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“Cristo: centro da criação, do povo e da história”. O Papa encerra o Ano da Fé

Cidade do Vaticano (RV) – O Ano da Fé, convocado por Bento XVI e aberto em 11 de outubro de 2012, cinquenta anos após o Concílio Vaticano II e vinte após o Catecismo da Igreja Católica, chegou ao fim neste domingo, 24, com a missa de encerramento celebrada às 10h30 (locais) por Papa Francisco, na Praça São Pedro.

Os fiéis presentes foram premiados com uma manhã sem chuvas, apesar de fria. A cidade de Roma e todo o centro da Itália têm sido atingidos por mau-tempo há vários dias. Além das dezenas de milhares de fiéis, 1.200 patriarcas e arcebispos das Igrejas católicas de rito e tradição oriental, além de cardeais, bispos e sacerdotes participaram da cerimônia, que teve caráter solene.

Papa Francisco começou sua homilia justamente recordando que neste domingo, em que a Igreja também celebra a solenidade de Cristo Rei do universo, um pensamento cheio de carinho e gratidão deve ser dirigido ao Papa emérito: “Com a iniciativa do Ano da Fé, Bento XVI nos ofereceu a oportunidade de redescobrirmos a beleza do caminho de fé que teve início no dia do nosso Batismo e nos tornou filhos de Deus e irmãos na Igreja”.

Aos representantes das Igrejas Orientais Católicas, Francisco manifestou reconhecimento por confessarem o nome de Cristo com tanta fidelidade, “paga muitas vezes por caro preço”, e idealmente, quis “alcançar todos os cristãos que vivem na Terra Santa, na Síria e em todo o Oriente, a fim de obter para todos o dom da paz e da concórdia”.

“Jesus é o centro da criação”, disse o Papa comentando a segunda leitura. “Assim sendo, a atitude que se requer do crente – se o quer ser de verdade – é reconhecer e aceitar na vida esta centralidade de Jesus Cristo, nos pensamentos, nas palavras e nas obras. Quando se perde este centro, substituindo-o por outra coisa qualquer, disso só derivam danos para o meio ambiente que nos rodeia e para o próprio homem”.

A primeira Leitura, por sua vez, mostrou que além de ser centro da criação, Cristo é centro do povo de Deus. Descendente do rei David, é o «irmão» ao redor do qual se constitui o povo, que cuida do seu povo, de todos nós, a preço da sua vida. “Nele, nós somos um só; unidos a Ele, partilhamos um só caminho, um único destino”, lembrou o Bispo de Roma.

Por fim, Cristo é o centro da história da humanidade e de cada homem: “A Ele podemos referir as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias de que está tecida a nossa vida. Quando Jesus está no centro, até os momentos mais sombrios da nossa existência se iluminam: Ele dá-nos esperança, como fez com o bom ladrão no Evangelho deste domingo”.

Lucas narra que enquanto todos os outros menosprezavam Jesus, um homem que errou na vida, mas que estava arrependido, se agarrou a Jesus e lhe suplicou que se lembrasse dele. Jesus pronuncia apenas a palavra do perdão, não a da condenação; e quando o homem encontrou a coragem de pedir o perdão, o Senhor não deixou sem resposta seu pedido.

A promessa de Jesus ao bom ladrão nos dá uma grande esperança”, garantiu Francisco: “Ela diz que a graça de Deus é sempre mais abundante de quanto pedira a oração. Peçamos ao Senhor que Se lembre de nós, certos de que, pela sua misericórdia, poderemos partilhar a sua glória no Paraíso”, conclui o Papa.

