Embora não dê para apontar todos os impactos sobre a região amazônica provocados pela seca que se abateu sobre a região no ano passado, o Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam) calcula que o fenômeno atingiu em torno de 57% da área da região, muito maior que os 37% medidos na seca de 2005.
“Ficamos surpresos com duas secas tão próximas em 2005 e 2010. Sabemos que elas foram causadas pelo aquecimento do Atlântico Norte, mas ainda não sabemos se isso é causado por mudanças climáticas ou não. A Amazônia normalmente passa por dois ciclos que se repetem a cada 30 anos”, disse ao Instituto Humanitas o pesquisador Paulo Brando, do Ipam.
O Instituto também constatou uma reversão no processo de captura e liberação de gás carbônico. Enquanto nos anos 80 do século passado até 2003 a floresta capturou em torno de 1,5 toneladas de CO2, em 2004 e 2005 houve uma reversão do processo, a floresta liberando o gás que aumenta o efeito estufa.
Pesquisadores do Ipam estimam, com base nas consequências da seca de 2005, que nas próximas décadas a Amazônia deverá liberar em torno de 5 bilhões de toneladas de CO2, contribuindo para o aquecimento global, e a acentuada mortalidade de árvores.
Projeções do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia para Mudanças Climáticas (INCT-MC), realizadas entre 2009 e 2010, indicam que o Norte e o Nordeste do Brasil deverão sofrer uma redução nos índices pluviométricos de até 40%, enquanto a área da bacia Paraná-La Plata terá um aumento de chuvas em torno de 30%.
A Amazônia é a maior floresta úmida do mundo, e 60% de sua área estão em território brasileiro, com cerca de 5,5 milhões de quilômetros quadrados. A floresta estende-se por oito países: Bolívia, Brasil, Colômbia, Equador, Guiana, Guiana Francesa, Peru, Suriname e Venezuela.
Fonte CONIC