Arquivo da tag: Homofobia

Cardeal Dom Odilo se manifesta sobre a Parada Gay

Parada gay: respeitar e ser respeitado

Card. Odilo P. Scherer

Arcebispo de São Paulo – SP

Eu não queria escrever sobre este assunto; mas diante das provocações e ofensas ostensivas à comunidade católica e cristã, durante a parada gay deste último domingo, não posso deixar de me manifestar em defesa das pessoas que tiveram seus sentimentos e convicções religiosas e símbolos de sua devoção ultrajados.

Ficamos entristecidos, quando vemos usados com deboche imagens de santos, deliberadamente associados a práticas que a moral cristã desaprova e que os próprios santos desaprovariam também. Histórias romanceadas ou fantasias criadas para fazer filmes sobre santos e personalidades que honraram a fé cristã não podem servir de base para associá-los a práticas alheias ao seu testemunho de vida. São Sebastião foi um mártir dos inícios do Cristianismo; a tela produzida por um artista cerca de 15 séculos após a vida do santo, não pode ser usada para passar uma suposta identidade homossexual do corajoso mártir. Por que não falar, antes, que ele preferiu heroicamente sofrer as torturas e a morte a ultrajar o bom nome e a dignidade de cristão e filho de Deus!?

“Nem santo salva do vírus da AIDS”. Pois é verdade. O que pode salvar mesmo é uma vida sexual regrada e digna. É o que a Igreja defende e recomenda a todos. O uso desrespeitoso da imagem dos santos populares é uma ofensa aos próprios santos, que viveram dignamente; e ofende também aos sentimentos religiosos do povo. Ninguém gosta de ver vilipendiados os símbolos e imagens de sua fé. Da mesma forma, também é lamentável o uso desrespeitoso da Sagrada Escritura e das palavras de Jesus – “amai-vos uns aos outros” – como se ele justificasse, aprovasse e incentivasse qualquer forma de “amor”; o “mandamento novo” foi instrumentalizado para justificar práticas contrárias ao ensinamento do próprio Jesus.

A Igreja católica também refuta a acusação de “homofóbica”. Investiguem-se os fatos de violência contra homossexuais, para ver se estão relacionados com grupos religiosos católicos. A Igreja católica desaprova a violência contra quem quer que seja; não apóia, não incentiva e não justifica a violência contra homossexuais. E na história da luta contra o vírus HIV, ela foi pioneira no acolhimento e tratamento de soro-positivos, sem questionar suas opções sexuais; muitos deles são homossexuais e todos são acolhidos com profundo respeito. Grande parte das estruturas de tratamento de aidéticos está ligada à Igreja. No entanto, ela ensina e defende que a melhor prevenção contra as doenças sexualmente transmissíveis é uma vida sexual regrada e digna.

Quem apela para a Constituição Nacional para afirmar e defender seus próprios  direitos, não deve esquecer que a mesma Constituição prevê o respeito aos direitos dos outros, aos seus símbolos e organizações religiosas. Quem luta por reconhecimento e respeito, deve aprender a respeitar. Como cristãos, respeitamos a livre manifestação de quem pensa diversamente de nós. Mas o respeito às nossas convicções de fé e moral, às organizações religiosas, símbolos e textos sagrados é a contrapartida que se requer.

A Igreja católica tem suas convicções e fala delas abertamente, usando do direito à liberdade de pensamento e de expressão. Embora respeitando as pessoas homossexuais e procurando acolhê-las e tratá-las com compreensão e caridade, ela afirma que as práticas homossexuais vão contra a natureza; esta não errou ao moldar o ser humano como homem e mulher. Afirma ainda que a sexualidade não depende de “opção”, mas é um fato de natureza e dom de Deus, com um significado próprio, que precisa ser reconhecido, acolhido e vivido coerentemente pelo homem e pela mulher.

Causa preocupação a crescente ambiguidade e confusão em relação à identidade sexual, que vai tomando conta da cultura. Antes de ser um problema moral, é um problema antropológico, que merece uma séria reflexão, em vez de um tratamento superficial e debochado, sob a pressão de organizações interessadas em impor a todos um determinado pensamento sobre a identidade do ser humano. Mais do que nunca, hoje todos concordam que o desrespeito às leis da natureza biológica introduz nos seres a desordem e o descontrole nos ecossistemas; produz doenças e desastres ambientais e compromete o futuro e a sustentabilidade da vida. Ora, não seria o caso de fazer semelhante raciocínio, quando se trata das leis inerentes à natureza e à identidade do ser humano? Ignorar e desrespeitar o significado profundo da condição humana não terá consequências? Será sustentável para o futuro da civilização e da humanidade?

As ofensas dirigidas não só à Igreja católica, mas a tantos outros grupos cristãos e tradições religiosas não são construtivas e não fazem bem aos próprios homossexuais, criando condições para aumentar o fosso da incompreensão e do preconceito contra eles. E não é isso que a Igreja católica deseja para eles, pois também os ama e tem uma boa nova para eles; são filhos muito amados pelo Pai do céu, que os chama a viver com dignidade e em paz consigo mesmos e com os outros.

Publicado em O SÃO PAULO, ed. de 28.06.2011

Um ensinamento que Jesus nos deixou e nós ignoramos

Você tem vários caminhos. Eles podem te levar ao mesmo destino, mas a escolha é sua.
Você tem vários caminhos. Eles podem te levar ao mesmo destino, mas a escolha é sua.

Esta semana comecei a refletir sobre muitas coisas. Umas delas envolvia essa história de estado laico e também comportamentos sociais contemporâneos. Muito se fala. Muito se opina. E muitos tem a verdade encrustada em suas pronuncias. Ao menos pensam que tem. Mas o que isso tem há ver com os ensinamentos de Jesus? Tudo, meu caro padawan.

Comecemos pelo ensinamento que ignoramos: o livre arbítrio.

– Mas esse ensinamento é conhecido de todos. Deus nos deu. Como pode ter sido ensinado por Jesus?