Vaticano divulga tema do Dia Mundial das Comunicações Sociais 2014

1 0 732994Foi divulgado esta segunda-feira o tema do Dia Mundial das Comunicações Sociais 2014: “Comunicação a serviço de uma autêntica cultura do encontro”. A cultura do encontro é um assunto recorrente no magistério do Papa Francisco. Em várias ocasiões, inclusive no Brasil, o Pontífice insistiu neste tema. Em sua recente visita a Cagliari, no dia 22 deste mês, no encontro com os acadêmicos, o Papa afirmou: “Esta é uma proposta: cultura da vizinhança. O isolamento e o fechamento em si mesmo ou nos próprios interesses nunca são o caminho para voltar a dar esperança e operar uma renovação, mas é a proximidade, é a cultura do encontro. O isolamento, não; proximidade, sim.

Cultura do conflito, não; cultura do encontro, sim. A universidade é espaço privilegiado em que se promove, ensina e vive esta cultura do diálogo, que não nivela indiscriminadamente diferenças e pluralismos – este é um dos riscos da globalização – e muito menos os extrema, tornando-os motivo de conflito, mas abre ao confronto construtivo. Isto significa compreender e valorizar as riquezas do outro, considerando-o não com indiferença ou temor, mas como fator de crescimento. As dinâmicas que regulam as relações entre pessoas, grupos e nações não são muitas vezes de proximidade, de encontro, mas de conflito”.

O Dia Mundial das Comunicações Sociais, a única celebração mundial estabelecida pelo Concílio Vaticano II (Decr. Inter mirifica, 1963), está marcada na maioria dos países, por indicação do episcopado mundial, para o domingo precedente a Pentecostes (em 2014, dia 1º de junho).

Em geral, o anúncio do tema é divulgado no dia 29 de setembro, festa dos Arcanjos S. Miguel, S. Rafael e S. Gabriel, o qual foi designado Padroeiro dos radialistas. A Mensagem do Santo Padre para o Dia Mundial das Comunicações Sociais é publicada tradicionalmente em coincidência com a memória de S. Francisco de Sales, Padroeiro dos jornalistas (24 de janeiro), para permitir que as Conferências episcopais, os escritórios diocesanos e as organizações que se ocupam de comunicação social tenham tempo suficiente para preparar subsídios audiovisuais e outros materiais destinados às celebrações em nível nacional e local.

A Missa que assistimos é inválida? Aham, Cláudia, senta lá!

Navegando na internet nesta sexta-feira, me deparei com um artigo, que a muito procurava, esclarecedor sobre os Ritos Tridentinos (tem atraído católicos desavisados e curiosos) e os atuais Ritos da Missa, pós-concílio Vaticano II. No blog O Catequista encontrei a informações para esclarecer minhas dúvidas. Vejam:

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missa_tridentinaComo muitos de vocês já sabem, o rito da missa atual é diferente do rito antigo. De 1570 a 1969 – ou seja, por 400 anos – toda a Igreja celebrou de acordo com o Rito Tridentino (estabelecido no Concílio de Trento). A missa era toda rezada em latim (exceto o sermão) e não permitia qualquer inculturação.

Durante o papado de Paulo VI, a Igreja entendeu que era necessário reformar a liturgia, para favorecer a participação mais ativa e piedosa dos fiéis. Então, durante o Concílio Vaticano II, o rito da Missa foi simplificado, conservando a sua estrutura essencial. E a língua empregada poderia ser o idioma local, sem, contudo, deixar de lado o latim.

Alguns leitores têm nos cobrado um artigo sobre as comparações entre Missa Nova – aquela que celebramos atualmente – e a Missa Tridentina. Vamos começar retomando uma mensagem que a leitora Mariele nos enviou (já faz um tempinho):

“Venho pedir uma ajuda, sobre um assunto que está me confundindo muito a cabeça.

“O que acontece tem uns amigos meus que são católicos, e (…) vieram com a ideia de que as Missas que participamos hoje estão todas erradas, que a Missa certa é a Tridentina, e que o Concilio Vaticano II, está destruindo a igreja. Como aqui na minha cidade não tem a Missa Trindentina, eles disseram que não vão mais participar da ‘Missa Nova’. Eles estudam um monte de documentos da Igreja, e são contra o Concilio Vaticano II. Gente, será que tem como vocês me explicarem melhor isso?”

