditino belga Arnoldo de Wyon o inseriu no seu opúsculo “Lignum Vitae, ornamentum et decus Eccleslae” (=”Lenho da Vida, ornamento e glória da Igreja); nessa obra, dividida em cinco tomos, Wyon enumera os monges beneditinos que ilustraram a sua Ordem, entre os quais é apresentado S. Malaquias, monge de Bangor tido como profeta.

Os 74 primeiros dísticos da lista dos Papas, no “Lignum Vitae”, são acompanhados de breve comentário, da autoría do historiador espanhol Afonso Chacón, dominicano, falecido após 1601. O comentário aplica os dizeres da Profecia aos 74 Papas que governaram desde Celestino II (+1144), um dos contemporâneos de S. Malaquias, até Urbano VIII (+1590); mostra como o conteúdo de cada oráculo se cumpriu adequadamente na figura do Pontífice ao qual é referido. Eis, por exemplo, os dísticos 3 a 7 da série:

3. Ex magnitudine montis – Eugenius III – Patria Ethruscus oppido Montis Magni
4. Abbas Suburranus – Anastasius IV – De familia Suburra
5. De rure albo – Adrianos IV – Vilis natus in oppido Sanct Albani
6. Ex tetro carcere – Victor IV – Fuit Cardinalis S. Nicolai in carcere
7. Via Transtiberina – Callistus III – Guido Cremensis Cardinalis S. Mariae Transtiberim

O que quer dizer:

3. Da grandeza do monte – Eugênio III – De origem etrusca em cidade do Monte Grande
4. Abade Suburrano – Anastácio IV – Da familia Suburra
5. Do campo branco – Adriano IV – Nasceu pobre na cidade de S. Albano
6. Do cárcere escuro – Vítor IV – Foi Cardeal de S. Nicolau no cárcere de Túlio
7. Via além do Tibre – Calisto III – Gui de Cremo, Cardeal de Sta. Maria Além do Tibre

O comentário de Chacón, indicando quando (na História) começa a série dos Papas da lista, permite calcular aproximadamente a época em que se dará o fim do Papado e a segunda vinda do Senhor; assim contam-se 38 Pontífices desde Urbano VII (+1590) até o fim do mundo; João Paulo II (De labore Solis, do sofrimento do Sol) teria ainda três sucessores; o último, Pedro II, veria, com a geração dos seus contemporâneos, a consumação da História.

papas

Eis os últimos dísticos da lista:

“101. Crux de cruce (Cruz da cruz) – Pio IX (1846-1878)
102. Lumen in caelo (Luz no céu) – Leão XIII (1878-1903)
103. Ignis ardens (Fogo ardente) – Pio X (1903-14)
104. Religio depopulata (Religião devastada) – Bento XV (1914-22)
105. Fides intrepida (Fé intrépida) – Pio XI (1922-1939)
106. Pastor Angelicus (Pastor angélico) – Pio XII (1939-58)
107. Pastor et Nauta (Pastor e Navegante) – João XXIII (1958-63)
108. Flos Florum (Flor das Flores) – Paulo VI (1963-78)
109. De Medietate Lunae (da Lua crescente ou da meia-lua) – João Paulo I (1978)
110. De Labore Solis (Do sofrimento do Sol) – João Paulo II (1978-2005)
111. Gloria olivae (Glória da Oliveira) – Bento XVI (2005-…)
112. In persecutione extrema S. R. E. sedebit (Governará durante extrema perseguição da Santa Igreja Romana)
113. Petrus Romanus, qui pascet oves in multis tribulationibus; quibus transactis, civitas septicollis diruetur, et ludex tremendus iudicabit populum. Finis (Pedro Romano, que apascentará as ovelhas em meio a muitas tribulações. Passadas estas, será destruida a cidade das sete colinas e o tremendo Juiz julgará o seu povo. Fim)”.

Trata-se agora de examinar que valor se deve atribuir a tal Lista de Papas.