– Explico.

O livre arbítrio nos foi dado por Deus desde nossa concepção. Se assim não fosse, não haveria fruto proibido no Jardim do Éden. Mas essa é outra história, um tanto quanto complicada. O que quero dizer é que temos nossas escolhas. Optamos por entrar ou não para o Reino de Deus, para a permanência do Pai, embora Ele queira todos consigo. Mas, ainda sim, podemos escolher.

Jesus nos ensinou muito sobre o livre arbítrio, pois ele mesmo pode escolher em obedecer ao Pai ou não. Em sua oração ele pediu que fosse afastado dele o cálice. Depois, em plena convicção e comunhão com o Pai disse: “Meu Pai, se é possível, afasta de mim este cálice! Todavia não se faça o que eu quero, mas sim o que tu queres”. (Mt 26, 39). A vontade de Deus é que importa para Cristo. Ele nos ensina a obediência, o amor.

easter_front1

– Mas nós podemos fazer o outro obedecer a força?

Essa é a questão. O livre arbítrio dado por Deus a nós nos impede de impormos qualquer coisa, pensamento ou atitude sobre o outro. A escolha é dele. Ele aceita ou não. Jesus nos ensinou o respeito a isso. Ele optou pela morte de cruz para nos salvar. Salvar até mesmo seu algozes.

A Bíblia não é uma arma.
A Bíblia não é uma arma.

Mais adiante, no mesmo evangelho, ele pede que evangelizemos todas as criaturas. Todos os homens. O que vejo hoje é que modificamos o conceito de evangelizar para “forçar a conversão”. Isso não deve acontecer. Por isso enfrentamos esse combate monstruoso aos valores cristãos. Lógico que há ação do encardido também no meio disso. Contudo, nossa confusão nos leva ao caos evangelístico. A crença de que se o estado não for laico ou os comportamentos modernos existirem o mundo acaba. Lembre-se, que é você, com tudo que ouviu e aprendeu de Jesus que escolhe seu caminho.

Continuar lendo Um ensinamento que Jesus nos deixou e nós ignoramos

Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprova projeto que permite templo vetar gay

FOLHA DE SÃO PAULO | Sob o comando do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), a Comissão de Direitos Humanos da Câmara aprovou nesta quarta-feira (16) projeto de lei que livra os templos religiosos, padres e pastores de serem enquadrados na lei de discriminação se vetarem a presença e participação de pessoas “em desacordo com suas crenças”.

Na prática, a proposta quer evitar que os religiosos sejam criminalizados caso se recusem a realizar casamentos homossexuais, batizados ou outras cerimônias de filhos de casais gays ou mesmo aceitar a presença dessas pessoas em templos religiosos.

Autor do projeto, o deputado Washington Reis (PMDB-RJ) propõe alterar uma lei de 1989 que define como crime praticar, induzir ou incitar a discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional. Essa norma estabelece prisão de um a três anos para tais situações.

Segundo parlamentares, essa lei é utilizada atualmente por homossexuais que se sentem discriminados. A criação de uma lei específica contra a discriminação de gays sofre resistência no Congresso.

“Deve-se a devida atenção ao fato da prática homossexual ser descrita em muitas doutrinas religiosas como uma conduta em desacordo com suas crenças. Em razão disso, deve-se assistir a tais organizações religiosas o direito de liberdade de manifestação”, afirmou Reis.

A posição foi reforçada pelo relatório do deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ). “O alcance da lei, antes voltado mais à questão racial, tem sido ampliado, tendendo a estender proteção também à prática homossexual. Assim, [a proposta] esclarece melhor o alcance da referida norma ao diferenciar discriminação de liberdade de crença”, disse ele.

“As organizações religiosas têm reconhecido direito de definir regras próprias de funcionamento e inclusive elencar condutas morais e sociais que devem ser seguidas por seus membros”, completou Bolsonaro.

O texto, que foi aprovado pela comissão formada majoritariamente por evangélicos, segue para votação na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara.

Intolerância religiosa: projeto de fotógrafo espanhol contra a homofobia ofende a Igreja

O fotógrafo espanhol Gonzalo Orquin atraiu a ira do Vaticano por causa de seu novo projeto. Ele tirou uma série de fotografias de gays e lásbicas se beijando no altar de igrejas de Roma, numa alusão a fotos de casamento. Elas fazem parte de um livro e o fotógrafo pretendia expô-las numa mostra intitulada “Si, quiero”, expressão espanhola usada pelos casais na cerimônias de casamento. Contudo, após sua divulgação, o Vaticano interveio e conseguiu proibir o evento. “Por razões de segurança, decidimos não mostrar as fotos”, conta Orquin. Contudo, ressalta que seus advogados estão trabalhando no caso e não desistiu de fazer a mostra.

O porta-voz do Vicariato de Roma, Claudio Tanturri explica que as imagens violam a Constituição italiana. “O Direito Constitucional Italiano protege o sentimento religioso de um indivíduo e a estabelece as igrejas como lugares de culto. Essas fotos não são adequadas e não estão de acordo com a espiritualidade do lugar, ofendendo um lugar que serve para a expressão da fé”. Orquin recebeu apoio de grupos LGBTS que estão fazendo uma campanha no Facebook protestando contra a censura da liderança católica. Flavio Romani, presidente de um grupo italiano de direitos dos homossexuais não se conforma: “Nessas imagens não há provocação, o que vejo é uma troca de amor, um tipo de culto público que cria harmonia não contrário”.

O fotógrafo espanhol afirma ser católico e viveu em Roma por 8 anos. Para ele, a Itália é “um país muito homofóbico”, muito mais que as demais nações da Europa. Por isso mesmo, tomou alguns cuidadas para evitar problemas: “As fotos foram tiradas durante a madrugada, com as igrejas vazias. Não queria ferir a sensibilidade de ninguém. Nenhum padre viu e não tivemos nenhum problema”. Em entrevista ao jornal francês Le Figaro, explicou não ser homossexual e não entender a homofobia da Igreja Católica. “Deus é amor. Eu sou uma pessoa de fé. Pergunto-me todos os dias se um beijo, um simples gesto de amor entre os seres humanos, pode irritar a Deus”, assevera. Ressalta ainda que tem “muita esperança” que Papa Francisco mude a visão da Igreja sobre a questão da homossexualidade, como parece que já sinalizou.