Os tais amigos da Mariele estudam um monte de documentos da Igreja e se acham espertos… Esses caras querem saber mais do que os papas? Acham que têm mais razão do que o pastor que Cristo escolheu para guiar o Seu rebanho? Não creem na Santa Igreja Católica, que aprovou o rito atual da Missa? Então não são católicos, são um bando de cismáticos! Não são melhores em nada do que os filhos de Lutero.

O fato é: a Missa Nova é válida, e trouxe mudanças necessárias para um novo momento histórico. Alguns pontos do rito são passíveis de discussão e podem ser melhorados? Talvez… mas ele é válido e santificante. Quem não crê nisso não está em comunhão com a Igreja e, portanto, não está em comunhão com Cristo.

Recentemente, o Pe. Paulo Ricardo realizou uma aula sobre a Missa Nova. Para falar sobre isso, pedimos a ajuda do nosso amigo David A. Conceição, do blog Apostolado Tradição em Foco com Roma.

Vejam o que o David escreveu.

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Padre Pio jamais rejeitou a “Nova Missa”

Primeiro, é importante lembrar que o Concílio Vaticano II não foi um Concílio dogmático, uma vez que não declarou nenhum dogma novo, mas sim um concílio Pastoral. Ou seja, seu objectivo era a instrução pastoral de assuntos relevantes à prática da fé e não formulação de novas doutrinas e dogmas pertinentes à ela.  A defesa do Concílio Vaticano II não é, portanto, uma tarefa apenas para os “modernistas” católicos, como costumam dizer os “tradicionalistas”, mas para todo católico obediente e fiel ao Magistério da Igreja.  Contudo, a obediência ao CVII não quer dizer desprezo  pela e solenidade da Santa Missa no Rito Tridentino, a chamada missa tridentina, nomeada assim após o Concílio de Trento.  Porém, isso não equivale dizer que a Santa Missa torna-se menos Santa quando é celebrada num ou noutro Rito, pois é um Sacrifício oferecido em nome de um Outro, maior que a nossa preferência pessoal. Não contestamos tampouco que alguns Ritos sejam mais solenes ou esteticamente mais belos que outros, contudo, a Missa não é uma celebração para o homem, mas para Deus.

É  bastante preocupante o rumor espalhado por alguns adeptos do Rito Tridentino de que um santo notoriamente fiel aos ensinamentos da Igreja,  como Padre Pio, tivesse, ao fim de sua vida, rejeitado a Missa Novo Ordus. Na verdade, isso confirma a natureza controversa deste tema e serve também com um alerta, afinal, algumas pessoas estão dispostas a se usarem até mesmo de um argumento falso, como a oposição de Padre Pio à Nova Missa, para sustentarem seu ponto de vista.

Na verdade, devido à época em que viveu, a missa que o Padre Pio oferecia era de acordo com o Missal, tal como existia antes do Concílio Vaticano II, a Missa Tridentina. Quando os novos ritos começaram a aparecer em meados dos anos 1960 (finalizado em 1969 depois de sua morte) Padre Pio continuou a celebrar a Missa no Rito “antigo”. Por esse motivo, tem sido alegado por alguns que isso ocorreu  devido à sua insatisfação com as mudanças litúrgicas. No entanto, isso não era o caso. Já com mais de 80 anos de idade e ficando cego a única maneira prática de Padre Pio oferecer a missa era reza-la como ele tinha feito ha 50 anos. Este mesmo privilégio foi concedido por lei a todos os sacerdotes idosos. Mais tarde, ao Padre Pio também seria dada a permissão para sentar-se durante a totalidade da missa, sendo incapaz de resistir por longos períodos. O verdadeiro caráter da apresentação impecável do Padre Pio para a Igreja e sua aceitação de todos os ensinamentos do Vaticano II e do Papa e da disciplina pode ser visto na carta que escreveu ao Papa Paulo VI, em setembro de 1968.

