Papa Leão XIV encerra viagem à França com apelo à unidade

O Papa Leão XIV encerrou, em 28 de setembro de 2026, sua primeira viagem apostólica à França desde o início do pontificado. Entre os dias 25 e 28, o Pontífice passou por Paris, Lourdes e Metz, reunindo-se com autoridades francesas, bispos do país e representantes de diferentes tradições religiosas. A visita teve como momentos centrais o encontro com a Conferência Episcopal Francesa em Lourdes, no dia 27, e um encontro inter-religioso em Metz, no dia 28, encerrado com a assinatura de uma declaração conjunta em defesa da paz. O Anunciador reúne os principais fatos e mensagens da viagem.

Quatro dias entre Paris, Lourdes e Metz

A viagem começou em 25 de setembro, com a chegada do Papa a Paris. Na capital francesa, Leão XIV presidiu uma missa na Place de la Concorde, com participação estimada em cerca de 600 mil fiéis, além de visitar a Catedral de Notre-Dame, reunir-se com o presidente Emmanuel Macron no Palácio do Eliseu e participar de um encontro no Stade de France, em Saint-Denis. Ainda em Paris, o Pontífice discursou na sede da Unesco, retomando uma tradição iniciada por João Paulo II em 1980, em um encontro que tratou de temas como educação, meio ambiente e os desafios éticos da inteligência artificial — assunto também abordado na recente encíclica papal Magnifica Humanitas.

Nos dias seguintes, a viagem seguiu para o santuário mariano de Lourdes, com peregrinação que reuniu cerca de 150 mil pessoas, e para Metz, no nordeste da França, onde o Papa participou de um evento em homenagem a Robert Schuman, um dos fundadores da União Europeia, na conferência “Às raízes da Europa, pela paz e pela unidade”.

Em Lourdes, apelo à coragem e à unidade dos bispos franceses

No dia 27 de setembro, próximo à Gruta das Aparições, Leão XIV se encontrou com os membros da Conferência Episcopal Francesa, reunidos em assembleia plenária. Em seu discurso, o Papa pediu que os bispos não se deixem abater pelas dificuldades: “Não se deixem desanimar pelos erros… nunca se cansem de anunciar o Evangelho!”. Definiu a Igreja no país como “um pequeno rebanho que deve unir as suas forças” e afirmou que “a Igreja na França está no coração do Papa”.

Entre os temas tratados no encontro estiveram o declínio das vocações religiosas, a valorização das famílias católicas, a presença da Igreja no debate público e a busca pela unidade interna da comunidade eclesial francesa. O Papa também reafirmou o compromisso da Igreja com a proteção de menores e com o acolhimento às vítimas de abusos, tema que integrou a agenda de encontros reservados durante a passagem por Lourdes, segundo informou a Vatican News.

Em Metz, diálogo inter-religioso e declaração conjunta pela paz

No último dia da viagem, em 28 de setembro, o Papa se reuniu com líderes de diferentes religiões no Centro de Congressos Robert Schuman, em Metz. No discurso, afirmou que “nada do que desfigura a dignidade humana pode reivindicar uma autêntica inspiração divina” e que “as religiões são guardiãs da vida; elas afirmam o seu valor sagrado”. Defendeu ainda que “o discurso religioso deve exortar constantemente ao desarmamento dos corações e das palavras” e que “dialogar não diminui a nossa identidade, mas expressa-a com simplicidade e verdade”.

O encontro terminou com a assinatura de uma declaração conjunta por líderes religiosos presentes, em defesa da paz e da dignidade humana — gesto que a Vatican News descreveu como um dos pontos altos da viagem.

Missa em Metz e despedida

Ainda em Metz, o Papa presidiu uma missa na Catedral de Santo Estêvão antes de encerrar a viagem com uma despedida ao presidente Macron. Com isso, encerrou-se a primeira visita de Leão XIV à França, marcada por gestos voltados à unidade da Igreja local, ao diálogo com outras tradições religiosas e à reafirmação do papel da fé no debate público europeu.

A viagem se soma a um conjunto de sinais do pontificado sobre os desafios de uma Europa secularizada: o cuidado pastoral com uma Igreja numericamente menor, mas chamada a permanecer presente na vida pública, e a aposta no diálogo — inter-religioso e com as instituições internacionais — como caminho para enfrentar crises globais, da paz à inteligência artificial.

Fontes e referências

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