Em julho, durante um culto em Belém, onde o pastor Marco Feliciano ministrava, ocorreu uma “manifestação” onde duas mulheres se beijaram dentro da igreja, o que gerou grande polêmica.  No mês passado, a polícia Militar prendeu duas jovens que se beijaram durante a ministração do pastor Marco Feliciano no evento Glorifica Litoral. A prisão aconteceu a mando do deputado que percebeu a ação das jovens. “A Polícia Militar que aqui está, dê um jeitinho naquelas duas garotas que estão se beijando. Aquelas duas meninas têm que sair daqui algemadas. Não adianta fugir, a guarda civil está indo até aí. Isso aqui não é a casa da mãe Joana, é a casa de Deus”, disse Feliciano.

Após o ocorrido, a questão da liberdade religiosa versus liberdade de culto voltou a ser amplamente debatida no Brasil. Feliciano afirmou que o ato das jovens é crime de acordo com o artigo 208 do Código Penal e prevê pena de um mês a um ano de prisão para quem “escarnecer de alguém publicamente, por motivo de crença ou função religiosa; impedir ou perturbar cerimônia ou prática de culto religioso; vilipendiar publicamente ato ou objeto de culto religioso”.

Texto públicado no blog Fatos em Foco | Fonte: GP e Huffington Post

REJU lança nota contra o projeto de lei “Cura Gay”

A REJU – Rede Ecumênica de Juventude -, entidade ligada ao CONIC, Conselho Nacional das Igrejas Cristãs do Brasil, lançou nota contrária ao projeto “Cura Gay” (como a mídia o intitulou). A título de informação, o Conic é vinculado a CNBB – Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, afinal a Igreja Católica é membro do conselho.

Leia:

CONIC | A Rede Ecumênica da Juventude (REJU) vem a público manifestar seu repúdio ao Projeto de Lei 234/11 recentemente aprovado na Comissão de Direitos Humanos da Câmara dos Deputados, sob autoria do deputado João Campos (PSDB-GO) e relatoria do deputado Anderson Ferreira (PR-PE), ambos vinculados à “Bancada evangélica”.

Este projeto, que vem sendo chamado de “Cura Gay”,pretende suspender a resolução do  Conselho Federal de Psicologia (CFP), de 1999, que proibiu @s profissionais da psicologia de realizarem terapia para alterar a orientação sexual. Uma vez que a orientação sexual não é considerada uma doença, mas, sim, uma variação da sexualidade humana.

A REJU, um espaço de debate e mobilização em torno dos direitos da juventude, tem em seus eixos de atuação o enfrentamento às intolerâncias, como a lesbofobia, transfobia e homofobia. Por estar neste debate, sentimos a necessidade de vir a publico, como jovens de diferentes experiências e tradições religiosas, para marcarmos nosso compromisso com o reconhecimento da diversidade sexual como um direito humano, algo também sinalizado no texto do Estatuto da Juventude aprovado no Senado Federal.

Somos contráriás ao projeto de “Cura Gay” (PL 234/11), porque:

1) O amor em suas diversas formas de expressão não pode ser considerado uma doença, e sim uma dimensão da vida, que precisa ser valorizada como direito fundamental do indivíduo que o pratica. Precisamos curar o ódio, a violência e as intolerâncias, atitudes estas que assistimos serem naturalizadas cotidianamente, sobretudo, contra pessoas subalternizadas pelos modelos heteronormativos que imperam na sociedade atual;

2) A homo, lesbo, transfobia são realidades presentes na sociedade atual, que resultam em distintas violências, cometidas especialmente contra jovens. Algo que foi sinalizado no “Relatório sobre Violência Homofóbica no Brasil: o ano de 2011” (clique aqui). Os dados são preocupantes. De janeiro a dezembro de 2011 foram denunciadas 6.809 violações de direitos humanos contra LGBTs, desses, 69% dos casos são violações contra jovens de 15 a 29 anos. Considerar a orientação sexual de uma pessoa como uma patologia implica no estímulo à violência (física e simbólica) que sofrem cotidianamente a população LGBT, uma vez que discursos de ódio (presentes até mesmo na prática religiosa) são empregados, a todo o tempo, contra essas pessoas;

3) Permitir que a ‘Cura Gay’ (PL 234/11) seja instrumentalizada como enriquecimento de pessoas e instituições que de forma falseada irão oferecer os processos terapêuticos de “Cura Gay”, em sua maioria com finalidade ‘religiosas,’ é um retrocesso, porque atinge diretamente a integridade de pessoas LGBT. Tais processos também atingiriam, diretamente, a legitimidade das psicopatologias e das ciências psicológicas e psiquiátricas;

4) O projeto “Cura Gay” – posta em votação sob a influência do poder arbitrário do deputado Marco Feliciano (PSC-SP), partícipe da chamada “Bancada evangélica” – fere gravemente o principio de laicidade do Estado brasileiro e os Direitos Humanos. O Estado laico garante (ou deveria) a não imposição de concepções particulares (como de uma determinada religião) para o espaço público. Assim, há um profundo respeito pelas distintas confissões religiosas, mas suas concepções privadas não podem ser elevadas à categoria de universal e de orientadoras das políticas públicas.

Além disso, a Constituição Federal (1988), afirma em seu primeiro título que:

Art. 3º Constituem objetivos fundamentais da República Federativa do Brasil:

I – construir uma sociedade livre, justa e solidária;

IV – promover o bem de todos, sem preconceitos de origem, raça, sexo, cor, idade e quaisquer outras formas de discriminação.