Sua Santidade,

Uno-me com meus irmãos para apresentar a seus pés o meu respeito afetuoso, toda a devoção à sua pessoa minha agosto em um ato de fé, amor e obediência à dignidade daquele a quem representa nesta terra. A Ordem dos Capuchinhos foi sempre na primeira linha no amor, fidelidade, obediência e devoção à Santa Sé, peço a Deus que ela possa permanecer assim, e continue na sua tradição de seriedade e austeridade religiosa, pobreza evangélica e fiel observância do Regra e Constituição, certamente renovando-se na vitalidade e no espírito interior, de acordo com as guias do Concílio Vaticano II, a fim de estar sempre pronto para atender às necessidades da Igreja Matriz sob o governo de Vossa Santidade.

Eu sei que seu coração está sofrendo muito estes dias, no interesse da Igreja, pela paz do mundo, para as necessidades dos inúmeros povos do mundo, mas acima de tudo, pela falta de obediência de alguns, até mesmo católicos, para o ensino de alta que você, assistido pelo Espírito Santo e em nome de Deus, estão nos dando. Eu lhe ofereço minhas orações e sofrimentos diários como uma contribuição pequena, mas sincera, da parte do menor dos seus filhos, a fim de que Deus possa dar-lhe conforto com a sua graça para seguir o caminho reto e doloroso na defesa da verdade eterna, que nunca altearão com o passar dos anos. Além disso, em nome dos meus filhos espirituais e os grupos de oração, eu o agradeço por suas palavras claras e decisivas que você, especialmente pronunciou na última encíclica “Humanae Vitae”, e eu reafirmo a minha fé, minha obediência incondicional às suas direções iluminadas.

Que Deus conceda a vitória da verdade, paz à sua Igreja, tranqüilidade para o mundo, saúde e prosperidade a Vossa Santidade de modo que, uma vez que estas dúvidas são dissipadas fugazes, o Reino de Deus triunfe em todos os corações, guiado pelo seu trabalho apostólico como Supremo Pastor de todo o Cristianismo.

Prostrado aos seus pés, peço-lhe para me abençoar, na companhia de meus irmãos na religião, meus filhos espirituais, os grupos de oração, meus queridos doentes e também para abençoar todos os nossos bons propósitos que estamos tentando cumprir sob sua proteção em nome de Jesus.

Humildemente,

P. Pio, capuchinho

À distância se enxerga melhor?

Dom Aloísio Roque Oppermann, scj
Arcebispo Emérito de Uberaba / MG

As avaliações sobre a importância do Concílio Vaticano II vão desde a glorificação exaltada, até a hostilização mais mal humorada. Isso acontece por sintonizarmos a retomada de suas grandes idéias no cinqüentenário de seu início (11 de outubro de 1962). Os Padres Conciliares, em número aproximado de 2.500 na média, viram esse maravilhoso acontecimento eclesial, em centenas de visões diversificadas.

A grande maioria viu seu espírito numa linha de continuidade com a história da Igreja.  Mas alguns quiseram ver nele uma ruptura com a fé milenar dos discípulos de Cristo, e até uma compactuação com a mentalidade secularizada do mundo moderno. Vamos tentar dar um pequeno apanhado de suas linhas fundamentais, cujos conceitos apelam para um aprofundamento neste ano da Fé, que inicia neste mês (10/12).

A definição (ou descrição) de Igreja jamais foi tão ampla e  completa. Nem Santo Tomás de Aquino, nem Santo Agostinho alcançaram tais alturas, atingidas pelo Concílio, (sem os Padres esquecer as Escrituras). Agora existe a convicção de que todos somos Igreja, e não só o clero.