2. A autoridade da Profecia

Como se compreende, há quem defenda a credibilidade da lista dos Papas, como também há quem a recuse. Examinemos uma e outra sentença.

2.1. O “Sim” à Profecia

A “Profecia de Malaquias”, logo depois de divulgada em 1595, obteve sucesso considerável. É inegável que os dísticos interpretados por Chacón se aplicam bem aos Papas desde Celestino II até Urbano VII. Eis alguns exemplos mais frisantes:

– “Avis Ostiensis” (Ave de Óstia) convém adequadamente a Gregório IX (1227-41), que foi Cardeal-bispo de Óstia e tinha uma águia em seu brasão;

– “De parvo homine” (Do homem pequeno) corresponde a Pio III (+1503), que se chamava Francisco Piccolomini (=Pequeno homem);

– “Jerusalem Campaniae” (Jerusalém da Campanha) designa bem Urbano IV (1261-64), nascido em Troyes (Champanha) e Patriarca de Jerusalém.

De Urbano VII (+1590) em diante, Chacón não interpretou mais os oráculos. Muitos historiadores, porém, julgam que continuam a quadrar bem com as figuras dos Pontífices que se têm assentado sobre a cátedra de Pedro.

Assim, para tomar exemplos recentes, indicar-se-iam:

– “Crux de cruce” (Cruz oriunda da cruz), dístico que designa Pio IX (1846-78) com acerto, pois este Pontífice sofreu duros golpes da parte da Casa de Savóia, em cujo emblema figurava uma cruz;

– “Religio depopulata” (Religião devastada) é dístico bem adaptado a Bento XV (1914-22), que durante o seu pontificado assistiu a Primeira Guerra Mundial;

– “Fides intrépida” (Fé intrépida) corresponde a Pio XI (1922-39), Pontífice das missões e defensor da verdade contra as modernas teorias sociais e políticas;

– “Pastor et Nauta” (Pastor e Navegante) parece caracterizar bem o Papa João XXIII, ex-Patriarca de Veneza, cidade das gôndolas, reconhecido por sua ardente têmpera de Pastor de almas… Mas inegavelmente este dístico caracteriza ainda melhor os Papas seguintes: Paulo VI e principalmente João Paulo II, que percorreram todos os continentes da Terra em suas viagens apostólicas.

Admitida a veracidade da Profecia na base das observações acima, julgam alguns autores que o fim do mundo não está longe, pois só deverá haver dois Papas até a segunda vinda de Cristo.

Procurando interpretar os dísticos acima, há quem queira prever a história dos tempos finais nos seguintes termos:

– As divisas “Pastor Angelicus” (Pio XII), “Pastor et Nauta” (João XXIII) e “Flos florum” indicam um período de grande paz e bonança para a religião (foram mesmo os tempos de Pio XII, João XXIII e Paulo VI?). Santidade angélica deve florescer no Pastor e nas ovelhas da Igreja; o Pastor, sendo navegante, gozará de grande prestígio no mundo inteiro e empreenderá viagens intercontinentais a fim de confirmar a pregação do Evangelho em toda parte.

– As três últimas divisas insinuam os acontecimentos que deverão preceder imediatamente a manifestação do Anticristo: flagelos, como uma calamitosa expansão do Islamismo (“Lua crescente”), penas e fadigas sobre os filhos da luz (“Sol”); além disto, a almejada conversão dos judeus a Cristo (a oliveira simboliza o povo judaico em Romanos 11,17-29). Depois disto, sob o Papa Pedro II, Cristo aparecerá como Juiz Universal…

Que dizer dessas conjeturas?

Carecem de autoridade. Usando de toda a objetividade, bons críticos modernos não hesitam em rejeitar a autenticidade da Profecia de S. Malaquias.

