A Igreja, a santidade e a Cerveja  

Padre abençoa barril de cerveja em Bruxelas
Padre abençoa barril de cerveja em Bruxelas

A cena de ao lado é sim de um sacerdote abençoando um barril de cerveja. E ao contrario do que muita gente pensa, não é uma heresia pecado mortal. Essa benção sempre existiu na igreja e foi substituída no Sacrossanto Concilio II pela Benção dos Alimentos, que é mais genérica. É sabido que a cerveja, hoje, toma uma conotação de pecado devido as atitudes que os beberrões, sem noção de moderação, executam por aí ao beber.

Para se ter uma ideia, na Igreja a cerveja era muito importante no período da Idade Média. Havia até um santa que transformou água em cerveja. Essa santa era Santa Brígida da Irlanda, que distribuiu cerveja aos pobres em volume tão grande que daria para encher 17 barris. Essa quantidade saiu de um único barril.  Nesta época a cerveja era muito importante devido ao caráter saudável dessa bebida. Não se sabem, mas a cerveja é rica em vitamina B. Na Idade Média ela era ainda mais nutritiva e considerada alimento básico para a população.

monge e o barrilDiferente de hoje, era desassociada a diversão e prazer. Por causa disso, os monges aprimoram muito o sabor, aroma e textura desse produto. Nos mosteiros existiam cervejarias. Eles não inventaram a cerveja, isso quem fez foram os egípcios se não me engano, mas contribuíram muito para que tenhamos o sabor que temos hoje em alguns produtos por aí.

Relatos como o de Santa Brígida e dos monges cervejeiros entram em nossa mente como uma bomba. Causa estranhamento para nossa sociedade atual. Imagina, um monastério, um seminário produzir cerveja? Muitos os condenariam ao inferno. Assim como fazem com sacerdotes que apreciam a bebida.

Esses pensamentos condenatórios a bebida vieram junto a reforma protestante (em especial com os batistas e pentecostais) que estigmatizou a bebida alcoólica como uma coisa essencialmente má. Já os protestantes europeus, porém, não costumam demonizar o consumo moderado de álcool.

De acordo com o site O Catequista

“para o povo em geral, a cerveja também era uma bênção, especialmente para os viajantes. Nem todas as hospedagens e tabernas medievais ficavam próximas a fontes de água corrente e fresca, e assim a água era retirada de poços, que não raramente estavam contaminados. Por isso, beber cerveja era muito mais seguro e saudável do que beber água.”

Naquela época era comum receber as pessoas com uma boa cerveja ou mesmo dar a bebida os pobres. Além disso os monges usavam o excedente para fazer renda. A cerveja era vendida assim como queijo, leite e outras coisas para manter o monastério.

Até hoje há monges produtores de cerveja. É o caso cerveja feita pelos monges trapistas belgas, a Westvleteren XII, é ela considerada por muitos especialistas como a melhor do mundo.

A Westvleteren XII é consideradas por críticos a melhor cerveja do mundo
A Westvleteren XII é consideradas por críticos a melhor cerveja do mundo

A Igreja

Sendo a “loira” tão importante para os medievais, é natural que eles a considerassem digna de receber uma benção, como qualquer outro alimento. O Ritual Romano antigo da Igreja Católica possui uma benção própria para a cerveja:

Antes de aspergir o barril ou tonel com água benta, o sacerdote profere a oração:

  1. A nossa proteção está no nome do Senhor.
    R.Que fez o céu e a terra.
    V. O Senhor esteja conosco.
    R. E contigo também.

Abençoai, Senhor, esta criatura, a cerveja, que da riqueza do grão vos dignastes produzir do melhor lúpulo, para que seja remédio saudável ao gênero humano. Concedei que, pela invocação do vosso santo Nome, todos o que dela beberem recebam a saúde do corpo e a firmeza da alma. Por Cristo, nosso Senhor.

Amém.

Sim, assim seja! Queira Deus que os cristãos não-abstêmios possam realmente degustar a cerveja como um dom de Deus, em vez de fazer dela um instrumento para a sua degradação e embriaguez. Saúde!

A santidade

Para os cristãos de hoje a cerveja, e as bebidas em geral, representam a condenação ao pecado. É sabido que essas bebidas não nos levam a pecar, mas nossos atos sim. Beber com moderação não condena ninguém a nada. Mas a embriaguês nos leva a situações pecaminosas sim.

Não vejo problema em beber, mas se não sabes brincar não suba no play. Não beba. Quando vejo muitos condenando pessoas que estão tomando uma “gelada” ou um bom vinho me preocupo muito. Não sabemos com ele assimila aquele produto. Com ele interfere sua vida. Como disse São Paulo, “tudo me é permitido, mas nem tudo me convêm”. A moral paulina pode nos ajudar a entender o comportamento de irmãos, que como eu, bebem de modo moderado, a apreciar a característica de sabor da bebida e não com o sentimento hedonista presente em muito hoje.

Aí está a chave entre beber e beber. O que você pensa?

Por Marquione Ban com informações de O Catequista

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3 comentários sobre “A Igreja, a santidade e a Cerveja  

  1. João Neto

    Boa noite, estou interessado no assunto. Gostaria que vocês me enviassem todo tipo de material sobre o tema, acontecimentos miraculosos e históricos com relação a cerveja e a santa igreja. Estou fazendo um estudo para trabalho e a ajuda de vocês é muito importante.
    Muito obrigado, Salve Maria!!

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