A Reforma Litúrgica conseguiu ultrapassar séculos de passividade, para levar o povo a uma participação ativa e frutuosa, sobretudo na Eucaristia. As celebrações se tornaram mais vivas e compreensíveis.

Em que pese nossa boa e velha Tradição, o Concílio nos levou a um renovado amor ás Escrituras Sagradas. Elas voltaram a ser a “alma de toda a teologia”. Hoje até na Catequese elas voltaram a ser prioritárias.

Os Padres Conciliares nos levaram a uma grande redescoberta da Patrística. Os escritos dos primeiros quatro séculos foram traduzidos para as línguas modernas, e todos podem buscar o elo que liga os ensinamentos dos apóstolos aos tempos modernos.

O enfoque das relações Igreja x Mundo foi deslocado. Agora não se trabalha mais, considerando o mundo como um grande inimigo, mas se procura dialogar. Isso é um benefício recíproco.

Houve um esforço, nem sempre bem sucedido, de aproximação com os cristãos de outras denominações. Mas as relações melhoraram, apesar de haver um longo caminho a percorrer. Um dia a oração de Cristo será eficaz, e “seremos todos um”  ( Jo 17, 11).

7 perguntas sobre o Papa: Porque é que o Papa é Pedro?

Os católicos professam obediência ao Papa, como legítimo sucessor de Pedro, e consideram-no o representante de Nosso Senhor Jesus Cristo aqui na terra. Perante esta afirmação algumas pessoas perguntam, hoje em dia: De onde vem a autoridade do Papa? Não é apenas um homem? Infalível significa que o Papa não se pode enganar?

Ontem celebramos a solenidade de São Pedro e São Paulo. Dois santos importantíssimo para a igreja, não só porque viveram ao exemplo de Cristo e se santificaram, mas terem sido pilares da Igreja as guiando no caminho do reino de Jesus. Neste dia também celebramos o Dia do Papa, bispo de Roma. Papa que é o sucessor de Pedro. Muitos não compreendem esse assunto e pensando nisso durante a semana vamos postar sete perguntas sobre o Papa, que nos ajudaram a esclarecer esse conceito da igreja.

Vamos a primeira pergunta:

Papa representa Cristo na Terra e é sucessor de São Pedro 

1. Se Cristo é Cabeça da Igreja, Por que dizemos que S. Pedro é o Chefe da Igreja?

Em vários lugares da Escritura consta que Cristo nomeou S. Pedro Chefe da Igreja:
Cristo, ao instituir os Doze, «deu-lhes a forma dum corpo colegial, quer dizer, dum grupo estável, e colocou à sua frente Pedro, escolhido de entre eles» (LG 19). (Catecismo da Igreja Católica, 880)

“o Senhor fez de Simão, a quem deu o nome de Pedro, e apenas dele a pedra da sua Igreja. Entregou-lhe as suas chaves (cf. Mt 16, 18-19); instituiu-o pastor de todo o rebanho (cf. Jo 21, 15-17). “Consta que também o colégio dos apóstolos, unido à sua cabeça, recebeu a função de atar e desatar dada a Pedro” (LG 22). Este ofício pastoral de Pedro e dos outros Apóstolos pertence aos cimentos da Igreja. Continua pelos bispos sob o primado do Papa.” (Catecismo da Igreja Católica, 881).

Contemplar o mistério

O teu maior amor, a tua maior estima, a tua mais profunda veneração, a tua obediência mais rendida, o teu maior afecto há-de ser também para o Vice-Cristo na terra, para o Papa. Os católicos têm de pensar que, depois de Deus e da nossa Mãe a Virgem Santíssima, na hierarquia do amor e da autoridade, vem o Santo Padre. (Forja, 135)