2.2. A recusa da autenticidade

Quem primeiramente impugnou o valor das Profecias, apelando para argumentos ainda hoje plenamente válidos, foi o Pe. Ménestrier S.J., no seu livro “Réfutation des Prophéties faussement attribuées á S. Malachie sur les élections des Papes” (Paris, 1689). Eis as principais razões desde então aduzidas contra a genuinidade das profecias:

1) durante cerca de 450 anos, isto é, desde S. Malaquias (+1148) até o opúsculo “Lignum Vitae” (1595), jamais autor algum fez alusão aos oráculos de S. Malaquias; nem os historiadores medievais e renascentistas, ao escrever a Vida dos Papas, mencionam tal documento, que certamente deveria ser citado, caso fosse conhecido. E por que motivo, em que circunstancias, teria este caído nas mãos de Chacón, seu comentador, após 450 anos de ocultamento? E como de Chacón terá sido transmitido a Wyon, que o editou pela primeira vez?

2) Ao argumento do silêncio associa-se a verificação de falhas históricas e teológicas na Profecia de Malaquias. De fato, na lista dos Papas figuram antipapas (como Vítor IV, 1159-64; Nicolau V, 1328-30; Clemente VII, 1378-94), efeito este que dificilmente se poderia atribuir à inspiração divina. A finalidade mesma da Profecia (insinuar a época do fim do mundo) parece contrariar a intenção de Cristo, que em mais de uma ocasião se negou a revelar aos homens a data do juízo final (cf. Marcos 13,32; Atos 1,7). Além disto, a aplicação dos dísticos aos respectivos Papas baseia-se em notas por vezes acidentais na figura dos respectivos Pontífices, o que lhe dá um cunho de arbitrário; assim Nicolau V (legítimo Papa de 1447 a 1455) traz a divisa “De modicitate Lunae” (Da pequenez da Lua) por ter nascido de familia modesta no lugar chamado Lunegiana; Pio II (1458-1464) é assinalado “De capra et albergo” (Da cabra e do albergue) por haver sido secretário dos Cardeais Capranica e Albergati!

Positivamente, podem-se indicar as circunstancias que deram ocasião à falsificação: observe-se, antes do mais, que as divisas dos Papas até 1590 aludem todas a traços concretos e particulares de cada Pontífice: lugar e família de origem, cargos exercidos antes da eleição, figuras dos brasões, etc. De 1590 em diante, porém, os oráculos referem apenas qualidades morais, cuja aplicação é assaz vaga, podendo convir a mais de um Pontífice; assim “Vir religiosus” (Varão religioso), “Ignis ardens” (Fogo ardente), “Fides intrepida” (Fé intrépida); qual Papa não merecería estes qualificativos, caso não fosse de todo indigno?

Observada esta diferença, julgam alguns críticos que a “Profecía de S. Malaquias” foi forjada justamente nesse ano de 1590, quando o falsificador já conhecia parte da história dos Papas que ele havia de caracterizar, ficando-lhe desconhecida a outra parte (a do futuro). O ensejo para se inventar a “Profecia” terá sido o conclave de 1590, após a morte de Urbano VII; o certame foi árduo, durante um mês e 19 dias. Entre os Prelados mais em vista, achava-se o Cardeal Simoncelli, cidadão de Orvieto e antigo bispo desta cidade; ora, pensa-se que os amigos de Simoncelli pretenderam favorecer a eleição deste candidato apresentando aos interessados uma lista “profética” de Papas em que o sufragado pelo Espirito Santo após o Pontífice Urbano VII era o Papa “De antiquitate urbis” (Da antiguidade da cidade), isto é, o Papa de Orvieto (=”Urbs vetus” =”cidade antiga”); em vista disto, terão forjado uma série de dísticos papais condizentes com a realidade desde Celestino II (no séc. XII), mas assaz arbitrária após Urbano VII. Essa lista, com a qual os mistificadores quiseram associar até mesmo o nome abalizado de S. Malaquias, não logrou o desejado efeito, pois na verdade quem saiu eleito do conclave foi o Cardeal Sfondrate, arcebispo de Milão, que tomou o nome de Gregório XIV…

É esta uma das explicações mais correntes dos motivos que terão inspirado a pseudo-profecia de S. Malaquias!