Assim, a REJU julga que o Projeto de Lei 234/11 (“Cura Gay”) se constrói de maneira discriminatória e, consequentemente, inconstitucional. Por isto, desejamos que as outras Comissões que analisarão o projeto na Câmara dos Deputados não se furtem em manifestar-se firmemente contra tal iniciativa, sendo guiadas pela jurisprudência e, especialmente, pela Constituição Federal. Essa é nossa esperança, que a boa política prevaleça acima de qualquer tentativa de barganha que possa influenciar e favorecer o retrocesso na garantia de direitos.

Para além dos termos constitucionais, julgamos justa apenas a promoção do amor e da liberdade, e sobre tais pilares firmamos nossos pés, nossa luta e nossa fé.

Rede Ecumênica da Juventude (REJU)

A maioridade penal e menoridade moral da sociedade e do governo do Brasil

Este é o resultado da nossa enquete sobre a redução da maioridade penal. Infelizmente a maioria votou a favor.

Ontem a CNBB – Conferência Nacional dos Brasil – divulgou nota sobre esse tema, onde demonstram total desagrado com a possibilidade de “criminalizar o adolescente”. Confesso a vocês que por várias vezes oscilei entre ser a favor e outras contra a redução. Hoje sou extremamente.

menoridade1A redução da maioridade penal leva a nossa sociedade a mais um erro, que depois ficará difícil de de se reparar. Nosso sistema prisional é insuficiente para acolher os meliantes atuais, quanto mais os vários, pois são muitos mesmos, menores infratores.

Estamos acostumados no Brasil a fazermos leis para tudo e para poucos. Entendemos muitas vezes que se a lei for aprovada será cumprida e aí está nosso maior erro.

Conclamo a meditarmos sobre as leis já existentes. Veja só, um exemplo claro de que não cumprimos nossas leis. É lei que que ninguém pode ameaçar, agredir e assassinar outra pessoa. Aqui, entende-se que “pessoa” são crianças, adultos, mulheres, homens, homossexuais, prostitutas e etc. Todos os grupos humanos existentes. No entanto o que fazemos? Criamos PEC’s (Leis complementares a constituição) para “proteger” as minorias. Foi assim com a lei Maira da Penha (Afirmo não ser contra, mas não precisaria existir essa lei se respeitássemos as outras leis); a polêmica lei da homofobia (ainda não aprovada); o Estatuto da Criança e Adolescente e outras específicas a grupos marginalizados.

Na minha opinião, quando assim fazemos deixamos mais ainda os marginalizados as margens sociais, afinal com a lei os segregamos de forma licita e definitiva.

Uma lei nem sempre é inclusiva e garantidora dos diretos. Muito se falou sobre a Lei Maria da Penha, e as mulheres continuam morrendo. Não por causa da lei, mas por causa da imoralidade das pessoas que não seguem as normas constitucionais, e do Governo e sua morosidade em atender as demandas sociais da população.

A Lei da Ficha Limpa é outro exemplo. Houve resultados com sua chegada? Sim, mas não. Os grandes políticos, nacionalmente conhecidos por corrupção e denunciados por cidadãos participativos aos problemas sociais, estão aí, soltos e no Planalto. Não é necessário nem mencionar os nomes deles aqui.

famalia1-300x240Lei por lei não nos obriga a nada. Nesta terra de ninguém, ou melhor de alguns poucos, quando se diz em reduzir a maioridade penal estamos na verdade segregando mais ainda as classes sociais sem acesso a escola – direito constitucional -, sem a acesso a renda, em uma distribuição igualitária – direito constitucional – e tantos outros direitos já previstos em nossa Constituição e que não são cumpridos.

A redução da maioridade penal, se acontecer, e de forma pessimista certamente irá acontecer, será um golpe moral a sociedade brasileira, que irá clamar por reduzir a cada ano essa idade. Chegará uma hora que veremos que é tarde de mais e que nosso erro passou pela nossa falta de caráter social e insignificância enquanto cidadãos.

Movimentemos em prol do cumprimento das leis que já existem. Dos direitos que insistimos em não ter, por que os ignoramos, e da força que pensamos não ter mediante nossa menoridade moral para esses assuntos.

Por Marquione Ban

Mãe de Daniela Mercury se declara contra casamento gay

Pais de Daniela Mercury
Pais de Daniela Mercury

BLOG O POVO – A união de Daniela Mercury com uma mulher foi o assunto da semana. Ocupou o espaço de revistas semanais e de programas nacionais como o Fantástico. O fato foi tomado como um marco histórico e tomou uma conotação política devido à atual situação da Comissão dos Direitos Humanos e Minorias da Câmara (CDHM), onde militantes LGBT pedem a saída de seu presidente, o deputado Marco Feliciano (PSC).

A grande mídia não repercute na mesma medida quem é contra o casamento gay, ao contrário, rotula a opinião de homofóbica. Exemplo disso foi o que aconteceu com a cantora Joelma da Banda Calypso. À simples declaração de se dizer contra o casamento gay rendeu até corte da participação da artista em filme que seria produzido sobre a história da banda.

Quem  se declarou contra a união gay foi a mãe da cantora Daniela Mercury. Dona Liliane Mercure é Vice-Reitora da Universidade Católica de Salvador (Ucsal) e segundo a imprensa baiana não aprovou o casamento da filha.  Ainda de acordo com o Bahia Notícias “Dona Liliane  teria ficado mais chateada ainda com a exposição que a cantora fez ao revelar seu relacionamento nas redes sociais”.

Resta saber se os grupos LGBT tratarão a mãe da cantora como fez com Joelma, rotulando-a de homofóbica. Averiguando o que já foi publicado o adjetivo utilizado até agora  para descrever a opinião da mãe da cantora é conservadorismo.

//////////////////

O movimento por trás do Fora Feliciano, do casamento gay está caracterizando qualquer opinião contrária a deles como homofóbica. Posso assim dizer que essa linha de pensamento deles traz a nós cristãos um termo que temos de divulgar. Essa minoria que diz falar por todos, mas compra a mídia, na verdade é “Cristofóbica, Valorfóbica”, persegue quem tem opinião contrária às suas.