Esta é a única Igreja de Cristo -que professamos no Símbolo Una, Santa, Católica e Apostólica-, a que o nosso Salvador, depois da sua ressurreição, entregou a Pedro para que a apascentasse, encarregando-o a ele e aos outros Apóstolos de a difundirem e governarem, e que erigiu para sempre como coluna e fundamento da verdade (CONCÍLIO VATICANO II, Const. Dogm. Lumen gentium n. 8). (Amar a Igreja, 19)

Fonte São José Maria Escrivá

Coletiva de imprensa na Santa Sé apresenta Ano da Fé

Na próxima quinta-feira, 21, na Sala de Imprensa da Santa Sé, haverá a apresentação do Ano da Fé, convocado pelo Papa Bento XVI. O Ano se estenderá de 11 de outubro de 2012 a 24 de novembro de 2013.

Na coletiva de imprensa, será apresentado o calendário dos grandes eventos que se realizarão em Roma no âmbito do Ano da Fé, além da apresentação do site e da logo da iniciativa.

Participam da coletiva o Presidente do Pontifício Conselho para a Promoção da Nova Evangelização, Dom Rino Fisichella, e o Subsecretário do mesmo Pontifício Conselho, monsenhor Graham Bell.

O Ano da Fé foi convocado pelo Papa Bento XVI com a Carta Apostólica Porta Fidei (Porta da Fé), em outubro de 2011. O início deste Ano coincide com a recordação de dois grandes eventos que marcaram a Igreja nos últimos tempos: os 50 anos da abertura do Concílio Vaticano II, e os 20 anos da promulgação do Catecismo da Igreja Católica.

“O Ano da Fé é convite para uma autêntica e renovada conversão ao Senhor, único Salvador do mundo. Não podemos aceitar que o sal se torne insípido e a luz fique escondida (cf. Mt 5, 13-16). Devemos readquirir o gosto de nos alimentarmos da Palavra de Deus, transmitida fielmente pela Igreja, e do Pão da Vida, oferecidos como sustento de quantos são seus discípulos (cf. Jo 6, 51)”, escreve Bento XVI na Carta Apostólica.

“Só acreditando é que a fé cresce e se revigora; não há outra possibilidade de adquirir certeza sobre a própria vida, senão abandonar-se progressivamente nas mãos de um amor que se experimenta cada vez maior porque tem a sua origem em Deus. Queremos celebrar este Ano de forma digna e fecunda”, diz o Papa na Carta Apostólica Porta Fidei. (BF)

Papa grava mensagem para Congresso Eucarístico Internacional

O Papa Bento XVI gravou na sexta-feira, 8, uma mensagem para o Congresso Eucarístico Internacional de Dublin, que tem início neste domingo, 10. O tema do grande evento eclesial é “A Eucaristia, comunhão com Cristo e entre nós”, extraído do documento conciliar Lumen gentium, Constituição dogmática sobre a Igreja.

“A principal inspiração do Concílio Vaticano II foi a eclesiologia de comunhão”, afirmou o Prefeito da Congregação para os Bispos, Cardeal Marc Ouellet – falando no Simpósio Teológico Internacional em andamento na Universidade de Maynooth, em preparação para o Congresso Eucarístico Internacional –, eclesiologia ainda em desenvolvimento e em aprofundamentos teológicos.

Essa eclesiologia – acrescentou o purpurado – deu muitos frutos nos setores da colegialidade episcopal, do apostolado dos leigos, dos movimentos carismáticos e eclesiais, do ecumenismo e do diálogo com o mundo moderno.

Ela revitalizou a Igreja a partir de dentro e multiplicou externamente as suas aberturas ecumênicas e missionárias, empenhando-a ulteriormente na problemática da paz e da justiça no mundo, na solidariedade em escala global e na promoção do diálogo inter-religioso.

A eclesiologia de comunhão se impõe sempre mais como a realização concreta da Igreja, como força de atração e de evangelização, qual Sacramento de salvação, baseado precisamente no Batismo e na Eucaristia.