Ménestrier, na obra referida, cita outro caso semelhante de recurso à “autoridade divina” para decidir a eleição de um Papa. Após a morte de Clemente IX (1669), alguns adeptos do candidato Cardeal Bona, lembrando-se do texto de Eclesiástico 15,1: “Qui timet Deum, faciet bona” (Quem teme a Deus, fará obras boas [Bona]), espalharam o seguinte trocadilho: “Grammaticae leges plerumque Ecclesia spernit: Esset Papa bonus si Bona Papa foret” (=”As leis da gramática, geralmente a Igreja as despreza: Haveria um bom Papa, se Bona Papa fosse”).

Diante dessas observações da crítica abalizada, vê-se que vão seria evocar a “Profecia” de S. Malaquias, seja para ilustrar a história do Papado, seja para prever o decurso dos futuros tempos ou mesmo a época da segunda vinda de Cristo!

3. Magistério da Igreja e profecias

No século XV e no sécuto XVI (quando foi redigida a “Profecia de S. Malaquias”) grande número de “profetas” se apresentavam ao público, predizendo o fim do mundo; diziam ter visões, sobre as quais pregavam em altas vozes. Tal foi o caso, por exemplo, de Pedro Boaventura, eremita não sacerdote, que afirmava ser ele mesmo o “Papa angélico”, salvador do mundo; anatematizava o Papa de Roma e os Cardeais, declarando que os fiéis deviam separar-se de Roma para salvar-se e dirigia cartas aos reis pedindo que o ajudassem. Seguiram-no 20.000 partidários. Outros pregadores na época diziam falar em nome de Deus, anunciando o fim do mundo e iminentes flagelos para a Igreja e o Pontífice Romano.

Lutero (+1546) também se apresentava como salvador da Igreja, embora não tivesse a pretensão de ser Papa.

Diante de tais mensagens tomaram posição os Concílios de Latrão V (1516-17) e de Trento (1543-65). Aos 19.12.1516, o de Latrão, presidido pelo Papa Leão X, promulgou um decreto importante: após recordar que existe na Igreja o carisma da profecia concedido pelo Espirito Santo, chamou a atenção para o perigo de se crer, sem discernimento, em tudo o que seja extraordinário; em consequência, o Concilio reservou à Santa Sé a tarefa de aprovar ou não revelações particulares antes que fossem dadas a público. De modo especial, proibiu o anúncio de alguma data para a vinda do Anticristo e do Juízo Final, visto que tal mensagem contraria todo o teor da pregação de Jesus: Este afirmou explicitamente que “não compete aos homens conhecer os tempos e os momentos que o Pai fixou com sua própria autoridade” (Atos 1,7; cf. Mateus 24,36; Marcos 13,32).

As normas do Concílio de Latrão V são válidas até nossos dias, quando também se verifica um pulular fantasioso de profecias, que pretendem definir a data do fim do mundo com as catástrofes precursoras. Em vez de se deter em previsões imaginosas e vãs, é para desejar que o cristão se volte para o que Deus certamente lhe pede no momento presente e cumpra sua missão com zelo.

  • Fonte: Revista Pergunte e Responderemos nº 517, págs. 298-304, julho/2005.

Dom Damasceno recebe texto base do 13º Intereclesial

DomDamascenoCEBS

Durante a reunião do Consep nesta quarta-feira, 06 de fevereiro, o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Laicato, dom Severino Clasen, entregou ao presidente da CNBB, cardeal Raymundo Damasceno Assis, o texto-base do 13º Intereclesial das CEBs, que será realizado de 7 a 11 de janeiro de 2014, em Juazeiro do Norte, diocese do Crato (CE).
O documento foi lançado oficialmente durante a 4ª Reunião da Ampliada Nacional, no último dia 25 de janeiro no salão dos romeiros em Juazeiro do Norte (CE). O tema desta Intereclesial será “Justiça e Profecia a serviço da Vida” e o lema: “CEBs, romeiras do reino no campo e na cidade”. O texto já está disponível no secretariado do 13º Intereclesial em Crato. Foi lançada também a cartilha em versão popular para os círculos bíblicos e grupos de reflexão.

