Padre Beto mais uma vez. Quem deve refletir?

Refletir. De acordo com o padre Beto suas palavras polêmicas por irem de encontro a doutrina católica e a fé que ele professa foram ditas apenas para que a Igreja, seus fieis e seus líderes, pudessem refletir sobre o tema. Me bateu uma dúvida. Quem deve refletir de fato sobre o tema?

Leiam a entrevista do padre Beto ao site Papo Feminino.

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Na terça-feira (23), quando a Diocese de Bauru determinou que os vídeos fossem retirados do site do padre e das redes sociais, um grande debate se instalou na internet, sobretudo no Facebook. Páginas a favor e contra o padre foram criadas. Para quem apoia o religioso, ele está certo ao tentar atualizar os preceitos católicos. Para esses, a Diocese está sendo retrógrada ao impor censura ao padre. Os contrários questionam a permanência do sacerdote na Igreja. Alguns o chamam de “herege”.

Para bispo, padre vai reconhecer que errou – O bispo diocesano de Bauru, dom Frei Caetano Ferrari, diz que o padre Beto “avançou o sinal” ao postar vídeos que propõem uma revolução nos costumes da Igreja. “Padre Beto é muito inteligente, muito capaz. Mas tem essa tendência de avançar o sinal. Estou cobrando isso dele: que faça uma retratação. Os vídeos provocaram muita inquietação, não só em Bauru, mas em outras dioceses”, disse.

Para Dom Caetano, a necessidade de reflexão defendida pelo padre é legítima. “Refletir é um ato inerente ao ser humano. Mas a reflexão se dá a partir da própria identidade. E o que está acontecendo é que o padre está perdendo a noção da sua identidade, uma vez que é padre”.

Dom Caetano acredita que padre Beto irá se retratar na próxima segunda-feira. “Estou confiante que o Espírito Santo vai tocar o coração dele”, afirmou.  Ele se referiu ao padre como um “filho rebelde”: “É como um filho rebelde, que a gente ama e quer bem”.

Na entrevista abaixo, Padre Beto comenta o episódio e defende uma Igreja mais plural:

Papo Feminino – O senhor recebeu com surpresa a determinação da Diocese de Bauru?

Padre Beto – Sim, recebi com surpresa. Não esperava isso. Não acho que fiz declarações absurdas nem que pudessem atingir autoridades ou os dogmas da Igreja. São reflexões para que as autoridades da Igreja ouçam e possam refletir. Por outro lado, acho que demorou muito até [para a Diocese determinar retratação].

Papo Feminino – O senhor diz que a estrutura de paróquia é falida e deveria ser revista. Também fala que o espaço físico das igrejas é ocioso. E diz ainda que a sexualidade deveria ser alvo de um debate na Igreja para que algumas regras em relação à conduta dos fiéis fossem reformuladas. Quais dessas declarações, na sua opinião, incomodou mais a Diocese?

Padre Beto – O que incomodou a Diocese foi o ato de refletir. Acredito que a posição de Dom Caetano é assim: “já existem pessoas em outras instâncias da Igreja refletindo por nós. Seu papel como padre não é refletir: é acatar e transmitir aos fiéis, que vão acatar também”.

Papo Feminino – Após a declaração da Diocese, dois lados se formaram nas redes sociais: aqueles que apoiam sua conduta e aqueles que repudiam. Quem não concorda com suas ideias diz que o senhor deveria sair da Igreja, já que não acata as regras internas. O que o senhor acha disso?

Padre Beto – A Igreja é uma instituição onde convivem correntes, linhas de pensamento. Neste momento histórico, determinadas linhas estão silenciosas, não estão se expressando. Mas a Igreja não pode ser um monólogo. A Igreja tem que ser uma mesa-redonda onde todas as linhas de reflexão possam discutir. E a Igreja só evolui quando essas linhas entram em debate. O Concílio do Vaticano 2º (assembleia da Igreja, realizada entre 1961 e 1965 e que, entre outros pontos, estimulou maior diálogo com outras religiões) foi um grande debate entre bispos e padres. Questionários foram enviados a todas as dioceses do mundo e encaminhados ao Vaticano para serem lidos, ou seja, teve participação de leigos. E isso foi importante para a evolução da Igreja. Preste atenção: Cristo se encontrou com todos, dialogou com todos de igual para igual, não foi preconceituoso. Dialogou com a prostituta, com a samaritana, que tinha outra fé, com os cobradores de impostos, os chamados pecadores da época. Eu digo para os meus opositores: enxerguem mais Jesus em vez de dogmas, normas ou preceitos religiosos.

Papo Feminino – Isso quer dizer que o senhor não vai se retratar?

Padre Beto – Ainda estou refletindo a respeito.

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5 comentários sobre “Padre Beto mais uma vez. Quem deve refletir?

  1. Pingback: Retrospectiva 2013: tudo que aconteceu na Igreja durante o ano « O ANUNCIADOR

  2. Desculpem-me os mais pacientes e caridosos, mas eu, pecadora e imperfeita, não tive estomago para terminar de ler a “defesa” do tal padre. Por favor!! Ele acha que pode sair pelo mundo pregando mensagens que vão CONTRA o Evangelho de Nosso Senhor na esperança de provocar uma “reflexão” na Igreja? Por favor. Abandona o sacerdócio e funda um partido político, uma ONG, sei lá. Essa sua agenda não é condizente com a mensagem de Cristo, “Padre Beto”!!

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  3. Queria poder dizer a esse padre Beto que Jesus dialogou com a prostituta, a samaritana, o publicano, e não com a prostituição, a blasfêmia ou a ganância. Uma coisa é acolher o pecador, outra é tolerar o pecado!

    O diálogo que ele e todos os apóstatas propõem é a aceitação do pecado sob pretextos capciosos, tendenciosos e mal intencionados.

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