É valido lembrar que opinião todos tem uma. Respeitá-las é o principio da paz.

Google criticada por ceder à pressão global para impor a agenda gay

(ACI/EWTN Noticias).- A pressão da companhia Google para obter o reconhecimento legal das relações homossexuais em países como a Polônia ofendeu os seus críticos, que asseguram que a firma deveria preocupar-se com as violações contra direitos humanos fundamentais básicos em outros lugares.

Em diálogo com o grupo ACI no dia 17 de julho, o diretor do Instituto Tertio Millenio de Cracovia (Polônia), Pe. Maciej Zieba, lamentou que “a Google não pode distinguir entre discriminação, tolerância e promoção”.

“Na minha opinião, seria muito melhor se a Google, com o mesmo zelo, se concentrasse nas violações de direitos humanos em muitos países da Ásia e África, onde são violados direitos humanos elementares”.

No dia 7 de julho em Londres, o diretor do departamento de Diversidade e Inclusão da Google, Mark Palmer-Edgecumbe, disse na Conferência Global de Lugares LGBT (Lésbicas, gays, bissexuais e transexuais) para o trabalho que desenvolverá iniciativas em todo mundo como parte de seu “muito ambicioso trabalho”.

“Queremos que nossos empregados que são gays ou lésbicas ou transgêneros tenham a mesma experiência fora do escritório como a que têm dentro dele”, disse.

A campanha se enfocará em países como a Polônia, que não reconhece os “matrimônios” homossexuais, e Singapura, que criminaliza os atos homossexuais.

Um registro de 8 de julho da página de diversidade da companhia afirma: “a Google acredita que os direitos LGBT são direitos humanos. Estamos nos associando com organizações ao redor do mundo para despenalizar a homossexualidade e eliminar a homofobia”.

Entretanto, o gigante da Internet modificou posteriormente a forma de apresentar sua campanha. O escritório da companhia em Varsovia (Polônia) recentemente recebeu o político e ativista homossexual Krystian Legierski para uma “conversação de escritório aberto e um almoço para discutir a importância das leis de associação civis”.

O P. Zieba se sentiu surpreso pelo uso inicial de uma linguagem de fé por parte da Google. A promoção de uma fé, disse, será uma “espécie de trabalho “missionário”.

“Mas esta forma de trabalho missionário no século XXI parece bastante anacrônica, e realizá-la desde o exterior é um sintoma de mau gosto”, assinalou.

O sacerdote indicou que a discriminação contra a mulher, perseguições religiosas, a falta de liberdade de expressão e a perseguição da oposição política em outros países são causas muito mais importantes.

O P. Zieba também rechaçou a afirmação de que os católicos poloneses são intolerantes.

“Os católicos devem opor-se a qualquer forma de intolerância ou discriminação”, afirmou o sacerdote que também assinalou a existência de “representantes de minorias sexuais” no parlamento nacional e nos meios de comunicação.

O comentarista católico polonês-americano George Weigel também criticou a campanha da Google, dizendo que não significa “nada de bom” para a defesa do matrimônio e da moral pública.

Em um correio enviado ao grupo ACI no dia 14 de julho, Weigel disse que “não vejo por que é um assunto do Google a forma que a Polônia defina por matrimônio o que é definido pela natureza, não pelos fornecedores de Internet, nem pelos governos”.

Weigel disse que o ativismo gay na Polônia foi “o mesmo que em outras partes”, em referência a que “uma pequena minoria vendeu exitosamente a falsa noção de que a homossexualidade é o equivalente à raça para os propósitos das leis de direitos civis e humanos”.

Os católicos na Polônia e nos Estados Unidos, disse, deveriam escrever às companhias que apóiam as agendas políticas homossexuais e expressar “sua oposição a esta propaganda”.

A iniciativa da Google assinala o trabalho da companhia nas celebrações do orgulho gay, em cidades dos Estados Unidos, em São Paulo (no Brasil), Tel Aviv (Israel) e Varsóvia (Polônia). Seus sócios incluem a Campanha de Direitos humanos, a Associação Nacional de Jornalistas Lésbicas e Gays, e a StoneWall.

Entre os apresentadores convidados na Conferência “Legalizem o Amor” da Google, figuraram Peter Tatchell, um ativista britânico com uma história de ações anti-católicas e anti-cristãs. Em abril de 1998, junto a outros ativistas, ele irrompeu durante o Sermão Pascal do Arcebispo de Canterbury, no Reino Unido.

Em 2004, Tatchell e outros ativistas, usando uma linguagem insultante para os fiéis e o clero, bloquearam o ingresso à Catedral de Westminster (Reino Unido) e impediram que os católicos fossem à Missa de Domingo de Ramos.

O ativista britânico se opôs s defesa da liberdade religiosa de agências de adoção cristãs que queriam dar crianças em adoção apenas a casais casados.

A carência destes amparos causou o fechamento de muitas agências católicas de adoção no Reino Unido.

Tatchell também foi um dos que pediram a prisão do Papa Bento XVI durante sua visita ao Reino Unido em 2010.

Kit aborto: como assim?

Dom Eduardo Benes de Sales Rodrigues
Arcebispo de Sorocaba (SP)

É lamentável que os cuidadores da saúde pública, ao invés de se empenharem em promover a vida, se ocupem em formular políticas que acabam por estimular a prática do aborto.

