Jesus escreveu os evangelhos?

o-evangelho-de-cristoHoje começa o Mês da Bíblia em nossa Igreja. Mês para nos dedicarmos mais ainda aos textos Sagrados de Deus. Para iniciar esse mês bem, reblogo o texto do Padre Geraldo Ildeo, da paróquia Sagrado Coração de Jesus, aqui da minha cidade, Ipatinda-MG.

Leiam…

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A Bíblia pode ser dividida em duas partes: Antigo (46 livros) e Novo Testamento (27 livros).

A coleção dos 27 livros sagrados (do grego: Διαθήκη Καινὴ, Kaine Diatheke) é o nome dos livros que compõem a segunda parte da Bíblia, o Novo Testamento. Foram escritos após a morte, ressurreição e ascensão de Jesus Cristo. Têm a finalidade de poderem permitir a expansão da notícia de Jesus, morto e ressuscitado, o Messias para a salvação do mundo, Tornaram-se a fonte inspirada por Deus para fundamentar a  teologia cristã.

O Novo Testamento foi escrito em momentos, locais e por autores diferentes. Jesus não deixou textos escritos. A partir do ano 42  surgiram nas comunidades os chamados “ditos de Jesus”, em grego koiné, a língua franca da parte oriental do Império Romano. Eram como apostilas para difundir os ensinamentos do Mestre e que deviam ser conservados e noticiados aos povos.

Antes do século II nem todos os 27 livros livros foram aceitos imediatamente pela Igreja como o Apocalipse de João e as Epístolas católicas menores (II Pedro, Judas, Tiago, II e III João). Mas, a partir do século III foram aceitos com unanimidade pelas comunudades cristãs.

O Cânone do Antigo Testamento não era aceito uniformemente dentro do cristianismo. Católicos, protestantes, ortodoxos regos, eslavos e armênios  divergergiam quanto aos livros do Antigo Testamento, mas aceitavam e respeitavam unânimes os livros do Novo Testamento como proféticos, sagrados e inspirados por Deus. Até hoje a Bíblia dos Protestantes tem apenas 39 livros do Antigo Testamento. A bíblica católica tem 46 livros tidos como sagrados e inspirados por Deus.

Amônio de Alexandria, no século III, e Eutálio – século V – para facilitar a leitura do Novo Testamento, dividiram os textos em capítulos e versículos.

Os quatro evangelhos

O Evangelho (Boa Nova), é uma boa notícia da história da vida, dos ensinamentos, dos feitos, da morte e ressurreição de Jesus de Nazaré.

São quatro os Evangelhos: de Mateus, Marcos, Lucas e João.

Evangelho do apóstolo Mateus

Este evangelho começa com a genealogia de Jesus e a história do seu nascimento. Termina com o envio dos discípulos por Jesus depois de ressuscitado. O principal objetivo do evangelho de Mateus é mostrar para os judeus que Jesus era o Messias. Provavelmente foi escrito perto do ano 60 d.C. Era considerado o manifesto da Igreja de Jerusalém e, por conseguinte, o documento fundamental do início da fé cristã. Esse primeiro Evangelho deve ter se perdido. Hoje temos o Evangelho de Mateus, uma reflexão sobre Jesus das comunidades de cristãos refugiados na Síria,  ano 80 (?).

Evangelho do evangelista Marcos, que não era apóstolo.

Marcos foi um dos ajudantes de Paulo e depois de Pedro. Segundo os Padres da igreja, o evangelho de Marcos foi escrito com base no ensino do apóstolo Pedro, depois de uma palestra feita em Roma para os pagãos por volta do ano 65 d.C. Este evangelho começa com a pregação de João Batista e o batismo de Jesus.

Evangelho de Lucas –  Lucas não era apóstolo. Escreveu o Evangelho e Atos dos Apóstolos. Ele foi mencionado no Novo Testamento como companheiro do apóstolo Paulo (II Timóteo 4,11) e médico (Colossenses 4,14). O autor não foi testemunha ocular das coisas que registrou, mas fez uma minuciosa investigação com muitas pessoas que presenciaram os fatos contidos nesse evangelho (Lucas 1,1-4). Ele é dirigido para alguém chamado Teófilo.  Inicia a narração com histórias paralelas do nascimento e da infância de João Batista e Jesus. Termina com as aparições de Jesus ressuscitado e sua ascensão ao céu. Seu objetivo era contar a história de Cristo a partir dessas testemunhas oculares. Foi escrito provavelmente no ano 80 d.C.

Evangelho de João, filho de Zebedeu – Este evangelho começa com um prólogo filosófico e termina com as aparições de Jesus ressuscitado. Foi escrito no final do século I e tinha como objetivo complementar de diversas maneiras o registro que tinha sido fornecido sobre a história de Jesus pelos outros três evangelistas.

Evangelho Sinóticos

Mateus, Marcos e Lucas escreveram os evangelhos que se chamam sinóticos por conterem relatos semelhantes da vida e ensino de Jesus. Esses três evangelhos possuem entre si várias dependências literárias.

Há quem afirme que o evangelho mais antigo seria o de Marcos, cuja data de escrita costuma ser calculada perto do ano 65 d.C.. Pode ter servido de fonte sobre a vida de Jesus para Mateus e Lucas.

Outra corrente de estudiosos afirma que eles foram escritos com base em uma Fonte “Q” (de quelle, que significa “fonte” em língua alemã), que seria como “apostilas” criadas nas diversas comunidades cristãs.

Outros afirmam que o evangelho de Mateus foi escrito primeiro. Lucas teria usado o evangelho de Mateus, além de outros evangelhos que circulavam na época.

Por fim, o evangelho de Marcos seria fruto de uma palestra que Pedro deu com base nos evangelhos de Mateus e de Lucas.

O Evangelho de João é estruturado de forma diferente dos evangelhos sinóticos. Inclui histórias de vários milagres e palavras de Jesus que não são encontradas nos outros três evangelhos.

Esses quatro evangelhos foram unanimemente aceitos pela Igreja primitiva como parte do Cânon Sagrado do Novo Testamento.

Pe G. Ildeo – agosto 2015

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