Haiti ainda exige atenção especial

missao_belem_no_haiti06O arcebispo de São Paulo, cardeal dom Odilo Pedro Scherer, visitou o Haiti no início deste mês, no âmbito do projeto “Missão Belém”. A “Missão Belém” nasceu na Igreja em São Paulo em outubro de 2005 e foi instituída canonicamente pelo cardeal, em 2010. Hoje, está presente em três países e conta cem casas. No Haiti, acolhe 500 crianças e 200 mães.

Durante a viagem, dom Odilo visitou o arcebispo de Porto Príncipe, dom Guire Poulard, que explicou a situação da Igreja neste tempo posterior ao terremoto. Dom Odilo relata que as condições na região são precárias.

“Ainda falta reconstruir muitas igrejas, as missas continuam a ser celebradas debaixo de tendas, a construção do seminário ainda não começou. A visita à catedral, em ruínas, é desoladora. No entanto, andando pelas ruas, já não se veem mais tantos sinais do terremoto; os materiais foram removidos e a maioria das casas recuperáveis parecem ter sido reparadas. Contudo, edifícios públicos, de governo, continuam em ruínas”.

O arcebispo de São Paulo descreveu que muitas pessoas continuam a viver em grandes campos de tendas, enquanto não recebem uma casa para morar. “Muita gente também foi para as periferias da cidade e constituiu novas favelas, ocupando áreas disponíveis; outros foram para as montanhas, perto de Porto Príncipe, onde o ar é melhor; também essas estão à espera de receber uma casa”, relata.

Dom Odilo se reuniu com o Núncio Apostólico, com os capelães do Brasil e do Paraguai, das Forças de Paz da ONU e as religiosas da CRB. Fez uma via-sacra no meio da favela: “Foi uma experiência chocante ver de perto onde e como vivem aquelas pessoas. A ideia de Jesus, que continua a carregar a cruz nas dores e sofrimentos da humanidade, foi muito forte. O Haiti continua sendo um país muito pobre e devastado; mas tem muitas possibilidades e, com muitos pequenos ‘milagres’, motivados pela solidariedade e a caridade fraterna, certamente conseguirá superar a situação atual.”

Universidades Católicas

Cardeal Odilo Pedro Scherer
Arcebispo de São Paulo (SP)

A recente nomeação da Reitora da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) causou diversas reações na comunidade acadêmica da Universidade: estranheza, contrariedade e aprovação. Aparentemente, o motivo foi a escolha, pelo Grão Chanceler da Universidade, não do primeiro nome da lista tríplice que lhe foi apresentada, mas do terceiro. Reações até certo ponto compreensíveis.

Talvez algumas reações decorreram da interpretação equivocada do processo de escolha do Reitor e Vice Reitor da PUC-SP. Conforme o Estatuto da PUC-SP, compete ao Conselho Superior da Universidade (CONSUN) “organizar, através de consulta direta à comunidade, por meio de processo eletivo, a lista tríplice de nomes de professores para escolha e nomeação do Reitor e respectivo Vice Reitor, nos termos deste Estatuto, encaminhando-a ao Grão Chanceler” (Art 21/XXII).

E prevê ainda o mesmo Estatuto que ao Grão Chanceler compete ”escolher e nomear o Reitor e o Vice Reitor dentre os professores de uma lista tríplice organizada e encaminhada pelo CONSUN” (Art. 43/II). Portanto, não se trata de escolha direta do Reitor e do Vice pela comunidade universitária; se assim fosse, não haveria sentido na apresentação de uma lista tríplice pelo CONSUN, e estaria prevista a eleição direta, pura e simples, do Reitor e do Vice pela comunidade universitária. Mas não é isso o que consta no Estatuto.