O leitor, com certeza, se lembra do Kit Gay, proposta de um grupo do Ministério da Educação para combater a homofobia. A cultura gay criou a palavra homo-afetividade e seus derivados, para substituir a palavra homossexualidade e seus derivados, cujo peso semântico estaria impregnado de milênios de preconceito contra os homossexuais. Só que o conteúdo do Kit Gay, ao invés de educar para aceitação do diferente e de propor caminhos de uma solução ética para as questões levantadas pela problemática, transforma a exceção em ideal e não faz suficiente distinção entre homossexualidade e homossexualismo: aquela uma condição, na maioria dos casos, independente da vontade da pessoa e este, uma prática eticamente reprovável, que jamais poderá ser inscrita no horizonte daquilo que a história humana sempre entendeu por casamento. Infelizmente vivemos um momento “cultural” onde as palavras não traduzem mais a realidade objetiva das coisas, mas os desejos arbitrários de indivíduos ou de grupos de indivíduos. É dentro desse quadro “cultural” que, por pressão de grupos organizados, certas práticas acabam por receber respaldo legal.

É o que o Ministério da Saúde de nosso país pretende fazer através de uma coisa que se poderia chamar de Kit Aborto a ser distribuído nos hospitais públicos para as mulheres que querem abortar. O Estadão noticiou: “O Ministério da Saúde e um grupo de especialistas se reúnem para discutir um programa para aconselhamento de mulheres que decidiram abortar. A comissão vai sugerir a formulação de uma cartilha, com orientações para que o procedimento seja feito com segurança. A intenção é fecharmos o material de orientação em, no máximo, um mês”, afirmou o coordenador do grupo de estudos sobre o aborto da sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Thomaz Gollop. O formato final do programa será definido pelo Ministério. A cartilha conteria, por exemplo, informações para a mulher escolher o lugar do procedimento.

O uso de comprimidos à base de misoprostol, droga altamente abortiva, seria facilitado pela rede pública. “O projeto do Ministério da Saúde consiste na seguinte estratégia: a mulher grávida vai a uma unidade de saúde pública mais perto de sua casa e pega o Kit Aborto e vai para casa fazer o aborto ilegal de forma segura. Tudo isso financiado com o dinheiro público”. A justificativa são os milhões de abortos com milhares de mortes de mulheres(?!!!) que acontecem no Brasil em clínicas clandestinas. Sobre isso ponderou alguém: “Como foi feita essa pesquisa? Qual o método foi utilizado? Qual a amostragem? Chega de jogar na cara da população números sem sentido e sem explicação… Parece que essa história de “um milhão de abortos” não passa de mágica, de maquiagem, de ficção matemática.”

A proposta do Ministério da Saúde pretende que o Kit Aborto “seja um componente da política de planejamento reprodutivo”. O que é uma evidente aberração lógica. “De um lado, a política de planejamento reprodutivo pressupõe a reprodução, isto é, uma mulher vai ficar grávida, ter um filho, etc. Com isso, é descartada a morte do feto por meio da realização do aborto. Do outro lado, é preciso ver que esse argumento é uma frase bonita, uma espécie de poesia, para disfarçar a verdadeira intenção, que é a legalização indireta do aborto e, ainda por cima, com financiamento público.” É lamentável que os cuidadores da saúde pública, ao invés de se empenharem em promover a vida, se ocupem em formular políticas que acabam por estimular a prática do aborto.

Compete aos cristãos e a todas as pessoas que conservam o senso sagrado da inviolabilidade da vida humana (a vida do feto é vida humana), a missão de lutarem por todos os meios para que o aborto seja banido da face da terra. Essa missão nós a realizamos de três maneiras: a) pela mobilização contra projetos de lei e contra medidas governamentais pró-aborto; b) pela formação das consciências das crianças e dos jovens no sentido da defesa da vida sempre e em todas as etapas de seu desenvolvimento; c) pela presença e apoio a mulheres grávidas com dificuldades de levar adiante a gravidez. A Igreja procura também ir ao encontro das mulheres, que se submeteram em momentos de desespero ao aborto, com o chamado Projeto Raquel. “O Projeto Raquel é o ministério de cura pós-aborto da Igreja Católica nos Estados Unidos (e agora em diversos países) e está em atividade sob alguma forma na maioria das dioceses com o nome Projeto Raquel ou outro similar.”

Em Sorocaba ainda não o temos implantado. Mas eis o depoimento de alguém que recebeu o apoio desse serviço da Igreja: “O Projeto Raquel me deu a capacidade de me afastar de uma vida de desespero e culpa e começar uma nova vida de esperança e perdão. Uma experiência única… Eu nunca mais serei a mesma.”

A falsa denúncia de homofobia no “Fantástico” demonstra por que a tal lei anti-homofobia não pode ser aprovada. Ou: O tiro no pé da militância gay

Veja essa matéria do blog Reinaldo Azevedo falando sobre a lei da homofobia e sobre a denuncia feita pelo Fantástico na noite de domingo, 22/04. Muito interessante as colocações dele.

É valido lembar que qualquer tipo de exclusão deve ser banida de nossa sociedade e de nosso caráter, mas também é justo que qualquer ser defenda seu ponto de vista, sua opinião. Ser contra o comportamento homossexual é uma coisa e discriminar o homoafetivo é contra os princípios de Deus. A opinião de Reinaldo Azevedo sobre a lei que tramita em Brasília, referente a homofobia, é muito boa e principalmente sobre o jornalismo praticado pelo Fantástico, que já bateu o martelo: o professor foi mandado embora por discriminação.

Confiram na integra a matéria:

A falsa denúncia de homofobia no “Fantástico” demonstra por que a tal lei anti-homofobia não pode ser aprovada. Ou: O tiro no pé da militância gay

O “Fantástico” levou ontem ao ar uma reportagem preconceituosa. Sim, é o “preconceito a favor”. A questão é saber se o “preconceito a favor de uma causa” provoca ou não danos a terceiros. A dúvida é meramente retórica porque a resposta é óbvia. O vídeo com a reportagem está aqui. Eu a reproduzo abaixo (em vermelho). Leiam com atenção. Volto em seguida.