Ela promove atitudes espirituais e práticas que nos permitem viver mais profundamente e intensamente a dependência da Igreja da Eucaristia, e se faz também Igreja doméstica, baseada na família, tornando-se a primeira célula vital da sociedade.

Num tempo em que estamos assistindo a uma crise antropológica sem precedentes, caracterizada pela perda de um sentido do matrimônio e da família, a Igreja pode e deve contar com o recurso da família, fundada no Sacramento do matrimônio, para fazer frente aos desafios das sociedades secularizadas, ponderou o Cardeal Ouellet.

Qual Sacramento ou “sinal” e instrumento de união entre Deus e toda a humanidade, a eclesiologia de comunhão é portadora de uma realidade divina misteriosa que nenhuma imagem ou analogia pode expressar adequadamente.

E no plano existencial o Prefeito da Congregação para os Bispos afirmou que o futuro da missão da Igreja passa por seu testemunho de unidade e seu diálogo com toda a humanidade.

Rádio Vaticano

O CONCÍLIO VATICANO II E A LIBERDADE RELIGIOSA

Por Antonio Gaspari

De acordo com Philippe Chenaux, Diretor do Centro de Estudos sobre o Concílio Vaticano da Pontifícia Universidade Lateranense, a declaração Dignitatis Humanae (DH) sobre a liberdade religiosa, é um documento de importância histórica “dos maiores documentos do Concílio”.

Falando no dia 3 de maio para o ciclo de conferências organizado pelo Centro de Estudos e Pesquisas sobre o Concílio Vaticano II da Lateranense em colaboração com o Centre Culturel Saint Louis de France sobre o tema “Revisar o Concílio, Historiadores e teólogos confrontando-se, “o professor de História da Igreja Moderna e Contemporânea contou o trabalho que deu esta declaração e como os padres conciliares embora partindo de posições diferentes e em alguns casos opostas chegaram a votar com grande maioria a Dignitatis Humanae.

A declaração sobre a liberdade religiosa era considerada pelo Papa Paulo VI como um dos grandes documentos do Concílio, não tanto pelo seu tamanho (trata-se de um dos textos mais curtos), e nem sequer pela forma (é uma declaração simples), mas sim pelo seu conteúdo.

Para o prof. Chenaux a DH “resolvia dois dos problemas mais difíceis com que a Igreja se enfrentava há pelo menos dois séculos: o problema da relação entre liberdade e verdade, a nível teórico ou teológico, e aquele das relações entre a Igreja e o Estado moderno, a nível político-eclesiástico”.

O debate sobre a liberdade religiosa tem sido controverso, porque “apesar da Igreja sempre ter afirmado a liberdade do ato de fé”, ou seja,  que “ninguém pode ser forçado a abraçar a fé contra a sua vontade”, era necessário superar o legado da aliança institucional dos poderes espirituais e temporais, da intolerância religiosa subsequente à reforma e contrareforma e uma certa intransigência durante o século XIX.

O professor da Lateranense explicou que “A tese intransigente do Estado Católico tinha permanecido oficial pela Igreja, pelo menos, até o final do pontificado de Pio XII” quando “A dolorosa experiência dos totalitarismos (o comunismo, o nazismo, o fascismo) tinham contribuído para uma redescoberta pelo Magistério da Igreja da eminente dignidade da pessoa humana e dos seus direitos fundamentais”.

Em mensagens de rádio no tempo de guerra, em Natal de 1942 e no Natal de 1944, Pio XII enfatizou a dignidade da pessoa humana e a importância de uma democracia saudável.

Para Chenaux já antes da Segunda Guerra Mundial, a Igreja era incapaz de conformar os poderes do Estado com o reconhecimento de Deus e da Igreja. Nos Pactos de Latrão com a Itália fascista (1929); o Reichskonkordat com a Alemanha nazista (1933); e o Concordato com a Espanha de Franco, em ’53, a Igreja adotou uma política de defender o “mal menor”, a fim de garantir a liberdade da Igreja, do clero, dos católicos e de todos os cidadãos.