É verdade que a escolha do Reitor recaiu, tradicionalmente, sobre o nome mais votado, pelas razões que a Autoridade competente julgou convincentes; eu mesmo, na escolha precedente, procedi assim. Mas se, desta vez, seguiu outra ordem, é porque esta possibilidade sempre esteve implicada na própria apresentação da lista tríplice pelo CONSUN ao Grão Chanceler.

Toda essa questão leva a refletir algo mais sobre as Universidades Católicas, que estão ligadas à Igreja e são regidas, quanto à sua natureza e missão, pela Constituição Apostólica Ex Corde Ecclesiae (“Do Coração da Igreja”, 1991), do papa João Paulo II. Elas têm sua origem “do coração da Igreja” e expressam, da maneira que lhes é própria, a missão da Igreja na busca e explicitação do verdadeiro saber (“sapientia”) e do bem da humanidade. No que se refere ao ordenamento acadêmico, elas seguem a legislação civil do país onde se encontram; mas quanto à sua identidade, orientação e objetivos específicos, elas estão sujeitas às normas da Igreja.

Uma universidade católica, como qualquer outra, é uma comunidade de estudiosos, dos vários campos do saber humano; também ela se dedica à pesquisa, ao ensino e às várias formas de serviço à sociedade, compatíveis com sua identidade e missão. Enquanto “católica” e, em nosso caso, também “pontifícia”, ela está ligada à Igreja, segue suas diretrizes e deve realizar suas atividades de maneira coerente com os ideais, princípios e comportamentos católicos; nem se poderia esperar que fosse diversamente, ou até o contrário disso.

No entanto, não equivale isso a dizer que todos os que frequentam a universidade católica devam ser confessionalmente católicos; a própria PUC-SP acolhe muitos estudantes que não professam a fé católica e são todos bem vindos; a liberdade de consciência é plenamente respeitada e o credo católico não é imposto a ninguém. Mas é certo que a própria universidade tem a missão de apresentar e honrar a sua identidade diante de todos os que a frequentam e integram a comunidade acadêmica.

A liberdade de pensamento, ensino e manifestação das ideias, consagrada pelas Constituições dos países democráticos, assegura esse direito às instituições confessionais e não confessionais. Regimes totalitários, geralmente, são intolerantes em relação a universidades “confessionais”, ou que não se alinhem plenamente ao pensamento único e oficial, impedindo até mesmo a sua existência e livre atuação.

Poderia parecer que as universidades católicas e outras, de tipo confessional, existem apenas para a vantagem das próprias Instituições que as mantêm, mas isso é outro equívoco. Elas são, antes de mais nada, instituições de educação, ensino, formação de pessoas e de fomento da cultura dos povos, à luz de suas próprias percepções e interpretações da realidade. E não deve ser visto como um dano para a sociedade que haja instituições com diversos tipos de diretrizes na educação e na formação dos cidadãos. O conjunto da cultura e do convívio social fica enriquecido com uma sadia pluralidade educacional. Contrariamente, se tudo tendesse ao pensamento oficial e único, haveria o risco de uma cultura monótona e com horizontes sempre mais estreitos. Isso não representaria um benefício para a convivência plural e democrática.

A universidade católica tem uma contribuição específica a dar para a formação cultural; e essa contribuição decorre da visão cristã sobre o homem e o mundo, que tem desdobramentos, entre outras coisas, na filosofia em geral, na antropologia, na ética, educação, na psicologia, na economia, na política e também na técnica. Esses princípios cristãos oferecem uma forma própria de interpretação sobre o homem, a sociedade, as relações sociais e a história; e também, sobre a natureza e a interação do homem com o ambiente da vida.

Mais uma vez, entendo que a universidade católica não tem a finalidade de impor as expressões próprias de uma “cultura cristã” às pessoas e ao convívio social, mas de as oferecer como contribuição, que procede da sua própria autoconsciência, para o enriquecimento da cultura e da vida social. A universidade católica é, por excelência, um espaço de diálogo cultural, onde ela tem muito a oferecer, ex corde Ecclesiae, a partir do âmago de sua identidade, da sua mensagem e da experiência secular da Igreja.