Dois domingos atrás, o Fantástico foi a Santos conhecer um curso que se destina a formar drag queens. Durante a gravação, um aluno se destacou e, quando voltou ao trabalho, o aprendiz de drag teve uma surpresa. E não foi nada agradável. Foi Ailton aparecer no Fantástico na semana passada. “Sou psicólogo, administrador, professor da área de logística e quase drag.”, disse ele na reportagem. No dia seguinte, tudo mudou. “Um dos meus chefes simplesmente chegou para mim e disse que não era condizente com ele, que aquilo não era bom para empresa, não era bom para a imagem”, conta o professor.

A reportagem era sobre um curso de drag queen, e Ailton era um dos alunos. Ele andou de salto alto, dançou, cantou. Ele era professor de logística em uma escola, no centro de São Vicente, litoral de São Paulo. Ficou dois anos e meio no emprego. Na segunda-feira depois da reportagem, recebeu o aviso do chefe, antes mesmo de chegar ao trabalho. “Ele falou abertamente: ‘você está demitido’”, diz conta. A carta de demissão diz que Ailton foi despedido “sem justa causa”, mas ele acha que o motivo está claro. “Sofri um ato homofóbico”, desabafa.

Por isso, o professor registrou um boletim de ocorrência por “injúria”. Contou à polícia que o patrão disse que ele era uma “mancha para sua empresa”. Ailton ficou apenas com o segundo emprego, em uma entidade que oferece cursos profissionalizantes de graça. O professor é homossexual assumido e alega que o agora ex-chefe sabia disso. “Eu não imaginava que fosse gerar essa polêmica toda”, se emociona Ailton.

Procuramos o dono da empresa. Ele conversou com nossa equipe, mas não quis gravar entrevista. Em uma nota, o advogado da escola contesta a versão de Ailton. Afirma que a empresa está “indignada com as inverdades mencionadas e que tomará medidas judiciais para proteger sua honra”. O ex-patrão de Ailton negou qualquer tipo de preconceito, disse que já vinha pensando em demitir o ex-funcionário, porque o rendimento dele estava caindo e que Ailton também estava faltando. Ele achou melhor fazer o desligamento, depois que Ailton não apareceu na escola durante dois dias, porque estava participando do curso de drag queen.

Repórter: Você faltava?
Ailton: O único dia que eu faltei, foi exatamente no Sábado de Aleluia. Na quinta-feira, eu havia deixado uma atividade.

Para a presidente da Comissão Nacional de Diversidade Sexual da Ordem dos Advogados do Brasil, demitir por causa de duas faltas é exagero. “Não houve nenhuma advertência e simplesmente a demissão? Dois dias de falta não ensejam a demissão desta forma como foi feito. Acho que isso fica evidenciado, que foi uma demissão causada por homofobia.”, afirma Maria Berenice Dias.  Chateados, os colegas do curso de drag queen mandaram recados para o ex-patrão de Ailton.

“Agora você deveria conversar com o Ailton e trazer ele de volta. Faz isso que eu to te pedindo. Chama ele de volta que eu acho que vai ser melhor pra todo mundo.”
“Eu aproveitaria o marketing que o Ailton teve, colocaria ele montado de drag na frente da loja. Eu garanto que ia ter muito mais público. Pensa nisso. Contrata ele agora como drag!”, sugere Zé Carlos Gomes, coordenador do curso .

Segundo a representante da OAB, Ailton pode pedir indenização por danos morais. Mas ele não se decidiu. “Eu não sei te dizer até que ponto a indenização é interessante. Eu só sei de uma coisa: preconceito não pode existir.”

Voltei
Se a tal lei tivesse sido aprovada, a chance de o ex-patrão de Ailton ir para a cadeia seria enorme. Dispensa “por homofobia” rende pena de 2 a 5 anos de reclusão. Caso o empregador seja acusado de não contratar alguém pela mesma a razão, a coisa é ainda pior: pena de três a cinco anos. No caso em questão, a lei nem existe, mas a sentença já está dada: pela reportagem do Fantástico — não há como negar — e pela representante da OAB, todos convertidos em juízes.

Aílton não tem dúvida de que foi vítima de homofobia, claro!, embora, vejam que fantástico (!), ele seja homossexual assumido e seu patrão soubesse disso. Assim, devemos entender que seu patrão “homofóbico” contratou um homossexual assumido. Entenderam???

Muito bem! Aílton diz que faltou ao emprego num dia e deixou de “cumprir uma atividade em outro”… Mas, se ele é gay e aparece na televisão se comportando como uma drag queen, é claro que só isso pode ter decidido a sua demissão. Temos, então, que um gay não poderá mais ser dispensado por incompetência, negligência, sei lá o quê. Será sempre homofobia. Fosse ele hétero e tivesse aparecido na TV como aluno de um curso para machões, aí não haveria como alegar preconceito.

Reitero: a lei nem foi aprovada, e já há gente sendo demonizada na televisão. Ademais, pergunto: uma escola — estou falando de “escola”, não de uma empresa da área de entretenimento — tem o direito de não querer uma drag queem como professora caso considere que isso a prejudica na disputa pelo mercado? Uma pré-escola pode decidir não contratar a Tia Swellen Wonderful — que, na verdade, é o Tio João Evangelista de Souza —porque isso deixaria as crianças um pouco confusas? Segundo a lei que querme aprovar, não! Cadeia!

Essa é a mesma lei que poderia mandar para a cadeia um padre ou pastor que coibisse a expressão da “homoafetividade” dentro de uma igreja. Atenção! Se um líder religioso desse um pito num casal hétero que estivesse trocando um beijo de língua dentro do templo, a lei o protegeria. Afinal, nos seus domínios, cabe-lhe impor o padrão moral de sua crença. Caso fizesse o mesmo com parceiros gays, poderia ficar cinco anos trancafiado. E olhem que nem seria preciso dizer palavras duras: caso os parceiros gays se sentissem psicologicamente constrangidos — uma coisa, assim, subjetiva… —, já haveria motivos para a acusação de homofobia. O texto trata até do “constrangimento filosófico”, seja lá o que isso signifique.

O que quer essa gente? Que os empregadores comecem a ficar com receio de contratar gays, já que podem estar se expondo a uma futura acusação de homofobia?