No concílio as duas posições, a mais ortodoxa e a outra que abria para o mundo tendo em conta a mudança dos tempos, se confrontaram, ao ponto de que a elaboração da DH “foi até o último momento trabalhosa e difícil”.

Chenaux disse que, mesmo em maio de ’64 “O debate entre apoiantes e opositores do texto (da DH) foi muito amargo”. Os bispos norte-americanos e muitos bispos da Europa do Leste (especialmente poloneses) “, afirmaram a necessidade de reconhecer um direito com base na natureza da pessoa humana. Os segundos, ou seja, os adversários, expressaram a convicção de que não se podia separar a liberdade religiosa da verdade e dos seus direitos”.

No debate interveio o então Arcebispo de Cracóvia, monsenhor Karol Wojtyla, que propôs preparar duas declarações: “uma dirigida aos cristãos não-católicos com um espírito ecumênico, para dizer que a verdade cristã nos torna livres, e outro dirigida aos governos, uma declaração ad Extra, que servia  aos interesses da Igreja nos países comunistas”.

Em dezembro de 1964, a pedido do Papa Paulo VI, também foi consultado o filósofo Jacques Maritain, que em um memorando entregue ao papa em março de 1965, lembrou com vigor que “a liberdade religiosa deve ser proclamada e mantida como um dos direitos humanos fundamentais da pessoa humana”.

Acontece assim que no dia 7 de dezembro de 1965, com 2308 placet e 70 non placet, a declaração DH foi aprovada e promulgada pelo Papa Paulo VI.

A DH diz: “Este Concílio declara que a pessoa humana tem direito à liberdade religiosa, esta liberdade consiste no fato de que todos os homens devem estar livres de coação por parte de indivíduos e grupos sociais e de todo poder humano para que, em matéria religiosa, ninguém seja forçado a agir contra a sua consciência, nem impedido dentro dos devidos limites a agir de acordo com sua consciência, em particular, publicamente, sozinho ou associados com outros. “

O jesuíta José Leclerc, professor de eclesiologia no Institut Catholique de Paris e autor de uma obra sobre a história da tolerância na idade moderna, escreveu na revista Etudes em Abril de 1966, que foi um “acontecimento extraordinário” na história dos Concílios .

[Tradução Thácio Siqueira]

Fonte  (ZENIT.org)

Comemorando os 50 anos do Concílio Vaticano II

PapaJoaoXXIIIO Pontifício Comitê de Ciências Históricas promoverá, de 3 a 6 de outubro de 2012, em Roma, um congresso internacional para comemorar o início do Concílio Vaticano II. Os preparativos da iniciativa foram anunciados pelo organismo, presidido pelo padre Bernard Ardura, que o organizará em colaboração com o Centro de Estudos sobre o Concilio Vaticano II da Pontifícia Universidade Lateranense.

O congresso será o início de uma ampla pesquisa internacional conduzida pelas Sociedades de História eclesiástica e pelas Associações de Arquivos eclesiásticos de diversas nações, todas sob a direção do Comitê vaticano.

A pesquisa reunirá documentos de cientistas especializados de diversas nações e deverá se transformar em um ‘manual’ dos arquivos pessoais dos padres conciliares. Na realidade, o encontro será o momento final de verificação, confronto e síntese das pesquisas antes realizadas em vários campos.

A iniciativa terá também um ciclo de conferências organizado em colaboração com o Centre Saint-Louis de France, a se realizar entre fevereiro e março de 2012, sob o tema “Reler os grandes textos do Concílio Vaticano II. História e teologia”. O objetivo será a leitura histórica e teológica dos grandes documentos do Concílio Vaticano II.

No Brasil, a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) também se prepara para comemorar a data. Uma Comissão foi formada e uma série de atividades está sendo programada para os próximos três anos.