Por Reinaldo Azevedo

Nota da CNBB sobre a criminalização da homofobia

CNBB3O presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), Cardeal Raymundo Damasceno Assis emitiu nota de esclarecimento sobre o que parte da imprensa chamou de “acordo” entre a senadora Marta Suplicy e a CNBB a respeito do Substitutivo do PL 122/2006 que trata da questão da criminalização da homofobia.

Confira a nota:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil

Brasília, 07 de dezembro de 2011

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), por fidelidade a Cristo e à Igreja, no firme propósito de ser instrumento da verdade, vem esclarecer que, atendendo à solicitação da senadora Marta Suplicy, a recebeu em audiência, no dia 1º de dezembro de 2011, e ouviu sua apresentação sobre o texto substitutivo para o PL 122/2006.

A presidência da CNBB não fez acordo com a senadora, conforme noticiou parte da imprensa. Na ocasião, fez observações, deu sugestões e se comprometeu com a senadora a continuar acompanhando o desenrolar da discussão sobre o projeto. Reiterou, ainda, a posição da Igreja de combater todo tipo de discriminação e manifestou, por fim, sua fraterna e permanente disposição para o diálogo e colaboração em tudo o que diz respeito ao bem da pessoa humana.

Cardeal Raymundo Damasceno Assis

Arcebispo de Aparecida

Presidente da CNBB

50 mil pessoas protestam contra PL que criminaliza a homofobia

Pessoas de todo o país se reuniram em Brasília para protestar contra o Projeto de Lei 122/06

Mais de 50 mil pessoas de todo o país, na maioria católicos e evangélicos, se reuniram em Brasília, nesta quarta-feira, 1º, para participar da Marcha pela Família, em frente ao Congresso Nacional. A mobilização quis protestar contra o Projeto de Lei (PL) 122/06 que criminaliza a homofobia no país.

“Esse projeto pode transformar em criminosa qualquer pessoa ou instituição que tenha posição contrária ao incentivo e prática homossexual”, explica o vigário episcopal da Arquidiocese de Brasília, padre Paulo Sérgio Casteliano.

O sacerdote explica que, se a lei for aprovada, a pessoa não terá o “direito de pensar diferente” e pode ser preso injustamente, com uma falsa acusação de homofobia.

Ele exemplifica: “Se você contratar um funcionário que tenha essa opção sexual e, depois de um tempo de serviço, ele se demonstrar desleixado ou irresponsável e for mandado embora por justa causa, basta ele dizer que está sendo perseguido por causa da opção sexual e essa lei irá criminalizar imediatamente o empregador, que pode ir para a cadeia sem direito à fiança”.

Segundo um dos organizadores da marcha e líder da Assembléia de Deus, pastor Silas Malafaia, a lei é inconstitucional e contra a família. “É uma lei vergonhosa, que finge proteger a prática homossexual, porém, sua intenção real é colocar uma mordaça na sociedade e criminalizar os que são contra o comportamento homossexual. Com essa lei querem atingir as famílias, as questões religiosas e a liberdade de expressão”.

A posição da Igreja não muda

Recentemente, com a aprovação da união homoafetiva, pelo Supremo Tribunal Federal (STF), o Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Antônio Augusto, explicou que a Igreja não discrimina os homossexuais, mas quer que sua opinião sobre o assunto seja respeitada na sua posição de que o casamento é definido como uma união entre o homem e a mulher.

“Cada instituição tem os seus direitos e procedimentos próprios. Não há como considerar discriminação [por parte da Igreja]”, destacou o bispo ao recordar que a Igreja já se pronunciou sobre o tema através de documentos da Santa Sé, como a “Carta aos bispos da Igreja Católica sobre o atendimento pastoral das pessoas homossexuais, divulgada pela Congregação para a Doutrina da Fé.

Em um trecho desta carta, a Santa Sé afirma que o fato de denunciar as injustiças contra as pessoas homossexuais não pode conduzir à afirmação de que a condição homossexual não seja desordenada, e aponta as consequências ao se reforçar tal atitude: “Quando tal afirmação é aceita e, por conseguinte, a atividade homossexual é considerada boa, ou quando se adota uma legislação civil para tutelar um comportamento ao qual ninguém pode reivindicar direito algum, nem a Igreja nem a sociedade em seu conjunto deveriam surpreender-se se depois também outras opiniões e práticas distorcidas ganham terreno e se aumentam os comportamentos irracionais e violentos”.

O documento destaca também que “a Igreja não pode se despreocupar de tudo isto e, por conseguinte, mantém firme a sua posição clara a respeito. Posição que não pode, certamente, modificar-se sob a pressão da legislação civil ou da moda do momento”.

Opinião

Diante a notícias acima é valido lembrar que eu, Marquione Ban, não entendo de lei e não li o texto da PL 122/06. Porém quero opinar sobre esse assunto que é tão polêmico.

Penso que diante as opiniões, seja elas das doutrinas cristãs ou movimentos contra a homofobia, é preciso ter cautela e  discutir melhor a situação. Discriminar não é, com toda a certeza, mandamento de Cristo. É preciso pensar sobre como fazer uma lei que extermine o preconceito sofrido pelos que optam pela homoafetividade e por aqueles que não concordam com essa escolha. Embora, leis não mudam o comportamento humano.

Ter a atitude de sempre respeitar e acolher é o que deve acontecer dos dois lados dessa discussão. Muitos irão falar que estou em “cima do muro”, mas para que não haja dificuldades de diálogo entre uns e outros é preciso que se suba em “cima do muro” para que o debate fique um pouco isento das opiniões preconcebidas, ou melhor, preconceituosas de ambos os lados.

Enfim, minha opinião é preferencial pela família e quem tem família ama. Quem ama, segue a Jesus. Quem segue a Jesus, respeita o próxima, ou melhor, o ama.

Fonte Canção Nova

Foto Arquidiocese de Brasília

Opinião: Marquione Ban